quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Catálogo Geral de Sementes de Flora Silvestre 2021-2022

 

( https://drive.google.com/file/d/11MF0EXT97CjkYZ23FbQoG02UX_o3Rkhf/view)


Depois de um ano de interregno, voltamos agora actualizar o nosso catálogo geral de sementes de flora silvestre 2021-2022. 

Além das cerca de 60 espécies mais emblemáticas da nossa flora, disponíveis na loja-online, são muitas mais as espécies nativas que ocorrem espontaneamente no nosso país e que podem (e devem!) ser utilizadas seja em jardinagem, projectos de arquitectura paisagistica ou de renaturalização. Dessas conseguimos ter no nosso catálogo geral deste ano cerca de 300, entre árvores, arbustos, herbáceas anuais, gramíneas e bolbos.

E quando conseguimos ter, significa que um relativamente longo processo de identificação de populações silvestres, colheita, limpeza e conservação das respectivas  sementes foi percorrido. O que, podendo parecer simples, não o é de todo, considerando a multiplicidade de espécies, sítios de colheita e períodos de maturação nem sempre fáceis de compatibilizar no nosso plano anual de colheitas.

O catálogo agora revisto,  o qual não tem qualquer pretensão cientifica,  organiza  de forma simples as 376 espécies disponíveis pelos seus nomes científicos em categorias facilmente apreendidas pela maioria das pessoas que se interessam pela nossa flora:

Árvores - 44 espécies

Arbustos e sub-arbustos - 74 espécies, tendo sido acrescentadas as especies Cytisus scoparius e Erica umbelata 

Trepadeiras - 17 espécies;

Herbáceas - 192 espécies - Foram retiradas espécies, pela pouca procura ou pela dificuldade de colheitas, e acrescentadas outras entre as quais destacamos Dipsacus fullonum, Vicia bengalensis e Alisma lanceolata, uma espécie aquática que para nós é do maior interesse.

Gramíneas - 26 espécies - Tendo sido introduzidas duas novas gramineas perenes com inegáveis qualidades ornamentais: a  Avenula sulcata e a Deschampsia stricta, um endemismo que só ocorre no nosso país.

Alhos e bolbos - 21 espécies - Tendo sido adicionada a espécie Tulipa sylvestris.

A nossa missão, por peregrina que possa pareça a muitos, continua a ser, ano após ano, a mesma: disponibilizar a todos os que o pretendam, sementes do maior número possível de espécies autóctones que ocorrem no nosso país. Germinar sementes é a melhor maneira de ter por perto as espécies silvestres que, seja qual for a razão que nos mover, queremos ter por perto!. E semear é sempre preferível a tentar subtrair as mesmas populações silvestres! 

Terminamos por fim e como já vem sendo nosso hábito com duas referências da maior importância. 

A primeira, de agradecimento a todos aqueles que ao longo dos últimos 8 anos nos têm ajudado a manter viva  e a justificar a nossa existência enquanto projecto de cariz empresarial economicamente viável,

 A segunda, de apelo ao feed-back que qualquer um considere relevante enviar-nos. Todos os comentários, sugestões e criticas, são bem vindos. E essenciais para nós!

A todos os que nos lêem, Obrigado!

quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Outono. Voltou o tempo de semear!



Chegamos hoje, pelas 20h21m ao Outono, e ao tempo de voltar a semear! 

Para alguns  ainda uma estação melancólica,  para muitos outros cada vez mais uma segunda Primavera de tons dourados e luz coada. O tempo perfeito para voltar a por as mãos na terra e semear o que se quer ver florir em 2022. Serão meses em que os dias continuarão a decrescer, mas em que a luz, humidade e temperatura proporcionam as condições ideais de germinação.

Para nós, é sem dúvida a estação mais importante! Em que as sementes que colhemos ao longo dos últimos meses, das espécies mais emblemáticas da nossa flora silvestre, poderão por fim chegar a todos aqueles que as desejam germinar! 


A todos os que nos seguem os votos de boas e promissoras sementeiras!



