segunda-feira, 26 de maio de 2014

Erva Besteira



É conhecida a nossa predilecção pela flora dos ambientes básicos das serras calcárias de Portugal. Com maior ou menor facilidade uma boa parte de nós repara nas árvores, arbustos ou plantas de maiores dimensões ou com povoamentos mais generalizados, mas poucos reparam em algumas "preciosidades" que por serem menos abundantes passam despercebidas.

Uma dessas plantas pelas quais nutrimos especial simpatia - ao ponto de ser para nós incompreensível porque é que nao são mais utilizadas em jardinagem, está a popularmente conhecida por Erva-besteira ou, cientificamente falando, a Helleborus foetidus.

Discreta a maior parte do ano,ainda que as suas folhas também nao sejam de desconsiderar, é na primavera que esta planta revela a sua sofisticação quando lança as suas hastes florais de cor verde clara. É uma planta que em regra de pequeno porte, perene e vivaz que no periodo de Verão tem o seu período de dormência. Abaixo deixamos um detalhe das suas "vagens" a lembrar "chocalhos" que são igualmente estéticas, pois por esta altura do ano as suas sementes já estão na sua fase final de amadurecimento. 

Dois apontamentos ainda para outros dois aspectos: 

1) Apesar de se encontrar com facilidade nas zonas calcárias do centro do país, a sua distribuição alarga-se por outros tipos de solos, eventualmente mais frescos e ácidos como testemunha o mapa de distribuição da flora-on (aqui) e o Rafael Carvalho no seu blogue jardim autóctone.

2) Ao que tudo indica trata-se de uma planta com alguma toxicidade para os animais. Isso e um cheiro tenuamente desagradável se esmagarmos as suas folhas, valeram-lhe  o epíteto de fétido no nome. O que é discutível como bem escreveu há cerca de dois anos, no seu estilo inconfundível, o Paulo Araújo nest post cuja leitura recomendamos. Aqui.

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