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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Tempo de Semear





 No último dia de Verão de 2022, damos as boas vindas ao Outono, que chegará na próxima madrugada. Depois de um Tempo de Colher, que nos ocupou nos últimos 3 meses, chegou o tempo de Semear e de voltar à terra e ao Jardim! 

Um Tempo em que voltam a estar reunidas as condições ideais de luz, humidade e temperatura para que as sementes possam germinar e enraizar sem pressas.

Para nós, sem dúvida a estação mais importante, em que as sementes das espécies mais emblemáticas de nossa flora silvestre, colhidas ao longo do último ano, poderão por fim chegar a todos aqueles que as desejam germinar!

A todos os que nos seguem os votos de boas e promissoras sementeiras!

domingo, 24 de abril de 2022

O nosso 25 de Abril e a Guerra na Ucrânia

 





Em 2017, há já 5 anos, criámos duas edições especiais a proposito de duas plantas que não sendo nativas de Portugal estavam intimamente ligadas ao nosso pais; os cravos, como flor símbolo da revolução de 1974 e os girassóis como imagem icónica do Sul de Portugal. Estávamos longe de imaginar que 5 anos depois seriam as espécies que faria sentido evocar num momento em que o povo ucraniano luta pela sua independência e liberdade.

Amanhã assinalaremos mais um 25 De Abril e para nós a sua melhor celebração, aqui e agora,  é reconhecer a justiça da luta que o povo ucraniano trava neste momento!

Até ao fim desta invasão que nos fere a todos,  e até que a Ucrânia recupere a sua paz, ofereceremos à Ukraine Helpers 1 Euro por cada pacote vendido de sementes de cravos ou de girassóis. Mensalmente partilharemos aqui de forma publica os valores apurados e entrgues!


sexta-feira, 18 de março de 2022

O Paraiso. Feira de Jardinagem de Primavera em Estoi 2022

 

(Pintura: Paraiso - Adão e Eva no Éden,Lucas Cranach, o velho ( 1473-1553) -  de https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Adam_and_Eve_by_Lucas_Cranach_(I).jpg)

A dois dias da chegada oficial da Primavera, que no nosso hemisfério será Domingo pelas 15.33, chegam-nos por fim os tão desejados dias de cores vibrantes que por todo o lado nos conduzirão aos dias quentes de Verão. O paradoxo de este ano a celebrarmos sabendo que uma guerra se desenrola ao nosso lado é obviamente desconcertante e quase que nos tolhe. E se tínhamos duvidas, sabemo-lo agora de forma amarga, que A Guerra é a evidência de que é o Homem que se auto-expulsa do Paraíso que lhe foi dado para viver. 

Em persa Paraiso significa Jardim murado. Um Jardim que pretenderá sempre ser o reduto de paz e harmonia que contraste com a destruição sempre à espreita. E se nos anos  de paz faz sentido jardinar, nos de Guerra mais ainda. É acreditar que é sempre possivel recomeçar e que dias vibrantes de cor e criação voltarão no Futuro. 

A Feira de Jardinagem que nos dias 26 e 27 de Março ocorrerá em Estoi, à semelhança da Feira de Outono, organizada pela Mediterranean Gardeners - Portugal, é pois uma excelente alibi para voltar a por as mãos na Terra e ter presente que o Paraíso pode existir!

As Sementes de Portugal estarão presentes na banca da Organização com uma  selecção de sementes das espécies mais emblemáticas da nossa flora!

segunda-feira, 7 de março de 2022

Todas as guerras são imorais

 


Dois anos depois do início da pandemia e quando todos nós nos preparávamos para ensaiar um regresso a uma tão desejada normalidade e eis que as nossas vidas são assoladas por uma tragédia de dimensões infinitamente maiores.
Qualquer guerra, seja na Europa, na Síria, no Iêmen ou em África é imoral. Porém esta, uma invasão deliberada de um país em paz por um regime ditatorial que apenas pretende vergar um povo, destruindo cidades e vilas a partir dos céus, é particularmente hedionda. O facto de ser num pais europeu, com quem nos habituámos a conviver, apenas acentua a nossa perplexidade e adesão à causa ucraniana.
Já houve tempos em que às empresas, grandes ou pequenas, se pedia que agissem da forma mais asséptica possivel. Felizmente essa perspectiva tem mudado ao longo dos últimos anos e para nós é da maior relevância expressarmos a nossa total solidariedade. Com o povo ucraniano e com o povo russo que, como nós, amam as suas terras e as vêm ser destruídas pela irracionalidade de uns poucos.
Voltaremos a partilhar posts sobre o que motiva a nossa existência enquanto empresa: a flora autóctone e as suas sementes. Falaremos de plantas que nos interessam, de jardinagem, da explosão de vida que a Primavera trará dentro de semanas. Mas enquanto durar esta invasão, iremos fazê-lo com a tristeza de saber que a 4.000 Kms de Portugal existe um povo que está a pagar com sangue a sua liberdade. A todos os ucranianos, mas também a todos os russos, que hoje são vitimas do regime de Putin, a nossa solidariedade!

