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terça-feira, 22 de novembro de 2022

Expansão da Bio-Reserva Sra. da Alegria

 

Em vésperas do Dia Nacional da Floresta Autóctone, 23 de Novembro, data em que um pouco por todo o pais se assinalará a sua  importância com diversas iniciativas de plantação, partilhamos uma das iniciativas que, desde o seu início,  em Junho de 2019, mais tem contribuído no terreno e com trabalho de facto,  para a preservação dessa mesma floresta autóctone: A Bio-Reserva Sra. da Alegria em Almalaguês, arredores de Coimbra, criada e gerida pela MILVOZ - Associação de Proteção e Conservação da Natureza.

As Semente de Portugal são desde o primeiro momento Parceiro Oficial da Bio-Reserva, patrocinando dentro das suas possibilidades, as suas actividades e desenvolvimento.  Como referimos com frequência, as potencialidades da flora nativa em jardins e projectos de renaturalização com maior bio-diversidade são inúmeras. Mas quando tudo isso já existe, apurado ao longo dos tempos pela Natureza, disponível e em equilíbrio, a MELHOR E ÚNICA COISA A FAZER É....PRESERVAR.

E  é isso que a equipa da MIL VOZ tem feito, com provas dadas e  de forma transparente ao longo destes 3 anos. Visitar a reserva que hoje existe e o trabalho de conservação já efectuado, enche de orgulho qualquer pessoa que tenha participado na primeira campanha de angariação de fundos, provando que estavam mesmo certos quando decidiram financiar a sua criação.

Neste momento e até ao final do Ano esta a decorrer uma nova angariação de fundos para a expansão do núcleo original e que passará pela aquisição de mais 7 terrenos.

No seu site a MilVoz explica de forma detalhada o que pretende fazer com os donativos que lhe forem entregues e para nós este é possivelmente um dos investimentos mais seguros que qualquer cidadão pode fazer em matéria de conservação da nossa Floresta Autóctone! Mais informações de como contribuir AQUI!



sexta-feira, 13 de maio de 2022

Renaturalização de solos degradados - Projecto Life Ribermine - Minas do Lousal

 




Tão importante como a conservação e não destruição dos ecossistemas ainda existentes, a  recuperação de solos degradados e a sua urgente renaturalização é, provavelmente, um dos maiores desafios que  enfrentamos. O solo e o coberto vegetal são a base de todos os ecossistemas e sem eles a vida, tal como a conhecemos, simplesmente não existe.  

E se a destruição de solo é relativamente fácil - Infelizmente mesmo em Portugal ela acontece a todo o momento, com justificações perfeitamente triviais e de curto-prazo , a sua recuperação, além de difícil, implica um esforço significativo e requer conhecimento que nem sequer existe. 

Neste âmbito, a recuperação de antigas áreas mineiras, com extensas áreas de escombreiras, acumuladas ao longo de décadas, onde se alterou de forma muito significativa a estrutura do solo e com elevados níveis de acidez e consequentes implicações ao nível dos recursos hídricos, coloca problemas de dificuldade acrescida aos quais, mais cedo ou mais tarde, teremos de fazer frente.

O projecto Life Ribermine, um consorcio que integra instituições de Portugal e Espanha, com o foco na na "Recuperação de habitats fluviais de água doce através da restauração ecológica de minas geomórficas na Península Ibérica", tem precisamente esse objectivo - O de criar conhecimento numa área em que muito pouco ainda foi feito.

Do lado português, o Centro de Ciência Viva do Lousal - Grândola -, juntamente com investigadores da Universidade de Lisboa, dinamizaram com o coordenador (Governo de Castilla-La mancha) e os parceiros (Universidade Complutense de Madrid e equipas de outras universidades espanholas) dinamizaram ao longo dos últimos dois anos, o projeto piloto para a recuperação de  uma área de 1,5 Hectares no qual tivemos o privilégio de poder colaborar.

Os resultados alcançados com a sementeira de uma composição contendo cerca de 20 espécies pioneiras, entre gramíneas e herbáceas com flor, já são visíveis nesta Primavera dispensam muitas palavras. A fotos que partilhamos no inicio deste post falam por si. Numa área, em que pouco mais existia do que algumas espécies arbustivas, com elevados níveis de acidez e em que o solo nem sequer existia, é possivel hoje admirar um prado vibrante de cor e onde outras formas de vidas já se  instalaram.

Abaixo partilhamos algumas fotos cedidas pela Equipa do projecto e que ilustram bem todo o trabalho que foi necessário realizar: a preparação prévia da área, desde a sua limpeza até à sementeira realizada no final de Outubro de 2021,  passando pela modelação do terreno e enriquecimento prévio.

Mas se enquanto fornecedores das sementes utilizadas não poderíamos estar mais felizes por fazermos parte deste projecto pioneiro, enquanto cidadãos a nossa alegria ainda é muito maior e a nossa admiração vai toda para a equipa que teve a capacidade de por as mãos à obra, de correr muitos riscos e fazer pela primeira vez aquilo que nunca tinha sido feito em Portugal!

A todos eles os nossos Parabéns!















sexta-feira, 5 de novembro de 2021

Espécies autóctones o novo Parque Gonçalo Ribeiro Teles

 

" E se no centro de Lisboa um jardim tivesse uma área significativa  espécies silvestres?" Esta questão, que até agora era apenas uma ideia de difícil concretização será uma realidade a partir da próxima Primavera no novo Parque Gonçalo Ribeiro Teles da Praça de Espanha.
Neste novo parque da Câmara Municipal de Lisboa.,da autoria do atelier NPK - arquitectos paisagistas, 2 dos 6 hectares de área verde foram reservados para instalar diferentes prados floridos constituídos  por espécies silvestres. Espécies que outrora aqui ocorreram mas que com o tempo desapareceram do espaço urbano.
As sementeiras que agora decorrem eram pois a única forma de trazer de volta para o centro da cidade perto de 80 espécies autóctones.
Para nós, participar neste projecto desenhado pela NPK e que contou com a participação do Instituto Superior de Agronomia, na pessoa do Prof. Pedro Arsénio, na definição dos diferente elencos, foi não só um privilégio mas sobretudo um dos nossos maiores desafios! A todos os que o possibilitaram, o nosso Obrigado!


sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Plantarium - viveiro de plantas autóctones

 


A preservação da nossa flora autóctone nos seus espaços naturais de origem é, evidentemente, fundamental. Porém,  podemos também usufruir das suas inúmeras potencialidades trazendo-as para os nossos jardins e espaços públicos das cidades. A disponibilização de sementes de espécies nativas para todos aqueles que as pretendem semear tem sido a nossa missão  ao longo dos últimos anos.  

Todavia, para que isso aconteça de forma mais sistemática  é fundamental criar em Portugal uma cadeia de valor onde viveiros, arquitectos paisagistas, donos de obras, jardineiros e centros de jardinagem, utilizem cada vez mais essas mesmas plantas autóctones. Só assim será possível alterar de forma visível a nossa realidade no que toca a espaços verdes mais sustentáveis e biodiversos.

A Plantarium (www.plantarium.pt) é um desses projectos de viveirismo com quem temos o privilégio de colaborar desde o seu início. Sedeada em Vila Real no campus da UTAD,  está totalmente focada na produção de espécies  autóctones do nosso país tendo disponíveis para entrega plantas de qualidade de cerca 100 espécies, entre arbustos, árvores e herbáceas. 

