Mostrar mensagens com a etiqueta Fabaceae. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Fabaceae. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia das Maias


O 1º de Maio é em muitas localidades do centro e norte de Portugal Dia das Maias. Cumprido a preceito, implicaria que ontem tivesse sido colhido um ramo para pendurar antes da meia-noite na porta da casa, garantindo por tradição uma estação de fartura e que o mau-olhado ficasse à porta.

Que Maio é mês de exuberância, é fácil de concluir em qualquer passeio que se faça para fora dos aglomerados urbanos. O que já não é tão claro são as origens mais profundas desta tradição e do seu significado.

Para os Gregos e Romanos Maya era a Deusa da fecundidade e, como tal, da Primavera, tendo-lhe sido consagrado o quinto mês do ano, o que explica, como partilhamos AQUI, que Maio seja ainda hoje o mês consagrado às mulheres. Porém a celebração do início da estação da abundância não foi um exclusivo greco-romano e é claro que outros povos, anteriores ou seus contemporâneos, tinham neste dia uma data central.

No nosso caso e à falta de evidências, o facto de ser celebrado sobretudo nas regiões centro e norte, leva-nos a crer que a tradição das Maias tenha raiz seja céltica. Um povo que cá chegou no I milénio a.c e que se disseminou pela maior parte do nosso território, embora marcando de forma mais significativa o noroeste peninsular, onde hoje as tradições celtas são alvo de uma revitalização assumida.

Que sendo pagãos e obviamente menos organizados que os exércitos romanos tinham a "ciência" de tal forma avançada, que baseados nos ciclos que observavam na Natureza, era para eles óbvio que no nosso hemisfério, o ano começava no fim de Outubro e só existiam duas estações: Um período escuro e invernal que se iniciava aí e um Verão claro de abundância que se assinalava a 1 de Maio, com um festival maior, por ser a altura de maior enegia da estação, designado de Beltane.

domingo, 16 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem V


Com a Páscoa a chegar ao fim não queríamos terminá-la sem partilhar mais uma sugestão de jardinagem inspirada por uma das paisagens nossas preferidas!

É um facto que esta é uma sugestão que não está ao alcance de todos, pois será necessário algum espaço, mas se houver alguém que podendo fique com vontade de o fazer depois deste nosso post, já valerá a pena!

As Olaias, que para muitos é apenas nome de bairro de Lisboa, são uma árvore frequentemente utilizada em espaços públicos. Poderemos não a conhecer pelo nome, mas todos nós já passámos certamente por elas e apreciámos,nos princípios da Primavera,  a sua abundante floração cor-de rosa que é prévia ao aparecimento das folhas. 

Os Freixos, outra árvore pela qual passamos com frequência sem conseguir chamá-la pelo nome, povoa as margens de rios e ribeiras de todo o nosso país e é provavelmente a espécie ripícola (para quem não sabe, ripícola refere-se ao que habita nas margens dos rios) de maior porte que temos e as suas qualidades e currículo deveriam dispensar aqui quaisquer apresentações. 

Ambas as espécies são frequentes, os freixos mais em linhas de água e as olaias mais em espaços urbanos, mas quase raramente as vimos juntas. E é juntando a luminosidade do verde das primeiras folhas dos Freixos com a exuberância dos rosas das Olaias que ambas se transcendem proporcionando magníficos efeitos estéticos.

Dissemos raramente, porque por vezes o "acaso" proporciona-nos o encontro das duas espécies. E o médio Tejo, de Abrantes a Santarém, Entroncamento, Torres Novas e arredores estão cheios de galerias ripicolas de Freixos, salgueiros, amieiros e choupos pontuados aqui e ali por Olaias.

Sabendo nós que a Olaia nem é uma espécie autóctone - embora por cá esteja há muitos séculos, possivelmente trazida pelos Romanos do médio-oriente, não deixa de ser curioso tentar perceber quem as ali pôs e com que intenção. Não lhe são conhecidas mais-valias económicas e pela madeira não será, pois é de crescimento lento. Resta-nos a suposição de que foi mesmo pelas necessidades imperiosas de beleza, que até os simples têm, queos agricultores desta região fizeram questão de as juntar aos freixos que bordavam as linhas de água.

Salvo opinião em contrário as Olaias, árvores de médio porte da família das leguminosas denominadas  Cercis siliquastrum, não são invasivas e requerem pouco ou nenhum cuidado. Têm um crescimento lento e preferem solos húmidos, embora também sobrevivam em solos mais secos.

