quinta-feira, 9 de maio de 2019

As sementes de Portugal estão no Cromeleque dos Almendres


Até 1964, ano em que Henrique Leonor Pina (1930-2018) o identifica e lhe reconhece a importância (https://www.facebook.com/Prof.Galopim/posts/1833635956942918) o recinto megalítico dos Almendres era um amontoado de pedras graníticas coberto de mato, conhecido peloss pastores locais como o Alto das Pedras Talhas.

Hoje, pouco mais de 50 anos passados, apesar dos muitos enigmas que ainda encerra, as investigações efectuadas nos anos 80 e 90 permitem-nos afirmar agora com segurança que é um dos mais importantes e antigos  conjuntos megalíticos da Europa-cujo Dia, curiosamente, se assinala hoje, dia 9 de Maio! Uma construção se iniciou há cerca de 7500 anos atrás, quando os nossos ancestrais se começaram a estabelecer em comunidades agro-pastoris e que ali se reuniam para celebrar em comunidade eventos maiores como os solstícios e os equinócios. Se quisermos ser justos, Almendres é verdadeiramente uma das primeiras catedrais do Ocidente! De Engenharia rudimentar, se comparada com a dos dias de hoje, mas com o mesmo propósito: a de construir um espaço de relação com o transcendente.

Para termos uma ideia da importância e antiguidade deste local, Stonehenge , um dos monumentos ingleses mais conhecidos no mundo, tem apenas 3000 anos. É certo também que há 7500 anos o Egipto já construia pirâmides e alcançava  níveis de sofisticação inegavelmente mais avançados. Porém, para nós e para a Europa no seu todo, estão ali as raízes do processo civilizacional que,com muitas outras voltas, desaguou nos dias de hoje e do qual hoje somos, tenhamos consciência disso ou não, os herdeiros directos.

É um facto que expressões como "megaliticos", "menires", "cromeleques"e "antas"  não são das mais amigas do conhecimento geral. O que para muitos só ajuda a justificar o desinteresse e a resumir em 3 minutos aquele locais, outrora sagrados e plenos de simbolismo, a um conjunto de pedras sem nada de mais, eventualmente construído por extra-terrestres. O que é evidentemente uma pena pela pobreza a que conduz quem assim pensa.

Alterar essa pobre percepção de muitos é pois o desafio dos dias de hoje. E não há assim muitas maneiras de o fazer com sucesso. Uma de que gostamos é a de reconhecer e que aquilo foi feito por gente como nós e da qual descendemos. Avós de carne e osso, desconhecidos de  há 375 gerações atrás, que não sabendo metade do que sabemos hoje, com muito menos recursos do que nós e que eram velhos doentes aos 40 anos. Imaginar que sonhos, medos e paixões os moviam. E que apesar das enormes dificuldades de sobrevivência,  se relacionavam com os elementos, com a Natureza, com o Sol, As Luas, As Plantas, a Noite e o Dia. Atribuindo-lhe significado e  dedicando-lhe energias conjuntas para arrastar e erigir pedras de enormes dimensões. Para si e para os que viessem a seguir, pois sabiam de fonte segura que também morreriam e um dia deixariam com tristeza e lamentos esta vida. 

A Outra maneira incomensuravelmente mais trabalhosa mas muito mais eficaz, é fazer o que o Mário Carvalho e o João Pinto fizeram em Guadalupe, Évora: Construir o Centro Interpretativo dos Almendres - Turismo e Natureza. Um espaço que abriu recentemente e que preenche de forma TOTAL a enorme lacuna que até aqui existia. TOTAL porque a partir de um espaço com arquitectura e design irrepreensíveis descomplicam o tema e oferecem a todos os visitantes a possibilidade de compreender os valores mais importantes daqueles lugares : o património construído, a fauna e a flora do montado- o sistema de exploração agro-florestal do mundo! Com possibilidade de visitas e percursos guiados; e um parque de merendas onde alem de mesas para pic-nics se podem ver 12 completos painéis informativos de grandes dimensões.

Pode-se sempre dizer que algo assim vem tarde. Vem! Mas vem muito bem feito. E para nós é um orgulho enorme estarmos junto deste projecto desde o seu primeiro momento, com uma selecção das espécies mais emblemáticas do montado. De hoje e de há 7500 anos atrás! Se Maio é mês de usufruto e celebração, a melhor e única maneira de celebrar e usufruir Almendres, bem como a vibrante Natureza que o rodeia é só uma: visitá-lo, assim que for possível!

Stonehenge e os ingleses que nos perdoem, muito obrigado pela inspiração, mas desta vez foram largamente superados!

Nota final - Almendres, O centro interpretativo, O espaço em volta ... têm tudo para ser um programa perfeito. Ou quase perfeito, sendo que o quase que falta  se podia resolver com facilidade: restaurar o estradão, em péssimas condições, que liga o centro interpretativo ao cromeleque. Deduzimos que possivelmente por ser responsabilidade driblada em modo pig-pong entre administrações locais e central. Os nossos votos de que nelas alguém tenha a visão e capacidade para perceber o enorme erro que é não investir agora ali! Poderá ser caro, mas será com toda a certeza menos oneroso do que construir um cromeleque de raíz :-)


domingo, 21 de abril de 2019

Jardins Perfeitos


Jardins perfeitos. 

Têm certamente muitas flores, arbustos, sub arbustos, algumas árvores. E mais flores. Uns caminhos e uns bancos pelo menos. Mas só será mesmo um jardim perfeito o que também tiver outras formas de vida a usufruí-lo. Muitas minhocas e outras larvas. Caracóis e lesmas. Formigas e repteis. Sapos e Ouriços-cacheiros. abelhas e milhares de outros insectos. Rãs, relas tritões. Uma ou outra toupeira, ratos, cobras e um sem número de pássaros. Um jardim sem eles pode ser um jardim, mas não é perfeito nem a sério! 

Por isso, e apesar de nas Sementes de Portugal estarmos focados em tudo o que pode ser feito com flora nativa para que um jardim seja vez mais perfeito, relembramos que as plantas são apenas uma pequena parte do prazer! 

Para celebrarmos árvores, flores e o canto dos pássaros que tantos gostamos, temos urgentemente de aprender também a gostar de vermes. E a amar os insectos. A maior parte deles nem chega a picar e são eles que além de polinizarem as flores, constituem o alimento de quase todas as outras formas de vida que acima, sem pestanejar, dissemos gostar. 

Temos de aprender a tolerar alguns dissabores e a perceber que nesta terra, e num jardim em particular, não há uns sem os outros. Herbicidas, pesticidas, roças prematuras, são, na generalidade dos casos, desnecessárias. 

São tristes e mesquinhos ecocídios, feitos de forma inconsciente umas vezes, ao abrigo cobarde da lei outras. E que apenas impedem a existência a outros seres vivos que, por acaso, nem querem saber quem somos. 

Nestes dias perfeitos de Primavera, a única coisas que nos é pedido para fazer é simplesmente uma que não dá trabalho e não custa nada: USUFRUIR!! Mas se não formos capazes disso, podemos sempre seguir caminho e deixar estar em paz todos os outros que usufruem dos muitos jardins perfeitos que nos rodeiam!




terça-feira, 16 de abril de 2019

E PORQUE NÃO!? - Conferência Internacional de Primavera em Évora


Uma semana depois do seu fim, na passada segunda-feira dia 8 de Abril, partilhamos o essencial daquele que foi inequívoca e muito provavelmente o evento mais relevante em matéria de jardinagem sustentável que se realizou este ano em Portugal: A Conferência Internacional de Primavera organizada pela Associação de plantas e jardins em climas mediterrânicos de Portugal, em Évora entre os dias 5 e 8 de Abril, e à qual tivemos o privilégio de estar associados enquanto parceiro oficial.

Na conferência de há 3 anos, realizada em Lagos em Abril de 2016, já tínhamos  tido a oportunidade de assistir a uma palestra de Olivier Filippi sobre uma visão que é revolucionária, mas possível, para novos jardins e espaços públicos, mais vibrantes, sem relvados nem sistemas de regra, com flora autóctone, sustentáveis e ecologicamente diversos.

