domingo, 21 de março de 2021
Primavera de 2021
quarta-feira, 6 de janeiro de 2021
Inverno: Chegou o Tempo de Descansar e ..Semear com cuidado
Em rigor o Inverno começou há já 17 dias! Mas com o calor das Festas de Natal, que terminam oficialmente só hoje , 6 de Janeiro e Dia de Reis, é agora que o assinalamos de forma mais vincada. Por coincidência num dia em que a maior parte do país acordou gelado. Para muitos de nós a pior estação do ano, serão pelo menos 2 meses em que ansiaremos pelos dias quentes!
Mas esta é uma estação cheia de oportunidades! Sendo a maior dela a oportunidade para verdadeiramente DESCANSAR! Descansar e enraízar o que se SEMEOU no Outono e que, se tudo correr bem, Poderemos USUFRUIR na Primavera para mais tarde COLHER no Verão.
Como escreviámos há um ano atrás, se formos atentos aos detalhes, esta é a estação em que tudo se prepara para poder emergir renovado na Primavera.
Sobreviver a esta estação é uma batalha para muitos seres-vivos. Entre os quais inúmeras espécies de plantas e árvores, que aproveitam a época para canalizar as suas energias para o sub-solo. Compreensivelmente. A temperatura da terra, alguns metros abaixo do solo, em regra constante e superior à da atmosfera, motiva muitas espécies a "suspenderem" temporariamente a actividade à superfície e a ocuparem-se das suas raízes. O que normalmente apelidamos de "dormência" não deve pois ser confundido com morte ou congelamento total de actividade.
Apesar de tudo, das chuvas que virão e das baixas temperaturas que já se fazem sentir, o nosso clima é essencialmente mediterrânico e proporciona-nos Invernos relativamente suaves. E dispondo nós de marquises, estufas e varandas aquecidas, o Inverno continua a ser uma boa altura para germinar sementes de forma mais controlada.
Nas Sementes de Portugal iremos aproveitar a dica do nosso Inverno. Aproveitaremos para diminuir um pouco a nossa actividade visível e iremos concentrar-nos nas fundações do projecto para poderemos lançar alguns "novos ramos" na próxima Primavera.
A todos, os votos de um Inverno confortável. Sem desperdício de energia e de refundação para que, quando vier o tempo mais quente da Primavera, o possamos Celebrar de forma enérgica e renovada!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2021
1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz
Dia 1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz - No dia em que provavelmente mais pessoas tomam resoluções para as suas vidas, também se assinala, desde 1968, o Dia Mundial da Paz.
É possivel que a maior parte delas se revelem demasiado ambiciosas, mas se esta persistir em guiar os nossos dias, 2021 será com toda a certeza um ano ganho! Seja entre os Homens ou seja dentro de cada um de nós, a PAZ é o único solo fértil onde pode germinar e crescer qualquer esperança! Incluindo, claro está...sementes!
Um Bom ano para todos, pleno de Paz e onde a indiferença não encontre lugar, são os nossos votos!
quarta-feira, 30 de dezembro de 2020
2020: Sementes de Portugal em Revista
domingo, 20 de dezembro de 2020
Solstício de Inverno 2020
Com o solstício de Inverno a acontecer já amanhã (dia 21, pelas 10.00), marca-se oficialmente o fim do Outono e o início do Inverno. Esta é a altura em que, desde há milénios, no hemisfério Ocidental se celebra, das mais variadas formas, a vitoria da luz sobre as trevas.
E efectivamente amanhã será o dia mais curto do ano: apenas teremos 9h27minutos de luz. Mas é também a partir de amanha que os dias, um após o outro, começarão a ganhar terreno sobre a noite!
A todos os que nos acompanham, os votos de um Feliz, Fraterno e Luminoso Natal.
sábado, 21 de novembro de 2020
23 de Novembro: Dia Nacional da Floresta Autóctone
Dia 23 de Novembro - Dia Nacional da Floresta Autóctone.
Não fossem as medidas de confinamento decorrentes do COVID19 e este fim de semana seria marcado, um pouco por todo o país, de acções de educação ambiental de plantação de espécies autóctones. Haverá ainda assim certamente algumas acções simbólicas.
Mas o essencial a reter é que, ao contrario das plantações de Primavera em Março pelo dia Mundial da Árvore, é no mês de Novembro e Dezembro que no nosso país mais faz sentido plantar árvores e arbustos nativos. E é fácil de compreender porquê.
É a altura em que terão a humidade e o tempo necessário para enraizarem e com isso melhor suportarem as temperaturas altas que a partir de Maio teremos. Mas para aqueles que levam a sério as medidas de confinamento e este ano nem uma árvore irão conseguir colocar na terra, nem tudo está perdido! Há muitas e boas leituras sobre a importância vital que a Floresta Nativa tem para o ordenamento do nosso território. Um dos últimos posts no Facebook que lemos e que vale a pena ler é da autoria do Prof. Jorge Araujo, professor na Universidade de Évora, e que bem sintetiza os desafios que temos hoje pela frente se quisermos deixar às gerações seguintes uma Floresta digna do nome!
"As florestas
Sob a designação genérica de floresta encobre-se um equívoco de consequências gravosas: no mesmo saco, incluímos o que resta da floresta autóctone (bosque, mata), o que foi domesticado pelo Homem (montado) e os povoamentos arbóreos para produção (pinhais, eucaliptais, castinçais).