 

sexta-feira, 20 de agosto de 2021

Plantarium - viveiro de plantas autóctones

 


A preservação da nossa flora autóctone nos seus espaços naturais de origem é, evidentemente, fundamental. Porém,  podemos também usufruir das suas inúmeras potencialidades trazendo-as para os nossos jardins e espaços públicos das cidades. A disponibilização de sementes de espécies nativas para todos aqueles que as pretendem semear tem sido a nossa missão  ao longo dos últimos anos.  

Todavia, para que isso aconteça de forma mais sistemática  é fundamental criar em Portugal uma cadeia de valor onde viveiros, arquitectos paisagistas, donos de obras, jardineiros e centros de jardinagem, utilizem cada vez mais essas mesmas plantas autóctones. Só assim será possível alterar de forma visível a nossa realidade no que toca a espaços verdes mais sustentáveis e biodiversos.

A Plantarium (www.plantarium.pt) é um desses projectos de viveirismo com quem temos o privilégio de colaborar desde o seu início. Sedeada em Vila Real no campus da UTAD,  está totalmente focada na produção de espécies  autóctones do nosso país tendo disponíveis para entrega plantas de qualidade de cerca 100 espécies, entre arbustos, árvores e herbáceas. 

A sua existência a Norte é mais um passo nessa construção dessa cadeia de valor, à qual arquitectos paisagistas, profissionais do sector e particulares poderão recorrer na implementação dos  seus projectos de paisagismo e jardinagem.

O seu sucesso será o nosso sucesso! 

Mas será sobretudo o sucesso da sociedade à qual todos pertencemos e que, de forma adulta e madura, justificará, pelas leis do mercado, a existência de atividades económicas, viáveis e sustentáveis, relacionadas com a promoção e utilização de espécies autóctones.  Uma sofisticação que outros países europeus já alcançaram e que em Portugal também pode e deve acontecer.

À equipa da Plantarium, os nossos votos de um Bom trabalho!




sábado, 31 de julho de 2021

Gramíneas autóctones

 



Habituados que estamos a só reparar nas flores e quase que nos esquecemos de que há muito mais para além delas no fantástico reino das plantas. 
As gramíneas (família Poaceae), são, de longe, a família mais bem sucedida no nosso planeta, ocorrendo em praticamente toda a superfície terrestre, seja de forma natural seja de forma cultivada ( o trigo, o milho ou o arroz são apenas alguns exemplos de gramíneas domesticadas).  

Das cerca de 10.000 espécies que ocorrem no nosso planeta são autóctones em Portugal cerca de 230, distribuídas por 72 géneros diferentes. É certo que as diferenças entre algumas são quase impercetíveis mas é também inequívoca a sua mais valia. Seja no restauro paisagístico, cobrindo o solo, por exemplo, seja na vertente ornamental. 

Nos últimos anos temos-lhe dedicado uma atenção crescente e hoje fazem parte do nosso plano de colheitas anuais espécies tão emblemáticas como as abelhinhas (Briza maxima) e os rabos-de-coelho (Lagarus Ovatus). 

Porém há muitas mais com claro interesse paisagístico que podem e devem fazer parte de qualquer jardim como é o caso da aveia-de-ouro (stipa gigantea) do esparto ( Stipa tenacissima) da melica (Melica ciliata) ou da Avenula sulcata ( sem nome vulgar conhecido).

Seja pela forma estética do seu porte, a altura, ou a cor das espiguetas ao longo do ano, há inúmeras que pode ser utilizadas com sucesso e que são alternativas às espécies exóticas, como as cortaderas ou Pennistuns, que frequentemente assumem um comportamento invasor. 

Na foto (sentido ponteiros do relogio): Lagarus ovatus, Briza maxima; Avenula sulcata; Stipa gigantea; Ammophila arenaria e Melica ciliata)

segunda-feira, 21 de junho de 2021

Solstício de Verão 2021

 


Solstício de Verão 2021- O ponto mais alto em que o Sol pode ser observado em relação ao equador, no hemisfério Norte, ocorreu hoje às 4h32 da manhã. 

E com isso teremos hoje o dia mais longo do ano com 14h53 minutos de luz. O que para muitos de nós será um estranho primeiro dia de Verão, com temperaturas baixas e aguaceiros, marca a chegada da estação dos dias longos, das férias e da praia. 

