segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lirium: desenhar Hortas e jardins com flora autóctone!


No Inicio de Outono e ainda a beneficiar de um prolongamento do Verão esta é a altura ideal para trabalhos de maior profundidade seja na horta seja no Jardim. A utilização das espécies autóctones em qualquer dos sítios é felizmente uma realidade que tem cada vez mais visibilidade, mas para muitos o difícil é desenhar esses espaços e escolher as espécies que melhor se adaptam ás características de cada espaço. Variáveis como o tipo de solo, a exposição solar, o efeito pretendido e o tipo de uso que se quer dar são sempre aspectos a ter em conta para que os resultados sejam mais gratificantes.

Em projectos de maior dimensão um bom projecto de arquitectura paisagista é essencial, mas em projectos e espaços de menor dimensão existem felizmente cada vez mais profissionais a ajudar nessa missão. Na região centro, e mais concretamente no Oeste - região de Alcobaça, a Lirium é para nós o projecto que melhor materializa a utilização de flora autóctone em espaços sustentáveis e que são feitos para serem usufruídos!

Como escrevemos AQUI há cerca de 3 anos, visitar o espaço da Lirium é a prova de que é possível, sem excessos e sem fundamentalismos, criar a mistura perfeita de horta e jardim ou, se preferirem de Hortins! 

"Espaços que têm que tem legumes e hortaliças das mais diversas, mas onde  também lá estão verbascos, scabiosas, dedaleiras, malvas, alcachofras e salgueirinhas só para referir algumas. Assim como inumeras plantas aromáticas e medicinais. O resultado está á vista e é a prova inequívoca de que sim, é possível ter um espaço onde se podem produzir alimentos felizes em perfeita sintonia estética com espécies mais ornamentais ou encarregues de outras funções, como as de afastar os insectos nocivos ou atrair os benéficos."

Na realidade nós, que até conhecemos um pouco o que se vai fazendo nesta área em Portugal, achamos que há muito poucas pessoas a fazer todos os dias um trabalho como aquele que é feito pelo Ricardo e pela Lirium. Mas sobretudo para quem habita na região Centro, a hipótese de contratar a ajuda especializada deve ser considerada uma prioridade a ter em conta. Seja na concepção, seja na execução, seja mesmo no fornecimento de plantas a Lirium pode fornecer uma preciosa ajuda para que mais depressa melhores resultados sejam obtidos!

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Novo Catálogo de Pacotes de sementes de Flora Silvestre 2018-2019


Novo Catálogo 2018-2019 - AQUI !

Lançamos hoje o novo catálogo de pacotes de sementes de flora silvestre 2018-2019! Para nós é o culminar de um trabalho árduo que nos animou ao longo dos últimos dois anos: Acrescentar, às 50 espécies do último catálogo 2016-2017, 10 novas plantas da nossa flora que têm todo o potencial e mérito para fazerem parte dos nossos jardins.

Existirão ainda mais algumas quantas, mas aproximamos-nos mais um pouco da selecção que um dia idealizámos quando começámos o projecto sementes de Portugal há quase 5 anos. E de possibilitar a todos aqueles que o pretendam, de forma simples e confortável, as sementes dessas espécies.

As 10 espécies, que podem já ser adquiridas na nossa loja on-line - www.sementesdeportugal.pt - ela própria também recentemente renovada, são todas elas de fácil germinação, inegavelmente ornamentais e são relativamente abundantes nos nossos campos e paisagens não colocando em risco qualquer população silvestre..

Nove são declaradamente autóctones: Aquilégia (Aquilegia vulgaris); Bem-me-quer (Leucanthemum sylvaticum); Cabelos-de-Vénus (Nigella damascena); Calças-de-cuco (Gladiolus italicum); Gloria-da-manhã (Convolvulus tricolor); Macela-Real (Achillea ageratum); Marianas ( Centranthus ruber); Saudades-roxas (Scabiosa atropurpurea) e Tremoço-azul (Lupinus angustifolius). Uma, o Cipreste (Cupressus sempervirens) introduzido muito provavelmente pelos romanos há dois mil anos tem, como alguém diria, plenos direitos de cidadania e faz parte da paisagem mediterrânica que herdamos dos nossos antepassados que a humanizaram.

