domingo, 30 de dezembro de 2018

2018: Sementes de Portugal em revista


A pouco mais de 24 horas de nos despedirmos de 2018 partilhamos aqueles que foram os momentos mais marcantes do nosso projecto ao longo dos últimos 365 dias. O exercício de passar em revista um ano tem sempre o mérito de nos obrigar a reflectir sobre em que " é que afinal despendemos o bem mais precioso que temos: O tempo em que estamos vivos! E apesar de em regra acharmos que tudo passou muito depressa, o facto é que uma volta completa em torno do Sol, uma ninharia à escala astronómica, dá para fazer muita coisa.

Como 12 imagens não seriam suficientes seleccionámos 18 para sintetizar aquele que foi o 5º ano de vida das Sementes de Portugal, um projecto de iniciativa privada de pequena dimensão cuja aposta  é a de que a flora autóctone pode ter um mercado, e de que é possível ser economicamente viável, sem recurso a subvenções ou subsídios públicos, e ainda cumprir com todas as suas obrigações fiscais e sociais.

Com uma missão: disponibilizar sementes de espécies autóctones a todos aqueles que as procuravam e não encontravam! E com isso contribuir para jardins mais sustentáveis e bosques mais resilientes!

A todos os que nos seguem, e sobretudo àqueles que em 2019 adquiriram sementes de Portugal, o nosso muito OBRIGADO!




quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

Votos de um Feliz e Fraterno Natal




Há precisamente um ano partilhávamos os nossos Votos de Natal. Um ano depois temos o privilégio de poder continuar a partilhar os mesmos votos e isso é o que mais importa: poder ter feito mais esta volta em torno do Sol! Daí que repitamos as mesmas palavras: " Estamos a 5 noites da noite de Natal, e daqui em diante será cada vez mais difícil não nos envolvermos no espírito da quadra. E se alguns não se identificam com o Natal do consumo e outros não o celebram por razões religiosas, há um valor intemporal, que nos acompanha e que pode unir todos os seres: O da FRATERNIDADE. O mesmo que, como escrevíamos AQUI, há milhares de anos, em noites muito longas e frias, fazia juntar os nossos antepassados em volta de fogueiras para celebrar a vitória da luz sobre as trevas! Que é precisamente o que acontecerá amanhã, sexta-feira, pelas 22h33m no hemisfério Norte: O solstício de Inverno em que se inicia uma nova estação e o dia regista a sua menor duração - 9h e 27 minutos apenas, conforme partilha o Observatório Astronómico de Lisboa AQUI. Porém é só na noite de dia 24 que as celebrações oficiais acontecem e a humanidade assinala essa gloriosa vitória do Sol sobre as Trevas! A todos os que nos acompanham, os votos de um Feliz Natal. Pleno de fraternidade e onde a indiferença não encontre lugar em nenhum de nós!

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Catálogo Geral de Sementes de Flora autóctone - 2018-2019

Novo Catálogo Geral 2018-2019:  AQUI


Publicamos hoje, pela 6ª vez consecutiva, o nosso catálogo geral de sementes de espécies autóctones de Portugal. Nos anos anteriores procurámos publicá-lo no mês de Setembro, porém essa é uma altura em que muitas das espécies de arbustos e de árvores ainda não frutificou.

Daí que este ano tenhamos optado por aguardar pelos meados de Novembro, até porque estamos em vésperas do Dia oficial da Floresta autóctone. E este é um dia naturalmente significativo para nós. Podemos germinar sementes a maior parte do ano mas esta é a altura perfeita para colocar plantas e árvores na terra dando-lhe tempo para enraizarem até à Primavera e assim suportarem melhor a falta de água no Verão.

A nossa missão, por peregrina que pareça a muitos, continua a ser a mesma: disponibilizar a todos os que o pretendam, sementes do maior número possível de espécies autóctones que ocorrem no nosso país, pois germinar sementes é a melhor maneira de ter por perto as espécies silvestres que, seja qual for a razão que nos mover, quisermos ter por perto!

Jardins sustentáveis, hortas mais bonitas e bosques mais resilientes são as linhas a que obedecem as colheitas que fazemos ao longo de cada ano.

