sexta-feira, 26 de maio de 2017

Chelsea Flower Show 2017


O que é que um dos maiores eventos dedicado à jardinagem do mundo, realizado em Londres, tem a ver com um projecto focado na flora silvestre de Portugal? À primeira vista pouco terá em comum, porém, a ortodoxia nunca foi o nosso forte e ter tido a oportunidade de o visitar além de um privilégio é a janela que também gostaríamos de manter aberta de par em par.

Mas, mais do que um gosto, é um traço essencial para a identidade do que pretendemos fazer. Sendo insuspeitos sobre o muito que apreciamos no nosso país, o pior que nos podia acontecer seria cair no erro de pretender que nada de melhor existe fora de portas ! E numa altura em que o discurso vigente é o de nos convencer a todos de que somos incríveis e a um passo de tudo ser declarado património da humanidade, é de elementar higiene verificar o que afinal se faz la fora.

E FAZ SE MUITO!! Inglaterra, ou o Reino Unido se preferirmos, têm uma longa tradição em matéria de jardinagem. É um facto que o seu clima ajuda e também é um facto de que se trata de uma sociedade rica que tem recursos para dedicar ao tema. Mas só isso não explica a verdadeira obecessão que os ingleses têm com os seus jardins. Este povo persegue a Beleza e ama verdadeiramente a Natureza e de forma muito consistente há pelo menos 300 anos. Visitá-los não é motivo de inveja e apenas pode servir de inspiração!

O RHS Chelsea Flower Show 2017, que decorre esta semana no bairro de Chelsea, é indiscutivelmente um dos pontos altos para os amantes de jardins de todo o Mundo. Atrai centenas de milhares de visitantes e de profisisonais em busca do que de melhor se está a fazer neste momento nesta área. E não são só Flores o que se pode ver por lá. São dezenas de stands de tudo o que possamos imaginar como estando relacionado com a jardinagem: mobiliário de Jardim, casas especializadas em utensílios, iluminação, rega, pergolas, estufas, toda a espécie de artesanato em madeira e metal. São dezenas de ideias para que qualquer um possa fazer do seu jardim o paraíso merecido!

Se não é difícil ficar com surpreendido com a diversidade menos ainda é ficar boquiaberto com a verdadeira sofisticação que em matéria de arte para jardins se pode alcançar. São inúmeros os escultores, artistas plásticos e instaladores de trabalhos em pedra, metal e madeira, com identidades e técnicas muito diversificadas, de largas milhares de libras, que acrescentam o remate final de beleza que muitos estão dispostos a pagar.

Em matéria de flores e jardinagem propriamente dita, poderemos, de forma resumida, dizer que são duas as principais áreas de interesse: O grande pavilhão Central, onde viveiros especializados de todo o Reino Unido exibem o melhor da sua produção, e os diferentes jardins, instalados ao longo das últimas semanas e que "transplantam" para o espaço da exposição jardins completos. Este anos eram 22 em diferentes categorias a concurso.


Visitar o Pavilhão central não é definitivamente para cardíacos! O nível de sofisticação que muitos produtores alcançam - e existem especialistas em todos os géneros usualmente utilizados em jardinagem: desde orquídeas, rosas, tulipas, dálias, vegetação aquatica, acers, peónias, entre muitos outros, é do melhor que se alcançou até ao momento. É o reino dasovas variedades apuradas, cultivares e híbridos que competem pelas cores e formas mais inesperadas. Não é naturalmente a nossa áreas preferida, mas não deixa de ser interessante observar a inexistência de limites nesta matéria. Um aspecto interessante é observar como alguns espécies silvestres de todo o mundo estão a captar um interesse crescente.  compreensível regresso ao "simples" depois dos excessos.

Por fim, a secção que afinal mais motivou a nossa visita a este Chelsea Flower Show. Os jardins instalados ao longo das últimas semanas por equipas de dezenas de pessoas que tiveram a missão de garantir que tudo estaria apresentável (vivo!) nesta semana.

