sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Outono: Chegou o tempo de semear!


Depois de um Verão que se estendeu quase até ao último dia a que tinha direito, o Outono já se começa lentamente a instalar. Oficialmente o Equinócio de Outono de 2019 ocorrerá segunda-feira, dia 23 de Setembro, pelas 8.50 da manhã e aos poucos os dias mornos de tons quentes, com menos luz de dia para dia, acompanhar-nos-ão nos próximos 3 meses até ao Solstício de Inverno no dia 22 de Dezembro. Para muitos é considerada uma estação triste de dias chuvosos. Erradamente! O Outono é a segunda Primavera do ano, e no hemisfério norte, onde nos situamos, é o reinicio do ciclo da Natureza que nos rodeia e da qual fazemos parte. Visto com os olhos certos é a oportunidade para, de forma mais serena, recomeçar e decidir o que queremos para o período de expansão que nos será oferecido na próxima Primavera de 2020 bem como dos frutos que queremos colher no Verão de 2020! E se isto serve para quase tudo, serve sobretudo para todos aqueles que este ano decidirão regressar à terra e ao Jardim! Reunidas as condições perfeitas de temperatura e humidade, damos as boas vindas a mais uma gloriosa época das chuvas. Chegou o tempo de semear hortas e jardins. Mais sustentáveis, com mais biodiversidade e com as espécies mais emblemáticas da nossa flora silvestre!


segunda-feira, 29 de julho de 2019

Homenagem ao Mestre José Salgueiro


A nossa homenagem e o nosso Obrigado ao mestre José Salgueiro cujo corpo faleceu ontem dia 28 de Julho! O sopro vital que o animou durante mais de 100 anos não morreu e dará certamente lugar a outras formas e outros feitios aqui ou noutro lugar qualquer. Mas, mesmo que assim não fosse, ficava a certeza de que a energia, amor e generosidade com que viveu a sua longa vida continuarão a inspirar todos aqueles ( e foram imensos) que tiveram o privilégio de o conhecer. Um espírito assim, fecundo, nunca morre! Resta-nos também a enorme satisfação de ter sido amplamente homenageado em vida e de nos últimos 20 anos, muito pela mão da Marca -Associação Desenvolvimento Local, o seu saber e experiência terem sido devidamente salvaguardados para o Futuro!

Nota - Evidentemente obra do acaso, mas é de anotar que em Portugal 28 de Julho é o Dia dedicado à conservação da Natureza!

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Verão: Tempo de Colher e Preparar


Às 16h54 minutos de hoje assinala-se o inicio oficial do Verão no hemisfério Norte. Nesse momento, em que ocorre o  Solstício, o nosso planeta, na órbita que percorre ao longo do ano em torno do sol, receberá a luz solar que incide sobre a linha do equador com a máxima declinação. O que na prática será percebido por nós como o ponto em que o Sol atingirá a altura máxima, proporcionando em consequência o dia com a maior duração do ano: cerca de 14h53m , quase 15 horas!

Curiosamente, apesar de associarmos o Verão aos dias longos, a realidade é que a partir de hoje a duração dos dias irá diminuir, todos os dias!, um bocadinho até que igualará a duração da noite daqui a 3 meses em 23 de Setembro, momento que o dia e a noite terão a duração de 12 horas (Equinócio!). 

Muitas das festas populares de Junho, como os Santos e sobretudo o S. João, são na realidade festas ancestrais de celebração das colheitas, que normalmente se faziam e fazem por estas alturas da trajectória em volta do Sol. É um facto que hoje em dia, em que a grande maior parte de nós vive em ambiente urbano e desempenha actividades que não relacionam com a agricultura, temos tendência a pensar que o Verão é apenas a melhor altura de ir à praia, passear e descansar. Porém, sendo certo que também o é, o Verão é sobretudo o tempo para colher o que se semeou desde o Outono. E, acto continuo, começar a preparar o reinicio do próximo ciclo que será possível a partir do próximo Outono. A fábula da formiga e da cigarra atesta isso mesmo- pode-se descansar e tocar guitarra mas convém não esquecer que o Verão é estação de trabalho árduo!

E para nós será isso mesmo: A estação das colheitas em que já estamos a colher as sementes das espécies mais emblemáticas da nossa flora que poderão ser semeadas a partir de Outubro! Daí que nestes próximos 3 meses, mais do que falar em semear, iremos partilhar e colocar a nossa atenção nas sementes!