No presente catálogo acrescentámos sementes de mais 20 espécies da nossa flora alcançando as 390!
O catálogo não tem qualquer pretensão cientifica e organiza de forma simples as espécies pelos seus nomes científicos em categorias que são facilmente apreendidas pela maioria das pessoas que se interessam pela nossa flora.  e que nesta edição é constituído pelos seguintes capítulos:


  • Árvores - 45 espécies, tendo sido adicionadas 2 novas espécies:e Pinus sylvestris e Prunus insitita
  • Arbustos e sub-arbustos - 76 espécies - foram adicionadas 6 novas espécies entre as quais destacamos a Ephedra fragilis e a Erica ciliaris
  • Trepadeiras - 15 espécies - mais duas novas, destacando-se a Rosa corymbifera
  • Herbáceas - 212 espécies - Das 7 novas espécies cujas sementes adicionámos a Campanula alata e o Eryngium duriaei colhem as nossas preferências dadas as suas inequivocas potencialidades ornamentais
  • Gramíneas - 25 espécies - nao tendo sido acrescentada nenhuma nova espécie
  • Alhos e bolbos - 19 espécies - Das 3 novas a Narcissus papyraceus é sem sombra de duvida a que mais se destaca.

Sempre que possível acrescentámos ainda o nome vulgar pelo qual a espécie é conhecida. No catálogo deste ano distinguimos também as espécies que além de ornamentais são consideradas como aromáticas, medicinais ou utilizáveis na nossa alimentação. Pelas diferentes categorias podem encontrar-se cerca de 40 dessas espécies, das quais destacamos a Valeriana, a Betónica e a Malva silvestre para dar apenas alguns exemplos.

Terminamos por fim e como já vem sendo nosso hábito com duas referências da maior importância. A primeira, de agradecimento a todos aqueles que nos têm ajudado a trazer á luz do dia este projecto e que das mais variadas formas ajudaram a consolidar este catálogo geral. A segunda, de apelo ao feed-back que qualquer um considere relevante enviar-nos. Todos os comentários, sugestões e criticas, são bem vindos. E essenciais para nós.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Em dias de Halloween, Flores de Mandragora!

Mandrágora em flor, Barlavento algarvio, Outubro 2018

Em dias de Halloween ou, para quem preferir, em noites de bruxas, partilhamos hoje alguns parágrafos sobre uma espécie autóctone desconhecia da maioria de nós,  que se encontra agora em flor e que é, para lá das vulgares abóboras e desde há séculos, uma das espécies míticas da bruxaria ocidental: a Mandrágora, (Mandragora autumnalis) !

Hoje em dia os mais conservadores detêm-se na discussão de que as actuais comemorações "comerciais" de Halloween são uma importação descarada e sem qualquer sentido proveniente dos Estados Unidos. 

Mesmo que assim seja -e nós não estamos assim tão certos, pois sobretudo no centro e norte de Portugal os nossos antepassados Celtas comemoravam a entrada no Inverno e início de um novo ano no  último dia de Outubro com o importante festival Samhain, o nosso Dia 1 de Novembro, dia de todos os santos e do pão-por-Deus na região Centro, de tradição católica, possui alguns aspectos que não o deixam assim tão longe do espírito pagão.

E a ideia principal nestes dias em que a noite avança e ganha terreno aos dias é, no hemisfério Ocidental, a mesma: a de nos conectar com outros mundos menos palpáveis e desconhecidos! Como reconhecido por todos, ninguém acredita em bruxas mas que as há...Há!

E são precisamente as bruxas que deram fama a esta planta considerada mágica e cujas raízes bifurcadas, de aparente forma humana, são um ingrediente essencial em qualquer trabalho que se queira com efeito certo.

Ao que parece as suas qualidades já tinham sido anotadas no Antigo testamento e daí até ao fim da idade média a sua fama só cresceu. São incontáveis as lendas à volta desta planta. Desde que a sua semente é o sémen de um homem enforcado até aos procedimentos de colheita das sua raízes que apenas poderiam ser colhidas em noite de lua cheia, puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto; e se outro animal ou pessoa fizesse esta tarefa, a raiz "gritaria" tão alto que o mataria.

À parte estes aspectos da maior importância em noites de interacção com o oculto, o facto é que o seu fruto possui elementos químicos que o tornam venenoso. Daí que os Árabes o apelidassem de maçã do Diabo, pelas supostas características afrodisíacas.

Curiosamente não é o único género da grande família das solanáceas que é suspeita e tem fama de venenosa e tóxica, pois há outros géneros, com espécies provenientes por exemplo da África do Sul, que entretanto se assilvestraram entre nós sendo algumas das quais consideradas até invasoras. Um bom exemplo é a espécie Solanum linnaeanum também vulgarmente conhecida por  Maçã de Sodoma.