Neste particular a sofisticação é igualmente grande. São em regra projectos apenas exequíveis com o patrocínio de grandes empresas que dispensam orçamentos generosos para que designers de jardins e arquitectos paisagistas concebam espaços inspiradores das novas tendências em matéria de jardinagem.  Sem nos demoraremos nos 22 jardins em concurso,  é visível a influência que a flora silvestre e os diferentes ecossistemas têm no desenho de jardins que se querem cada vem mais sustentáveis, povoados de outras formas de vida e adaptados às condições de solo e clima de cada lugar .  Esta tendência esta bem patente nos jardins de Yorkshire ou do Wellington´s college, mas os holofotes deste ano foram todos para um jardim de flora mediterrânica.


Desenhado pelo designer James Basson, o melhor jardim do certame replica uma antiga pedreira de calcário, abandonada, de Malta e lembra a extrema vulnerabilidade dos ecossistemas daquela ilha. A flora utilizada, toda nativa, não nos poderia fazer mais lembrar a nossa: Desde eufórbias, centranthus, echiums, ferulas, stipas giganteas, alfarrobeiras, entre muitas outros géneros que também ocorrem no nosso país!

E se existiam dúvidas sobre o que faríamos no melhor evento de jardinagem do mundo, o prémio deste ano dissipa-as todas, confirmando que, na dúvida, o melhor é, sempre foi e sempre será... ter as janelas abertas!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Regressar a casa em Londres


Se em Paris, no meio de tanta abundância de jardins e espaços verdes, não temos duvidas em sugerir o Jardin Alpin como sendo o nosso preferido, em Londres o problema do excesso de oferta também se resolve facilmente: a pérola dos jardins de Londres, de visita obrigatória,  é o Chelsea Phisic Garden.

Na realidade mais do que um jardim -  é o segundo jardim botânico mais antigo de Inglaterra, a seguir ao de Oxford, é, de certa forma,  "o espaço fundador" de toda a tradição britânica em matéria de botânica e jardinagem desde que em 1673 a sociedade dos boticários/farmaçêuticos de Londres estabeleceu um jardim inteiramente dedicado ao estudo das propriedades medicinais das plantas.

Sendo reconhecida a importância que teve na disseminação do estudo da botânica por toda a Europa - a titulo de referência, Lineu, considerado o pai da botânica moderna, passou por lá no início da sua carreira, a sua consistente actividade ao longo destes 350 anos bem como as suas colecções de plantas, organizadas num espaço que não chega a um hectare e meio, continuam a fazer deste jardim um dos sítios incontornáveis de Londres.

Não resistimos, porém, a partilhar o que para nós é um motivo adicional para o visitar sempre que temos a oportunidade de vir a Londres. De certa forma, o nosso interesse pela flora autóctone portuguesa foi aqui amplamente estimulado quando o visitámos a primeira vez há cerca de 15 anos. 

Na altura, como ainda hoje - embora a qualidade das fotos não o facilite, são incontáveis as espécies da flora silvestre do nosso país que aqui têm lugares de destaque: eufórbias, centranthus, iberis, Echium(s) e iris, entre muitos outros géneros. Para não referir as espécies medicinais e aromáticas mais óbvias como o alecrim, a borragem, o cardo-mariano ou o tomilho.

Daí que, numa das muitas ironias proporcionadas por essa mania deste país em ter as fronteiras abertas, o nosso projecto pode considerar-se como beneficiário directo dessa longa tradição de disseminação de conhecimento empreendida pelo  Chelsea Phisic Garden desde 1673. Ou, dito de outra forma, para nós visitá-lo é, e será sempre, uma das muitas formas de regressarmos a casa!

sábado, 20 de maio de 2017

Retemperar a auto-estima em Paris



Estes são dias em que, podendo, se deve ficar em Portugal. Caso contrário o mais certo é que não só se percam muito rapidamente os 20 cm ganhos à conta dos irmão Sobral, como a constatar que ainda nos faltam outros tantos para igualar o que de muito bom se faz noutros sítios.