São pois o que poderíamos chamar de "árvores exóticas que ganharam direito de cidadania" tantos são os séculos que por cá andam!

Por fim e porque estamos na Páscoa, uma referência que não é de somenos importância. As Olaias são igualmente conhecidas como sendo a árvore-da-judeia ou árvore-de Judas, por se acreditar que foi numa delas que Judas Iscariotes pôs termo à sua vida depois de se seduzir por 30 moedas prata. A ser verdade, fica evidente a compaixão de quem lhe preservou o nome. Razão talvez pela qual as Olaias sejam ainda e também vulgarmente, conhecidas por.... Árvores-do-Amor!

Para terminar e para desfazer quaisquer duvidas sobre os méritos desta nossa sugestão, um link para um artigo que a Teresa Chambel escreveu há quatro anos no seu blogue Um Jardim para cuidar:AQUI.

domingo, 1 de maio de 2016

Um glorioso mês de Maio



No dia das Maias e do trabalhador, aproveitamos para deixar a todos os que nos seguem os nossos votos de um glorioso mês de Maio para todos! 

Não há muitos meses como este e se não temos especial aversão a nenhum, a verdade é que este é mesmo o nosso mês predilecto. Nosso e de uma parte substancial das pessoas que como nós se rende à chegada do bom tempo e de uma Natureza em apoteose. 

Não é por acaso que o mês se chama de Maio. Na etimologia da palavra estão as celebrações de fertilidade da terra, comuns a todos os povos do hemisfério Norte e que os Gregos consagravam a Maia, a deusa da terra, da fecundidade e do crescimento das plantas, dos homens e de todos os seres vivos. Maia ou Gaia para outros povos anteriores, do mediterrâneo e crescente fértil, e que na pratica celebravam o mesmo: a incrível explosão de vida que a nossa casa-mãe, a Terra, nos proporciona por estas alturas e que nós, afectuosa mas mais pobremente, sintetizamos hoje no dia Mãe.

A melhor forma de celebrar Maio é no campo e deixarmo-nos tomar pelos mares de amarelos que em diferentes tonalidade se avistam por todo o lado. Não é a ler blogues de qualidade duvidosa, Mas para quem quiser repor em memória, deixamos AQUI o links para o que escrevemos há dois anos sobre o Dia das Maias e as giestas que estão por detrás de um dos nomes do dia de hoje.

Quem não apanhou hoje um ramo de giestas para pendurar na porta da casa, também não tem de ficar triste. O que conta é o espírito e durante o mês de Maio não faltarão oportunidades. Dia 5, por exemplo, quinta-feira das Ascensão e que é o Dia da Espiga!

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Entrar na Quaresma com Pascoinhas


Como este ano quase que passámos por cima do Carnaval, ou Entrudo, se preferirem, aproveitamos o seu terceiro e último dia para voltarmos a uma espécie que já começou a entrar em floração e cujo nome vulgar está associado ao período da Páscoa que agora se inicia: as Pascoinhas.

Mas antes disso, sobretudo para aqueles que tendo o privilégio de assinalar freneticamente o dia de hoje nos mais diversos corsos, não têm presente o porquê de tanta euforia nos inícios de Fevereiro, relembramos que estes 3 dias de excesso são mesmo a última janela de oportunidade que têm antes de entrarmos no período de abstinência e recolhimento que se inicia amanhã, dia 10, Quarta-feira de cinzas e primeiro dia da quaresma.

O facto de ser sempre uma terça-feira, mas em dias diferentes do ano também tem uma justificação e decorre tão só e apenas do facto do Dia de Páscoa também ser um feriado móvel, determinado por uma regra pouco conhecida mas há muito estabelecida: O dia de Páscoa celebra-se em cada ano no primeiro Domingo a seguir à primeira lua cheia que ocorrer após dia 21 de Março (dia convencionado, embora muitas vezes assim não seja, em que ocorre o equinócio da Primavera).

Uma vez identificado esse Domingo ( que neste ano de 2016 será a 27 de Março) andam-se 40 dias para trás (Domingos não contam) e temos com rigor o dia em que deve começar a Quaresma.Como na Quaresma não entram os prazeres da carne, o adeus a esta fica forçosamente confinado aos 3 dias anteriores: este ano dias 7, 8 e 9  - sendo também certo que para muitos há já bons motivos para a folia desde a semana passada.