Porém, mais do que descansar. este será para nós o Tempo de colher e planear o que queremos voltar a semear daqui a 3 meses. De qualquer das formas não se pense que agora a Natureza apenas tem sementes para colher! Os seus ritmos apurados não permitem "colocar todos os ovos no mesmo cesto" e continuará a ser possível usufruir da beleza das muitas espécies que se foram programando para florir no Verão. Serão em menor numero sim, mas existem! 

Seja nas zonas litorais da costa marítima, seja nas zonas húmidas, há espécies incríveis que prolongarão a Primavera até ao final de Agosto! Mas se a tónica dominante do Verão é a de colher, convém não ignorar que há em todas elas tempo para Semear, Descansar, Celebrar e Colher.

O que muda apenas é o enfoque! A todos os que nos seguem os votos de um bom Verão. Se não a Colher, a Descansar ou a Usufruir. E sobretudo a preparar o que se quererá Semear, daqui a cerca de 3 meses, no início do próximo ciclo! 

Há dois anos atrás publicamos no nosso blogue um texto a propósito do solstício de Verão que no essencial resume o que para nós significa o Verão: Aqui.




quarta-feira, 26 de maio de 2021

18 de Maio - Dia Internacional do Fascínio das Plantas

 


Dia 18 de Maio - Dia Internacional do Fascínio das Plantas. 

Como para nós são poucos os dias em que não celebramos a incrível diversidade  das plantas que nos rodeiam, partilhamos hoje um post sobre duas espécies que merecem mesmo ser adjectivadas de fascinantes. 

Por regra aprendemos que as plantas têm sempre raizes, caules, folhas e flores. 

Todavia, há excepções e quer a atractylis gummifera  quer a cynara tournefortii, no seu processo de evolução optaram por não gastar energias a desenvolver um caule que lhe elevasse as flores em busca da luz e dos polinizadores. 

Desconhecemos a razão que está por detrás desta opção, mas é inquestionável que quer uma quer outra são inegavelmente belas e com interesse ornamental. Ambas gostam de solos pesados neutros ou básicos e se a primeira (Atractylis gummifera, também conhecida como cardo-do-visco) é abundante pelo centro e sul do nosso país, a segunda (Cynara tournefortti, um endemismo ibérico) é extremamente rara no nosso pais, estando as poucas populações existentes no Alentejo em risco pelo avanço do olival intensivo - Razão pela qual tem o estatuto de vulnerável na recentemente publicada Lista Vermelha da flora vascular de Portugal continental. 

Evidentemente urge proteger essas populações, mas a sua conservação ex-situ em jardins e outros espaços públicos também poderia ser uma maneira de assegurar que esta espécie não se perca irremediavelmente!

domingo, 25 de abril de 2021

25 de Abril. 47º aniversário.

 

25 de Abril. 47º Aniversário. 

Por Feliz coincidência, temos no nosso país o privilégio de assinalar o Dia da Liberdade  apenas 3 dias depois do Dia da Terra. Um valor maior da nossa sociedade e no qual nos irmanamos. 

A todos os que há 47 anos ousaram sonhar e não cumprir apenas e escrupulosamente a legislação em vigor, bem como a todos aqueles que ontem, hoje e amanhã têm bem presente que não há jardins perfeitos ou Terras que valham a pena sem pessoas nem espíritos livres, a nossa grata homenagem!

Nas sementes de Portugal a nossa atenção está focada nas  sementes da flora  autóctone. Todavia, não sendo nós ortodoxos, não rejeitamos liminarmente o que não é nativo e tomamos como nossas as espécies que se fizeram silvestres e ganharam direitos de cidadania (os acantos, os ciprestes ou as olaias  são alguns exemplos).  O que vale também para os cultivares, sendo que o cravo vermelho, uma flor com origem na Asia, entrou, há 47 anos, de forma inquestionável na nossa identidade. Daí que seja com muita satisfação que desde 2017 tenhamos, a par de algumas espécies genuinamente nativas, as suas sementes em catálogo!