A sua existência a Norte é mais um passo nessa construção dessa cadeia de valor, à qual arquitectos paisagistas, profissionais do sector e particulares poderão recorrer na implementação dos  seus projectos de paisagismo e jardinagem.

O seu sucesso será o nosso sucesso! 

Mas será sobretudo o sucesso da sociedade à qual todos pertencemos e que, de forma adulta e madura, justificará, pelas leis do mercado, a existência de atividades económicas, viáveis e sustentáveis, relacionadas com a promoção e utilização de espécies autóctones.  Uma sofisticação que outros países europeus já alcançaram e que em Portugal também pode e deve acontecer.

À equipa da Plantarium, os nossos votos de um Bom trabalho!




domingo, 14 de junho de 2020

A oportunidade das Limpezas Florestais


Nos últimos anos e sobretudo desde os grandes incêndios de Pedrogão Grande em 16 Junho de 2017 - fazem agora 3 anos!, as leis de limpeza de espaços florestais, com regras nem sempre fáceis de compreender, têm colocado uma pressão adicional sobre pequenos proprietários que, em prazos apertados, com custos significativos e sob pena de multas pesadas, são forçados a realizar trabalhos de limpeza de muita duvidosa necessidade e com claros prejuízos em matéria de biodiversidade.

É claro que se o bom-senso fosse generalizado não seriam necessárias leis, mas ainda assim há alguns aspectos que, no espírito da lei em vigor, poderão ser tidos em linha de conta tornando o seu cumprimento menos gravoso ponto de vista ambiental e até mesmo uma oportunidade de valorização de outras espécies autóctones que  ocorrem espontaneamente nas parcelas a limpar.

Esses aspectos são, de forma resumida, os seguintes:

 - O espírito da lei pretende acima de tudo uma redução significativa da matéria combustível. Isto é, não é necessário destroçar de forma generalizada tudo excepto árvores adultas! Além destas há um sem numero de arbustos, sub-arbustos e árvores juvenis que, além de pouco combustíveis, são um importante suporte para inúmeras formas de vida. Medronheiros, adernos, pilriteiros, carrascos, folhados são, entre muitas outras espécies, alguns exemplos. Preservá-las através de uma limpeza selectiva não representa custos acrescidos e os benefícios são visíveis.
 - Apesar do limite para a realização de trabalhos de limpeza coincidir com a Primavera (este ano prolongado até ao fim de Maio, devido aos impactos do vírus COVID-19), estes trabalhos não têm de ser efectuados em plena Primavera. Pelo contrário! A Primavera é a época de floração da grande maioria das plantas e de procriação da maior parte dos seres vivos, pelo que perturbar o seu habitat nesta estação é prejudicar irremediavelmente a biodiversidade. Na nossa perspectiva, a  melhor altura para executar estes trabalhos é, se for possível, de Setembro a Janeiro.

 - Reduzir a matéria combustível, na grande maioria dos casos, alcança-se reduzindo apenas as espécies mais abundantes e de crescimento mais vigoroso. Em regra e quase sempre, consoante as regiões, urzes, fetos, tojos, silvas e estevas. E dizemos "reduzir" em vez de eliminar porque não faz sentido pretender erradicar estas espécies. Além de ser um esforço inglório, ela desempenham um importante papel pelo que podem ser deixadas pequenas manchas a serem geridas, de forma alternada, ao longo dos anos.

 - Por fim, as acções de limpeza florestal são uma excelente oportunidade para criar bosques por regeneração natural, sem necessidade de plantar ou semear árvores que, na maioria dos casos, sao provenientes de outras regiões. A grande maioria dos povoamentos de pinheiro ou eucalipto existentes foram efectuados ao longo do século XX. Porém, ao contrário do que hoje acontece, os métodos de plantação não aniquilaram as espécies pré-existentes como carvalhos ou sobreiros. As suas raízes permanecem vivas e só esperam uma oportunidade para rebentar a partir da "toiça". Estas, a que se somam as foram semeadas pelas aves - gaios, por exemplo, são quase sempre mais do que suficientes para iniciar uma renaturalização bem sucedida. Mais do que semear ou plantar novas árvores, o importante é realizar uma limpeza selectiva que salvaguarde as já existentes!

Terminamos por fim com um pequeno video ilustrativo de uma limpeza florestal que tivemos a oportunidade de influenciar recentemente e que, de acordo com as linhas acima descritas, permitiram alcançar resultados muito mais mais equilibrados.

Trata-se de uma pequena parcela, na região de Leiria -Batalha, a Oeste da maciço calcário estremenho (Serra de Aire e Candeiros), cujo povoamento original de Carvalhos-cerquinhos (Quercus faginea broteroi) e sobreiros (Quercus suber) foi, ao longo das últimas décadas substituído por pinheiros e eucaliptos. 

A limpeza agora efectuada, apesar de não ter sido realizada na melhor altura(início de Junho), pretende no médio e longo prazo voltar a dar a primazia aos carvalhos e e sobreiros. Mas sem radicalismos. Neste processo foi efectuado um desbaste de eucaliptos e pinheiros e os que se deixaram, além de futuramente produzirem madeira, ajudarão na protecção das outras espécies ainda juvenis como é o caso, para além dos carvalhos e sobreiros, dos folhados, zambujeiros e pilriteiros.

As pilhas/amontoados de ramos e folhas, dispostos de acordo com as curvas de nível, irão decompor-se ao longo do tempo. Além de incorporarem matéria orgânica no solo, ajudarão a reter água e servirão de abrigo a repteis e pequenos mamíferos.

No final as espécies preservadas permitirão que dentro de alguns anos surja nesta parcela o que será um bosque mais resiliente e com um risco de incêndio bastante menor!



terça-feira, 7 de abril de 2020

Trazer a paisagem mediterrânica para o Jardim




Faz agora um ano que se realizou em Évora (dias 6 e 7 de Abril de 2019) a conferencia Internacional de Primavera da Mediterranean Gardeners - Portugal e que na altura partilhámos AQUI.

Um dos momentos altos foi a apresentação, agora disponível on-line - https://vimeo.com/352971855, de Olivier Filippi sobre as infindáveis possibilidades que temos ao nosso dispor para recriar jardins mais sustentáveis nos países da Europa do Sul! Vale a pena voltar a assistir.

Há mais de duas décadas que, a partir do Sul de França, Olivier Filippi desenvolve novas perspectivas sobre jardins mais sustentáveis, mais bio-diversos e onde os sistemas de rega, além de desnecessários, são mesmo prejudiciais! Na Europa do Sul não temos mesmo (nem podemos!) continuar a tentar copiar jardins do Norte da Europa! A alternativa está à nossa volta e por todo o lado para nos inspirar: As nossas paisagens naturais!

sexta-feira, 27 de março de 2020

Um jardim autóctone e ...não só!


No nosso último post, acerca do blogue Jardim autóctone, de Rafael Carvalho, editado entre 2011 e 2015 fazíamos referência a uma das suas publicações onde evidenciavam as razões para que cada vez mais incluamos espécies da nossa flora autóctone num jardim. Nele uma das ideias partilhadas é a de que, nesta matéria, como em muitas outras não há lugar a ortodoxias. Um jardim pode ter plantas autóctones mas também pode continuar a ter espécies de outras proveniências que nao o território local/regional ou nacional!