Não se pense porém que agora a Natureza só tem sementes para colher! Os seus ritmos apurados não permitem "colocar todos os ovos no mesmo cesto" e continuará a ser possível usufruir da beleza de muitas espécies que se foram programado para florir no Verão. Serão em menor numero, mas existem! Também iremos partilhar sobre elas. Seja nas zonas litorais da costa, seja nas zonas húmidas, há espécies incríveis que prolongarão a Primavera até ao final de Agosto! 

Na realidade, apesar de cada estação ter uma tónica dominante, se analisarmos com atenção em todas elas podemos observar sinais das restantes. No limite há tempo para Semear, Descansar, Usufruir e Colher em todas elas. E se analisarmos com mais detalhe o mesmo podemos observar na duração de um dia qualquer, seja ele de Primavera, de Verão de Outono ou de Inverno e o importante é perceber a tónica de cada momento para que os dias, meses, estações e anos sejam vividos da forma harmoniosa que todos ambicionamos!

A todos os que nos seguem os votos de um bom Verão: A descansar, a Usufruir mas sobretudo a Colher pensando já em Semear!



quarta-feira, 12 de junho de 2019

Loendros das ribeiras algarvias



Se é um facto que a Primavera começa mais cedo no Algarve, o Verão também lhe segue as pisadas e o início de Junho já é marcado pelas cores mais ocres e douradas dos campos do Sul. 

Porém no meio da secura algarvia, quando ainda a Primavera vai a meio no Alto-minho, há, no interior do barrocal Algarvio, autênticos oásis de frescura como é o caso da área protegida Fonte da Benémola, perto de Querença-Loulé. Se motivos faltassem para uma visita - que não faltam!, ver os loendros em flor nas margens da ribeira justificam plenamente a viagem. 

Esta espécie (Nerium oleander), que na realidade é autóctone das margens das ribeiras do Sul do país, paga hoje na jardinagem um preço alto por ser pouco exigente, muito adaptável e de prolongada e generosa floração. 

Como não é exigente instalaram-na em tudo o que era auto-estrada e hoje para muitos é a banal flor das auto-estradas. 

Como tem floração prolongada nos meses de Verão desdobraram-na em dezenas de cultivares das mais diversas cores para facilitar o trabalho de jardineiros que gostam de dar, sem grandes esforços, aspectos tutti-fruti aos jardins que cuidam(neste particular, no Algarve loendros e buganvílias das cores mais diversas têm sido  a melhor forma de colmatar a falta de imaginação!). 

Entretanto e em sinal da falta de gratidão humana descobriram que toda a planta tem compostos potencialmente tóxicos para a nossa espécie, havendo hoje quem dedique energias a defender a sua eliminação do espaço público (Como se fosse normal e frequente alguém andar a ruminar folhas e flores de loendros!!) 
Dito isto, o Loendro é evidentemente uma espécie a ter por perto. Se possível sem exageros e nas cores originais em lugar fresco tendo por companhia freixos e amieiros. Porém, se tal não for possível, deve sempre ter-se um loendro por perto. Mais não seja para lembrar que às vezes adaptabilidade e generosidade a mais se saldam sempre  aos olhos dos outros em vulgaridade!

domingo, 2 de junho de 2019

Preservar um bosque perfeito em Coimbra - Campanha de angariação de fundos




Nas Sementes de Portugal passamos uma boa parte do tempo a promover as muitas potencialidades do uso da flora nativa em jardins mais sustentáveis e em bosques com mais biodiversidade. Mas quando tudo isso já existe, apurado ao longo dos tempos pela Natureza, disponível e em equilíbrio, a MELHOR E ÚNICA COISA A FAZER É....PRESERVAR! E é isso que a MilVoz - Associação de Protecção e Conservação da Natureza, se propõe fazer: Preservar um Bosque perfeito que já existe nos arredores de Coimbra, adquirindo-o, e a partir dele expandir o seu ecossistema. A campanha de angariação de fundos está em curso e dos 3000 Euros necessários já se angariou 42%. Basta seguir o link - https://ppl.pt/node/663786 e contribuir com o que se puder.

