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quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sigmetum - O viveiro das plantas autóctones


Quem nos acompanha desde o início do nosso projecto sabe da nossa ligação e colaboração com a Sigmetum, pelo que o que vamos dizer a seguir não é nem novo nem estranho. Mas para os muitos que só mais recentemente nos conhecem, gostaríamos de partilhar o que para nós é um viveiro de plantas, como todos deveriam ser!

É um facto que o nosso país tem mais garden-centers que revendem plantas importadas do que propriamente viveiros com produção nacional, mas daí a pensar que nada se faz e que o que é bom só lá fora vai um passo demasiado largo. A verdade é que também temos projectos de topo ao nível do que melhor se faz no mundo e a Sigmetum é um desses projectos.

Localizada no perímetro da tapada da Ajuda - ISA - Instituto Superior de Agronomia, a Sigmetum é a único empresa que existe no nosso país  que está especializada em plantas autóctones. Direccionada para responder às necessidades de projectos de arquitectura paisagista e de renaturalização, a sua equipa tem apostado sistematicamente na produção de espécies que atá aqui era impossível encontrar no mercado. 

E, para nossa grande satisfação, algumas dessas espécies estão a ser produzidas a partir de sementes por nós fornecidas. Os Rosmaninho-verde (Lavandula viridis), os Samoucos (Myrica faya), os Alfinetes (Centhrantus ruber)  ou as euforbias (Euphorbia segetalis) são algumas delas.

Uma boa parte da razão de ser do nosso projecto é estimular qualquer pessoa a germinar as suas próprias sementes. Mas para todos aqueles que, por uma razão ou por outra, ainda o não pretendem fazer, é hoje perfeitamente possível utilizar plantas nativas já prontas a ir para a terra.

A Sigmetum está aberta ao público em geral todas as quartas-feiras de manhã e visitar o seu viveiro é no mínimo um excelente passeio. A começar pelo facto de se situar num dos espaços mais incríveis e desconhecidos de Lisboa - uma tapada com mais de 100 hectares, em pelo centro da cidade, que se desenvolve em anfiteatro com vistas para o Tejo. Onde, além de bosques e campos de cultivo se podem ver garranos e o magnifico centro de exposições do rei D. Carlos, só para dar alguns exemplos das muitas coisas boas que por lá se podem observar!

Nota - Para entrar de carro no espaço do ISA - Instituto Superior de Agronomia/Tapada da Ajuda,  o que se recomenda dada a dimensão, paga-se 1,5 Euros, um valor simbólico, que a equipa da Sigmetum deduz depois no valor das compras.

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A árvore das miragens



O título deste post é conscientemente abusivo. Que nós saibamos nao existem árvores de miragens, mas a espécie que hoje tentaremos pôr em evidência é de tal modo pouco conhecida, que para nós, e certamente para muitos outros, não passou durante muito tempo de uma miragem.

Árvore das miragens ou árvore mítica, pois além de pouco frequente, o seu nome científico, Myrica faya,  tem os requisitos certos para fazer sonhar todos os que a procuram e tardam a encontrar. As miragens são quase sempre isso: um alimento de emergência para que quem procura não desista!

A myrica faya, ou samouco - um nome vulgar bem menos elegante, é uma pequena árvore que ocorre espontaneamente nos pinhais arenosos da costa ocidental portuguesa. O mais certo é até já termos passado por ela e nem termos dado conta, uma vez que em termos de porte assemelha-se a uma outra espécie que por cincidência até compete com ela forma desleal, o mióporo (Myoporum laetum), uma espécie exótica amplamente utilizada na nossa jardinagem, apesar de poder ser considerada invasiva.

Parecida com o loureiro, é aliás sua contemporânea, partilhando com ele o facto de terem feito parte das florestas tropicais que cobriam o nosso território há 65 milhoes de anos e que sobreviveram aos periodos glaciares (iniciados ha 2,6 milhoes de anos e que persistiram até há cerca de 12.000 anos). E com efeito, a Myrica faya é uma das espécies que compõem a floresta laurissilva dos Açores, onde é ainda hoje abundante nomeadamente no Faial. Tanto que, como nos conta aqui o blogue dias com árvores,  nos meios científicos subsiste ainda hoje a dúvida se esta espécie é mesmo autóctone de Portugal Continental ou se aqui foi introduzida no século XVI após a descoberta das ilhas Atlânticas.

Dúvidas á parte, uma certeza subsiste: é uma pequena árvore com inegáveis qualidades ornamentais. De folhagem perene, em regra sempre verde, e, ao que apurámos, de crescimento relativamente rápido só nao gosta de geadas e frios extremos.  E que além do porte, oferece-nos no Verão uns igualmente estéticos frutos negros, de textura aparentada com a dos medronhos, embora mais pequenos, como é visivel na foto.

Para terminar deixamos duas sugestões. Primeira,  para quem quiser saber mais sobre esta espécie, que de link em link se deliciem com as inúmeras "estorias", usos e factos  á volta desta e de outras espécies da familia das Myricaceae (acreditem, não são poucas!) e, segunda sugestão, a quem puder e se dispuser a isso, a sua utilização como árvore ornamental. Teremos certamente bons companheiros para os neo-zelandezes metrosideros que nos últimos anos parecem ser a única espécie que existe para aprimorar as requalificações das nossas cidades e vilas costeiras!