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quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Cardo-leiteiro II


Quem nos segue há mais algum tempo sabe da nossa predilecção por cardos e, na hora de escolhermos uma 3ª espécie que possa fazer parte de qualquer horta ou jardim, voltamos ao Cardo-leiteiro.

A extensa lista de espécies de que dispomos na nossa flora silvestre permitia-nos continuar a publicar posts sem nunca as repetir. Mas isso tem vários "senãos": Ignora o Esquecimento, essa faculdade tantas vezes útil mas tem os seus defeitos, e deixa de fora aqueles que só mais recentemente entram em contacto com o nosso projecto.

Razões pois mais do que suficientes para repormos em memória o que AQUI escrevemos há mais de dois anos e que continua perfeitamente válido. A espécie Cynara cardunculus é uma daquelas plantas emblemáticas que à parte os picos das inflorescências, só tem qualidades!

Além da óbvia utilização que justifica o seu nome popular, no processo de fabrico de queijos, é uma planta cujos tons verde-cinza das folhas lhe confere evidente potencial ornamental durante o Inverno e a Primavera. Acresce a isto que é uma planta cujas inflorescências são muito apreciadas  pelos insectos polinizadores e não só: na agricultura biológica é, por exemplo, utilizada para atrair joaninhas as quais são um poderoso aliado no combate de algumas pragas. Tê-la num canto da horta ou do jardim é pois uma boa decisão.

E, como nunca é demais referir, é uma espécie resistente, perfeitamente adequada ao nosso clima e que não exige regas ou especiais cuidados. Depois da sua ´floração nos meses de Maio a Junho seca e quase desaparece. Mas nada que justifique preocupação, pois é uma planta vivaz cujas raízes voltam a rebentar com as primeiras chuvas do Outono.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Cardo leiteiro

Ou cardo do coalho, ou cardo manso ou ainda alcachofra na região centro de Portugal. O Cynara cardunculus é um dos cardos com maior potencial ornamental e paisagístico. De muito fácil germinação é uma planta perene pouco exigente quer de solos quer de água. Além das folhas, que podem atingir um tamanho considerável e cuja cor verde cinza  contrasta bem junto de verdes mais escuros de outros arbustos, oferece generosas e intensas florações entre Maio e Julho que são um eficaz chamariz de insectos e borboletas.

Mas o seu potencial não é apenas ornamental/paisagístico. Em rigor o interesse do Homem por esta planta é muito anterior remontando, pelo menos, ao período romano. Sendo aparentada com a conhecida alcachofra comestível, Cynara scolymus, utilizada na cozinha de outros países e que hoje começa a ser vulgar encontrarmos disponível nos nossos supermercados, esta nossa espécie também fazia parte da alimentação popular sendo utilizados os caules e as folhas quando tenros.

Como indicam os seus nomes vulgares era no passado amplamente utilizada no fabrico de queijos, aproveitando um dos seus elementos químicos - a cardozina, principio activo coagulante, presente nos estames das suas flores. Embora a "industrialização" dos processos de fabrico tenha afastado o coalho de cardo da fabricação de queijo, o sabor característico que o seu uso dava tem levado, nos últimos anos, ao surgimento de iniciativas que visam a sua reintrodução de forma inovadora no fabrico artesanal de produtos de elevada qualidade. Uma dessas iniciativa é o projecto CARDOP, desenvolvido por uma equipa liderada pelo Prof. Paulo Barracosa da ESAV  - Escola Superior Agrária de Viseu, que ao longo dos últimos dois anos e com resultados visíveis têm trabalhado no estudo e e valorização do cardo na produção de queijo DOP Serra da Estrela.

Popularmente também lhe são reconhecidas diversas propriedade medicinais, nomeadamente para o tratamento de problemas hepáticos, e que hoje são alvo da crescente atenção (e valorização!) da industria farmacêutica.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Uma tarefa espinhosa!

Foto obtida na commons wikimedia

Mas afinal de que espécies autóctones falamos quando dizemos que muitas delas têm potencial ornamental para saírem dos campos e saltarem para os nossos espaços verdes?

Esta não é uma resposta difícil - existem mais de 4000 espécies autóctones na nossa flora!! e já começam a haver muitos que se dedicam a explorar o lado ornamental das nossas plantas como é o caso do Arquitecto paisagista Rafael Carvalho que há quase dois anos nos dá boas sugestões no seu blogue Jardim Autóctone, mas no fim do mês de Outubro, época de dias curtos em que já só nos lembramos vagamente de algumas plantas que vimos na " longínqua" Primavera, pode ser uma tarefa mais espinhosa.  Porém é nesta altura que os jardins que queremos ter na Primavera devem ser planeados.

O Outono é a melhor época para colocar árvores e arbustos na terra, mas também uma boa época para semear e fazer germinar muitas das sementes de arbustos e plantas plurianuais que irão florescer a partir de Março do próximo ano - um principio geral de jardinagem independentemente das espécies em causa serem autóctones ou não.

Esta e as próximas entradas irão colocar a atenção em algumas plantas que se semeadas agora poderão ser transplantadas para os seus locais definitivos na Primavera.

Entre essas espécies estão as que nos habituámos a ouvir chamar de "cardos". Um conjunto bastante heterogéneo de plantas com nomes populares tão diversos como cardo mariano, cardo marítimo ou alcachofra, para citar apenas alguns - mas que na realidade pertencem a diferentes géneros botânicos.

 Em rigor, o nome "cardo" não é uma classificação cientifica mas apenas uma forma popular de agregar no mesmo saco "espécies de "plantas tramadas com espinhos". Como qualquer outra generalização é útil, mas injusta porque nos impede de realmente ver o seu interesse ornamental e de quão belas podem ser.

Das espécies etiquetadas como  "cardos" há um género que possui inegável interesse: O género Cynara. Um interesse tão óbvio que não passou despercebido noutros países como França e Inglaterra. A fotografia acima é um exemplo disso e de que para outros povos os nossos cardos até podem ficar bem num jardim!!

Mas a verdade tem que ser dita. A sua beleza é apenas a ponta icebergue! No caso dos Cynara o seu interesse vai muito para além do seu aspecto estético e é de tal forma vasto que seriam necessários vários artigos se lhe quiséssemos fazer justiça. Daí que sejamos forçados a recorrer à técnica do suspense e a fazer uma pausa.

A nossa próxima entrada será sobre a espécie Cynara cardunculus L., utilizada num jardim inglês e cuja foto colocámos acima.