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sexta-feira, 13 de maio de 2022

Renaturalização de solos degradados - Projecto Life Ribermine - Minas do Lousal

 




Tão importante como a conservação e não destruição dos ecossistemas ainda existentes, a  recuperação de solos degradados e a sua urgente renaturalização é, provavelmente, um dos maiores desafios que  enfrentamos. O solo e o coberto vegetal são a base de todos os ecossistemas e sem eles a vida, tal como a conhecemos, simplesmente não existe.  

E se a destruição de solo é relativamente fácil - Infelizmente mesmo em Portugal ela acontece a todo o momento, com justificações perfeitamente triviais e de curto-prazo , a sua recuperação, além de difícil, implica um esforço significativo e requer conhecimento que nem sequer existe. 

Neste âmbito, a recuperação de antigas áreas mineiras, com extensas áreas de escombreiras, acumuladas ao longo de décadas, onde se alterou de forma muito significativa a estrutura do solo e com elevados níveis de acidez e consequentes implicações ao nível dos recursos hídricos, coloca problemas de dificuldade acrescida aos quais, mais cedo ou mais tarde, teremos de fazer frente.

O projecto Life Ribermine, um consorcio que integra instituições de Portugal e Espanha, com o foco na na "Recuperação de habitats fluviais de água doce através da restauração ecológica de minas geomórficas na Península Ibérica", tem precisamente esse objectivo - O de criar conhecimento numa área em que muito pouco ainda foi feito.

Do lado português, o Centro de Ciência Viva do Lousal - Grândola -, juntamente com investigadores da Universidade de Lisboa, dinamizaram com o coordenador (Governo de Castilla-La mancha) e os parceiros (Universidade Complutense de Madrid e equipas de outras universidades espanholas) dinamizaram ao longo dos últimos dois anos, o projeto piloto para a recuperação de  uma área de 1,5 Hectares no qual tivemos o privilégio de poder colaborar.

Os resultados alcançados com a sementeira de uma composição contendo cerca de 20 espécies pioneiras, entre gramíneas e herbáceas com flor, já são visíveis nesta Primavera dispensam muitas palavras. A fotos que partilhamos no inicio deste post falam por si. Numa área, em que pouco mais existia do que algumas espécies arbustivas, com elevados níveis de acidez e em que o solo nem sequer existia, é possivel hoje admirar um prado vibrante de cor e onde outras formas de vidas já se  instalaram.

Abaixo partilhamos algumas fotos cedidas pela Equipa do projecto e que ilustram bem todo o trabalho que foi necessário realizar: a preparação prévia da área, desde a sua limpeza até à sementeira realizada no final de Outubro de 2021,  passando pela modelação do terreno e enriquecimento prévio.

Mas se enquanto fornecedores das sementes utilizadas não poderíamos estar mais felizes por fazermos parte deste projecto pioneiro, enquanto cidadãos a nossa alegria ainda é muito maior e a nossa admiração vai toda para a equipa que teve a capacidade de por as mãos à obra, de correr muitos riscos e fazer pela primeira vez aquilo que nunca tinha sido feito em Portugal!

A todos eles os nossos Parabéns!















quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Novos Prados Floridos e Misturas apícolas


Há quatro anos  disponibilizámos pela primeira vez misturas de sementes de flora silvestre tendo em vista responder a uma lacuna que claramente existia no nosso país. Como escrevíamos na altura quem pretendesse ter uma solução diferente de um relvado verde, monótono e sempre aparado,  exigente em regas e em manutenção, dificilmente encontraria uma alternativa. E quando encontrava, o mais provável seria  encontrar misturas de espécies cuja grande maioria nem ocorre no nosso país. 

Beneficiando da experiência dos últimos 4 anos, aperfeiçoámos a composição dos diferentes tipos de misturas e neste Outono disponibilizamos as novas composições na nossa loja ONLINE. AQUI:

 - Prado Baixo
 - Prado Médio - espécies anuais
 - Prado médio - espécies perenes
 - Prado para solos arenosos do Litoral 

 - Mistura apícola & Insectos polinizadores - solos férteis e húmidos (na sua maioria espécies anuais)
 - Mistura apícola & Insectos polinizadores -  - solos secos ( na sua maioria perenes e arbustivas)

Todas as composições, de acordo com os diferentes propósitos, possuem diferentes proporções de gramíneas e de espécies de flores. Em todos os casos são composições desenhadas para garantir um período de floração o mais alargado possível proporcionando alimento para insectos e pequenos pássaros e, consequentemente espaços mais sustentáveis e com maior biodiversidade.




segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Um prado florido!


Este é possivelmente um dos posts que mais satisfação nos dá poder partilhar por estes dias. Desde o início do projecto que temos procurado difundir e divulgar o potencial ornamental e paisagístico da nossa flora autóctone, mas focando-nos sobretudo nas espécies arbustivas e evidenciando-as isoladamente. 

Porém, a ideia de um dia podermos disponibilizar  outras soluções, à semelhança do que acontece noutros países europeus com França e Inglaterra, propondo misturas de sementes capazes de responder a necessidades e objectivos mais exigentes, esteve sempre entre os nossos objectivos.

