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terça-feira, 13 de junho de 2017

Plantas do Estio Algarvio

Plantas em flor no início do Verão Algarvio, Horta da Lapa- Algoz, Algarve

Há pouco mais de uma semana fizemos referência aos benefícios do clima atlântico que caracteriza a região do Porto e que lhe permite dispor de jardins e espaços verdes de causar alguma inveja.

Mas o facto é que a maior parte do país não goza de tanta chuva, enquadrando-se no que se convencionou chamar de clima mediterânico, com uma estação seca é severa e prolongada. E pretender ter aí os jardins que se vêm no Porto, ou em Inglaterra, é evidentemente, pouco aconselhado. Em vez de espaços de fruição o máximo que se consegue são sorvedouros de água.

O Algarve - essa região que bem vista com atenção é seguramente o segundo reino maravilhoso de que dispomos no nosso território, é a nossa região de clima de tipo mediterrânico por excelência: a uma semana do início oficial do Verão, há pelo menos 15 dias que ele na realidade já por aqui se instalou, com as searas já maduras e os serros a caminharem para a secura.

Porém, contrariamente ao que se possa pensar, há ainda muita cor que poderá inspirar outras jardinagens que se queiram libertar do "tem que ser assim" e pretendam construir  espaços mais consentâneos com as características do solo e clima da região. 

Nessa jardinagem, que acontecerá inexoravelmente, são muitas as espécies endógenas da flora Algarvia que se poderá escolher. Mas há quatro que serão de certeza incontornáveis: O tomilho-de-creta (Thymbra capitata), a perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas), o fel-daTerra (Centaurium erythraea) e os suspiros-dos-montes (lomelosia simplex).

Quem achar que são outras as cores que os ocres do Algarve pedem, que se chegue à frente!


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Verão



E estamos no Verão, a estação preferida da maior parte de nós! Para nos acompanhar nos próximos 3 meses, mudamos de vestes, arrumamos as margaridas (Bellis perennis) que nos acompanharam durante toda a Primavera, e colocamos uma nova foto de capa mais alinhada com as paisagens desta altura do ano.

Paisagens que são mais secas, mas nem por isso menos dignas de admiração. Exceptuando as ilhas e algumas zonas do Minho, onde a pluviosidade ainda permitirá algum verde,  grande parte do nosso território entra agora no período mais desafiante em termos de sobrevivência: sem chuva, uma boa parte da nossa flora reserva esta altura para amadurecer as suas sementes ( se não o fez já!) e deixa morrer a sua parte aérea. O fundamental é garantir que as raízes se conservem no solo,  tão frescas quanto possível, para depois lá para setembro/Outubro voltarem a renascer e assim iniciarem um novo ciclo de vida.

Mas como diziamos acima, as nossas paisagens estarão mais secas mas nem por isso menos dignas de interesse. A imagem da nossa capa de Verão é de uma planta anual que pode ser frequentemente avistada no Algarve, nomeadamente nas estradas secundárias do Barrocal. Parece uma flor seca mas convém notar que já não o é. Na realidade o que vemos é o "arranjo" das suas sementes dispostas em globos perfeitos, que quase parecem feitos de papel.

Que pode ser utilizada com imaginação em arranjos florais não temos dúvidas. E como elemento útil na jardinagem, também não. A única coisa que ainda não compreendemos é porque é que não é utilizada com frequência em projectos de arquitectura paisagistica - no Algarve, sobretudo.

É bem posível que tenha um ou mais nomes vulgares, mas não nos fois possivel apurar qual ou quais. Dai que nos fiquemos pelo nome cientifico: Lomelosia simplex subs. dentata.

Curiosamente um género que pertence a uma das nossas familias preferidas, as Dipsacaceae, onde estão os cardos-penteadores e as saudades-rochas (Scabiosa antropurpurea), uma planta cujas flores podem ser vistas um pouco por todo o país  ainda durante mais algumas semanas. e que nos acompanharam no passeio de hoje pela serra da pescaria-praia dos salgados, a sul da Nazaré.

Mas estas saudades-rochas,  ou suspiros se preferirem, são de tal modo inspiradoras que merecem muito mais do que duas linhas. A fazer futuramente, fica prometido. Por agora deixamos apenas algumas fotos das muitas tonalidades de roxo e lilaz que aleatoriamente podem aparecer, por vezes na mesma planta. Ora vejam lá e digam se não vale a penas tê-las num canto mais digno que a beira da estrada: