segunda-feira, 20 de março de 2017

Primavera no Dia Internacional da Felicidade!


Desde as 10h29m de hoje, dia 20 de Março, que estamos oficialmente na Primavera. É certo que com mais frio e menos sol do que o que tivemos nas últimas semanas, mas no hemisfério norte do nosso planeta, astronomicamente falando, o equinócio da Primavera - o momento em que a duração do dia iguala da noite, aconteceu nesse preciso momento.

Curiosamente, o nosso primeiro dia de Primavera coincide este ano com o Dia Internacional da Felicidade, dia 20 de Março,  definido em 2012 pelas Nações Unidas, como o melhor momento para nos relembrar a todos que a "a busca busca da felicidade é um dos objectivos fundamentais do ser humano”. Há, como sabemos, dias para tudo e este nem nos tinha passado pela cabeça que fosse importante assinalar, mas reconhecemos que o dia é bem escolhido - Muito embora para quem viva no hemisfério Sul fique antes associado ao Outono, o que não sendo uma estação propriamente triste, está longe de acompanhar a ideia geralmente aceite de alegria.

Questiúnculas à parte, o relevante é que faz todo o sentido assinalar o que para muitos de nós é a estação  mais feliz do ano. Se associarmos isso à necessidade de, na linha do indicador da "Felicidade Bruta Nacional" medido pelo Butão desde 1972, prosseguirmos "uma abordagem mais inclusiva e equilibrada ao crescimento económico que promova o desenvolvimento sustentável e o bem-estar”, tanto melhor! Até porque também para nós é inquestionável que felicidade pressupõe estarmos em harmonia com todos os elementos que nos rodeiam e que fazem deste planeta a nossa casa-comum.

Os próximos 92 dias, até ao dia 21 de Junho - dia em que ocorrerá  o solstício de Verão, são dias propícios para semear e sobretudo para usufruir da generosidade da Natureza. Dias cada vez mais longos que começam agora ligeiramente mais frios, em tons de verde, com muitas plantas já em flor, mas que irão em crescendo de exuberância, temperatura e cor até aos máximos dos meses de Maio e Junho!

Na realidade a Primavera não é toda igual e não poderia ser de outra forma. Em cada dia que passa, percorremos cerca de 2 milhões 580 mil quilómetros na nossa órbita em torno do sol. Podemos não nos aperceber da velocidade, nem sequer ter justificadas vertigens, mas indirectamente e dia após dia, percebemos que isto não pode estar parado!

E como gostamos dessa percepção, também nós mudamos a nossa capa e cor dominante. Desta vez para os múltiplos tons de verde esperança que por todo o lado emergem nas jovens folhas que agora rebentam. Apreciamos todos sem excepção, mas os que por esta altura se observam nas galerias ripículas, lagoas e paúis do nosso país enchem-nos de genuína felicidade. Como os da imagem acima, onde freixos, salgueiros, amieiros e tantas outras espécies que habitam o paúl de Arzila - Coimbra, se desdobram em outras tantas tonalidades de verde!

A todos os que nos seguem, os votos de Feliz Primavera ou se preferirem, os votos de boa viagem para os próximos 236.256.000 Km que iremos percorrer.


quinta-feira, 16 de março de 2017

Germinar é possível!?!?


Sim é! E para nós esta é mesmo uma das ideias-chave do nosso projecto. Germinar, contrariamente ao que muitos possam pensar, não é de todo uma ciência esotérica e está ao alcance de qualquer um de nós observar a vida de uma planta, seja ela uma árvore, um arbusto ou uma flor,  a despontar!

É certo que algumas espécies exigem alguns truques, mas a grande maioria da nossa flora desenvolveu uma sofisticada tecnologia de reprodução que à primeira oportunidade dá início ao seu ciclo de vida: Luz, temperatura a rondar os 16º - 20º C e humidade q.b. são na maior parte dos casos os únicos requisitos.

Claro que quando nos queremos iniciar nas artes da germinação os aspectos logísticos e práticos são importantes e hoje em dia, quando a maior parte de nós vive em meios urbanos e dispõe de casas mais pequenas, a forma como o podemos fazer é muito relevante.

Foi a pensar nas muitas pessoas que querem germinar sementes de forma económica e o mais eficaz possível, que concebemos os nossos Kits de germinação. Contendo alvéolos e tabuleiros de germinação, acompanhados da quantidade exclusivamente necessária de substrato, perlite e fibra de o coco, deixará de ser necessário despender um valor significativo a adquirir materiais dos quais acabaríamos por só utilizar uma pequena parte. Além do valor gasto era muitas vezes a sensação de desperdício que nos desmotivava a experimentar!