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Solstício de Verão 2021

 


Solstício de Verão 2021- O ponto mais alto em que o Sol pode ser observado em relação ao equador, no hemisfério Norte, ocorreu hoje às 4h32 da manhã. 

E com isso teremos hoje o dia mais longo do ano com 14h53 minutos de luz. O que para muitos de nós será um estranho primeiro dia de Verão, com temperaturas baixas e aguaceiros, marca a chegada da estação dos dias longos, das férias e da praia. 

Porém, mais do que descansar. este será para nós o Tempo de colher e planear o que queremos voltar a semear daqui a 3 meses. De qualquer das formas não se pense que agora a Natureza apenas tem sementes para colher! Os seus ritmos apurados não permitem "colocar todos os ovos no mesmo cesto" e continuará a ser possível usufruir da beleza das muitas espécies que se foram programando para florir no Verão. Serão em menor numero sim, mas existem! 

Seja nas zonas litorais da costa marítima, seja nas zonas húmidas, há espécies incríveis que prolongarão a Primavera até ao final de Agosto! Mas se a tónica dominante do Verão é a de colher, convém não ignorar que há em todas elas tempo para Semear, Descansar, Celebrar e Colher.

O que muda apenas é o enfoque! A todos os que nos seguem os votos de um bom Verão. Se não a Colher, a Descansar ou a Usufruir. E sobretudo a preparar o que se quererá Semear, daqui a cerca de 3 meses, no início do próximo ciclo! 

Há dois anos atrás publicamos no nosso blogue um texto a propósito do solstício de Verão que no essencial resume o que para nós significa o Verão: Aqui.




domingo, 25 de abril de 2021

25 de Abril. 47º aniversário.

 

25 de Abril. 47º Aniversário. 

Por Feliz coincidência, temos no nosso país o privilégio de assinalar o Dia da Liberdade  apenas 3 dias depois do Dia da Terra. Um valor maior da nossa sociedade e no qual nos irmanamos. 

A todos os que há 47 anos ousaram sonhar e não cumprir apenas e escrupulosamente a legislação em vigor, bem como a todos aqueles que ontem, hoje e amanhã têm bem presente que não há jardins perfeitos ou Terras que valham a pena sem pessoas nem espíritos livres, a nossa grata homenagem!

Nas sementes de Portugal a nossa atenção está focada nas  sementes da flora  autóctone. Todavia, não sendo nós ortodoxos, não rejeitamos liminarmente o que não é nativo e tomamos como nossas as espécies que se fizeram silvestres e ganharam direitos de cidadania (os acantos, os ciprestes ou as olaias  são alguns exemplos).  O que vale também para os cultivares, sendo que o cravo vermelho, uma flor com origem na Asia, entrou, há 47 anos, de forma inquestionável na nossa identidade. Daí que seja com muita satisfação que desde 2017 tenhamos, a par de algumas espécies genuinamente nativas, as suas sementes em catálogo!


quinta-feira, 22 de abril de 2021

22 de Abril: DIa Da Terra


 22 de Abril - DIA DA TERRA; DIA DA NOSSA CASA-COMUM! 

Um dia cujo espirito deveria estar omnipresente ao longo de todo o ano: o de nos regozijarmos pelo milagre incrível de que fazemos parte, o da vida que despontou no nosso planete há milhões de anos e que desde então não tem parado de evoluir em sucessivas e incontáveis formas de vida! 

Celebrá-lo como deve ser, não custa nada, nem nos pede para fazer nada. 

Basta observarmos e constatar que à nossa volta e além de nós, existem muitas outras formas de vida com as quais partilhamos esta Terra, que merecem tanto quanto nós cá viver. 

Se sentirmos gratidão por elas existirem e prosperarem tanto quanto a nossa espécie, então o Dia da Terra será celebrado condignamente!


quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Inverno: Chegou o Tempo de Descansar e ..Semear com cuidado

 


Em rigor o Inverno começou há já 17 dias! Mas com o  calor das Festas de Natal, que terminam oficialmente só hoje , 6 de Janeiro e  Dia de Reis, é agora que o assinalamos de forma mais vincada. Por coincidência num dia em que a maior parte do país acordou gelado. Para muitos de nós a pior estação do ano, serão pelo menos 2 meses em que ansiaremos pelos dias quentes! 

Mas esta é uma estação cheia de oportunidades! Sendo a maior dela a oportunidade para  verdadeiramente DESCANSAR!  Descansar e enraízar o que se SEMEOU no Outono e que, se tudo correr bem, Poderemos USUFRUIR na Primavera para mais tarde COLHER no Verão.

Como escreviámos há um ano atrás, se formos atentos aos detalhes, esta é a estação em que tudo se prepara para poder emergir renovado na Primavera. 

Sobreviver a esta estação é uma batalha para muitos seres-vivos. Entre os quais inúmeras espécies de plantas e árvores, que aproveitam a época para canalizar as suas energias para o sub-solo. Compreensivelmente. A temperatura da terra, alguns metros abaixo do solo, em regra  constante e superior à da atmosfera,  motiva muitas espécies a "suspenderem" temporariamente a actividade à superfície e a ocuparem-se das suas raízes. O que normalmente apelidamos de "dormência" não deve pois ser confundido com morte ou congelamento total de actividade.