Claro que somos adeptos de jardins com mais flora autóctone! Em regra são jardins mais sustentáveis, mais adaptados ao nosso clima, ecologicamente mais ricos e, consequentemente, com maior biodiversidade! Mas pode um jardim ter outras espécies que não sejam autóctones!?!Na realidade um jardim pode (e deve!) ter todas as plantas que o seu mentor considerar adequadas!

Não existe nenhuma regulamentação de como deve ser um jardim. Não existe nenhum decreto nem nenhuma lei que defina que um jardim é melhor com estas de que com aquelas espécies! Um jardim é e será sempre um espaço de SONHO e LIBERDADE com os pés e as mãos na terra. Uma construção humana, intima e pessoal que espelha as opções éticas e estéticas de quem o desenha, planta e cuida.

Pode ter espécies do hemisfério Sul!? Pode! E do mediterrâneo Oriental!? Também! E autóctones da outra ponta do país? Porque não? E cultivares apurados por jardineiros ao longo de gerações? E porque não também? Até pode ter plantas geneticamente modificadas se for essa a vontade. O melhor jardim é e sempre será só um: aquele que faz alguém feliz!

Estabelecidos os limites, que não são nenhuns, qualquer pessoa pode (e deve!) começar essa aventura - assim tenha as condições e....a vontade! Para desenhar, plantar, semear, errar, ver crescer, mondar, voltar a plantar, retirar e um dia voltar a recomeçar! Se nessas múltiplas acções alcançar paz e alegria, o jardim já lhe deu tudo o que teria de dar! E foi certamente muito! Como bónus pode ainda deleitar-se a recordar o nome das plantas, dos arbustos e das árvores. Das que dão flores e folhas comestíveis. A saber distinguir as que são perenes das anuais ou bi-anuais. As que ocorrem na linha de costa ou as que nem são de cá, as que eram comuns nos jardins medicinais dos mosteiros e as que as abelhas adoram. As que só enraizaram à terceira, as que precisam de muito cuidado e as que só querem ficar sossegadas. As que implicam muita rega e as que não precisam dela para nada! A ver as estações a passar por ele e a lembrar-se de todas aquelas que não se conseguiram adaptar naquele solo/localização. A aprender a viver com essa frustração, a não desistir e ainda assim continuar a plantar outras que poderão prosperar.

Ao fim de algum tempo, com persistência e alguma paciência, qualquer um de nós poderá ter por fim o seu Jardim. Não será um jardim qualquer, nem tão pouco perfeito. Será simplesmente o seu Jardim. E isso é tudo o que basta!

Nota Final - No nosso blogue,https://bit.ly/2JlqKbr, partilhamos mais fotos de um Jardim sem qualquer sistema de rega e onde, a par de espécies autóctones de Portugal continental - provenientes de regiões tão dispares como Algarve, Beira Baixa, litoral atlântico, baixo -mondego e Serras de Aire e candeeiros, foram incluídas espécies provenientes da África do Sul e Mediterrâneo Oriental!





Nota - As fotos aqui partilhadas são de um Jardim, sem qualquer sistema de rega e onde, a par de espécies autóctones de Portugal continental - provenientes de regiões tão dispares como Algarve, Beira Baixa, litoral atlântico, baixo -mondego e Serras de Aire e candeeiros, foram incluídas espécies provenientes da África do Sul e Mediterrâneo Oriental!




segunda-feira, 23 de março de 2020

Em tempo de ficar em casa... Um Jardim autóctone!

(colagem elaborada com fotos de Rafael Carvalho obtidas em  www.jardimautoctone.blogspot.pt)

Num momento em que  por precaução todos nós devemos ficar por casa, só por análise ligeira é que corremos o risco de nos entediar. Quem tem filhos ou está em tele-trabalho tem o programa de festas mais do que definido. Mas para quem não está nessa situação também  não lhe faltarão alternativas para ocupar o tempo. Entre ficar escravo das redes sociais e da voragem dos números da pandemia, alienar-se nos canais de entretenimento, por a leitura em dia ou simplesmente aproveitar  para repensar a forma como nos iremos recriar no futuro próximo, são muitos os focos que nos podem ajudar a passar este tempo de forma proveitosa. Claro que a jardinagem e o contacto com as plantas e a terra são um dos melhores programas, mas nem todos têm essa possibilidade ao seu alcance.

Nós iremos fazer um pouco de todas as coisas que acima referimos e para começar a semana dedicamos hoje atenção ao nosso blogue. Infelizmente ao longo dos últimos anos a nossa disponibilidade para o manter foi diminuindo e o ritmo frenético das comunicação no Facebook e Instagram acabam por consumir a maior parte da energia. Não sem pena nossa. A blogoesfera tem virtualidades insubstituíveis e hoje muito do que somos a ela devemos. Dessas virtualidades a maior é a de todos os posts partilhados continuarem perfeitamente disponíveis para todos os que se interessarem por qualquer temática. Mesmo que por qualquer razão o seu editor resolva deixar de editar novos posts, todo o saber que generosamente partilhou continua acessível!

Desde que iniciámos o nosso projecto em 2013 nós próprios partilhámos neste blogue muitos textos sobre espécies, ideias e temas relacionados com a flora autóctone e a jardinagem sustentável que, sem qualquer pretensão cientifica, continuam a merecer uma visita. Porém, melhor do que nós outros alimentam ou alimentaram blogues que ainda hoje são para nós uma referência que vale a pena ler como se tivessem sido acabados de editar!

O blogue Jardim autóctone, editado pelo Arq. paisagista Rafael Carvalho entre Novembro de 2011 e Abril de 2015, é para nós um dos mais válidos e que merece ser lido. Hoje, em 2020, já é relativamente consensual a mais valia que a flora autóctone pode trazer a um jardim e são já alguns os projectos que a incluem de forma perfeitamente consciente e assumida. Mas há perto de 9 anos criar um blogue só sobre esse tema era desbravar terreno virgem!

 Partilhando não só informação útil mas muitas das opções que ia  colocando em prática no seu jardim particular em Armamar, no Alto Douro, o qual infelizmente nunca tivemos a oportunidade de visitar, Rafael Carvalho partilhou generosamente ao longo de mais de 3 anos muitas ideias que continuam totalmente actuais e válidas. Desde sebes a como fazer um pequeno charco, passando pelas inúmeras combinações estéticas que é possivel formular fazendo uso de plantas provenientes de outras regiões do nosso país até à necessária vertente ecológica que qualquer jardim pode ter para além da simples fruição humana. Há poucos posts que não mereçam leitura e, nestas semanas em que o tempo é coisa que nos sobra,  todos aqueles que se interessam por esta temática  têm ali muitos recursos!

Um dos posts, que para nós é fundador, é de Novembro de 2012:  Plantas autóctones no jardim – Porquê? Aconselhamos vivamente a sua leitura no sítio onde originalmente foi publicado - Até porque é acompanhado de fotos. Mas não resistimos a transcrever o seu texto. Todas as variáveis relevantes nesta matéria estão nele abordadas! 

Ao Arq. Rafael Carvalho o nosso Obrigado e a quem ler este texto os votos de que este tempo inédito se passe da forma menos penosa possivel!


                                   Plantas autóctones no jardim – Porquê?


O termo autóctone é sinónimo de nativo ou indígena, isto é, diz respeito a todo o ser vivo originário do próprio território onde habita.