Para facilitar a sua consulta, o catálogo é composto por 5 capitulos:
  1. Flores comestíveis
  2. Flores silvestres
  3. Plantas aromaticas e medicinais
  4. Herbáceas e Pequenos arbustos ornamentais
  5. Árvores e arbustos ornamentais

Não é uma classificação muito satisfatória pois há espécies que cabem em mais do que uma categoria, mas é a que por agora as permite arrumar da melhor forma e de acordo com as características mais conhecidas do público em geral. São espécies que, numa perspectiva horticultural, tanto se enquadram no jardim como na Horta e para nós um jardim comestível ou uma horta esteticamente bonita não são realidades incompatíveis!

Esperamos naturalmente que estas novas espécies, assim como o catálogo no seu todo, vão ao encontro das expectativas de todos aqueles que cada vez mais se atrevem a germinar as suas próprias sementes procurando ter jardins, adaptados ao nosso clima, com mais sentido etno-botânico e ecologicamente mais ricos e sustentáveis ! 

A todos os que nos seguem, os votos de uma boa época de sementeiras!


segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Outono: Chegou o (melhor) tempo de semear!


Desde ontem que estamos oficialmente no Outono, e com ele chegou o melhor tempo para Semear! De hoje até ao solstício de Inverno, dia 21 de Dezembro, serão 88 dias em que os dias perderão duração para as noites. Para muitos são 3 meses de descida, uma espécie de antecâmara do tempo ainda pior que virá com o Inverno. Mas para MUITOS OUTROS, são os 3 meses em que podemos dedicar-nos a germinar aquilo que queremos ver florescer na Primavera. Não há outra forma possível! E esse é um dos melhores programas de recomeço de ciclo. Nos próximos dias partilharemos as novidades que juntámos aos nossos catálogos de sementes silvestres da flora de Portugal. A todos os que nos seguem: uma auspiciosa época de sementeiras!

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Monchique: Vive cada tragédia como se fosse a primeira!


Monchique. Por fim e 10 dias depois do seu início, o tempo deu as tréguas necessárias para que mais um mega-incêndio de 29.000 hectares fosse considerado extinto. 

O tema dos incêndios, do ordenamento florestal e do território já tem suficientes dinamizadores nas redes sociais e suscita posições inflamadas para todos os gostos. Um debate politizado, com inúmeros especialistas munidos dos mais diversos estudos, paixões e interesses particulares. Um debate que se reedita sempre como se fosse a primeira vez que tal tragédia nos está a acontecer. 

Nós, por uma manifesta falta de energia, optamos por não participar, até porque a nossa visão sobre o tema é conhecida e compreensível - vendemos sementes de flora autóctone! Mas não resistimos a relembrar que no início de Setembro de 2016, e pouco depois dos incêndios da Madeira, que ocorreram precisamente no início de Agosto de 2016 - faz agora 2 anos! a vertente Sul de Monchique teve um incêndio onde arderam 4000 hectares. Um incêndio com origem criminosa na Foia e que entrou pelo concelho de Portimão. 

Como é óbvio já todos nos esquecemos. Como esquecemos que menos de 6 meses depois, no início de 2017, o nosso actual primeiro-ministro celebrava protocolos com a industria de celulose para aumentar a produção de eucalipto em áreas de elevada produtividade como...Monchique. 

Evidentemente que o problema não é só o eucalipto e que a solução passa por olhar para muitas outras variáveis, mas enquanto esta espécie for considerada a solução para a economia de extensas parcelas do nosso território temos a maior das duvidas de que algo de diferente possa acontecer no futuro. Deixamos aqui os links para o que escrevemos sobre o tema e que na pratica permanece actual. AQUI e AQUI.

Nota - Temos também as maiores das dúvidas de que estes 29.000 hectares se devam apenas ás anormalmente elevadas temperaturas do fim de semana. Para quem conhece a região, mesmo altamente eucaliptada, como é que 1300 homens, dezenas de meios aéreos conseguem deixar que um fogo que se iniciou 15 Km a Norte de Monchique consegue chegar a Alferce, rodear a Picota, expandir-se para nascente e sul atingindo Silves e  alcançar novamente a serra chegando à  FOIA!?