Apesar de tudo, das chuvas que virão e das baixas temperaturas que já se fazem sentir, o nosso clima é essencialmente mediterrânico e  proporciona-nos Invernos relativamente suaves. E dispondo nós de marquises, estufas e varandas aquecidas, o Inverno continua a ser uma boa altura para germinar sementes de forma mais controlada. 

Nas Sementes de Portugal iremos aproveitar a dica do nosso Inverno. Aproveitaremos para diminuir um pouco a nossa actividade visível e iremos concentrar-nos nas fundações do projecto para poderemos lançar alguns "novos ramos" na próxima Primavera.

A todos, os votos de um Inverno confortável. Sem desperdício de energia e de refundação para que, quando vier o tempo mais quente  da Primavera, o possamos Celebrar de forma enérgica e renovada!





sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz

 



Dia 1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz - No dia em que provavelmente mais pessoas tomam resoluções para as suas vidas, também se assinala, desde 1968, o Dia Mundial da Paz. 

É possivel que  a maior parte delas se revelem demasiado ambiciosas, mas se esta persistir em guiar os nossos dias, 2021 será com toda a certeza  um ano ganho!  Seja entre os Homens ou seja dentro de cada um de nós, a PAZ é o único solo fértil onde pode germinar  e crescer qualquer esperança! Incluindo, claro está...sementes! 

Um Bom ano para todos, pleno de Paz e onde a indiferença não encontre lugar, são os nossos votos!

domingo, 20 de dezembro de 2020

Solstício de Inverno 2020

 


Com o solstício de Inverno a acontecer já amanhã (dia 21, pelas 10.00),  marca-se  oficialmente o fim do Outono e o início do Inverno. Esta é a altura em que, desde há milénios, no hemisfério Ocidental se celebra, das mais variadas formas, a vitoria da luz sobre as trevas. 

E efectivamente amanhã será o dia mais curto do ano: apenas teremos 9h27minutos de luz. Mas é também a partir de amanha que os dias, um após o outro, começarão a ganhar terreno sobre a noite!

  A  todos os que nos acompanham, os votos de um Feliz, Fraterno e Luminoso Natal.

sábado, 21 de novembro de 2020

23 de Novembro: Dia Nacional da Floresta Autóctone

 


Dia 23 de Novembro - Dia Nacional da Floresta Autóctone. 

Não fossem as medidas de confinamento decorrentes do COVID19 e este fim de semana seria marcado, um pouco por todo o país, de acções de educação ambiental de plantação de espécies autóctones. Haverá ainda assim certamente algumas acções simbólicas. 

Mas o essencial a reter é que, ao contrario das plantações de Primavera em Março pelo dia Mundial da Árvore, é no mês de Novembro e Dezembro que no nosso país mais faz sentido plantar árvores e arbustos nativos. E é fácil de compreender porquê. 

É a altura em que terão a humidade e o tempo necessário para enraizarem e com isso melhor suportarem as temperaturas altas que a partir de Maio teremos.  Mas para aqueles que levam a sério as medidas de confinamento e este ano nem uma árvore irão conseguir colocar na terra, nem tudo está perdido! Há muitas e boas leituras sobre a importância vital que a Floresta Nativa tem para o ordenamento do nosso território. Um dos últimos posts no Facebook que lemos e que  vale a pena ler é da autoria do Prof. Jorge Araujo, professor na Universidade de Évora, e que bem sintetiza os desafios que temos hoje pela frente se quisermos deixar às gerações seguintes uma Floresta digna do nome!


"As florestas

Sob a designação genérica de floresta encobre-se um equívoco de consequências gravosas: no mesmo saco, incluímos o que resta da floresta autóctone (bosque, mata), o que foi domesticado pelo Homem (montado) e os povoamentos arbóreos para produção (pinhais, eucaliptais, castinçais).

O neolítico trouxe a reconversão progressiva do modo de vida de caçador-recolector para o agro-pastoril e, consequentemente, uma pressão sobre a floresta para libertação de terrenos destinados à pastorícia e à agricultura. Se até então, a floresta tinha evoluído ao sabor dos movimentos tectónicos e das alterações climáticas, na escala dos milhões de anos, a partir do neolítico, a intervenção humana acelerou drasticamente a sua mutação, na escala dos milhares ou mesmo das centenas de anos.

A chegada dos romanos à Ibéria por volta de 218 aC veio acentuar essa pressão pois, não só pretendiam substituir os cartagineses e fenícios na exploração das riquezas minerais, mas também produzir trigo, de que necessitavam para alimentar o Império. Aliás, todo o Norte de África, integrado no Império Romano, formatou-se como um imenso celeiro de Roma. Durante os 600 anos que permaneceram na Península, os romanos substituíram a economia de subsistência das primitivas tribos por grandes unidades de exploração agrícola, produtoras de azeite, vinho, cereais e pecuária. Em suma, com os romanos, assistiu-se à primeira grande transferência de solo florestal para a agricultura e a pastorícia.