Agora que nos aproximamos do fim do Inverno e a Primavera está aí à porta, voltam a estar reunidas as condições perfeitas para fazer nascer sementes. É certo que preferimos o Outono para o fazer mas é nesta altura, em que a Natureza nos brinda com máximos de floração, que nos é mais fácil identificar as plantas que gostaríamos de ter ao pé de nós! as estevas, as pascoinhas, as roselhas e tantos outros arbustos que a partir de agora começam a florir nas nossas paisagens são apenas algumas das muitas espécies que nos podem inspirar!

É verdade que o que semearmos hoje só florirá na próxima Primavera de 2018! Mas é por aqui que podemos ter o privilégio de começar a tomar nota dos ciclos do nosso planeta!

Para todos aqueles que decidirem que SEMEAR é agora mesmo! disponibilizamos na nossa loja Online 3 kits diferentes. Desde vasos em fibra-de coco aos tabuleiros com 24 alvéolos. Com tudo o que é necessário e sementes incluídas! Aqui:

www.sementesdeportugal.pt/loja


PS - Alguns de nós ficam tentados a pensar que será mais fácil ir ao campo e tentar arrancar para posteriormente transplantar nos seus jardim, as plantas da sua eleição. É compreensível, pois frequentemente a exuberância da floração que observamos é tal que queremos aquele arbusto de imediato! Mas essa é uma hipótese totalmente desaconselhada por nós. Além de desfigurarmos o que já estava bem, dificilmente as plantas transplantadas nesta estação do ano sobrevivem. Por muitas raízes que se consigamos trazer, toda a energia da planta está nos seus ramos e flores pelo que o enraizamento não será bem sucedido e o que era um belo arbusto ao alcance de todos, acabará por morrer!

sexta-feira, 10 de março de 2017

Recapitulando: Porque é que as plantas são (mesmo) importantes!





Apesar de tecnicamente estarmos no Inverno, os dias primaveris que temos tido anunciam que a mudança de estação já está para breve. É possível que ainda tenhamos mais alguns dias de Inverno, provavelmente a entrarem pela Primavera adentro, mas o ritmo de translação do planeta a 30 Km por segundo é inexorável e a época de maior glória para a vida na nossa latitude estárá aí para ser usufruída nos próximos meses!

Este é pois um bom momento par voltar a partilhar um pequeno video que publicámos AQUI pela primeira vez há dois anos. Está em inglês, mas para quem não estiver à vontade também não será difícil perceber o seu sentido geral.

E o sentido é ajudar a compreender porque é que as plantas que nos rodeiam  são mesmo importantes para nós enquanto seres vivos habitantes deste planeta. É possível que para alguns gostar de árvores, plantas e flores seja um gosto quase bizarro e de reduzido interesse, chegando a desconfiar se tais "coisas" vegetais entram na categoria de seres vivos. 

Mas entram! E entram há pelo menos 3 600 milhões de anos que é a altura em que se estima ter começado a existir vida no nosso planeta.  Vida complexa que tem nos reinos das Plantas e dos Animais a sua expressão mais visível para nós. (Sendo certo que não a esgota, os 3 outros reinos são os dos Fungos; das Algas Unicelulares e o das Bactérias).

Para nós o interesse sobre a flora, apesar de circunscrito à flora silvestre de Portugal, é vasto. Mas a sua importância é evidentemente muito superior à que nos ocupa por muito que frequentemente nos dispersemos por um sem número de vertentes.

Além de nos proporcionarem a nós humanos um sem número de utilidades, são as plantas que estão na base da vida complexa que observamos. Presenteiam-nos com beleza inexcedível e produzem o oxigénio que respiramos. Mas mais do que isso, dos princípios activos para medicamentos, da madeira e até dos combustíveis fosseis,  são a tecnologia mais sofisticada que alguma vez poderemos desejar possuir para processar e transformar a energia do sol em infindáveis formas de energia aptas a animar de vida milhões de espécies animais. São as plantas que estão na base de todos os ecossistemas de vida.

E só isto, sendo que isto é tudo!, era suficiente para nos maravilharmos com a extrema sorte que temos em partilhar este planeta com as tantas formas de vida que nos Reinos das Plantas e dos Animais nele evoluíram até à forma actual!

A todos os que, incríveis reconfigurações de poeira estelar animada de vida, chegaram até estas linhas, os nossos votos de uma magnifica Primavera!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cacela Velha, um Jardim autóctone e o Dia Internacional da Mulher


Se há meses em que não partilhamos mais do que uma publicação, também há dias em que temos muita e boa matéria para escrever várias. Hoje é um desses dias. Depois de um jardim autóctone em Silves, partilhamos um Jardim representativo da Flora do Algarve que tivemos o privilégio de visitar no passado Domingo.