Curiosamente, e como lembrávamos AQUI no ano passado, a propósito do dia de ramos, é amanhã que se devem queimar os os ramos de oliveira, alecrim, rosmaninho e outras flores primaveris que se fizeram na Páscoa de 2015. É com as cinzas desses ramos que nas celebrações da Igreja católica se dá com rigor início ao período que nos conduzirá à Páscoa.

Dito isto, ficámos com pouco espaço para dar atenção às pascoinhas (Coronilla glauca) que a partir de agora, e seguramente até ao final de Maio, vão cobrir de amarelo muitos dos campos do centro e sul de Portugal. Não lhe são conhecidas aplicações medicinais ou outros usos, mas o seu valor ornamental é tanto que está dispensada disso. AQUI deixamos o link para a entrada que publicámos há quase dois anos sobre este arbusto que faz as delícias de quem nos visita!

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um trevo vermelho!?

Hedysarum coronarium

A primeira vez que nos deparámos com esta planta foi num dos muitos passeios que a Cristina Reboleira organiza pela zona oeste - acrescente-se, autora de um dos blogues de flora silvestre que seguimos, as minhas plantas, e a quem a génese deste projecto muito deve.

Inicialmente julgava que estava perante uma descoberta botânica na qual era o primeiro a reparar: um trevo vermelho!! Mas a Cristina refreou os ânimos. Ainda não era desta que iria latinizar o meu nome baptizando uma planta. Na realidade nem é uma herbácea nossa, mas sim trazida de outras paragens, acredita-se, por pescadores da zona Oeste. Daí que entre Peniche e S. Martinho do Porto seja possível encontrá-la em prados cobertos de vermelho onde é conhecida pela população como Sula.

A Sula, ou Hedysarum coronarium, é uma planta herbácea perene originária de países mediterrânicos como Malta, Itália, Argélia, Tunísia e Marrocos. O facto de aí ser utilizada na alimentação de animais motivou a sua vinda pois as populações locais recorrem a ela para alimentar animais domésticos.

É certo que não é uma espécie autóctone nossa mas para ela abrimos aqui uma excepção. Até porque se assilvestrou sem se tornar uma invasora. Não só é útil como forragem como apresenta três vantagens inequívocas: É muito resistente à seca; permite colorir na Primavera um pedaço do jardim com uma cor que não é muito frequente na nossa flora (imagine-se a par, por exemplo, da tremoçilha!) e é uma planta melifera: as suas flores perfumadas possuem bastante néctar  do agrado das abelhas. Aliás, nas paragens de onde é originária tem também o nome vulgar de madressilva francesa!

Mais haveria para falar desta planta que é claramente ornamental. Mas para não corrermos o risco de alguém pensar que é mais uma bizarria nossa, deixamos um link para um artigo da secção de jardinagem do Daily Telegraph. Que começa por escrever assim: Uma vez vista nunca se esquece! E é verdade. O artigo debruça-se sobre como a utilizar em jardinagem e inclui dicas de sementeira e composição. Aquihttp://www.telegraph.co.uk/gardening/howtogrow/3321418/How-to-grow-French-honeysuckle.html.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Campos e bermas de tremoçilhas

Lupinus luteus e Lupinus angustifolius

Se há campos fotografados nesta altura do ano os de tremoços silvestres são desses. É claro que há outros dignos de postais como os de pampilhos amarelos de Trás-os-montes, os de papoilas do Alentejo ou os de Echium lilazes do Ribatejo, mas estes são dos que fazem parte do nosso imaginário.

Quando passamos por eles ficamos sempre intrigados a imaginar que planta será aquela de hastes floridas dispostas em andares  de forma regular e harmoniosa. A maior parte de nós nem desconfia que afinal se tratam dos parentes afastados da iguaria dos menos abonados que acompanhará muitas cervejas no Verão que se aproxima. O tremoço!

E se reparamos nos campos de tremoçilha, espontâneos ou propositadamente semeados, ficamos ainda mais surpreendidos quando descobrimos que afinal eles existem também noutras cores como o azul. Menos frequentes que os anteriores é possível no entanto depararmos-nos com eles. Os que conhecemos abundam sobretudo em Trás-os-Montes e no Alto Alentejo. A estrada Alpalhão-Castelo de Vide, além de uma alameda de freixos que promete ser daqui as uns anos ainda mais impressionante que a que liga hohe Castelo de vide a Marvão, é ladeada nas suas bermas e em toda a extensão com um consistente e abundante povoamento de tremoços azuis.

