terça-feira, 30 de outubro de 2018

Em dias de Halloween, Flores de Mandragora!

Mandrágora em flor, Barlavento algarvio, Outubro 2018

Em dias de Halloween ou, para quem preferir, em noites de bruxas, partilhamos hoje alguns parágrafos sobre uma espécie autóctone desconhecia da maioria de nós,  que se encontra agora em flor e que é, para lá das vulgares abóboras e desde há séculos, uma das espécies míticas da bruxaria ocidental: a Mandrágora, (Mandragora autumnalis) !

Hoje em dia os mais conservadores detêm-se na discussão de que as actuais comemorações "comerciais" de Halloween são uma importação descarada e sem qualquer sentido proveniente dos Estados Unidos. 

Mesmo que assim seja -e nós não estamos assim tão certos, pois sobretudo no centro e norte de Portugal os nossos antepassados Celtas comemoravam a entrada no Inverno e início de um novo ano no  último dia de Outubro com o importante festival Samhain, o nosso Dia 1 de Novembro, dia de todos os santos e do pão-por-Deus na região Centro, de tradição católica, possui alguns aspectos que não o deixam assim tão longe do espírito pagão.

E a ideia principal nestes dias em que a noite avança e ganha terreno aos dias é, no hemisfério Ocidental, a mesma: a de nos conectar com outros mundos menos palpáveis e desconhecidos! Como reconhecido por todos, ninguém acredita em bruxas mas que as há...Há!

E são precisamente as bruxas que deram fama a esta planta considerada mágica e cujas raízes bifurcadas, de aparente forma humana, são um ingrediente essencial em qualquer trabalho que se queira com efeito certo.

Ao que parece as suas qualidades já tinham sido anotadas no Antigo testamento e daí até ao fim da idade média a sua fama só cresceu. São incontáveis as lendas à volta desta planta. Desde que a sua semente é o sémen de um homem enforcado até aos procedimentos de colheita das sua raízes que apenas poderiam ser colhidas em noite de lua cheia, puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto; e se outro animal ou pessoa fizesse esta tarefa, a raiz "gritaria" tão alto que o mataria.

À parte estes aspectos da maior importância em noites de interacção com o oculto, o facto é que o seu fruto possui elementos químicos que o tornam venenoso. Daí que os Árabes o apelidassem de maçã do Diabo, pelas supostas características afrodisíacas.

Curiosamente não é o único género da grande família das solanáceas que é suspeita e tem fama de venenosa e tóxica, pois há outros géneros, com espécies provenientes por exemplo da África do Sul, que entretanto se assilvestraram entre nós sendo algumas das quais consideradas até invasoras. Um bom exemplo é a espécie Solanum linnaeanum também vulgarmente conhecida por  Maçã de Sodoma.

Curiosamente também, e sobretudo para os menos atentos a questões botânicas, as solanaceas à qual pertence esta espécie mágica são nada mais nada menos a família dos tomates - um fruto que comemos na categoria dos vegetais e que chegou à Europa no século XVI vindo da América do Sul pela mão dos  espanhóis. Dos tomates e das beringelas, bem como de muitas outros géneros conforme partilhado aqui pelo Dias Com Àrvores.

Não nos alongaremos mais sobre as infinitas curiosidades acerca da planta e dos usos místicos - bastará uma pesquisa no google de expressões como "Mandrágora", "Noite das bruxas" ou "festival Samhain" para se ocuparem facilmente muitas noites de Outono!

Mas não gostaríamos de terminar sem referir que esta é uma espécie autóctone relativamente rara e que deve ser preservada por todos. Àqueles que se pretendem iniciar nas artes da bruxaria com um peso -pesado da arte só podemos garantir uma coisa: As raízes de Mandrágora só podem mesmo ser colhidas "puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto. Se outro animal ou pessoa fizer esta tarefa, a raiz "gritará" tão alto que o matará!

Feito o aviso, a nossa sugestão é que quem quiser ter esta planta em flor na altura em que quase todas as outras ou estão a germinar ou a produzir frutos, o melhor mesmo é tentar germiná-la! No nosso catálogo geral temos as suas sementes para todos aqueles que o pretenderem tentar!

Raízes de mandrágora

Frutos de mandrágora

Pêras silvestres do Algarve


Há muitos tipos de pêras, mas as que nos agradam mais são as minúsculas pêras silvestres,(espécie Pyrus bourgaeana),  que colhemos hoje de manhã no Algarve. Mais precisamente em Armação de... Pera!  E esta foi só uma das muitas espécies de de Outono que aproveitámos para colher com o Zé Júlio Machado da  #HORTADALAPA, nossos parceiros em todas as colheitas de sementes de espécies silvestres nativas da região algarvia!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Sementes de Portugal: 5º Aniversário!


