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terça-feira, 13 de junho de 2017

Plantas do Estio Algarvio

Plantas em flor no início do Verão Algarvio, Horta da Lapa- Algoz, Algarve

Há pouco mais de uma semana fizemos referência aos benefícios do clima atlântico que caracteriza a região do Porto e que lhe permite dispor de jardins e espaços verdes de causar alguma inveja.

Mas o facto é que a maior parte do país não goza de tanta chuva, enquadrando-se no que se convencionou chamar de clima mediterânico, com uma estação seca é severa e prolongada. E pretender ter aí os jardins que se vêm no Porto, ou em Inglaterra, é evidentemente, pouco aconselhado. Em vez de espaços de fruição o máximo que se consegue são sorvedouros de água.

O Algarve - essa região que bem vista com atenção é seguramente o segundo reino maravilhoso de que dispomos no nosso território, é a nossa região de clima de tipo mediterrânico por excelência: a uma semana do início oficial do Verão, há pelo menos 15 dias que ele na realidade já por aqui se instalou, com as searas já maduras e os serros a caminharem para a secura.

Porém, contrariamente ao que se possa pensar, há ainda muita cor que poderá inspirar outras jardinagens que se queiram libertar do "tem que ser assim" e pretendam construir  espaços mais consentâneos com as características do solo e clima da região. 

Nessa jardinagem, que acontecerá inexoravelmente, são muitas as espécies endógenas da flora Algarvia que se poderá escolher. Mas há quatro que serão de certeza incontornáveis: O tomilho-de-creta (Thymbra capitata), a perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas), o fel-daTerra (Centaurium erythraea) e os suspiros-dos-montes (lomelosia simplex).

Quem achar que são outras as cores que os ocres do Algarve pedem, que se chegue à frente!


sábado, 9 de janeiro de 2016

Simplesmente Alecrim


Depois de uma planta perfeita uma outra que não lhe fica atrás. Isto, se não lhe ficar mesmo à frente! Nesta ideia de aproveitar estas primeiras semanas de Inverno para colocarmos as atenções nas nossas espécies mais emblemáticas, só agora nos damos conta de que ao longo destes dois anos ainda não tínhamos feito qualquer referência ao... Alecrim!

E se há planta que tem de fazer parte de qualquer selecção, o alecrim é com certeza uma delas! Na verdade o alecrim é uma espécie que dispensa grandes apresentações, mas aproveitamos a oportunidade para corrigir a nossa a falha e partilharmos, sobretudo com aqueles que pela primeira vez se interessam pela nossa flora, algumas informações que sustentam generosamente porque é que se deve ter sempre um alecrim à mão.

Nativa de toda a bacia do Mediterrâneo esta espécie arbustiva extremamente aromática há muito que foi apropriada pelos nossos antepassados que sobre ela construíram um extenso património de usos e tradições. Os gregos consagravam-na a Afrodite e os romanos chamavam-na, pelo seu aroma intenso, de "orvalho do mar". Curiosamente é essa a razão que explica que o nome cientifico que lhe foi dado há pouco mais de 200 anos seja o de Rosmarinus officinalis, uma vez que em latim Ros+marinus tem precisamente esse significado: orvalho do mar! O que, sendo um nome perfeito, é com frequência gerador de confusão, pois o nome rosmaninho é atribuído popularmente a uma outra planta igualmente emblemática da nossa flora: Lavandula stoechas, e sobre a qual já escrevemos aqui. Mas, uma vez sabendo isto, não há que enganar e basta ter presente que o alecrim é "aquela cujo nome cientifico" é muito parecido com rosmaninho!

Em Portugal ocorre espontaneamente sobretudo no Sul e Centro, tendo uma preferência por solos calcários. Mas atenção, adapta-se sem grandes exigências a outros solos e hoje encontra-se por todo o país seja em jardins, bordaduras ou hortas. Muito pouco exigente de cuidados e de regas o alecrim é uma planta melífera, das preferidas pelas abelhas, e oferece com frequência duas florações no ano. Uma abundante pelo Inverno, o que é de considerar, e outra pelo início do Outono se as condições metereológicas o entusiasmarem.