Nota 1 - No nosso país, onde os serviços responsáveis consideram que 95% do território é apto para a instalação da monocultura do Eucalipto, a existência de micro-reservas de iniciativa privada assume uma importância fundamental e crescente para preservar o pouco que ainda resta. No futuro, seja por obsolescência da indústria do Eucalipto, seja pelas alterações climáticas, será a partir delas que imensas áreas degradadas e empobrecidas de território poderão ser repovoadas com espécies nativas. Já existem algumas, como as do Projeto das 100.000 árvores na Área Metropolitana do Porto, do Cabeço Santo ou da Montis, mas são uma gota de água no imenso território que vai do rio Lima ao Algarve. A sua multiplicação será sempre a melhor notícia!

Nota 2 - Assinala-se hoje o dia da Espiga, uma tradição que fecha com chave de ouro um vibrante e glorioso mês de Maio em que a Natureza voltou a não falhar. Um dia outrora importantíssimo, de descanso obrigatório, em que num ramo de folhas de videira, malmequeres, espigas, oliveira e alecrim se renovava a esperança de que nunca faltasse alimento. E Hoje, mais que um simbólico ramo de dia da espiga, é possível contribuir para que algo de muito concreto possa ser feito! Aqui: https://ppl.pt/node/663786

(texto inicialmente publicado no FB dia 20/5/2019)

quinta-feira, 9 de maio de 2019

As sementes de Portugal estão no Cromeleque dos Almendres


Até 1964, ano em que Henrique Leonor Pina (1930-2018) o identifica e lhe reconhece a importância (https://www.facebook.com/Prof.Galopim/posts/1833635956942918) o recinto megalítico dos Almendres era um amontoado de pedras graníticas coberto de mato, conhecido peloss pastores locais como o Alto das Pedras Talhas.

Hoje, pouco mais de 50 anos passados, apesar dos muitos enigmas que ainda encerra, as investigações efectuadas nos anos 80 e 90 permitem-nos afirmar agora com segurança que é um dos mais importantes e antigos  conjuntos megalíticos da Europa-cujo Dia, curiosamente, se assinala hoje, dia 9 de Maio! Uma construção se iniciou há cerca de 7500 anos atrás, quando os nossos ancestrais se começaram a estabelecer em comunidades agro-pastoris e que ali se reuniam para celebrar em comunidade eventos maiores como os solstícios e os equinócios. Se quisermos ser justos, Almendres é verdadeiramente uma das primeiras catedrais do Ocidente! De Engenharia rudimentar, se comparada com a dos dias de hoje, mas com o mesmo propósito: a de construir um espaço de relação com o transcendente.

Para termos uma ideia da importância e antiguidade deste local, Stonehenge , um dos monumentos ingleses mais conhecidos no mundo, tem apenas 3000 anos. É certo também que há 7500 anos o Egipto já construia pirâmides e alcançava  níveis de sofisticação inegavelmente mais avançados. Porém, para nós e para a Europa no seu todo, estão ali as raízes do processo civilizacional que,com muitas outras voltas, desaguou nos dias de hoje e do qual hoje somos, tenhamos consciência disso ou não, os herdeiros directos.

É um facto que expressões como "megaliticos", "menires", "cromeleques"e "antas"  não são das mais amigas do conhecimento geral. O que para muitos só ajuda a justificar o desinteresse e a resumir em 3 minutos aquele locais, outrora sagrados e plenos de simbolismo, a um conjunto de pedras sem nada de mais, eventualmente construído por extra-terrestres. O que é evidentemente uma pena pela pobreza a que conduz quem assim pensa.

Alterar essa pobre percepção de muitos é pois o desafio dos dias de hoje. E não há assim muitas maneiras de o fazer com sucesso. Uma de que gostamos é a de reconhecer e que aquilo foi feito por gente como nós e da qual descendemos. Avós de carne e osso, desconhecidos de  há 375 gerações atrás, que não sabendo metade do que sabemos hoje, com muito menos recursos do que nós e que eram velhos doentes aos 40 anos. Imaginar que sonhos, medos e paixões os moviam. E que apesar das enormes dificuldades de sobrevivência,  se relacionavam com os elementos, com a Natureza, com o Sol, As Luas, As Plantas, a Noite e o Dia. Atribuindo-lhe significado e  dedicando-lhe energias conjuntas para arrastar e erigir pedras de enormes dimensões. Para si e para os que viessem a seguir, pois sabiam de fonte segura que também morreriam e um dia deixariam com tristeza e lamentos esta vida. 