É verdade que ninguém nos disse a que altura se adicionavam os tais centímetros, mas, independentemente das razões que nos levam à esquizofrenia de muito rapidamente passarmos de bestas a bestiais, sempre por obras e graças terceiras - as quais estão estudadas  e são há vários séculos conhecidas, o facto é que não há nada como respirar noutras paragens para perceber que podemos sempre ambicionar  melhor. E não será preciso inventar nada, basta copiar ou deixarmos-nos inspirar para mais tarde podermos recriar à nossa maneira.

Paris, evidentemente, dispensa qualquer apresentação e mesmo no que é particular da jardinagem e dos espaços verdes é amplamente conhecido o muito que a cidade tem para oferecer. Aos jardins formais da escola francesa de Le Notre, passando por uma rede de novos jardins em todos os quadrantes da cidade destinados ao usufruto dos cidadãos até  aos diferentes pólos do jardim botânico da Paris, que albergam mais de 15.000 espécies diferentes e diversos jardins privados dignos de visita, o difícil é sempre o que escolher para visitar.

E como a fartura é muita e de boa qualidade não haverá grandes riscos de desapontamento ou tempo perdido. Porém, a ter que partilhar uma sugestão a nossa preferência vai inquestionavelmente para o Jardin des Plantes, integrado no museu de historia natural de Paris.

Fundado em 1635 por Luis XIII que ali criou o primeiro jardim real das plantas medicinais, foi crescendo ao longo dos tempos e alberga hoje pelo menos dois espaços que são de visita obrigatória: O primeiro é a Escola Botânica, onde centenas de plantas, não só da Europa mas também de outros climas temperados, estão organizadas de forma cientifica por classes ou grandes famílias. O segundo, ao lado do primeiro, é o jardim Alpino que congrega em pouco mais de 4000 metros quadrados, mais de 2000 plantas oriundas de regiões montanhosas como os Alpes, mas também Pirenéus, Atlas, Urais e até Himalaias. Em comum têm o facto de serem provenientes de climas hostis e com pouca água e de não usarem essa dificuldade para se relaxarem em matéria de beleza.

Qualquer um dos espaços justifica por si só diversos textos, mas a ideia deste, mais do que descrever à exaustão o que lá se pode ver, é mesmo o de estimular a sua visita, a qual seguramente preencherá pelo menos uma manhã bem passada!

No caso do Jardim Alpino, que tem a sua actual forma desde 1930, e que para nós é a jóia da coroa, além da inequívoca beleza, interessa observar a incrível variedade de espécies que no mesmo género pode ocorrer ao longo de toda a Europa ou, por exemplo, de todo o mediterrâneo. Géneros que possuem espécies endémicas em Portugal e outras completamente diferentes no outro extremo geográfico. 

Como toda a gente sabe por estes dias, as espécies que ocorrem em Portugal são muito boas, as melhores das melhores. Mas há outros verbascos, outras abróteas, outros hipericões e outros cistus. Salvias, papoilas e alhos estranhos. Gerânios e giestas de outros portes. Cores e formas completamente diferentes num festival de diversidade que faz deste pequeno jardim, de pouco mais de 4000 metros quadrados, no centro de Paris, possivelmente o jardim mais cosmopolita da cidade.

Um cosmopolitismo que em 1930 deve ter sido de um grande atrevimento. Certamente só possível por ainda não se terem descoberto maquinas de inventariação genética: Misturar no mesmo espaço espécies que evoluíram separadamente, correndo severos riscos de promover  uma insuportável miscigenação das mesmas, perdendo purezas genéticas preciosas, é algo que ainda hoje em dia nos deixa, a nós e a muita gente, os cabelos em pé e à beira de justificada ansiedade!




quarta-feira, 17 de maio de 2017

Tempo de celebrar e usufruir!