O território continental português é ponto de encontro de duas regiões biogeográficas: a Eurossiberiana e a Mediterrânica. Na região Eurossiberiana, inclui-se o noroeste de Portugal Continental, com um clima temperado e chuvoso, fortemente influenciado pelo efeito amenizante do Oceano Atlântico. A Região biogeográfica Mediterrânica, que ocupa a restante parte do nosso território, caracteriza-se por possuir um clima em que as chuvas escasseiam durante o verão. Às distintas regiões biogeográficas correspondem faunas e floras muito próprias, muitas vezes sobrepostas no caso do nosso país por se localizar na franja de transição. No contexto europeu, a localização geográfica de Portugal, ponto de encontro de dois mundos, coloca o nosso país numa invejável posição no que à biodiversidade diz respeito.

Existe uma expressão popular portuguesa que afirma “A galinha da minha vizinha é melhor do que a minha”. Curiosamente o dito pode ser pensado ao contrário. As minhas galinhas, para as minhas vizinhas, serão pois melhores do que as delas. Confuso! Dá que pensar…

Votadas ao desprezo por nós, as nossas plantas têm lugar de destaque em paragens distantes. Para os franceses o azereiro (Prunus lusitânica) é o Loureiro de Portugal, para os ingleses o rosmaninho (Lavandula stoechas pedunculata) é a Lavanda portuguesa. E o que dizer do carvalho português (Quercus faginea)?!…Pinheiros mansos, lódãos, sobreiros, … Arquitetos paisagistas como o arquiteto Ribeiro Teles, são um verdadeiro exemplo a seguir. Com visão de futuro transportam os nossos espaços naturais para o interior das nossas cidades.

Algumas das nossas espécies autóctones já são entre nós comercializadas, sem que a maioria dos consumidores suspeite sequer de que se tratam de espécies autóctones – medronheiro, folhado, pilriteiro, loendro, rododendro, madressilva, alecrim, murta, loureiro …
Entre herbáceas, plantas de cobertura, arbustos, árvores e trepadeiras, existem contudo muitas outras espécies cujo potencial se encontra desaproveitado: esteva, sabugueiro, roselha, trovisco, sargaço, tojo, sanguinho das sebes, carqueja, lentisco bastardo, catapereiro, jasmim-do-monte, carrasco, vinca, vide-branca, zambujeiro, morangueiro bravo, arméria, roseira brava…

Cada região biogeográfica tem a sua flora característica, capaz de servir de inspiração na hora de construirmos os nossos jardins. Os modelos de jardim importados, exigem muita manutenção. São mantidos à custa de muito dinheiro gasto em água, que não temos, e em adubos. As chuvas na maior parte do nosso território são escassas e irregulares, concentradas apenas numa parte do ano. Os modelos importados abusam dos relvados, quando os nossos prados naturais, limpos e cortados, mesmo que secos no verão se enquadram no ambiente natural da Europa do Sul, onde nos encontramos.

A menos que sejam invasoras, com este texto não pretendo de forma alguma fazer um apelo à irradicação das plantas exóticas dos nossos jardins. Quase todos os dias como batatas. A batata que eu como e nós cultivamos é uma exótica importada da América do Sul. Também da América veio o milho, e como gosto eu de broa! E o que dizer das saborosas laranjas que os portugueses trouxeram do Oriente? Nos passeios que dou pelas cidades que vou visitando, os seus parques e jardins são ponto de paragem obrigatória. Quando visito um jardim botânico, muitas das vezes constituído maioritariamente por plantas exóticas, entro em êxtase. Vinda dos trópicos, como admiro eu a nepentes que lá em casa tenho suspensa na minha cozinha…
Com este texto, pretendo simplesmente chamar a atenção para o desprezo a que têm sido votadas as nossas plantas autóctones. Eu próprio tenho um jardim autóctone e com isso fico satisfeito.

Com objetivos produtivos ou ornamentais, plantas existem que não sendo autóctones há muitas centenas de anos convivem entre nós: ciprestes, amendoeiras, oliveiras, figueiras, romãzeiras, laranjeiras, limoeiros. Aliadas às autóctones estas plantas produzem espaços ajardinados bastante equilibrados e agradáveis, respeitadores das nossas paisagens.

É também através das plantas autóctones que os turistas que nos visitam podem reconhecer a singularidade do nosso país. A vegetação natural ajuda a ler o território. É isso que o turista procura quando visita um país estrangeiro. A nossa vegetação nativa deve para nós ser um motivo de orgulho. Os turistas que nos visitam procuram o que de mais genuíno possuímos - as nossas cores, os nossos aromas, as nossas formas. Se quisessem apreciar paisagens tropicais, repletas de palmeiras, não seria Portugal que procurariam. As plantas autóctones respeitam as nossas paisagens e a nossa cultura, produzindo jardins mais autênticos e genuínos. E não nos esqueçamos que as paisagens são tão identitárias para os povos como a sua língua - e como gosto eu de falar português!

A combinação de cores intimamente ligada às estações, os aromas, as texturas e composições vegetais, o relevo e os próprios sons permitem identificar a região onde nos encontramos. Os sabores também não ficam de fora – no verão delicio-me com as camarinhas em pleno litoral arenoso; no inverno embriago-me com os medronhos em pleno Alto-Douro vinhateiro. 

Verdade seja dita que muitas das nossas plantas autóctones são difíceis de obter. Muitos desconhecem as suas potencialidades…. Os circuitos comerciais e de produção, muitas vezes estão sediados em países distantes que desconhecem o potencial da nossa flora. Acredito que se estas plantas fossem parte integrante da flora onde a investigação em floricultura é mais avançada, já há muito estariam difundidas pelos jardins. O facto de continuarmos a valorizar exotismo em regime de exclusividade, também não ajuda.Nem tudo está perdido. No nosso país existem empresas a dar os primeiros passos na investigação e produção de plantas autóctones. A lisboeta Sigmetum (http://sigmetum.pt/), a funcionar na Tapada da Ajuda, é um exemplo de excelência.

Com recurso à reprodução vegetativa ou através de sementes recolhidas na natureza, os mais aficionados poderão constituir o seu próprio viveiro de plantas autóctones. Evidentemente que esta solução não é para todos.

Habituadas às agruras na natureza, as espécies nativas são muito rústicas. Com apenas um pouco de mimo, florescem abundantemente e apresentam vigorosas folhagens nos nossos jardins. As plantas dos nossos espaços naturais são as que melhor se adaptam às nossas características do solo e do clima. 


Claro que ser autóctone não é um passaporte garantido para a plena adaptação ao nosso jardim. Dentro das plantas autóctones existem plantas adaptadas a diferentes habitats/ecossistemas. Plantas ruderais, rupícolas, ripícolas, resistentes ou não a solos calcários… observando a natureza é necessário escolher a planta certa para o lugar certo. Apesar de autóctone, não me parece ser boa ideia plantar um nenúfar-branco numa floreira de varanda; também não me parece bem plantar um sobreiro no meio de um lago… Um jardim com espécies autóctones no atlântico Gerês, será necessariamente diferente do equivalente no mediterrânico Algarve.

Escolhida a planta certa para o lugar certo, as plantas autóctones após a fase de implantação dispensam a rega. Não há necessidade de fertilizantes nem de cuidados sanitários. Estas plantas desenvolveram ao longo de milhares de anos diversas adaptações ao meio que lhes conferem um elevado nível de resistência a pragas e a doenças. Uma vez plantadas têm a capacidade de se auto-regenerarem. Necessitando de muito pouca manutenção, as plantas autóctones tornam mais sustentáveis os nossos espaços verdes. Acresce ainda que muitas das plantas da nossa flora espontânea têm propriedades medicinais, são aromáticas e/ou condimentares podendo por isso representar mais uma forma de valorizar as potencialidades de cada região.