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Convenção europeia de empresas produtoras de sementes silvestres



Na passada semana, de 14 a 19 de Maio, tivemos o privilegio de participar na primeira convenção de empresas produtoras de sementes silvestres da Europa.

Organizada pela associação alemã de empresas produtoras de sementes e plantas nativas ( https://www.natur-im-vww.de/en/) esta convenção contou com a presença de empresas de praticamente todos os países europeus e foi não só uma excelente oportunidade para a partilha de experiências entre os participantes,  como a oportunidade de contactar de perto com a experiência acumulada, desenvolvida ao longo de mais de 30 anos, pela Alemanha num sector que assume uma importância cada vez maior.

O programa, organizado numa iniciativa de extrema generosidade, foi extenso e desenrolou-se ao longo da semana em diversos locais da Alemanha e Suiça. Dos aspectos mais relevantes salientamos:
  - Os projectos de requalificação ambiental e paisagistica, dos quais o mais impressionante foi inequivocamente, o de renaturalização das minas de carvão de Jänschwalde (ex-RDA) levado a cabo pela empresa https://www.nagolare.de;
 - Os diferentes níveis de desenvolvimento das quintas de produção de sementes silvestres certificadas;
-  Os igualmente diversos níveis de desenvolvimento tecnológico e automação das unidades de limpeza e conservação de sementes.

Como é compreensível é um sector de actividade que se desenvolveu na sequência de um forte impulso dos governos nacionais e regionais cujas politicas ao longo das últimas década estimularam o aparecimento de dezenas de produtores e empresas. Um esforço que outros países começam agora a desenvolver de forma mais sistemática (Inglaterra, Espanha, França, Holanda, entre outros) mas que, infelizmente, ainda não tem sequer um paralelo no nosso país.

Ainda não tem, MAS pode e deve vir a ter no Futuro. Até que isso aconteça é para nós um motivo de satisfação ter podido beneficiar de forma tão concentrada da experiência tida noutras latitudes deste espaço que é a nossa casa comum, a Europa. Que poderá não ser de aplicação imediata à nossa realidade, mas que seguramente nos ajudará a trilhar o caminho de promoção do uso das espécies silvestres nas mais variadas vertentes.

Terminamos fazendo referência à criação da Associação Europeia de empresas produtoras de sementes silvestres que teve nesta convenção o seu pontapé de saída. Até ao final do ano de 2018 um grupo de trabalho agora eleito pelos participantes da convenção terá como missão definir os principais aspectos da organização e missão da futura Associação Europeia. Um Fórum de cooperação e troca de conhecimentos e do qual temos a satisfação de fazer parte desde o primeiro momento!


terça-feira, 1 de maio de 2018

Maio: tempo de usufruir e celebrar


A última vez que escrevemos neste blogue foi a propósito do início da Primavera. Passou-se pouco mais de um mês e voltamos hoje para assinalar, neste que é o 1º de Maio, o dia das Maias. Ao longo dos últimos anos e desde 2014 (AQUI) temos partilhado sempre por estas alturas o quanto apreciamos este dia e este mês. 

Se a Primavera começou a 20 de Março, a verdade é que ela não é toda igual. Em bom dizer, não há um dia igual ao outro qualquer que seja a estação do ano:  na Natureza e por todo o lado, tudo faz o seu caminho, feito de mudança permanente, aos poucos e em passos quase imperceptíveis, a transformação é a regra.

Como escrevemos AQUI no ano passado, " Os verde-limão das primeiras folhas  do início da estação foram dando lugar a outras cores e formas de vida num crescendo de exuberância que invade os nossos olhos. É a mesma estação? É. Mas que se foi  transformando todos os dias mais um bocadinho conduzindo-nos suavemente ao tempo de usufruto e de colheita que marca o Verão."

Para os Celtas, o ano só tinha duas estações e o Verão começava neste primeiro dia de Maio com um importante festival  -  Beltane - sendo o nosso Dia das Maias, um testemunho dessa relação ancestral com a Terra e o que nos rodeia. Muitas centenas de anos depois é para nós óbvio que essa constatação continua fazer todo o sentido: Maio é definitivamente o mês mais  glorioso e vibrante que temos!