Cacela-Velha, pendurada sobre a Ria Formosa, no concelho de Vila Real de Santo António, deveria dispensar apresentações. É um daqueles locais mais preservados pelo abandono, pelos regulamentos de protecção do parque natural e recente crise imobiliária do que propriamente por uma vontade clara e estratégica dos homens de fazer daquele lugar o sitio glorioso que realmente é.

Dir-nos-ão que assim, com um aspecto negligé, Cacela-velha ainda tem mais charme. Eventualmente. Mas é preciso ter os olhos muito rasteiros para não perceber o que aquele pedaço de terra poderia ser se fosse mais amado. Se aquela ribeira, hoje infestada de canas, e aquelas margens que desaguam na ria, cobertas por um incrível piornal fossem realmente valorizadas. Cacela poderia tornar-se o ex-libris do Sotavento Algarvio. Arriscamos mesmo: Poderia ser o expoente que lavaria a honra manchada pelos muitos disparates de ordenamento do território ali cometidos no passado. E Vila Real de Santo António tem tudo para ver isto de forma muito clara.

É que não está sozinha. Tem a Associação de Defesa do Património de Cacela e uma mulher, a artista plástica Teresa Patrício, que nos últimos anos já provaram o que se pode fazer quando há amor numa terra. O Jardim representativo da flora do Algarve, na várzea de Cacela, construído em terrenos que são propriedade da autarquia e que estariam condenados a serem terreiro de estacionamento nos meses de Verão, é já hoje um excelente espaço de fruição de Cacela e da flora silvestre que por ali ocorre. Merece ser visitado e sobretudo merece ser acarinhado e feito crescer.

Como referíamos acima, ao lado do jardim e no alcance das suas vistas estende-se um dos piornais mais bonitos que conhecemos. Pontuado aqui e ali por uma das espécies arbustivas da flora algarvia mais incompreensivelmente desconhecida da jardinagem da região: O anágiris -  Anagyris foetida, uma espécie leguminosa cujo máximo de floração ocorre no Inverno. 

A Teresa Patrício é para nós a guardiã deste jardim representativo e em Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora, materializamos nela a nossa homenagem a todas as mulheres! E o nosso Obrigado. A si e a tantas outras mulheres que por todo o mundo se dedicam em inúmeros projectos e causas a fazer da nossa casa-comum um sítio melhor para todos. Como as mais de 350 que nos últimos 15 anos foram homenageadas pela Fundação Yves Rocher com o prémio Terre des Femmes, e que há dois anos premiou a nossa conterrânea Milene de Matos e o seu projecto de preservação da Mata do Buçaco

Que nesta terra não existam pessoas a quem esteja vedado desenvolver o seu potencial pelo facto  de serem mulheres são, também, óbvia  e evidentemente, os nossos votos!

Um jardim autóctone em Silves


Como bem lembra um popular ditado indiano, "Pão comido é o primeiro a ser esquecido" e também nós, apenas quatro dias depois da feira de jardinagem na Quinta da figueirinha, em Silves, já corríamos o risco de não partilhar algumas das imagens do dia de Sábado.

O que seria evidentemente um egoísmo, para além de um erro. Num fim de semana que se previa chuvoso e cinzento, a feira de jardinagem foi presenteada com um magnifico dia de sol que, juntamente com a boa afluência de visitantes, fez desta edição mais uma excelente oportunidade para todos aqueles que se dedicam à jardinagem e à horticultura.

Para nós um dos momentos mais relevantes foi como é claro a inauguração do jardim autóctone do barrocal algarvio. Situado no topo de uma das colinas da Quinta da Figueirinha este espaço é o resultado do trabalho e empenho dos membros da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal que de forma totalmente voluntária provam que um jardim pode ser atractivo e aprazível apenas com o recurso à flora silvestre da região. 

A localização, o sistema de vistas sobre a propriedade - a Quinta da figueirinha, e o bom desenho dos caminhos garantem que este será um excelente jardim a visitar nos próximos anos, à medida que for amadurecendo e consolidando-se!

Para terminar partilhamos algumas fotos da flora silvestre que no Algarve já anunciam de forma exuberante que ali a Primavera chega sempre mais cedo. Cerros cobertos do amarelo das pascoinhas (Coronilla glauca) e das chuvadas brancas dos Piornos em máximo de floração (Retama monoesperma) já se vislumbram por todo o lado. Mas é nos pequenos detalhes e junto aos pés que estão já a florir algumas das espécies mais interessantes: Da esquerda para a direita: em tons rosa, as cornucopias, ou alfaces-de-argel, Fedia cornucopiae; em azul-lilaz os maios-pequenos, ou pés-de-burro, Gynandriris sisyrinchium; e de branco os narcisos-de-inverno, Narcissus papyraceus.