Os jardins autóctones fomentam a biodiversidade. À riqueza florística adiciona-se a riqueza faunística, pelas relações que as plantas autóctones estabelecem com os animais, fornecendo-lhes alimento e abrigo.
Com recurso às plantas autóctones, as paisagens portuguesas poderão ser ainda mais portuguesas."




sexta-feira, 27 de dezembro de 2019

Plantas Medicinais & Comestíveis da Flora Silvestre - Agenda 2020


Ao contrário de muitos outros países europeus onde a horticultura tem raízes profundas, em Portugal o gosto pelas plantas foi durante muito (demasiado) tempo um interesse pouco mais do que bizarro quase confinado aos departamentos de botânica do nosso país. E não era por o nosso povo não ter estabelecido proveitosas relações com as plantas que nos rodeiam. Pelo contrário. De forma talvez simplista, diríamos que as décadas de 80 e 90, sobretudo,  assistiram a uma desvalorização de tudo o que pudesse estar relacionado com o campo e a Terra.

Felizmente, ao longo dos últimos 10 anos podemos dizer que o interesse em resgatar conhecimentos antigos e preciosos tem crescido de forma inequívoca!  E neste movimento, no qual nos gostamos de incluir, o papel de divulgadores que de forma apelativa conseguem fazer a ponte entre a academia e outras fontes de saber em matéria de flora, é vital.

A Fernanda Botelho, https://malvasilvestre.blogspot.com/, de quem temos o privilégio de sermos amigos, é  inequivocamente em Portugal  a maior e melhor divulgadora das muitas potencialidades e qualidades das plantas. Seja ao nível medicinal e alimentar - no fundo muitos compostos químicos benéficos para a nossa saúde já são sintetizados de forma natural em muitas espécies!, mas também ecológico dada a sua  importância no fornecimento de alimento a um sem número de formas de vida.

Ao longo dos últimos 10 anos foram muitas as publicações da Fernanda Botelho - Desde agendas e livros infantis, passando por livros focados no tema das plantas e da Saúde. Mas se isto já seria muito, a presença regular quer em programas de televisão quer em actividades de divulgação em escolas de Norte a Sul do país, fazem-nos morrer de inveja pela sua inesgotável energia e paixão.

A agenda do próximo ano 2020 tem por tema as plantas medicinais e comestíveis da nossa flora Silvestre, um tema escolhido no contexto dos muitos movimentos que um pouco por todo o lado se insurgem contra a aplicação generalizada e sem qualquer critério lógico de herbicidas para "controlo de ervas daninhas". Um dos textos de introdução é da nossa autoria e nele, tal como os  elaborados pelos biólogos Fernando Neves de Sousa e Ivo Meco, procuramos desmistificar essa expressão tão redutora que é a de apelidar de "daninhas" um sem numero de espécies que poderíamos usufruir de forma vantajosa e mais sofisticada. 


Além de fichas sobre 53 espécies, entre as quais a malva-real, o cardo-mariano ou o funcho, para dar alguns exemplos, a agenda tem uma secção final com receitas culinárias e belíssimas fotos! OK, é verdade que quase não dá vontade de escrever nela de tão bonita que é! Mas numa altura em que quase toda a nossa vida está em formato digital algures em tablets e telemóveis, os factos mais relevantes das nossas existências merecem serem planeados de forma analógica. E este é melhor suporte em papel!

sexta-feira, 8 de março de 2019

Março - um mês com as mãos na Terra!


Março, um mês que se inicia no Inverno e termina em Primavera, é uma excelente altura para por as mão na terra. Seja para semear e fazer germinar sementes, seja para colocar plantas e árvores na terra. Na prática, um bom para voltar às hortas e jardins e preparar o tempo de usufruir uma Primavera que alongue ainda mais florida pelos meses de Maio a Julho.

E para quem tem dúvidas por onde começar, são diversos os eventos que irão ocorrer até meados de Abril e nos quais teremos o privilégio de estar presentes!


  • Feira de Jardinagem Mediterrânica em Silves - Dia 16 de Março , Sábado, estaremos na 5ª feira de jardinagem de Primavera organizada pela Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos. Este ano a Feira muda-se da quinta da Figueirinha para as instalações da FISSUL e será uma excelente oportunidade para adquirir plantas e assistir a diversas palestras. Nos iremos lá estar com as sementes das espécies mais emblemáticas que fazem parte do nosso catálogo de pacotes de flora autóctone.
  • Workshop com Noel Kingsbury, Dia 20 de Março, quarta-feira, no Jardim Botânico da Ajuda e co-organizado com a Associação dos Amigos do Jardim Botanico, dedicada ao comportamento das plantas no jardim, numa perspectiva de longo prazo. Noel Kingsbury, actualmente uma referência a nível europeu em "desenhos de plantação", é um reconhecido escritor e paisagista, é especialista em jardins do movimento "New Perennial". Conta com muitos livros editados, e é correspondente do jornal The Daily Telegraph, revista Gardens Illustrated Magazine e da revista The Garden, editada Royal Horticultural Society. Depois da Oficina haverá uma componente prática na matinha do Jardim Botânico onde os participantes plantarão espécies arbustivas autóctones. As Sementes de Portugal são parceiras deste evento e oferecerão a todos os paricipantes pacotes com sementes de algumas das espécies a utilizar como a Roselha, as Pascoinhas, a Murta ou o Piorno.
  • ExpoJardim - De 22 a 24 de Março na FIL Lisboa - Pela primeira vez a Expojardim vai até Lisboa. Serão 3 dias onde será possível  contactar como que de melhor se está a fazer nesta área no nosso país e nós também marcaremos presença em parceria com a Sigmetum, Viveiro especializado em plantas autóctones e com quem temos o privilégio de colaborar desde o início da nossa actividade. Pela primeira vez numa feira de jardinagem em Portugal o potencial ornamental e paisagístico da flora autóctone portuguesa estará presente numa feira de jardinagem!
  • Conferência de Primavera - Se os 3 eventos acima já são motivos mais do que suficientes para que Março seja um mês memorável, A Conferência de Jardinagem de Primavera que se realizará em Évora, de 5 a 7 de Abril, é a coroa de glória. Organizado uma vez mais pela  Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos e em parceria com a Universidade de Évora e As Sementes de Portugal, será um evento que coloca o nosso país ao nível do melhor que se faz no mundo Ocidental. Uma referência muito particular ás conferencias de Sábado, dia 6, dedicadas ao tema da paisagem mediterrânica numa jardinagem que se quer vibrante, moderna, ecologicamente mais rica e sustentável. Olivier Philippi (www.jardin-sec.com) e  James & Helen Basson (www.scapedesign.com), arquitectos paisagistas reconhecidos,  serão os oradores principais. As palestras são abertas ao público pelo que todos os interessados se poderão inscrever, mediante um pequeno valor - 20 Euros -  junto da Associação. Esta é uma oportunidade única à qual temos uma enorme satisfação de estar associados!