Claro que hoje já se encontram pacotes de misturas de sementes para prados floridos onde estes dois se encontram a par de outras variedades com tantas outras cores apuradas ao longo dos tempos. Porém neste caso, como quem segue este blogue já nos ouviu dizer e não nos cansamos de repetir, não é necessário procurar híbridos e variedades apuradas quando a Natureza já o fez tão bem.

Os lupinus são um género que pertence à grande família das leguminosas, Fabaceeae. Sobretudo a tremoçilha amarela é utilizada com frequência pelos agricultores para restaurar a fertilidade dos solos durante os pousios uma vez que contribui para a fixação do azoto.

Semeados na altura certa, por alturas de Outubro/Novembro, são de fácil germinação e garantem um prado de Primavera com outras cores sem qualquer trabalho pois não necessitam de qualquer tipo de rega. As chuvas de Inverno são-lhe mais do que suficientes!

Nota - Além das duas espécies aqui afloradas existem ainda em Portugal mais três espécies: de flor creme; uma outra de cor azul e, imagine-se, cor-de-rosa/roxo!
Lupinus luteus

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Giestas e o dia das Maias

Cytisus grandiflorus - Cytisus multiflorus

A propósito do dia de amanha, que em muitas zonas do nosso país é, além do Dia do trabalhador, o Dia das Maias, publicamos hoje um post sobre giestas.

A celebração das Maias é uma tradição de origem Celta ligada aos cultos da fertilidade e da celebração do início do Verão - que para os Celtas se iniciava não em Junho mas no início do quinto mês. Assume diferentes expressões consoante a região e foi entretanto assimilada, à semelhança de tantas outras tradições pagãs, pela religião católica tendo-se hoje perdido o real significado que está na origem da celebração. 

De qualquer das formas o facto é que ainda hoje, em pleno século XXI a força da tradição se mantém, e neste dia são muitas as pessoas que, sobretudo no centro e norte de Portugal, assinalam o dia pendurando na porta das suas casas ramos de giestas e outras flores. A este propósito deixo aqui o link para um post publicado aqui pelo Dias com árvores em 2005! dando conta de que mesmo numa cidade como o Porto as pessoas adquirem ramos de giestas neste dia para colocarem à porta das casas.

Em Portugal existem, salvo erro, 6 espécies de giestas, todas elas de flores amarelas excepto a multiflorus que é de floração branca. Qualquer uma delas oferece uma significativa floração durante os meses Abril e Maio e são óbvias as suas qualidades ornamentais. Tanto que também para esta espécie é hoje vulgar encontrar à venda nos garden-centers variedades híbridas desenvolvidas para darem flores de outras cores como o vermelho ou o laranja.

Mas não era necessário. O amarelo e o branco das nossas giestas nativas é mais do que suficiente para abrilhantar qualquer jardim. No caso da Cytisus grandiflorus de flor amarela, disseminada  por praticamente todo o território, o seu porte arbustivo pode alcançar os 3 metros de altura. Já o Cytisus multiflorus, de cor branca, mais frequente no centro interior , Minho e noroeste de Portugal, o seu porte é quase sempre inferior aos dois metros.

Além do interesse ornamental, as suas flores são como é claro um chamariz para todo o tipo de insectos polinizadores. Acresce a isso que tratando-se de espécies pertencentes à família das leguminosas, são fixadoras do azoto e como tal contribuem para o restauro da fertilidade do solo.

Ambas as espécies se adaptam a diferentes tipos de solo, mesmo os mais pobres e não são exigentes de água.

Para finalizar deixamos ainda um link para o blogue Plantas e flores do areal que recentemente dedicou este post inteiramente dedicado à espécie cytisus Multiflorus. De leitura recomendada para quem quiser aprofundar os conhecimentos sobre esta espécie também conhecida como giesta das sebes.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vassoura véu de noiva

Retama monosperma

Se é certo que o amarelo das giestas e das pascoínhas é a cor dominante das nossas paisagens do litoral nesta altura do ano, a verdade é que aqui e ali há outras cores que nos chamam a atenção. Uma delas, sobretudo para quem viaje nas auto-estradas do litoral e for com alguma atenção, é o branco de alguns arbustos que aqui e ali vamos avistando..