Esta constatação tem evidentemente um reverso. Maio é tempo de celebração e usufruto do que se semeou noutros anos e que nos recompensa agora com extensas e vibrantes florações. Semear continua a ser possível, mas só deve ser feito em ambientes condicionados, onde seja fácil regar e acompanhar o crescimento de jovens plântulas. Fora disso o mais provável é que qualquer golpe de calor dos muitos dias quentes que teremos pela frente deitem tudo a perder.

Porém e como dizíamos, tudo é "feito de mudança permanente, aos poucos e em passos quase imperceptíveis", pelo que daqui a pouco mais de 6 meses voltaremos ao Tempo de Semear. Até lá temos o tempo de Usufruir e de Colher! E é isso que todos podemos e devemos fazer! 


domingo, 18 de março de 2018

Equinócio de Primavera 2018


Há cinco meses atrás, em pleno Outono, Portugal passava por um dos períodos mais quentes (e trágicos!) de que não tínhamos memória e que, dizem os especialistas, experimentávamos pela primeira vez. Desde então e até há cerca de 3 semanas, grande parte do país esteve em seca severa, motivando as mais diversas iniciativas de quase todos os quadrantes humanos - da ciência à politica, da comunicação social à religião, para que tal desgraça cessasse o quanto antes.

Porém, e apesar de todo o voluntarismo dos últimos 4 meses, foi mesmo a Natureza que, na sua imprevisibilidade, se encarregou de repor a água em falta proporcionando-nos um mês de Março generosamente chuvoso. Uma vez mais, de que não tínhamos memória e que,  dizem os especialistas, experimentamos pela primeira vez. E ou a chuva cessa ou, o mais provável, é estar criado um enormíssimo problema de excesso que irá motivar novos voluntarismos dos quadrantes do costume.

Isto para dizer que o mais sensato seria mesmo aceitarmos de uma vez por todas de que o nosso clima, de tipo mediterrânico, se presta a estas variabilidades. Invernos que podem ser muito chuvosos Primavera adentro e Verões que igualmente se estendem pelo Outono. Alterações climáticas à parte, esta é a nossa matriz e se a tivermos como um dado adquirido, não será necessária tanta estupefacção pelos maus resultados dos erros que cometemos na gestão do nosso território.

Com tanta chuva e frio é natural que a "Primavera" ainda esteja envergonhada e que na terça-feira, pelas 16h15, momento em que se regista o Equinócio de Primavera, tenhamos dificuldade em  reparar nela.  

Porém os sinais, embora tímidos, já estão à vista na floração dos pilriteiros, dos folhados e das urzes. E como não há um dia igual ao outro, aos poucos, a Natureza encarregar-se-á de mostrar que os dias maiores são para aproveitar. Começa agora com os múltiplos tons de verde das novas folhas nas árvores de folha caduca, para, nos meses de Abril e Maio, se desdobrar em múltiplas cores.

Apesar da Primavera ainda ser uma excelente altura para se semear - sobretudo em tabuleiros, vasos ou floreiras, esta é mais uma estação para se usufruir do que se fez nos últimos 6 meses! Quem pensar semear agora os prados que quer ver em flor deve certificar-se de que disporá de água para os regar nos calores de Junho. E quem pensar em deitar directamente na terra sementes de arbustivas terá de estar preparado para o insucesso: As sementes germinam mas não terão tempo de enraízar o que necessitam para sobreviver ao Verão.

E o mesmo serve para as muitas árvores que um pouco por todo o país serão colocadas na quarta-feira, Dia Mundial da Árvore, em múltiplas iniciativas de arborização que, na melhor das hipóteses, serão recordadas como de sensibilização. Em jardins ainda haverá alguma esperança se existir rega à mão, mas nas serras e à merçê do tempo, dificilmente as jovens árvores resistirão a um golpe de calor.

Como já escrevemos várias vezes, e de acordo com as nossas observações, no nosso país, incluindo o arco de clima atlântico do noroeste (Aveiro-Braga-V.do Castelo), o mais prudente é semear no Outono-Primavera, de preferência em tabuleiro ou vasos, e transplantar para os locais definitivos nos meses de Novembro e Dezembro.