Não esqueçamos ainda que a madeira foi, até ao advento dos combustíveis fósseis, e mesmo depois em muitas regiões, a principal fonte de energia para aquecimento e indústrias; as energias do vento e da água eram supletivas e aproveitadas para moagem e pouco mais. Portanto, a floresta autóctone teve de ser ela a suprir a “parte de leão” das necessidades energéticas, ao mesmo tempo que se via progressivamente amputada do seu solo em proveito da agricultura e da pastorícia; e isto... durante séculos!

Uma solução airosa foi encontrada no Sul onde dominavam as quercíneas perenifólias, a azinheira e o sobreiro. A astúcia consistiu em desadensar o bosque, abrindo espaço para o pastoreio, nomeadamente do porco preto, mas poupando as árvores, as quais foram sujeitas à poda, que favorece a produção de bolota, de que se alimentavam os suínos. A esta solução atribui-se a designação de “montado”. A cortiça, adquirindo um estatuto económico relevante, contribuiu para a sustentação económica dos montados, na perspetiva de sua exploração em uso múltiplo. 

Mas mesmo o montado, apesar do compromisso que representava com a pastorícia, não resistiu, já no séc. XX, à agricultura impulsionada pela política que visava a auto-suficiência da produção do trigo. Em 1929, inspirado na “Bataglia del grano” promovida por Mussolini, na Itália, o Estado Novo, ignorando as advertências de quem sabia, designadamente do Prof. Azevedo Gomes, lançou a “campanha do trigo” que teve a sua maior expressão no Alentejo e, por via da qual, foi subsidiado o arroteamento de vastas áreas de montado e matos para expansão da cultura do trigo. A erosão e o esgotamento da pouca fertilidade dos solos, maioritariamente delgados, conduziram rapidamente ao insucesso: a partir de 1934, a produção não cessou de decair.

Chegados ao séc. XXI, Portugal tem pela frente um desígnio maior: reconstituir grande parte do seu património florestal, inspirando-se na composição das florestas autóctones.    

Em boa verdade, a maior parte do coberto vegetal que tem ardido, é composto por uns miseráveis povoamentos de pinheiros e de eucaliptos com que foi substituída a floresta autóctone ou ocupados os campos abandonados pelas culturas tradicionais, pouco resilientes no contexto da economia aberta. Quem atravessar as nossas Beiras (e não só), encontrará extensas manchas verdes, enganosamente florestais, candidatas a mudarem para cinzento, e extensas manchas cinzentas à espera de reverdecerem para de novo voltarem a arder.

Impõe-se quebrar este ciclo verde-cinza. Não vale a pena culpabilizar a economia; do mesmo modo que só se eliminarão os plásticos abandonados quando estes forem generalizadamente reconhecidos como matéria-prima valiosa para indústrias transformadoras, também a floresta só será protegida quando o seu repovoamento, manutenção e proteção assentarem numa equação económica robusta. Mas, para tal, importa atribuir valor ao que tem valor: isto é, aos serviços que a floresta nos presta.

• As florestas são sumidouros de carbono, e produtores de oxigénio que nós consumimos em cada segundo das nossas vidas. Quanto vale este serviço?

• As florestas são a única barreira eficaz contra a desertificação: cortam o vento, retêm a água, enriquecem o solo, regulam o regime das chuvas, refrescam o ambiente. Estamos dispostos a prescindir delas? Quanto vale este serviço?

• As florestas pintam paisagens que nos encantam, e nos repousam fazendo esfumar-se o stress; oferecem-nos também ambientes propícios a atividades de lazer e desporto. Quanto vale este serviço?

• As florestas e a sua biodiversidade são um dos ativos do território mais importantes para a promoção do turismo. Quanto vale este serviço?

• As florestas fornecem-nos diversos materiais como madeira, cortiça e resina, que o Homem explora desde sempre; mas também frutos, cogumelos, mel e muito mais. 

Enquanto não estivermos dispostos a reconhecer e contabilizar os inúmeros e insubstituíveis serviços que a floresta nos presta, se for genuína e acarinhada, encararemos sempre a reflorestação como um pesado encargo e não como um investimento. E é aí que está o busílis! 

A par da floresta autóctone, pode e deve haver, em terrenos apropriados e de forma regulada, agricultura florestal (silvicultura) para produção de madeiras e de pasta de celulose, que se enquadram, é bom de ver, na fileira do sequestro de carbono desde que, depois de usados, esses materiais não sejam queimados, mas sim reciclados.

Daí a importância, também, da economia circular!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Homenagem ao Arq. Gonçalo Ribeiro Teles

Em dia de Luto Nacional, também nós nos associamos e prestamos a nossa homenagem ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles (1922-2020). 


Que a sua passagem aos 98 anos tenha sido em Dia de S. Martinho, não deverá ser mera coincidência. Alguém que ao longo da sua longa vida nunca regateou generosidade para com este país merece todas as homenagens que lhe possamos fazer!