Embora as sementes de que dispomos sejam provenientes de populações silvestres dos maciços calcários da Estremadura, e sejam portanto do alecrim que nós preferimos, temos de referenciar que existem hoje inúmeros variedades cultivares apuradas por jardineiros de toda a Europa ao longo de séculos. Variedades cujas flores vão do purpura intenso ao branco passando por vários tons de rosa. Existem igualmente variedades que se distinguem pelo hábito dos seus ramos: mais erectos ou mais rebeldes até ao alecrim-prostrado, de porte rasteiro, uma variedade igualmente muito popular em jardinagem.

Dito isto, terminamos com o sem-número de aplicações que esta planta tem  e que resultam dos componentes químicos dos seus óleos essenciais. Na cozinha, as suas folhas secas aromatizam um sem número de pratos, sobretudo de carne. Em casa, ramos de alecrim, frescos ou secos, ou em defumações, ajudam a perfumar o ar podendo ser considerado um eficaz desinfectante.

Referência por fim às (algumas) aplicações medicinais. Tradicionalmente as infusões de alecrim são tidas como estimulantes, servindo para acudir a sintomas de fadiga. Banhos de imersão que as incluam são igualmente relaxantes e reparadores. Um outro benefício que desde há muito lhe é atribuído é o de ser um poderoso estimulante da memória. Como refere a Fernanda Botelho no seu recente livro "Uma mão cheia de Plantas que curam", (aqui), os estudantes gregos "entrelaçavam rebentos de alecrim antes dos exames para reforçarem as suas capacidades mentais". Curiosamente esta aplicação, que desde sempre lhe foi dada,tem hoje papel passado e carimbado pelas recentes descobertas cientificas que comprovaram que o Alecrim possui de facto poderosos anti-oxidantes e combate preventivamente os sintomas de doenças degenerativas como a de alzheimer.

Nota final - A foto aqui publicada, e que é a que acompanha os nossos pacotes de sementes de alecrim, foi-nos gentilmente cedida pelo Paulo e a Maria, do blogue Dias com Árvores, que nele a publicaram pela primeira vez aqui em 2008. Obrigado!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Um cheirinho de alecrim




Nos dias de hoje não é fácil acordar sem ter um dia pela frente em que nos informem que é para comemorar, assinalar, lembrar ou reflectir algo. Hoje foi o dia da Terra, ha menos de um mês o dia da Árvore, o Ano é o Ano internacional dos solos mas o facto é que os dias assinalados, para além de ajudarem os meios de comunicação a alinharem notícias e curiosidades, pouco mais significam tendem a ser rapidamente alvo de zaping.

E o do 41º aniversário do 25 de Abril de 1974 que se comemora no próximo Sábado também não foge á voragem do tempo. Mas ,independentemente de se ter cumprido ou não, da importância de se comemorar condignamente e a preceito ou não, não resistimos a partilhar a canção de Chico Buarque escrita para assinalar a nossa revolução e toda a esperança que ela representou não só para nós como para outros povos (incluíndo o brasileiro que nessa altura ainda vivia sob a ditadura, razão pela qual a letra, com algumas indirectas ao regime brasileiros, foi censurada nesse país).

À distância de 41 anos, e sendo nós, apesar de tudo, inquestionavelmente beneficiários directos do regime democrático a que o 25 de Abril abriu caminho, somos suspeitos e consideramos que há ainda muitos e bons motivos para assinalar com gratidão o que aconteceu naquele dia. Mas do que temos mesmo inveja é da esperança ingénua que tomou conta de tanta gente naqueles tempos. Teria sido possível uma Revolução mais Feliz se não fossem dias de Primavera? Duvidamos. 