Curiosamente também, e sobretudo para os menos atentos a questões botânicas, as solanaceas à qual pertence esta espécie mágica são nada mais nada menos a família dos tomates - um fruto que comemos na categoria dos vegetais e que chegou à Europa no século XVI vindo da América do Sul pela mão dos  espanhóis. Dos tomates e das beringelas, bem como de muitas outros géneros conforme partilhado aqui pelo Dias Com Àrvores.

Não nos alongaremos mais sobre as infinitas curiosidades acerca da planta e dos usos místicos - bastará uma pesquisa no google de expressões como "Mandrágora", "Noite das bruxas" ou "festival Samhain" para se ocuparem facilmente muitas noites de Outono!

Mas não gostaríamos de terminar sem referir que esta é uma espécie autóctone relativamente rara e que deve ser preservada por todos. Àqueles que se pretendem iniciar nas artes da bruxaria com um peso -pesado da arte só podemos garantir uma coisa: As raízes de Mandrágora só podem mesmo ser colhidas "puxadas para fora da terra por uma corda presa a um cão preto. Se outro animal ou pessoa fizer esta tarefa, a raiz "gritará" tão alto que o matará!

Feito o aviso, a nossa sugestão é que quem quiser ter esta planta em flor na altura em que quase todas as outras ou estão a germinar ou a produzir frutos, o melhor mesmo é tentar germiná-la! No nosso catálogo geral temos as suas sementes para todos aqueles que o pretenderem tentar!

Raízes de mandrágora

Frutos de mandrágora

Pêras silvestres do Algarve


Há muitos tipos de pêras, mas as que nos agradam mais são as minúsculas pêras silvestres,(espécie Pyrus bourgaeana),  que colhemos hoje de manhã no Algarve. Mais precisamente em Armação de... Pera!  E esta foi só uma das muitas espécies de de Outono que aproveitámos para colher com o Zé Júlio Machado da  #HORTADALAPA, nossos parceiros em todas as colheitas de sementes de espécies silvestres nativas da região algarvia!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Sementes de Portugal: 5º Aniversário!


As Sementes de Portugal celebram hoje o seu 5º aniversário! 5 anos a fazer crescer uma ideia: a de que a flora silvestre do nosso país pode estar ao alcance de todos aqueles que a pretenderem semear! A todos aqueles que nos ajudaram nesta ambição: o nosso MUITO OBRIGADO!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lirium: desenhar Hortas e jardins com flora autóctone!


No Inicio de Outono e ainda a beneficiar de um prolongamento do Verão esta é a altura ideal para trabalhos de maior profundidade seja na horta seja no Jardim. A utilização das espécies autóctones em qualquer dos sítios é felizmente uma realidade que tem cada vez mais visibilidade, mas para muitos o difícil é desenhar esses espaços e escolher as espécies que melhor se adaptam ás características de cada espaço. Variáveis como o tipo de solo, a exposição solar, o efeito pretendido e o tipo de uso que se quer dar são sempre aspectos a ter em conta para que os resultados sejam mais gratificantes.

Em projectos de maior dimensão um bom projecto de arquitectura paisagista é essencial, mas em projectos e espaços de menor dimensão existem felizmente cada vez mais profissionais a ajudar nessa missão. Na região centro, e mais concretamente no Oeste - região de Alcobaça, a Lirium é para nós o projecto que melhor materializa a utilização de flora autóctone em espaços sustentáveis e que são feitos para serem usufruídos!

Como escrevemos AQUI há cerca de 3 anos, visitar o espaço da Lirium é a prova de que é possível, sem excessos e sem fundamentalismos, criar a mistura perfeita de horta e jardim ou, se preferirem de Hortins! 

"Espaços que têm que tem legumes e hortaliças das mais diversas, mas onde  também lá estão verbascos, scabiosas, dedaleiras, malvas, alcachofras e salgueirinhas só para referir algumas. Assim como inumeras plantas aromáticas e medicinais. O resultado está á vista e é a prova inequívoca de que sim, é possível ter um espaço onde se podem produzir alimentos felizes em perfeita sintonia estética com espécies mais ornamentais ou encarregues de outras funções, como as de afastar os insectos nocivos ou atrair os benéficos."

Na realidade nós, que até conhecemos um pouco o que se vai fazendo nesta área em Portugal, achamos que há muito poucas pessoas a fazer todos os dias um trabalho como aquele que é feito pelo Ricardo e pela Lirium. Mas sobretudo para quem habita na região Centro, a hipótese de contratar a ajuda especializada deve ser considerada uma prioridade a ter em conta. Seja na concepção, seja na execução, seja mesmo no fornecimento de plantas a Lirium pode fornecer uma preciosa ajuda para que mais depressa melhores resultados sejam obtidos!