Mas as melhores homenagens serão sempre aquelas que transformem em acção as suas palavras e as suas visões! E neste particular, verdade seja dita, há muitas acções nas últimas décadas em matéria de ordenamento do território e do ambiente que não nos encherão de orgulho! Muito do que foi semeado pelo Arq. Gonçalo Ribeiro Teles nos anos 70 e 80 foi ignorado ou cortado rente (RAN/REN, etc) nos 20 anos seguintes.

Resta-nos o consolo de que as raízes do que semeou, rebentem agora de toiça por todo o lado. E que hoje, um sem numero de pessoas nos mais variados quadrantes, faça todos dias renascer - pela acção - a sua visão! Por todas as generosas sementeiras que fez ao longo da sua vida, e foram muitas, o NOSSO OBRIGADO!

Nota - Há quase 7 anos, por altura do Ano Novo de 2014 publicámos no nosso blogue um pequeno vídeo (de 2005!), "Em nome da Terra", onde a mensagem principal era a da necessidade de trazer o campo para a cidade! Há inúmeros vídeos que valerá a pena ver para beneficiarmos do que pensou. Este é, certamente, um deles. AQUI.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

Lista Vermelha da Flora Vascular - Portugal continental

Decorreu hoje, dia 13, na Fundação Calouste Gulbenkian a conferência de apresentação pública do relatório final do projecto  da Lista Vermelha da Flora Vascular de Portugal Continental. 

Um dia importante e que é o culminar do  processo liderado pela Sociedade Portuguesa de Botânica e pela PHYTOS, que ao longo dos últimos 3 anos avaliaram o estado de conservação  de 630 espécies da nossa flora.  

Só se pode gerir o que se conhece e este é um importante instrumento que poderá (deverá!) ajudar na definição das nossas politicas de conservação da biodiversidade e ordenamento do território. Das 630 espécies analisadas, perto de 380 - cerca de 60% - enfrentam algum tipo de ameaça! Conheçê-las é o primeiro passo para as proteger, uma responsabilidade que é de todos nós!

Toda a informação produzida ao longo do projecto está e estará disponível para a comunidade no site: https://listavermelha-flora.pt/

Das muitas espécies que fizeram parte do Estudo, há quatro que as Sementes de Portugal tiveram o privilegio de apadrinhar: a Genciana (Gentiana lutea, criticamente em perigo);  a Flor-de-adónis (Adonis annua; vulnerável); o Carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis, criticamente em perigo) e a Mandrágora (Mandragora autumnalis, em perigo).

terça-feira, 22 de setembro de 2020

Outono: chegou o tempo de semear


 

Outono: Chegou o tempo de Semear! 

Desde as 14.31 de hoje, terça-feira, dia 22, que estamos oficialmente no Outono.

Serão 3 meses de dias de tons quentes e mornos, com menos luz de dia para dia, que nos acompanharão nos próximos 3 meses até ao Solstício de Inverno no dia 21 de Dezembro. Para muitos é a estação triste e deprimente dos dias pequenos, da chuva e do vento. Erradamente! 

O Outono é a segunda Primavera do ano, e no hemisfério norte, onde nos situamos, é o reinicio do ciclo da Natureza que nos rodeia e da qual fazemos parte. Visto com os olhos certos é a oportunidade para, de forma mais serena, recomeçar de novo e decidir o que queremos para o período de expansão que nos será oferecido na próxima Primavera de 2021. 

E se isto serve para quase tudo, serve sobretudo para todos aqueles que este ano decidirão regressar à terra e ao Jardim pela flora silvestre do nosso país!  Estão reunidas as condições perfeitas de temperatura e humidade para fazer germinar sementes!  Chegou o tempo de semear hortas e jardins. Mais sustentáveis, com mais biodiversidade e com as espécies mais emblemáticas da nossa flora silvestre!

domingo, 30 de agosto de 2020

Caldas da Rainha : Germinar rima necessariamente com Criar!

 


Faz já quase 6 anos a primeira vez (e única!) vez que publicámos sobre a cidade onde estamos sedeados. Aqui, nas Caldas da Rainha. Se na altura a referência já pecava por tardia, mais do que 5 anos sem dizer nada sobre a cidade que nos acolhe não tem simplesmente uma explicação razoável.

O facto é que as Sementes de Portugal são mesmo de quase todos os sítios do nosso país, de onde provêm as sementes que colhemos e comercializamos. São do Nordeste Transmontano mas também do Sudoeste Alentejano e Algarvio. São dos calcários da estremadura e do barrocal mas também do Litoral Norte e do Alentejo. Por outro lado, as plantas nativas, o que elas proporcionam e as suas inúmeras potencialidades, fornecem tantos temas de divulgação que nos vamos focando quase exclusivamente neles.

As nossas instalações, inseridas nos SILOS/antiga moagem de cereais - CERES -  que nos últimos 10 anos e em pleno centro da cidade das Caldas se soube transformar num fervilhante condomínio de actividades criativas que vão desde a música à pintura, escultura, ateliers de cerâmica -, são no fundamental logísticas. Nem sempre lá estamos, mas é nelas que centralizamos as sementes  que recolhemos  e onde procedemos à sua limpeza, selecção, conservação e posterior comercialização.