A Outra maneira incomensuravelmente mais trabalhosa mas muito mais eficaz, é fazer o que o Mário Carvalho e o João Pinto fizeram em Guadalupe, Évora: Construir o Centro Interpretativo dos Almendres - Turismo e Natureza. Um espaço que abriu recentemente e que preenche de forma TOTAL a enorme lacuna que até aqui existia. TOTAL porque a partir de um espaço com arquitectura e design irrepreensíveis descomplicam o tema e oferecem a todos os visitantes a possibilidade de compreender os valores mais importantes daqueles lugares : o património construído, a fauna e a flora do montado- o sistema de exploração agro-florestal do mundo! Com possibilidade de visitas e percursos guiados; e um parque de merendas onde alem de mesas para pic-nics se podem ver 12 completos painéis informativos de grandes dimensões.

Pode-se sempre dizer que algo assim vem tarde. Vem! Mas vem muito bem feito. E para nós é um orgulho enorme estarmos junto deste projecto desde o seu primeiro momento, com uma selecção das espécies mais emblemáticas do montado. De hoje e de há 7500 anos atrás! Se Maio é mês de usufruto e celebração, a melhor e única maneira de celebrar e usufruir Almendres, bem como a vibrante Natureza que o rodeia é só uma: visitá-lo, assim que for possível!

Stonehenge e os ingleses que nos perdoem, muito obrigado pela inspiração, mas desta vez foram largamente superados!

Nota final - Almendres, O centro interpretativo, O espaço em volta ... têm tudo para ser um programa perfeito. Ou quase perfeito, sendo que o quase que falta  se podia resolver com facilidade: restaurar o estradão, em péssimas condições, que liga o centro interpretativo ao cromeleque. Deduzimos que possivelmente por ser responsabilidade driblada em modo pig-pong entre administrações locais e central. Os nossos votos de que nelas alguém tenha a visão e capacidade para perceber o enorme erro que é não investir agora ali! Poderá ser caro, mas será com toda a certeza menos oneroso do que construir um cromeleque de raíz :-)


domingo, 21 de abril de 2019

Jardins Perfeitos


Jardins perfeitos. 

Têm certamente muitas flores, arbustos, sub arbustos, algumas árvores. E mais flores. Uns caminhos e uns bancos pelo menos. Mas só será mesmo um jardim perfeito o que também tiver outras formas de vida a usufruí-lo. Muitas minhocas e outras larvas. Caracóis e lesmas. Formigas e repteis. Sapos e Ouriços-cacheiros. abelhas e milhares de outros insectos. Rãs, relas tritões. Uma ou outra toupeira, ratos, cobras e um sem número de pássaros. Um jardim sem eles pode ser um jardim, mas não é perfeito nem a sério! 

Por isso, e apesar de nas Sementes de Portugal estarmos focados em tudo o que pode ser feito com flora nativa para que um jardim seja vez mais perfeito, relembramos que as plantas são apenas uma pequena parte do prazer! 

Para celebrarmos árvores, flores e o canto dos pássaros que tantos gostamos, temos urgentemente de aprender também a gostar de vermes. E a amar os insectos. A maior parte deles nem chega a picar e são eles que além de polinizarem as flores, constituem o alimento de quase todas as outras formas de vida que acima, sem pestanejar, dissemos gostar. 

Temos de aprender a tolerar alguns dissabores e a perceber que nesta terra, e num jardim em particular, não há uns sem os outros. Herbicidas, pesticidas, roças prematuras, são, na generalidade dos casos, desnecessárias. 

São tristes e mesquinhos ecocídios, feitos de forma inconsciente umas vezes, ao abrigo cobarde da lei outras. E que apenas impedem a existência a outros seres vivos que, por acaso, nem querem saber quem somos. 

Nestes dias perfeitos de Primavera, a única coisas que nos é pedido para fazer é simplesmente uma que não dá trabalho e não custa nada: USUFRUIR!! Mas se não formos capazes disso, podemos sempre seguir caminho e deixar estar em paz todos os outros que usufruem dos muitos jardins perfeitos que nos rodeiam!