As Sementes de Portugal celebram hoje o seu 5º aniversário! 5 anos a fazer crescer uma ideia: a de que a flora silvestre do nosso país pode estar ao alcance de todos aqueles que a pretenderem semear! A todos aqueles que nos ajudaram nesta ambição: o nosso MUITO OBRIGADO!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lirium: desenhar Hortas e jardins com flora autóctone!


No Inicio de Outono e ainda a beneficiar de um prolongamento do Verão esta é a altura ideal para trabalhos de maior profundidade seja na horta seja no Jardim. A utilização das espécies autóctones em qualquer dos sítios é felizmente uma realidade que tem cada vez mais visibilidade, mas para muitos o difícil é desenhar esses espaços e escolher as espécies que melhor se adaptam ás características de cada espaço. Variáveis como o tipo de solo, a exposição solar, o efeito pretendido e o tipo de uso que se quer dar são sempre aspectos a ter em conta para que os resultados sejam mais gratificantes.

Em projectos de maior dimensão um bom projecto de arquitectura paisagista é essencial, mas em projectos e espaços de menor dimensão existem felizmente cada vez mais profissionais a ajudar nessa missão. Na região centro, e mais concretamente no Oeste - região de Alcobaça, a Lirium é para nós o projecto que melhor materializa a utilização de flora autóctone em espaços sustentáveis e que são feitos para serem usufruídos!

Como escrevemos AQUI há cerca de 3 anos, visitar o espaço da Lirium é a prova de que é possível, sem excessos e sem fundamentalismos, criar a mistura perfeita de horta e jardim ou, se preferirem de Hortins! 

"Espaços que têm que tem legumes e hortaliças das mais diversas, mas onde  também lá estão verbascos, scabiosas, dedaleiras, malvas, alcachofras e salgueirinhas só para referir algumas. Assim como inumeras plantas aromáticas e medicinais. O resultado está á vista e é a prova inequívoca de que sim, é possível ter um espaço onde se podem produzir alimentos felizes em perfeita sintonia estética com espécies mais ornamentais ou encarregues de outras funções, como as de afastar os insectos nocivos ou atrair os benéficos."

Na realidade nós, que até conhecemos um pouco o que se vai fazendo nesta área em Portugal, achamos que há muito poucas pessoas a fazer todos os dias um trabalho como aquele que é feito pelo Ricardo e pela Lirium. Mas sobretudo para quem habita na região Centro, a hipótese de contratar a ajuda especializada deve ser considerada uma prioridade a ter em conta. Seja na concepção, seja na execução, seja mesmo no fornecimento de plantas a Lirium pode fornecer uma preciosa ajuda para que mais depressa melhores resultados sejam obtidos!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Novo Catálogo de Pacotes de sementes de Flora Silvestre 2018-2019


Novo Catálogo 2018-2019 - AQUI !

Lançamos hoje o novo catálogo de pacotes de sementes de flora silvestre 2018-2019! Para nós é o culminar de um trabalho árduo que nos animou ao longo dos últimos dois anos: Acrescentar, às 50 espécies do último catálogo 2016-2017, 10 novas plantas da nossa flora que têm todo o potencial e mérito para fazerem parte dos nossos jardins.

Existirão ainda mais algumas quantas, mas aproximamos-nos mais um pouco da selecção que um dia idealizámos quando começámos o projecto sementes de Portugal há quase 5 anos. E de possibilitar a todos aqueles que o pretendam, de forma simples e confortável, as sementes dessas espécies.

As 10 espécies, que podem já ser adquiridas na nossa loja on-line - www.sementesdeportugal.pt - ela própria também recentemente renovada, são todas elas de fácil germinação, inegavelmente ornamentais e são relativamente abundantes nos nossos campos e paisagens não colocando em risco qualquer população silvestre..

Nove são declaradamente autóctones: Aquilégia (Aquilegia vulgaris); Bem-me-quer (Leucanthemum sylvaticum); Cabelos-de-Vénus (Nigella damascena); Calças-de-cuco (Gladiolus italicum); Gloria-da-manhã (Convolvulus tricolor); Macela-Real (Achillea ageratum); Marianas ( Centranthus ruber); Saudades-roxas (Scabiosa atropurpurea) e Tremoço-azul (Lupinus angustifolius). Uma, o Cipreste (Cupressus sempervirens) introduzido muito provavelmente pelos romanos há dois mil anos tem, como alguém diria, plenos direitos de cidadania e faz parte da paisagem mediterrânica que herdamos dos nossos antepassados que a humanizaram.