À primeira vista uma empresa de sementes, por pequena que seja - como é o nosso caso, deveria estar isolada no meio do campo ou de uma quinta. Mas isso é só mesmo à primeira vista! Na realidade o que fazemos nas Sementes de Portugal está bem longe dos processos de industrialização e maximização de produção que hoje nos dizem dever dominar toda a nossa existência. E está bem mais  próximo daquilo que para nós pode ser a melhor, senão única, possibilidade da Natureza humana: a do sonho, a de dar forma ao que não a tinha, a de nos superarmos a nós e, connosco, o que nos rodeia . Seja a semear, a colher, a regar, a florir ou a pintar, esculpir ou a conceber o que nunca existiu!

Por isso é que para nós as Sementes de Portugal estão sedeadas onde devem de estar: Nas Caldas da Rainha. Onde também elas podem fazer parte de um ecossistema onde o melhor da Natureza humana tem a sua oportunidade.

E foi a isso tudo que a Constança (www.instagram.com/a.cmarie/) e o João (www.instagram.com/joaommargarido/), jovens artistas plásticos de méritos reconhecidos, fizeram ao dar as cores certas quando lhes pedimos para nos criarem um mural que fosse a cara das Sementes de Portugal. E o resultado já se colou à nossa pele. A eles, o nosso OBRIGADO por terem germinado tão bem esta ideia! 










domingo, 21 de junho de 2020

Solstício de Verão

Desde as 22h.44m de ontem, dia 20 de Junho, que estamos oficialmente no Verão!

Para a maior parte de nós começou a melhor altura de ir à praia, passear e descansar. Porém, sendo certo que também o é, o Verão é sobretudo o tempo para colher o que se semeou desde o Outono! Daí que nos próximos 3 meses o enfoque das nossas energias estará em colher as sementes das espécies mais emblemáticas da nossa flora e que todos poderemos semear a partir de Outubro!

De qualquer das formas não se pense que agora a Natureza apenas tem sementes para colher! Os seus ritmos apurados não permitem "colocar todos os ovos no mesmo cesto" e continuará a ser possível usufruir da beleza das muitas espécies que se foram programando para florir no Verão. Serão em menor numero sim, mas existem! Seja nas zonas litorais da costa marítima, seja nas zonas húmidas, há espécies incríveis que prolongarão a Primavera até ao final de Agosto!

Mas se a tónica dominante do Verão é a de colher, convém não ignorar que há em todas elas tempo para Semear, Descansar,Celebrar e Colher. O que muda apenas é o enfoque!

A todos os que nos seguem os votos de um bom Verão. Se não a Colher, a Descansar ou a Usufruir. E sobretudo a preparar o que se quererá Semear, daqui a cerca de 3 meses, no início do próximo ciclo!
Nota: Há um ano atrás publicamos no nosso blogue um texto a propósito do solstício de Verão que no essencial resume o que para nós significa o Verão. AQUI.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Dia Mundial do Ambiente ?

Dia 5 de Junho - Dia Mundial do Ambiente. Depois do dia da Árvore em 21 de Março, do Dia da Terra a 22 de Abril, do Dia internacional do fascínio das Plantas em 18 de Maio; do Dia da Abelha a 20 de Maio e do Dia da biodiversidade a 22 de Maio, as festividades de hoje encerram por este ano o circuito de celebrações para sossego das consciências. Os media, o governo, escolas e um sem numero de organizações ,celebrarão com bonitos logotipos e muitas acções de sensibilização o Dia Mundial do Ambiente. 

Mas equanto isso acontece, nós, portugueses, tratamos assim a Terra em que vivemos para fazer renascer um eucaliptal em fim de vida na região Oeste. Com uma receita simples: retiram-se todos os cepos, hoje carcaças esgotadas por diversos cortes em 30 anos de produção; lavra-se e draga-se com maquinaria pesada; destroi-se qualquer forma de vida que possa existir e afecta-se profunda e irremediavelmente a estrutura do solo. fazem-se ainda uns socalcos para melhor gerir e espetam-se eucaliptos. E aí teremos, uma nova "floresta sustentável", possivelmente "certificada" e que, provavelmente, até ganhará prémios europeus de exemplar sustentabilidade livre de incêndios!

Só que isto não é floresta! Aliás Isto nem monocultura chega a ser!

Isto a ser alguma coisa é mineração a céu aberto de papel higiénico, indústria onde Portugal decidiu ser líder mundial. É evidente que ali - uma ZIF- Zona de Intervenção Florestal que poderia ter os sobreiros mais produtivos do país, nunca existirão fogos porque tudo está morto. Nem fogos nem nada. nem uma erva nem um pássaro ou um rato. Apenas a morte.

Excepto os pobres eucaliptos que nos próximos 30 anos terão de parir pasta de papel à força, dê por onde der.