Estamos certos de que não há muitos anos com tantos e tão bons eventos dedicados à jardinagem. Se tivermos ajudado na sua difusão ficamos necessariamente muito contentes! A todos os votos de um bom mês com as mãos na terra!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Semear o Futuro em Aveiro


As Sementes de Portugal são parceiras da Agora Aveiro, associação para a promoção da cidadania activa e participativa, que, entre outras iniciativas, dinamiza o Projecto Plantar o Futuro junto das Escolas da Região. Recentemente, e através deste projecto, dezenas de alunos estiveram envolvidos no lançamento de "bombas de sementes" na Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, em Aveiro. Mas o que é mesmo gratificante para nós é perceber que, mesmo antes de lançadas, todas aquelas sementes já germinaram e vão produzir frutos! Germinaram na mente das dezenas de crianças que participaram! Pois, quem faz e lança as tais "bombas de sementes" aprendeu o essencial: O futuro está nas nossas mãos! Um grande Obrigado a todos aqueles que, em Aveiro, dinamizaram esta iniciativa. É um privilégio colaborar convosco!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lirium: desenhar Hortas e jardins com flora autóctone!


No Inicio de Outono e ainda a beneficiar de um prolongamento do Verão esta é a altura ideal para trabalhos de maior profundidade seja na horta seja no Jardim. A utilização das espécies autóctones em qualquer dos sítios é felizmente uma realidade que tem cada vez mais visibilidade, mas para muitos o difícil é desenhar esses espaços e escolher as espécies que melhor se adaptam ás características de cada espaço. Variáveis como o tipo de solo, a exposição solar, o efeito pretendido e o tipo de uso que se quer dar são sempre aspectos a ter em conta para que os resultados sejam mais gratificantes.

Em projectos de maior dimensão um bom projecto de arquitectura paisagista é essencial, mas em projectos e espaços de menor dimensão existem felizmente cada vez mais profissionais a ajudar nessa missão. Na região centro, e mais concretamente no Oeste - região de Alcobaça, a Lirium é para nós o projecto que melhor materializa a utilização de flora autóctone em espaços sustentáveis e que são feitos para serem usufruídos!

Como escrevemos AQUI há cerca de 3 anos, visitar o espaço da Lirium é a prova de que é possível, sem excessos e sem fundamentalismos, criar a mistura perfeita de horta e jardim ou, se preferirem de Hortins! 

"Espaços que têm que tem legumes e hortaliças das mais diversas, mas onde  também lá estão verbascos, scabiosas, dedaleiras, malvas, alcachofras e salgueirinhas só para referir algumas. Assim como inumeras plantas aromáticas e medicinais. O resultado está á vista e é a prova inequívoca de que sim, é possível ter um espaço onde se podem produzir alimentos felizes em perfeita sintonia estética com espécies mais ornamentais ou encarregues de outras funções, como as de afastar os insectos nocivos ou atrair os benéficos."

Na realidade nós, que até conhecemos um pouco o que se vai fazendo nesta área em Portugal, achamos que há muito poucas pessoas a fazer todos os dias um trabalho como aquele que é feito pelo Ricardo e pela Lirium. Mas sobretudo para quem habita na região Centro, a hipótese de contratar a ajuda especializada deve ser considerada uma prioridade a ter em conta. Seja na concepção, seja na execução, seja mesmo no fornecimento de plantas a Lirium pode fornecer uma preciosa ajuda para que mais depressa melhores resultados sejam obtidos!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Floresta Comum - Há sete anos a criar bosques



O Projecto Floresta-Comum, liderado pela Quercus em parceria com o ICNF e a UTAD, dedica-se desde 2010 a criar bosques autóctones. Desde o seu início já foram plantadas perto de 650.000 árvores de 60 espécies nativas diferentes em cerca de 168 concelhos do nosso país.

A nova fase de candidaturas a plantas do projecto Floresta Comum está aberta desde 28 de Julho e prolonga-se até 29 de Setembro, podendo  candidatar-se as autarquias ou outras entidades públicas bem comos órgãos gestores de baldios. As plantas estarão disponíveis para a próxima época de (re)arborização, de novembro de 2017 a fevereiro de 2018.

Sabendo nós que muitas autarquias são cada vez mais sensíveis ás iniciativas da dita sociedade civil esta é uma excelente oportunidade para que grupos de cidadãos promovam localmente a criação de espaços mais bio-diversos.
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Será uma gota no imenso mar da dita "floresta" de produção!?! Muito possivelmente. Mas há mares que se fazem de muitas gotas!

Mais informações sobre a fase de candidaturas AQUI.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Plantas do Estio Algarvio

Plantas em flor no início do Verão Algarvio, Horta da Lapa- Algoz, Algarve

Há pouco mais de uma semana fizemos referência aos benefícios do clima atlântico que caracteriza a região do Porto e que lhe permite dispor de jardins e espaços verdes de causar alguma inveja.

Mas o facto é que a maior parte do país não goza de tanta chuva, enquadrando-se no que se convencionou chamar de clima mediterânico, com uma estação seca é severa e prolongada. E pretender ter aí os jardins que se vêm no Porto, ou em Inglaterra, é evidentemente, pouco aconselhado. Em vez de espaços de fruição o máximo que se consegue são sorvedouros de água.

O Algarve - essa região que bem vista com atenção é seguramente o segundo reino maravilhoso de que dispomos no nosso território, é a nossa região de clima de tipo mediterrânico por excelência: a uma semana do início oficial do Verão, há pelo menos 15 dias que ele na realidade já por aqui se instalou, com as searas já maduras e os serros a caminharem para a secura.

Porém, contrariamente ao que se possa pensar, há ainda muita cor que poderá inspirar outras jardinagens que se queiram libertar do "tem que ser assim" e pretendam construir  espaços mais consentâneos com as características do solo e clima da região. 

Nessa jardinagem, que acontecerá inexoravelmente, são muitas as espécies endógenas da flora Algarvia que se poderá escolher. Mas há quatro que serão de certeza incontornáveis: O tomilho-de-creta (Thymbra capitata), a perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas), o fel-daTerra (Centaurium erythraea) e os suspiros-dos-montes (lomelosia simplex).

Quem achar que são outras as cores que os ocres do Algarve pedem, que se chegue à frente!


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Serralves em Festa


Pelo menos em matéria de jardins e espaços verdes, sempre que se regressa a Portugal oriundos de Inglaterra é de todo recomendado que se faça um estágio de aclimatação antes de entrar na realidade do nosso dia-a-dia. Assim como que de uma câmara hiperbárica se tratasse, mas ao contrário, porque neste caso o objectivo é o de permitir que os olhos se habituem a "pressões atmosféricas" mais cruas.

E no caso do nosso país, o melhor sítio por onde se deve começar a submergir é pelo Porto. É um facto que a região tem um clima atlântico, mais próximo do das ilhas britânicas, mas também é verdade que a cidade tem sabido aproveitar o facto e é, de longe, a cidade portuguesa com melhores jardins e espaços verdes do nosso país.

Certo que sempre com muita coisa para melhorar, mas o que já existe é muito bom e  não envergonha ninguém. Pelo contrário, com Serralves à cabeça, o Porto tem já diversos espaços e iniciativas que o colocam no capítulo do que de bom pode e deve ser feito.

Serralves é para nós o JARDIM que temos em Portugal, com muito poucos a conseguirem ombrear com o seu desenho, dimensão e diversidade. Há sempre motivos para ir a Serralves e este fim-de-semana decorre um dos eventos que justificadamente mais pessoas atrai: Serrlaves em Festa, o mesmo é dizer 50 horas non-stop de exposições, espectáculos de música, dança, workshops e dezenas de eventos, conforme pode ser consultado no programa, AQUI.