Qualquer mês de Maio é, por si só, um tempo de celebração! O primeiro mês do calendário celta tem sempre essa virtuosidade e por muito que nos tenhamos urbanizado, é da maior vantagem dar conta da natureza cíclica de tudo o que nos rodeia. Há um tempo para semear, outro para descansar, mas também para celebrar com gratidão a generosidade da vida de que temos o privilégio de fazer parte.

O dia das Maias é um dia de celebração, como o é o dia da Espiga que assinalámos antecipadamente no dia 7 deste mês na Herdade do Freixo do Meio. 

Importa-nos também constatar que não há só uma Primavera e que desde que ela se iniciou há quase dois meses, todos os dias tivemos uma primavera diferente. A de meados de Maio não é a mesma da meados de Março. Os verde-limão das primeiras folhas forma dando lugar a outras cores e formas de vida num crescendo de exuberância que invade os nossos olhos. É a mesma estação? É. Mas que se foi  transformando todos os dias mais um bocadinho conduzindo-nos suavemente ao tempo de usufruto e de colheita que marca o Verão.

E esta é a razão essencial para assinalar com novas cores os próximos meses que temos pela frente. Não serão tempos de semear  e até que voltem a estar reunidas as condições, lá para o fim de Setembro, daqui a 3 meses, procuraremos sobretudo partilhar as mil e uma maneiras de como é possível usufruir estes meses  preparando outros.

Claro que referenciar isto quase que chega a ser excessivo para quem já tanto celebrou com a vitória na Eurovisão, um privilégio não aconselhado a cardíacos. Porém, sabemos de experiência, que não há (felizmente) euforias eternas e até agora se aconselha algum tempero. "Sermos bons e os melhores dos melhores" sabe bem e reforça-nos a auto-estima mas não nos pode fazer ignorar que fora de portas também há muita coisa boa e ao nível dos melhores dos melhores. È o que tencionamos partilhar ao longo dos próximos dias: O que fora de Portugal também é MUITO BOM e que nos pode  (deve) inspirar!

domingo, 14 de maio de 2017

Ensinar a Europa a sonhar




Em 1990, há cerca de 27 anos!,  perguntavam a Agostinho da Silva o que é que um país como o nosso, pobre e longínquo do centro do continente, poderia dar à Europa e ao Mundo. A angústia era compreensível. Preocupava-nos um futuro já sem um império de 500 anos, tínhamos acabado de aderir à "Europa", casa de onde nunca tínhamos saído, mas que uma ditadura psicopata não só não deixou entrar como insistia em convencer-nos de que nem tão pouco lhe pertenceríamos.

Nada que atrapalhasse Agostinho da Silva. Achava não só muito bem que tivéssemos entrado na CEE -  os portugueses precisavam de redescobrir a Europa, mas sobretudo a Europa precisava de descobrir Portugal! O que lhes tínhamos para dar, à Europa e ao Mundo, era muito mais importante do que imaginávamos! Nós PRECISÁVAMOS de os ensinar a sonhar!

Isto dito assim em 1990 era pura patetice! Ontem, os irmãos Sobral, cumpriram-se e cumpriram-nos. E enquanto celebramos numa justificada e merecida euforia sem precedentes, Agostinho da Silva, a existir, estará certamente a sorrir.

O que aconteceu ontem não é explicável pela física convencional. Poder-se-á pensar que foi uma enorme colheita que coroou 50 anos de participações de dezenas de intérpretes, poetas e compositores que nunca cederam e que cantaram sempre em Português, alguns dos nossos mais belos poemas, Simone de Oliveira, Paulo de Carvalho, Fernando Tordo, Carlos Mendes, Ary dos Santos, Carlos Paião, Sara Tavares e tantos tantos outros que semearam, semearam e voltaram a semear para que ontem pudéssemos, ao fim de 49 anos, colher frutos.