À primeira vista somos tentados a pensar que se tratam de giestas de flor branca - e de facto em algumas das nossas regiões, como o Alto Alentejo e Trás-dos-montes, são estas (cytisus multiflorus) que dominam na paisagem, mas no litoral e Algarve o mais provável é que seja a Retama monosperma, vulgarmente designada entre nós por piorno-branco mas que em inglês tem um nome mais sugestivo e condizente: bridal veil broom.

Originária das faixas litorais do Algarve e do Alentejo, é hoje uma espécie disseminada um pouco por todo o país nomeadamente nos taludes das principais vias de comunicação. Mas este facto não deve menorizar o seu valor ornamental. Pelo contrário, é um arbusto que podendo alcançar o porte de uma pequena árvore nos oferece uma intensa floração branca logo ao inicio da Primavera.  Seja sozinha ou em conjugação com outras espécies arbustivas é uma opção a considerar.

Um parágrafo final para referir que esta é uma espécie da família das leguminosas,  pouco exigente de água e que se adapta bem a diferentes tipos de solos.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pascoinhas



Dos muitos tons de amarelo que enchem os campos do centro litoral na Primavera há um que pela sua profusão chama a nossa atenção - o das Pascoinhas. Este arbusto, também da famílias das Fabaceae, denominado cientificamente de Coronilla glauca, deve o seu nome popular a razões óbvias por apresentar o seu período de máxima floração por alturas da Páscoa. E a deste ano é já daqui a pouco mais de 3 semanas!

O seu interesse ornamental resulta da conjugação de dois aspectos. Não só é um arbusto que não cresce desmedidamente - 1,5 metro de altura, como se reveste generosa e persistentemente até Junho de flores. Daí que seja hoje cada vez mais vulgar ver estes arbustos em jardins e parques públicos.

Isoladas ou em sebes as Pascoínhas garantem um jardim florido com muito poucas exigências, sobretudo no que se refere a água e adubações. Naturalmente habituada a solos calcários adapta-se bem a outros tipos de solos (uma vez mais desde que não sejam ácidos ou encharcados). A germinação das suas sementes não apresenta cuidados de maior e a uma temperatura de 16º a 20º com humidade e luz q.b. é quase certa!

Para terminar deixamos-vos um link para o Dias com Àrvores, um blogue que já escreveu quase tudo o que havia para escrever e que consultamos (e copiamos!!) regularmente antes de publicar algum disparate. Além do texto, as fotos são bem ilustrativas do interesse ornamental deste arbusto.

domingo, 23 de março de 2014

Alfavaca-dos-montes ou Garbanzo del Diablo



A Alfavaca-dos-montes ou Erophaca baetica, comum no centro e sul do país é uma das plantas que facilmente passa despercebida no meio de florações mais vistosas, porém se dedicarmos alguma atenção quer ao seu porte quer às suas flores facilmente percebemos a sua mais valia ornamental.

Da família das leguminosas, denominada Fabaceae e que alberga inúmeros géneros desde herbáceas a árvores de grande porte, é uma planta habituada a solos secos e expostos. Além das suas flores, das primeiras a aparecer antes do inicio da primavera e que se prolongam até Maio, destacam-se as suas folhas compostas e as vagens das suas sementes, muito parecidas com as das favas o que, aliás, deve estar na origem do seu nome popular.

Fácil de germinar tem ainda a vantagem de ser uma planta vivaz. Após o Verão, em que a sua parte aérea quase desaparece, renasce miraculosamente no Outono/Inverno seguinte proporcionando um apontamento verde quando tudo o resto está no seu período de dormência. Com as condições certas - isto é desde que os solos não sejam excessivamente húmidos, ácidos ou sombrios, é quase certo que alcance uma forma arbustiva a chegar aos 60-70 centímetros de altura.

De referir por fim que esta planta tem outros sinónimos quer populares quer científicos. Alfavaca- silvestre e Astragalus  lusitanicus são sinónimos pelos quais também é conhecida.

Nota - Conforme nos refere Fernanda Nascimento no seu blogue plantas e flores do Areal (aqui) tudo indica que esta é uma planta tóxica que era evitada pelos pastores por provocar a morte dos animais. Talvez por isso em Espanha seja popularmente conhecida como Garbanzo del Diablo! Não sabendo nós os efeitos nos humanos o preferível é mesmo não arriscar e não tentar ingerir as suas sementes!