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Feira de Jardinagem de Primavera




Vai decorrer já no próximo fim de semana, Sábado dia 4 de Março, entre as 11.00 e as 16.00, em Silves na Quinta da Figueirinha, a Feira de Jardinagem de Primavera da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal, este ano dedicada  ao tema dos Jardins comestíveis.

No nosso país existem tão poucas feiras de jardinagem que qualquer uma merece ser destacada, mas esta, à semelhança de todas as anteriores edições, apresenta motivos acrescidos para ser visitada.

Desde logo por se realizar na Quinta da Figueirinha, um quinta de agricultura biológica e espaço de Turismo Rural que os seus proprietários,  Gerhard Zabel and Uta Zabel, têm vindo a fazer crescer desde 1988 e que além de pomares conta com diversos jardins temáticos.

Esta edição de Primavera terá a presença de 11 viveiristas, 6 dos quais novos, e tem previstas diversas palestras das quais destacamos a de Jean-Paul Brigand sobre fruteiras e a de Fernanda Botelho  sobre Ervas aromáticas e medicinais do nosso país, 

Um outro momento alto será certamente a inauguração do jardim botânico de flora autóctone do Barrocal Algarvio, o qual tem ocupado intensamente a Associação nos últimos meses. Na proxima semana contamos partilhar detalhes sobre este projecto!

Por fim a referência que as nossas sementes estarão disponíveis, a preços especiais de feira, como habitualmente na banca dos livros da MGA.

O programa completo pode ser consultado AQUI e a forma de lá chegar AQUI.

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Medronheiro


Tendo por mote o que partilhámos no nosso último post, de Raduar Nassan, aqui está um bom exemplo de uma espécie que não pode ser semeada a pensar exclusivamente nos frutos. A recompensa vem muito antes deles e o prazer  que se obtém a fazer germinar e crescer um medronheiro já é, por si só, impagável!

De qualquer das formas não há outra hipótese de os obter, pelo que a desejá-los o melhor é começar o quanto antes e esperar pacientemente pela 6 a 10 anos que esta pequena àrvore demorará a dar os primeiros frutos.

Da família das Ericaceas, a mesma das urzes e das camarinhas, o medronheiro é possivelmente a árvore de pequeno porte mais emblemática do nosso país podendo ser encontrada de Norte a Sul tanto nas regiões de clima mediterrânico como de influência mais Atlântica. Tem preferência por solos frescos e com alguma profundidade e é relativamente fácil encontrá-los em bosques nativos de sobreiros, carvalhos ou simplesmente de matos mediterrânicos.

Hoje o interesse sobre esta espécie é redobrado -  não só pelos frutos para consumo, frescos e desidratados, mas também pela mais valia económica da  aguardente produzida  a partir da sua fermentação, mas a sua utilização é ancestral e faz parte do património etnobotânico de um sem numero de localidades e regiões de Portugal.

A titulo de exemplo no que respeita ás utilizações medicinais referimos a infusão das suas raízes utilizada no tratamento de doenças venéreas como a Sifilis. Porém são muitas mais as suas indicações como refere AQUI  a Fernanda Botelho que nos lembra que "ainda hoje se utiliza para tratar infecções do aparelho urinário, pois tem uma acção bastante adstringente e anti-séptica sobre as vias urinárias, tornando-se útil em casos de cistites e uterites, mas também limpeza do sangue, diarreias, desinteria, para infecções da boca e da garganta, gargarejar com uma infusão feita com as folhas frescas ou secas."

Mas se fazer compotas, produzir aguardente e utilizar medicinalmente já são motivos mais do que suficientes para ter um medronheiro por perto, o seu lado estético e o facto de ajudar na criação de um ecossistema mais composto no jardim, fazem do Medronheiro uma das espécies essenciais da nossa flora.

E é tanto assim que garantimos a boa capacidade germinativa das sementes que comercializamos. Uma garantia que comporta inúmeros riscos mas que é amplamente compensada pela recompensa de ajudar todos aqueles que o pretendem a germinar pelos seus próprios meios os medronheiros que um dia gostarão de ver ao pé de si!

Na nossa loja on-line disponibilizamos mais informação sobre esta incrível espécie da nossa flora nativa: https://sementesdeportugal.pt/loja/medronheiro/