O neolítico trouxe a reconversão progressiva do modo de vida de caçador-recolector para o agro-pastoril e, consequentemente, uma pressão sobre a floresta para libertação de terrenos destinados à pastorícia e à agricultura. Se até então, a floresta tinha evoluído ao sabor dos movimentos tectónicos e das alterações climáticas, na escala dos milhões de anos, a partir do neolítico, a intervenção humana acelerou drasticamente a sua mutação, na escala dos milhares ou mesmo das centenas de anos.
A chegada dos romanos à Ibéria por volta de 218 aC veio acentuar essa pressão pois, não só pretendiam substituir os cartagineses e fenícios na exploração das riquezas minerais, mas também produzir trigo, de que necessitavam para alimentar o Império. Aliás, todo o Norte de África, integrado no Império Romano, formatou-se como um imenso celeiro de Roma. Durante os 600 anos que permaneceram na Península, os romanos substituíram a economia de subsistência das primitivas tribos por grandes unidades de exploração agrícola, produtoras de azeite, vinho, cereais e pecuária. Em suma, com os romanos, assistiu-se à primeira grande transferência de solo florestal para a agricultura e a pastorícia.
Não esqueçamos ainda que a madeira foi, até ao advento dos combustíveis fósseis, e mesmo depois em muitas regiões, a principal fonte de energia para aquecimento e indústrias; as energias do vento e da água eram supletivas e aproveitadas para moagem e pouco mais. Portanto, a floresta autóctone teve de ser ela a suprir a “parte de leão” das necessidades energéticas, ao mesmo tempo que se via progressivamente amputada do seu solo em proveito da agricultura e da pastorícia; e isto... durante séculos!
Uma solução airosa foi encontrada no Sul onde dominavam as quercíneas perenifólias, a azinheira e o sobreiro. A astúcia consistiu em desadensar o bosque, abrindo espaço para o pastoreio, nomeadamente do porco preto, mas poupando as árvores, as quais foram sujeitas à poda, que favorece a produção de bolota, de que se alimentavam os suínos. A esta solução atribui-se a designação de “montado”. A cortiça, adquirindo um estatuto económico relevante, contribuiu para a sustentação económica dos montados, na perspetiva de sua exploração em uso múltiplo.
Mas mesmo o montado, apesar do compromisso que representava com a pastorícia, não resistiu, já no séc. XX, à agricultura impulsionada pela política que visava a auto-suficiência da produção do trigo. Em 1929, inspirado na “Bataglia del grano” promovida por Mussolini, na Itália, o Estado Novo, ignorando as advertências de quem sabia, designadamente do Prof. Azevedo Gomes, lançou a “campanha do trigo” que teve a sua maior expressão no Alentejo e, por via da qual, foi subsidiado o arroteamento de vastas áreas de montado e matos para expansão da cultura do trigo. A erosão e o esgotamento da pouca fertilidade dos solos, maioritariamente delgados, conduziram rapidamente ao insucesso: a partir de 1934, a produção não cessou de decair.
Chegados ao séc. XXI, Portugal tem pela frente um desígnio maior: reconstituir grande parte do seu património florestal, inspirando-se na composição das florestas autóctones.
Em boa verdade, a maior parte do coberto vegetal que tem ardido, é composto por uns miseráveis povoamentos de pinheiros e de eucaliptos com que foi substituída a floresta autóctone ou ocupados os campos abandonados pelas culturas tradicionais, pouco resilientes no contexto da economia aberta. Quem atravessar as nossas Beiras (e não só), encontrará extensas manchas verdes, enganosamente florestais, candidatas a mudarem para cinzento, e extensas manchas cinzentas à espera de reverdecerem para de novo voltarem a arder.
Impõe-se quebrar este ciclo verde-cinza. Não vale a pena culpabilizar a economia; do mesmo modo que só se eliminarão os plásticos abandonados quando estes forem generalizadamente reconhecidos como matéria-prima valiosa para indústrias transformadoras, também a floresta só será protegida quando o seu repovoamento, manutenção e proteção assentarem numa equação económica robusta. Mas, para tal, importa atribuir valor ao que tem valor: isto é, aos serviços que a floresta nos presta.
• As florestas são sumidouros de carbono, e produtores de oxigénio que nós consumimos em cada segundo das nossas vidas. Quanto vale este serviço?
• As florestas são a única barreira eficaz contra a desertificação: cortam o vento, retêm a água, enriquecem o solo, regulam o regime das chuvas, refrescam o ambiente. Estamos dispostos a prescindir delas? Quanto vale este serviço?
• As florestas pintam paisagens que nos encantam, e nos repousam fazendo esfumar-se o stress; oferecem-nos também ambientes propícios a atividades de lazer e desporto. Quanto vale este serviço?
• As florestas e a sua biodiversidade são um dos ativos do território mais importantes para a promoção do turismo. Quanto vale este serviço?
• As florestas fornecem-nos diversos materiais como madeira, cortiça e resina, que o Homem explora desde sempre; mas também frutos, cogumelos, mel e muito mais.
Enquanto não estivermos dispostos a reconhecer e contabilizar os inúmeros e insubstituíveis serviços que a floresta nos presta, se for genuína e acarinhada, encararemos sempre a reflorestação como um pesado encargo e não como um investimento. E é aí que está o busílis!
A par da floresta autóctone, pode e deve haver, em terrenos apropriados e de forma regulada, agricultura florestal (silvicultura) para produção de madeiras e de pasta de celulose, que se enquadram, é bom de ver, na fileira do sequestro de carbono desde que, depois de usados, esses materiais não sejam queimados, mas sim reciclados.
Daí a importância, também, da economia circular!