Nota -As sementes de Portugal são uma micro empresa exclusivamente dependente dos clientes que lhe adquirem sementes de flora silvestre! Por varias razões, explicáveis e inexplicáveis, no nosso país considera-se que uma empresa deve ser apolitica, exclusivamente focada nas vendas e lucros, devendo abster-se da politica e ter uma comunicação de responsabilidade social o mais assexuada possivel para que ninguém se melindre. Não é o nosso caso. Qualquer coisa que exista a pulsar neste planeta, mesmo sendo abstracta como o é uma empresa,faz politica diariamente na sua actividade. E não é somente quando paga impostos ou Segurança Social ou as taxas devidas, com a regularidade exigida, como é o nosso caso mesmo em tempo de COVID19. Tem também a obrigaçao moral de, na sua área e nas conexas, não ser indiferente ao que a rodeia.

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Celebrar condignamente o Dia da Espiga


Dia 21 de Maio de 2020 - Dia da Espiga! Em matéria de feriados móveis há pouco para saber: 40 dias antes da Páscoa é o Carnaval e 40 dias depois a Quinta-feira da Ascensão - uma forma habilidosa para a Igreja tomar como sua as enraízadas celebrações pagãs da fertilidade da Terra e das colheitas generosas que pelo centro e sul, nomeadamente no Alentejo, se celebram desde há milénios.

Uma tradição tão profunda que até ainda bem pouco tempo este era o DIA! "o dia mais santo do ano", em que não se devia sequer trabalhar. Ou o dia da hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que tudo parava, "as águas dos ribeiros não correm, o leite não coalha, o pão não leveda e as folhas não se cruzam". Era nessa hora, pelo meio-dia, que se deviam colher as plantas para fazer o ramo da espiga, do qual, em dias de trovoadas se queimava um pouco no fogo da lareira para afastar os raios.

Um ramo a preceito tem, cada uma com o seu significado, oliveira, alecrim, pampilhos, folhas de videira, papoilas e espigas. de forma diversificada e equilibrada, que a abundância nunca foi nem nunca será feita de monocultura intensiva. E, em muitas cidades e vilas do nosso pais* que têm neste dia o seu feriado municipal, é o que muitas pessoas irão fazer hoje: colher um ramo de espiga!

Porém, nos dias de hoje celebrar o dia da Espiga terá pouca serventia se for apenas para cumprir a tradição e nos lembrarmos como era Portugal até aos anos 80. Por muito bonito que seja o ramo, mais importante que isso, do que celebrar a Espiga, o Dia do fascínio das plantas de há 2 dias atrás ou mesmo o Dia das abelhas que se celebra hoje dia 20 de Maio ( que na pratica são dias que também de forma também habilidoso foram instituídos simplificando o ancestral dia da Espiga que já celebrava tudo isso!) , é importante termos presente que a terra que habitamos é também em boa parte resultado da nossa acção e vontade colectiva. Fará sentido celebrar o dia da Espiga e tudo o resto se o Alentejo se transformar num território exclusivo da monocultura de Amendoal e de Olival intensivo!?!? Se deixarem de existir searas e bermas floridas? Nós temos duvidas! Aliás, as maiores duvidas que essa fosse a fertilidade desejada pelos nossos antepassados! A "fertilidade" nauseabunda dos lagares de azeite que hoje, mesmo na Primavera,se respira em muitas estradas do Alentejo. Dai que, mais do que colher a espiga e fazer um ramo bonitinho, o desafio mais relevante seja o de reflectirmos até que ponto as nossas acções individuais e colectivas poderão, ou não, influenciar a paisagem que é "transformada" à nossa volta sem que sequer nos tenha sido perguntado se era isso mesmo que queríamos. Se tivermos consciência do que está a acontecer ali, mas também no imenso eucaliptal do centro interior ou nos novíssimos pomares de abacate e laranja do Algarve, sem que tenhamos tido sequer uma palavra, então o Dia da Espiga será celebrado condignamente! Se calhar sem tanta alegria, mas pelo menos mais consciente!

**Alcanena, Alenquer, Almeirim, Alter do Chão, Alvito, Anadia, Ansião, Arraiolos, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Beja, Benavente, Cartaxo, Castro Verde, Chamusca, Estremoz, Golegã, Loulé, Mafra, Marinha Grande, Mealhada, Melgaço, Monchique, Mortágua, Oliveira do Bairro, Quarteira, Salvaterra de Magos, Santa Comba Dão, Sobral de Monte Agraço, Torres Novas, Vidigueira e Vila Franca de Xira, são algumas das muitas localidades que assinalam o seu feriado municipal amanha dia 21, dia da Espiga!

domingo, 10 de maio de 2020

A invenção da Natureza


A propósito do dia da Europa, que se assinalou ontem dia 9 de Maio, partilhamos hoje um post sobre um dos europeus cuja visão e trabalho marcaram da forma mais significativa e inspiradora o mundo contemporâneo e a forma como ainda hoje olhamos para o mundo que nos rodeia.

Humboldt (1769-1859), o "maior homem desde o dilúvio" como alguém seu contemporâneo lhe chamou,  não foi só o último dos grandes universalistas europeus cujo saber enciclopédico se distribuía por diversas disciplinas. Foi também um dos primeiros a perceber que a Natureza, mais do que uma criação divina para usufruto do Homem, era sobretudo um todo interligado e interdependente cujas relações era necessário estudar e compreender. 