Porém, trazer o caneco não foi só uma bela colheita que resgatou todas as nossas participações anteriores,  foi, como dizíamos no nosso último post, semear e semear em larga escala! Mas ainda conseguiu ser mais do que isso: Foi ensinar-nos a sonhar!

E quando se semeia, colhe e sonha desta maneira, tem de se entrar no domínio da física quântica para começar a descortinar um pouco o que Agostinho da Silva nos queria dizer há 30 anos!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

Semear em larga escala


Há mil e uma maneiras de semear, à mão, de avião, com máquinas, muito depressa ou mais devagar, assim e assado.... Mas o que os irmãos Sobral fizeram terça-feira e vão voltar a fazer amanhã em Kiev é simplesmente uma das maiores sementeiras em larga escala que se pode ambicionar fazer em Português! Isto sim é semear com a mais avançada tecnologia. Ao seu lado, as estepes cerealíferas da Ucrânia não passam de agricultura de subsistência! Até porque, como escrevia Natália Correia: "Ó subalimentados do sonho! a poesia é para comer."

Que isto seja evidente para todos os que nos seguem fora de Portugal e que poderão votar amanhã no festival da Eurovisão!

quarta-feira, 3 de maio de 2017

O encanto das plantas autóctones na revista Jardins


Se há mês em que não qualquer dúvida sobre o potencial ornamental da nossa flora autóctone, esse é o mês de Maio! Basta sair dos aglomerados urbanos, evitar as extensões de monocultura florestal, e deixarmos-nos inspirar pelas paisagens desenhadas pela Natureza.

E em boa altura a Revista Jardins, com quem tivemos o privilégio de colaborar na edição de Outubro de 2006, colocou agora On-line o artigo que escrevemos a propósito do potencial da nossa flora nos jardins mas também noutras vertentes.

Para quem não teve oportunidade de ler a Revista de Outubro AQUI podem encontrar uma síntese do mesmo! Se servir de inspiração a algum leitor para melhor usufruir o mês de Maio... Perfeito!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia das Maias


O 1º de Maio é em muitas localidades do centro e sul de Portugal Dia das Maias. Cumprido a preceito, implicaria que ontem tivesse sido colhido um ramo para pendurar antes da meia-noite na porta da casa, garantindo por tradição uma estação de fartura e que o mau-olhado ficasse à porta.

Que Maio é mês de exuberância, é fácil de concluir em qualquer passeio que se faça para fora dos aglomerados urbanos. O que já não é tão claro são as origens mais profundas desta tradição e do seu significado.

Para os Gregos e Romanos Maya era a Deusa da fecundidade e, como tal, da Primavera, tendo-lhe sido consagrado o quinto mês do ano, o que explica, como partilhamos AQUI, que Maio seja ainda hoje o mês consagrado às mulheres. Porém a celebração do início da estação da abundância não foi um exclusivo greco-romano e é claro que outros povos, anteriores ou seus contemporâneos, tinham neste dia uma data central.

No nosso caso e à falta de evidências, o facto de ser celebrado sobretudo nas regiões centro e norte, leva-nos a crer que a tradição das Maias tenha raiz seja céltica. Um povo que cá chegou no I milénio a.c e que se disseminou pela maior parte do nosso território, embora marcando de forma mais significativa o noroeste peninsular, onde hoje as tradições celtas são alvo de uma revitalização assumida.

Que sendo pagãos e obviamente menos organizados que os exércitos romanos tinham a "ciência" de tal forma avançada, que baseados nos ciclos que observavam na Natureza, era para eles óbvio que no nosso hemisfério, o ano começava no fim de Outubro e só existiam duas estações: Um período escuro e invernal que se iniciava aí e um Verão claro de abundância que se assinalava a 1 de Maio, com um festival maior, por ser a altura de maior enegia da estação, designado de Beltane.