É um facto que no nosso país a procura de prados floridos ainda é relativamente diminuta. Todavia, quem pretende ter uma solução diferente de um relvado verde monótono e aparado, sempre exigente em regas e em manutenção, dificilmente encontrará uma alternativa. E quando encontra, o mais provável é encontrar misturas de espécies cuja grande maioria nem ocorre no nosso país. Curiosamente e a título de exemplo é hoje mais fácil encontrar misturas contendo papoilas-da-califórnia (Eschscholzia californica) do que as simples papoilas que povoam as nossas searas.

Claro que prados há muitos e para todos os gostos. Daí que a nossa proposta  seja antes a de de dar a possibilidade de escolha. Desde um relvado mais simples e baixo coberto de margaridas e dentes-de- leão, até  um prado mais alto em que pontuam espécies como o pampilho ou a Anchuza azurea.

Pelo meio,  a nossa proposta preferida é uma mistura de sementes standard para uma área de 20 m2 e que, além de 4 gramineas base, conterá uma mistura com cerca de 20 espécies autóctones portuguesas. Um prado que além de não exigir manutenção, proporcionará florações alargadas entre o fim do Inverno e o início do Verão! E este é um aspecto particularmente importante para nós. Não só pelas mais do que legitimas necessidades estéticas que qualquer um de nós tem, mas principalmente pelo óbvio enriquecimento que proporcionam a qualquer jardim ao fornecerem alimento a um sem número de insectos polinizadores.


sexta-feira, 20 de março de 2015

A Primavera e um prado florido no Jardim Botânico da Ajuda



Hoje é um daqueles dias em que temos "material" que justificaria pelo menos três entradas neste blogue. só o não fazemos porque não convém abusar da paciência de quem nos segue, pelo que vamos sintetizar e fazer um "três em um".

Há um ano atrás, ou 365 dias atrás ou, ainda, se preferirmos, 930 milhões de quilómetros atrás, assinalávamos o primeiro dia da Primavera de 2014 e partilhávamos pela primeira vez o nosso logotipo.

Um ano depois e com 365 voltas dadas, temos o privilégio de ainda cá estarmos para poder assinalar convenientemente mais um equinócio de primavera, cujo momento exacto ocorre hoje, dia 20 de Março, às 22.15. Como gostamos e já vai sendo nosso hábito, aproveitamos o momento para arrumar a imagem invernal que nos acompanhou nos últimos três meses  e substituí-la por outra mais em linha com a nova estação. Sobreviver a um Inverno é sempre motivo de festa e um campo florido de margaridas, estas da espécie Bellis perennis, são uma boa forma de a celebrar.

Por coincidência, ou talvez não - porque as coisas estão mesmo todas ligadas!, a Bellis perennis é uma das 12 espécies de flores que incluímos na mistura de sementes que preparámos para o prado florido  do jardim de flora autóctone - Jardim Olissiponense -  que o Jardim Botânico da Ajuda (JBA) está agora a instalar com a ajuda da Arqout/Ecojardim, da Sigmetum e ao qual também temos o prazer de estar associados.

Não escondemos o quanto nos satisfaz poderemos participar neste novo "jardim olissiponense". 

Para quem não o sabe, o Jardim Botânico da Ajuda é o primeiro Jardim Botânico feito em Portugal e o 15º de todo o mundo, Construído na segunda metade do séc. XVIII, em pleno iluminismo, destinado ao usufruto e lazer da família real mas já com claras preocupações cientificas e o desejo de albergar as raridades botânicas que chegavam à Europa vindas de outras latitudes, Muitas das árvores que hoje vemos nas ruas de Lisboa e de outras cidades, como os jacarandás, foram ali pela primeira vez "ensaiadas" às nossas condições climáticas.

O JBA, através do seu criador, o  italiano Domingo Vandelli,  está ainda ligado á criação, pouco tempo depois, de um outro jardim que muito apreciamos e que hoje faz parte do nosso património que também já é reconhecido como sendo da Humanidade: o Jardim Botânico de Coimbra.

Porém, apesar dos seus duzentos e muitos anos e de ser um jardim magnífico com todas as razões para ser frequentemente visitado, não é um jardim cristalizado no tempo. Pelo contrário. Este jardim de flora autóctone portuguesa que agora se instala, bem como o jardim dos aromas criado há já alguns anos são prova disso e acompanham o que os outros jardins botânicos da Europa também fazem há algum tempo: dedicar uma atenção cada vez maior para a flora nativa. sem descurar as colecções exóticas que estiveram na  sua origem e que hoje são exemplares monumentais.

Para terminar, e porque nunca é de mais assinalar, celebra-se amanhã, dia 21 de Março o dia mundial da Floresta e da Árvore. Como é de tradição estão agendadas por todo o país acções de plantação de árvores, muitas delas envolvendo escolas. Não é definitivamente a melhor altura para por árvores na terra e o mais provável é que poucas sobrevivam,

Mas não é completo desperdício de energia pois  contribui para que mais e mais pessoas se seduzam pelo exercício. Daqui a uns anos e quando forem mais velhos muitos dos que amanhã plantarem árvores  vão perceber que a boa altura para plantar árvores na nossa latitude é mesmo em Outubro-Dezembro. Porém, o mais importante fica já feito: saberão como plantar um ser-vivo!