Nós também lá iremos estar e é possível encontrar as nossas sementes na caixa-expositora disponível na loja do Museu de Serralves!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Chelsea Flower Show 2017


O que é que um dos maiores eventos dedicado à jardinagem do mundo, realizado em Londres, tem a ver com um projecto focado na flora silvestre de Portugal? À primeira vista pouco terá em comum, porém, a ortodoxia nunca foi o nosso forte e ter tido a oportunidade de o visitar além de um privilégio é a janela que também gostaríamos de manter aberta de par em par.

Mas, mais do que um gosto, é um traço essencial para a identidade do que pretendemos fazer. Sendo insuspeitos sobre o muito que apreciamos no nosso país, o pior que nos podia acontecer seria cair no erro de pretender que nada de melhor existe fora de portas ! E numa altura em que o discurso vigente é o de nos convencer a todos de que somos incríveis e a um passo de tudo ser declarado património da humanidade, é de elementar higiene verificar o que afinal se faz la fora.

E FAZ SE MUITO!! Inglaterra, ou o Reino Unido se preferirmos, têm uma longa tradição em matéria de jardinagem. É um facto que o seu clima ajuda e também é um facto de que se trata de uma sociedade rica que tem recursos para dedicar ao tema. Mas só isso não explica a verdadeira obecessão que os ingleses têm com os seus jardins. Este povo persegue a Beleza e ama verdadeiramente a Natureza e de forma muito consistente há pelo menos 300 anos. Visitá-los não é motivo de inveja e apenas pode servir de inspiração!

O RHS Chelsea Flower Show 2017, que decorre esta semana no bairro de Chelsea, é indiscutivelmente um dos pontos altos para os amantes de jardins de todo o Mundo. Atrai centenas de milhares de visitantes e de profisisonais em busca do que de melhor se está a fazer neste momento nesta área. E não são só Flores o que se pode ver por lá. São dezenas de stands de tudo o que possamos imaginar como estando relacionado com a jardinagem: mobiliário de Jardim, casas especializadas em utensílios, iluminação, rega, pergolas, estufas, toda a espécie de artesanato em madeira e metal. São dezenas de ideias para que qualquer um possa fazer do seu jardim o paraíso merecido!

Se não é difícil ficar com surpreendido com a diversidade menos ainda é ficar boquiaberto com a verdadeira sofisticação que em matéria de arte para jardins se pode alcançar. São inúmeros os escultores, artistas plásticos e instaladores de trabalhos em pedra, metal e madeira, com identidades e técnicas muito diversificadas, de largas milhares de libras, que acrescentam o remate final de beleza que muitos estão dispostos a pagar.

Em matéria de flores e jardinagem propriamente dita, poderemos, de forma resumida, dizer que são duas as principais áreas de interesse: O grande pavilhão Central, onde viveiros especializados de todo o Reino Unido exibem o melhor da sua produção, e os diferentes jardins, instalados ao longo das últimas semanas e que "transplantam" para o espaço da exposição jardins completos. Este anos eram 22 em diferentes categorias a concurso.


Visitar o Pavilhão central não é definitivamente para cardíacos! O nível de sofisticação que muitos produtores alcançam - e existem especialistas em todos os géneros usualmente utilizados em jardinagem: desde orquídeas, rosas, tulipas, dálias, vegetação aquatica, acers, peónias, entre muitos outros, é do melhor que se alcançou até ao momento. É o reino dasovas variedades apuradas, cultivares e híbridos que competem pelas cores e formas mais inesperadas. Não é naturalmente a nossa áreas preferida, mas não deixa de ser interessante observar a inexistência de limites nesta matéria. Um aspecto interessante é observar como alguns espécies silvestres de todo o mundo estão a captar um interesse crescente.  compreensível regresso ao "simples" depois dos excessos.

Por fim, a secção que afinal mais motivou a nossa visita a este Chelsea Flower Show. Os jardins instalados ao longo das últimas semanas por equipas de dezenas de pessoas que tiveram a missão de garantir que tudo estaria apresentável (vivo!) nesta semana.

Neste particular a sofisticação é igualmente grande. São em regra projectos apenas exequíveis com o patrocínio de grandes empresas que dispensam orçamentos generosos para que designers de jardins e arquitectos paisagistas concebam espaços inspiradores das novas tendências em matéria de jardinagem.  Sem nos demoraremos nos 22 jardins em concurso,  é visível a influência que a flora silvestre e os diferentes ecossistemas têm no desenho de jardins que se querem cada vem mais sustentáveis, povoados de outras formas de vida e adaptados às condições de solo e clima de cada lugar .  Esta tendência esta bem patente nos jardins de Yorkshire ou do Wellington´s college, mas os holofotes deste ano foram todos para um jardim de flora mediterrânica.


Desenhado pelo designer James Basson, o melhor jardim do certame replica uma antiga pedreira de calcário, abandonada, de Malta e lembra a extrema vulnerabilidade dos ecossistemas daquela ilha. A flora utilizada, toda nativa, não nos poderia fazer mais lembrar a nossa: Desde eufórbias, centranthus, echiums, ferulas, stipas giganteas, alfarrobeiras, entre muitas outros géneros que também ocorrem no nosso país!

E se existiam dúvidas sobre o que faríamos no melhor evento de jardinagem do mundo, o prémio deste ano dissipa-as todas, confirmando que, na dúvida, o melhor é, sempre foi e sempre será... ter as janelas abertas!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Regressar a casa em Londres


Se em Paris, no meio de tanta abundância de jardins e espaços verdes, não temos duvidas em sugerir o Jardin Alpin como sendo o nosso preferido, em Londres o problema do excesso de oferta também se resolve facilmente: a pérola dos jardins de Londres, de visita obrigatória,  é o Chelsea Phisic Garden.

Na realidade mais do que um jardim -  é o segundo jardim botânico mais antigo de Inglaterra, a seguir ao de Oxford, é, de certa forma,  "o espaço fundador" de toda a tradição britânica em matéria de botânica e jardinagem desde que em 1673 a sociedade dos boticários/farmaçêuticos de Londres estabeleceu um jardim inteiramente dedicado ao estudo das propriedades medicinais das plantas.

Sendo reconhecida a importância que teve na disseminação do estudo da botânica por toda a Europa - a titulo de referência, Lineu, considerado o pai da botânica moderna, passou por lá no início da sua carreira, a sua consistente actividade ao longo destes 350 anos bem como as suas colecções de plantas, organizadas num espaço que não chega a um hectare e meio, continuam a fazer deste jardim um dos sítios incontornáveis de Londres.

Não resistimos, porém, a partilhar o que para nós é um motivo adicional para o visitar sempre que temos a oportunidade de vir a Londres. De certa forma, o nosso interesse pela flora autóctone portuguesa foi aqui amplamente estimulado quando o visitámos a primeira vez há cerca de 15 anos. 

Na altura, como ainda hoje - embora a qualidade das fotos não o facilite, são incontáveis as espécies da flora silvestre do nosso país que aqui têm lugares de destaque: eufórbias, centranthus, iberis, Echium(s) e iris, entre muitos outros géneros. Para não referir as espécies medicinais e aromáticas mais óbvias como o alecrim, a borragem, o cardo-mariano ou o tomilho.