Para facilitar a sua consulta, o catálogo é composto por 5 capitulos:
  1. Flores comestíveis
  2. Flores silvestres
  3. Plantas aromaticas e medicinais
  4. Herbáceas e Pequenos arbustos ornamentais
  5. Árvores e arbustos ornamentais

Não é uma classificação muito satisfatória pois há espécies que cabem em mais do que uma categoria, mas é a que por agora as permite arrumar da melhor forma e de acordo com as características mais conhecidas do público em geral. São espécies que, numa perspectiva horticultural, tanto se enquadram no jardim como na Horta e para nós um jardim comestível ou uma horta esteticamente bonita não são realidades incompatíveis!

Esperamos naturalmente que estas novas espécies, assim como o catálogo no seu todo, vão ao encontro das expectativas de todos aqueles que cada vez mais se atrevem a germinar as suas próprias sementes procurando ter jardins, adaptados ao nosso clima, com mais sentido etno-botânico e ecologicamente mais ricos e sustentáveis ! 

A todos os que nos seguem, os votos de uma boa época de sementeiras!


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Outono: Chegou o (melhor) tempo de semear!


Desde ontem que estamos oficialmente no Outono, e com ele chegou o melhor tempo para Semear! De hoje até ao solstício de Inverno, dia 21 de Dezembro, serão 88 dias em que os dias perderão duração para as noites. Para muitos são 3 meses de descida, uma espécie de antecâmara do tempo ainda pior que virá com o Inverno. Mas para MUITOS OUTROS, são os 3 meses em que podemos dedicar-nos a germinar aquilo que queremos ver florescer na Primavera. Não há outra forma possível! E esse é um dos melhores programas de recomeço de ciclo. Nos próximos dias partilharemos as novidades que juntámos aos nossos catálogos de sementes silvestres da flora de Portugal. A todos os que nos seguem: uma auspiciosa época de sementeiras!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Monchique: Vive cada tragédia como se fosse a primeira!


Monchique. Por fim e 10 dias depois do seu início, o tempo deu as tréguas necessárias para que mais um mega-incêndio de 29.000 hectares fosse considerado extinto. 

O tema dos incêndios, do ordenamento florestal e do território já tem suficientes dinamizadores nas redes sociais e suscita posições inflamadas para todos os gostos. Um debate politizado, com inúmeros especialistas munidos dos mais diversos estudos, paixões e interesses particulares. Um debate que se reedita sempre como se fosse a primeira vez que tal tragédia nos está a acontecer. 

Nós, por uma manifesta falta de energia, optamos por não participar, até porque a nossa visão sobre o tema é conhecida e compreensível - vendemos sementes de flora autóctone! Mas não resistimos a relembrar que no início de Setembro de 2016, e pouco depois dos incêndios da Madeira, que ocorreram precisamente no início de Agosto de 2016 - faz agora 2 anos! a vertente Sul de Monchique teve um incêndio onde arderam 4000 hectares. Um incêndio com origem criminosa na Foia e que entrou pelo concelho de Portimão. 

Como é óbvio já todos nos esquecemos. Como esquecemos que menos de 6 meses depois, no início de 2017, o nosso actual primeiro-ministro celebrava protocolos com a industria de celulose para aumentar a produção de eucalipto em áreas de elevada produtividade como...Monchique. 

Evidentemente que o problema não é só o eucalipto e que a solução passa por olhar para muitas outras variáveis, mas enquanto esta espécie for considerada a solução para a economia de extensas parcelas do nosso território temos a maior das duvidas de que algo de diferente possa acontecer no futuro. Deixamos aqui os links para o que escrevemos sobre o tema e que na pratica permanece actual. AQUI e AQUI.

Nota - Temos também as maiores das dúvidas de que estes 29.000 hectares se devam apenas ás anormalmente elevadas temperaturas do fim de semana. Para quem conhece a região, mesmo altamente eucaliptada, como é que 1300 homens, dezenas de meios aéreos conseguem deixar que um fogo que se iniciou 15 Km a Norte de Monchique consegue chegar a Alferce, rodear a Picota, expandir-se para nascente e sul atingindo Silves e  alcançar novamente a serra chegando à  FOIA!?