Mas esta visão revolucionária - que o levou há 200 anos a prever as expectáveis alterações climáticas como resultado exploração predatório dos recursos, não se esgotava no mundo físico e objectivo. A poesia, a arte ou a politica eram igualmente essenciais para compreender de forma holistíca o mundo que nos rodeia.

Apesar de praticamente esquecido nos dias de hoje, a sua visão que influenciou de forma determinante cientistas e artistas ao longo de todo o séc XIX e XX, dos quais Charles Darwin é apenas um dos mais conhecidos, está hoje na base do pensamento de muitos dos ecologistas e ambientalistas de hoje.

Dono de uma vida longa e preenchida - 80 anos - e dedicada a compreender a Totalidade, Humboldt  ambicionava materializar numa única obra "que juntasse tudo o que existe nos céus e na Terra, indo das distantes nebulosas à geografia dos musgos e da pintura de paisagens à migração das raças humanas e da poesia".

A sua mais recente biografia, de Andrea Wulf, de 2015, e cuja leitura recomendamos, é uma boa forma de contactar com a personalidade fascinante de um homem que acreditava sobretudo nos ideais de Liberdade e cujas ideias contribuíram para o fim da escravatura e da emancipação dos países latino-americanos.

Em tempos em que a compartimentação e divisão da ciência, num infindável número de disciplinas que espartilham a realidade, tem sido levada ao limite, perdendo-se frequentemente a tão necessária visão do todo, aqui fica na nossa homenagem a um dos Europeus a quem nós mais devemos!

domingo, 3 de maio de 2020

As ervas daninhas não existem!



Uma das coisas que mais nos custa ler e ouvir, ainda de forma generalizada na nossa sociedade, é a expressão "Ervas Daninhas"! Como se nos coubesse a nós fazer um julgamento moral do comportamento das ervas! De uma vez por todas: as ervas daninhas não existem! O que existem são ervas e arbustos INFELIZES que tiveram o grande azar de tentar cumprir o seu ciclo de vida perto de nós!

Vem isto a propósito do ainda uso generalizado de herbicidas, das roças sistemáticas, que a partir de agora se começam a fazer de forma furiosa, e também da limpeza de matos cuja obrigatoriedade,devido ao COVID-19, foi alargada até ao fim do mês de Maio.

No caso das bermas e passeios a utilização de roçadora é francamente melhor que a aplicação de herbicidas. Porém, não tem de ser efectuada já. Pode aguardar mais algumas semanas e dar oportunidade aos milhões de insectos, pássaros e outras formas de vida de usufruírem do seu polén e néctar. Algo que, em última análise, também nos beneficiará.

Não faz é sentido celebrar o inicio da Primavera a 21 de Março, O dia da Terra a 22 de Abril e o das Maias a 1 de Maio, para, menos de 3 dias depois e logo nos dias mais gloriosos de Maio, investirmos-nos de uma raiva furiosa contra tudo o que cresce! Só porque teve a infelicidade de nos aparecer ao pé da porta!

E como estamos com as mãos na massa, acrescentamos que as ditas limpezas obrigatórias dos espaços florestais, muitas vezes com tractores e maquinaria pesada que levam tudo a eito, não distinguindo um tojo ou uma giesta de um jovem carvalho, também não fazem qualquer sentido. Seria perfeitamente possivel alcançar os mesmo resultados de redução da matéria combustível com uma roçadora manual, a qual permite fazer esse trabalho de forma mais selectiva!

As fotos deste post são da autoria da Fernanda Botelho que, a par da Alexandra Azevedo e da Quercus - ANCN são, entre outras iniciativas que um pouco por todo o país têm surgido nos últimos anos, quem mais tem trabalhado para a mudança de comportamentos nesta matéria, nomeadamente junto das autarquias locais. Mas é importante que cada vez mais de nós, junto de vizinhos, amigos e família, contribuamos seja pela pedagogia seja pelo exemplo, para uma mais rápida e efectiva mudança de hábitos!

Nota Final - A expressão "daninhas" tem uma origem - plantas que por nascerem junto das espécies agrícolas competem com estas pela água e nutrientes. Evidentemente há que fazer opções e, se queremos ter aqueles alimentos, mondar as plantas que não deveriam ali ter nascido, é o mais acertado. De igual forma isso acontece em qualquer jardim e, tal como nos campos, mondar selectivamente, à mão e sem químicos, é mais de metade do prazer de qualquer jardineiro. O critério, na hora de arrancar é sempre o mesmo é é fácil de ter presente: "esta erva compete com os recursos da planta que eu quero preservar? Se não compete e até proporciona flores, não há então razão nenhuma para a arrancar! Por exemplo, Um dente-de-leão, uma papoila ou um malmequer, dificilmente prejudicam um arbusto adulto ou uma Árvore. Acresce por fim que muitas dessas ervas têm interesse e podem ser utilizadas por nós, seja em saladas, seja como aromáticas e até mesmo medicinalmente!