Daí que, numa das muitas ironias proporcionadas por essa mania deste país em ter as fronteiras abertas, o nosso projecto pode considerar-se como beneficiário directo dessa longa tradição de disseminação de conhecimento empreendida pelo  Chelsea Phisic Garden desde 1673. Ou, dito de outra forma, para nós visitá-lo é, e será sempre, uma das muitas formas de regressarmos a casa!

sábado, 20 de maio de 2017

Retemperar a auto-estima em Paris



Estes são dias em que, podendo, se deve ficar em Portugal. Caso contrário o mais certo é que não só se percam muito rapidamente os 20 cm ganhos à conta dos irmão Sobral, como a constatar que ainda nos faltam outros tantos para igualar o que de muito bom se faz noutros sítios.

É verdade que ninguém nos disse a que altura se adicionavam os tais centímetros, mas, independentemente das razões que nos levam à esquizofrenia de muito rapidamente passarmos de bestas a bestiais, sempre por obras e graças terceiras - as quais estão estudadas  e são há vários séculos conhecidas, o facto é que não há nada como respirar noutras paragens para perceber que podemos sempre ambicionar  melhor. E não será preciso inventar nada, basta copiar ou deixarmos-nos inspirar para mais tarde podermos recriar à nossa maneira.

Paris, evidentemente, dispensa qualquer apresentação e mesmo no que é particular da jardinagem e dos espaços verdes é amplamente conhecido o muito que a cidade tem para oferecer. Aos jardins formais da escola francesa de Le Notre, passando por uma rede de novos jardins em todos os quadrantes da cidade destinados ao usufruto dos cidadãos até  aos diferentes pólos do jardim botânico da Paris, que albergam mais de 15.000 espécies diferentes e diversos jardins privados dignos de visita, o difícil é sempre o que escolher para visitar.

E como a fartura é muita e de boa qualidade não haverá grandes riscos de desapontamento ou tempo perdido. Porém, a ter que partilhar uma sugestão a nossa preferência vai inquestionavelmente para o Jardin des Plantes, integrado no museu de historia natural de Paris.

Fundado em 1635 por Luis XIII que ali criou o primeiro jardim real das plantas medicinais, foi crescendo ao longo dos tempos e alberga hoje pelo menos dois espaços que são de visita obrigatória: O primeiro é a Escola Botânica, onde centenas de plantas, não só da Europa mas também de outros climas temperados, estão organizadas de forma cientifica por classes ou grandes famílias. O segundo, ao lado do primeiro, é o jardim Alpino que congrega em pouco mais de 4000 metros quadrados, mais de 2000 plantas oriundas de regiões montanhosas como os Alpes, mas também Pirenéus, Atlas, Urais e até Himalaias. Em comum têm o facto de serem provenientes de climas hostis e com pouca água e de não usarem essa dificuldade para se relaxarem em matéria de beleza.

Qualquer um dos espaços justifica por si só diversos textos, mas a ideia deste, mais do que descrever à exaustão o que lá se pode ver, é mesmo o de estimular a sua visita, a qual seguramente preencherá pelo menos uma manhã bem passada!

No caso do Jardim Alpino, que tem a sua actual forma desde 1930, e que para nós é a jóia da coroa, além da inequívoca beleza, interessa observar a incrível variedade de espécies que no mesmo género pode ocorrer ao longo de toda a Europa ou, por exemplo, de todo o mediterrâneo. Géneros que possuem espécies endémicas em Portugal e outras completamente diferentes no outro extremo geográfico. 

Como toda a gente sabe por estes dias, as espécies que ocorrem em Portugal são muito boas, as melhores das melhores. Mas há outros verbascos, outras abróteas, outros hipericões e outros cistus. Salvias, papoilas e alhos estranhos. Gerânios e giestas de outros portes. Cores e formas completamente diferentes num festival de diversidade que faz deste pequeno jardim, de pouco mais de 4000 metros quadrados, no centro de Paris, possivelmente o jardim mais cosmopolita da cidade.

Um cosmopolitismo que em 1930 deve ter sido de um grande atrevimento. Certamente só possível por ainda não se terem descoberto maquinas de inventariação genética: Misturar no mesmo espaço espécies que evoluíram separadamente, correndo severos riscos de promover  uma insuportável miscigenação das mesmas, perdendo purezas genéticas preciosas, é algo que ainda hoje em dia nos deixa, a nós e a muita gente, os cabelos em pé e à beira de justificada ansiedade!




quarta-feira, 3 de maio de 2017

O encanto das plantas autóctones na revista Jardins


Se há mês em que não qualquer dúvida sobre o potencial ornamental da nossa flora autóctone, esse é o mês de Maio! Basta sair dos aglomerados urbanos, evitar as extensões de monocultura florestal, e deixarmos-nos inspirar pelas paisagens desenhadas pela Natureza.

E em boa altura a Revista Jardins, com quem tivemos o privilégio de colaborar na edição de Outubro de 2006, colocou agora On-line o artigo que escrevemos a propósito do potencial da nossa flora nos jardins mas também noutras vertentes.

Para quem não teve oportunidade de ler a Revista de Outubro AQUI podem encontrar uma síntese do mesmo! Se servir de inspiração a algum leitor para melhor usufruir o mês de Maio... Perfeito!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sigmetum - O viveiro das plantas autóctones


Quem nos acompanha desde o início do nosso projecto sabe da nossa ligação e colaboração com a Sigmetum, pelo que o que vamos dizer a seguir não é nem novo nem estranho. Mas para os muitos que só mais recentemente nos conhecem, gostaríamos de partilhar o que para nós é um viveiro de plantas, como todos deveriam ser!

É um facto que o nosso país tem mais garden-centers que revendem plantas importadas do que propriamente viveiros com produção nacional, mas daí a pensar que nada se faz e que o que é bom só lá fora vai um passo demasiado largo. A verdade é que também temos projectos de topo ao nível do que melhor se faz no mundo e a Sigmetum é um desses projectos.

Localizada no perímetro da tapada da Ajuda - ISA - Instituto Superior de Agronomia, a Sigmetum é a único empresa que existe no nosso país  que está especializada em plantas autóctones. Direccionada para responder às necessidades de projectos de arquitectura paisagista e de renaturalização, a sua equipa tem apostado sistematicamente na produção de espécies que atá aqui era impossível encontrar no mercado. 

E, para nossa grande satisfação, algumas dessas espécies estão a ser produzidas a partir de sementes por nós fornecidas. Os Rosmaninho-verde (Lavandula viridis), os Samoucos (Myrica faya), os Alfinetes (Centhrantus ruber)  ou as euforbias (Euphorbia segetalis) são algumas delas.

Uma boa parte da razão de ser do nosso projecto é estimular qualquer pessoa a germinar as suas próprias sementes. Mas para todos aqueles que, por uma razão ou por outra, ainda o não pretendem fazer, é hoje perfeitamente possível utilizar plantas nativas já prontas a ir para a terra.

A Sigmetum está aberta ao público em geral todas as quartas-feiras de manhã e visitar o seu viveiro é no mínimo um excelente passeio. A começar pelo facto de se situar num dos espaços mais incríveis e desconhecidos de Lisboa - uma tapada com mais de 100 hectares, em pelo centro da cidade, que se desenvolve em anfiteatro com vistas para o Tejo. Onde, além de bosques e campos de cultivo se podem ver garranos e o magnifico centro de exposições do rei D. Carlos, só para dar alguns exemplos das muitas coisas boas que por lá se podem observar!

Nota - Para entrar de carro no espaço do ISA - Instituto Superior de Agronomia/Tapada da Ajuda,  o que se recomenda dada a dimensão, paga-se 1,5 Euros, um valor simbólico, que a equipa da Sigmetum deduz depois no valor das compras.