Os cheiros são dos estimulos que o nosso cérebro mais facilmente associa a emoções e lembrá-los é sempre transcendê-los. Nesta Primavera as fragrâncias de alecrim, mas também de esteva, rosmaninho e de tantas outras plantas que estão por todo o lado à nossa volta. Sábado, dia 25 de Abil será pois mais um excelente dia para criar novas memórias!

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Espigas purpura


Nepeta tuberosa

Depois do último post dedicado ao dia da espiga, deixamos hoje um pequeno apontamento para mais uma espécie com inegável valor ornamental mas que, ao contrário de noutros países, é pouco ou nada utilizada na nossa jardinagem.

Chamamos-lhe espigas purpura, porque é isso que as suas inflorescências - hastes com cerca de 60 cm a 1 metro de altura, nos fazem lembrar. O seu nome vulgar é erva-gateira, em inglês catmint.

Trata-se de uma planta perene vivaz, cujas raízes tuberosas garantem que todas as Primaveras renasce depois de quase desaparecer durante o Verão - Outono. Pertence à família das Lamiaceae a qual engloba géneros mais conhecidos como as mentas, os tomilhos ou o rosmaninho, para citar apenas alguns exemplos. 

Em Portugal é possível encontrá-la espontaneamente em solos calcários, geralmente secos e expostos aos sol, do Centro litoral, Alentejo e Algarve. Pelas pistas que a sua distribuição nos dá, poderemos dizer, sem grande margem de erro que é uma espécie muito pouco exigente seja em matéria orgânica seja de água.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Rosmaninho


Lavandula stoechas e Lavandula pendunculata

Nem só de curiosidades ou plantas relativamente "desconhecidas" se faz este blogue. As de hoje são talvez as plantas que, a par do Alecrim, primeiro vêm à cabeça de todos nós quando se fala em aromáticas. E de facto não só fazem parte do nosso imaginário bucólico dos campos e serras de Portugal como são, justiça lhe seja feita, as primeiras embaixadoras na divulgação do fantástico mundo das ervas aromáticas que ao longo dos últimos 10 anos se difundiu de forma assinalável.

As que vos mostramos acima são apenas duas das cinco espécies autóctones que temos no nosso país. As outras destacaremos em  posts futuros. São, se assim quisermos chamar-lhe, os ancestrais aparentados das Lavandas que fazem dos campos do Sul de França um postal procurado por milhares de turistas nesta altura do ano. E que, diga-se, já hoje começam a fazer parte da nossa paisagem resultado de novos projectos no sector das Ervas aromáticas e medicinais que, observando o óbvio, estão a tirar partido das nossas excelentes condições naturais para este tipo de plantas.

Possivelmente existem hoje no mundo dezenas de variedades de lavandulas, com maior ou menor rendimento na produção de óleos essenciais. Assim como existem diversas variedades de jardim com florações que vão desde o branco ao lilaz passando pelo rosa. Todavia, para aqueles que não pretendem complicar o que a Natureza já faz bem naturalmente, estas duas espécies silvestres são mais do que suficientes para alegrar um jardim.

Em termos práticos o que as distingue é o pedúnculo, claramente mais elevado na pendunculata. De resto são em tudo parecidas. O óleo essencial obtido a partir das suas inflorescências tem propriedades relaxantes/calmantes e é hoje incluído nos mais diversos produtos desde ambientadores, óleos, sabões para citar alguns exemplos. 

Tem naturalmente aplicações medicinais. Como refere o mestre José Salgueiro no seu livro, uma infusão das suas inflorescências ´produz bons resultados no tratamento da tosse, bronquite catarro.

Para os que pretenderem ter rosmaninho nos seus espaços, resta acrescentar que é uma planta arbustiva que gosta de solos expostos ao sol, muito resistente aos nossos Verões e adaptada a todos os tipos de solo. Uma planta que é um clássico de qualquer jardim, de aroma intenso e um chamariz para as abelhas,como refere Rafael Carvalho neste post aqui.