E esta conferência foi mais uma oportunidade para ver e ouvir o que, um pouco por todo o Mediterrâneo, está a ser feito com sucesso ao longo dos últimos anos  por diferentes arquitectos paisagistas,. Pela boca de Olivier Filippi (http://www.jardin-sec.com/) e pela de Helen e James Basson ( http://www.scapedesign.com) que, a partir do Sul de França, se inspiram nas paisagens mediterrânicas para construir experiências de fruição mais sofisticadas e exigentes.

Porém, se alguns dos que lêem estas linhas, pensam que a "jardinagem" se resume a uma matéria de estética restrita e fútil, desenganem-se! Com efeito, se numa perspectiva restrita um jardim sem dispendiosos sistemas de regra já é tema suficientemente importante e vasto, o FACTO é que a JARDINAGEM, como pode e deve ser entendida, é MUITO MAIS DO QUE ISSO!

Tomando como nossas as palavras de Burford Hurry, presidente da Mediterranean - Gardeners Portugal, resumimos a importância do tema: NÓS PRECISAMOS DOS JARDINS E DAS PLANTAS PARA CONTINUARMOS HUMANOS!

E PRECISAMOS MESMO! Em tempos cada vez mais cibernéticos e onde a hiper-especialização é a palavra de ordem que é imposta a seres que durante 30.000 anos prosperaram por serem generalistas, A JARDINAGEM pode ser a experiência TOTAL de todos aqueles que acreditam que só há uma maneira de continuar humano: A de insistir, afastar a sombra e persistir na certeza de que o nosso lado mais luminoso pode sempre crescer. Um work in progress que nunca termina e que todos os dias reclama por ESPAÇO!

E HÁ TANTO ESPAÇO! Os quatro dias da conferência de Évora foram um exemplo disso e da experiência total que os jardins podem proporcionar sendo o seu fio condutor e estrutural!

Uma Experiência TOTAL que juntou pessoas provenientes da Austrália, África do Sul, América, SUL e Norte, de Portugal e de outros países europeus. Para ver Monsaraz e o maior lago da Europa. Para duvidar do seu sentido e se isso é mesmo motivo de orgulho, e duvidar também se as cultura hiper-intensivas e irrigadas de amêndoal e olvial em redor de Évora serão efectivamente estratégia ou simples depradação da terra.

Para nos inspirarmos, pela mão da Prof. Aurora Carapinha da Universidade de Évora, nos jardins históricos da Quinta do General, Borba, ou nos emocionarmos pela sofisticação alcançada no Convento de S. Paulo da Serra da Ossa, Redondo. Sofisticação que infelizmente não impediu a transformação daquela Serra num imenso eucaliptal. Para vermos um exemplo do sistema mais eficiente de gestão de recursos naturais do mundo que o Homem persistiu em desenvolver e estimar ao longo de séculos - O MONTADO - na quinta da Maroteira, Redondo.

Para ouvir a a Professora Ana Margarida Fonseca sobre as dezenas de alimentos silvestres que em épocas de sobrevivência do século XX alimentaram os generalistas alentejanos a partir dessa mesma paisagem sustentável.

Para tentarmos perceber como uma da áreas consistentemente habitadas no fulgurante período megalítico de há 6 mil anos, que construiu menires, antas e o inigualável cromeleque dos Almendres, tem hoje uma das mais baixas densidades populacionais do mundo (22 habitantes/Km, que comparam com 1.163 no Bangladesh).

Para vermos os planos de revitalização do Jardim Botânico do Porto dirigido pelo Prof. Paulo Farinha Marques fazendo um uso crescente da flora nativa de Portugal. E para aprendermos com Paula Maria Simões e Marilyn Ribeiro as melhores práticas quando decidimos ter um jardim vivo e não um sistema de irrigação.

Mas também para ver um sonho improvável concretizado na Vidigueira: A QUETZAL, uma vinha/Adega que é um centro de arte moderna de excelente qualidade. E que muitos rejeitam pela ousadia, como se não se pudesse também sonhar no Alentejo. Como se não compreendessem que o desafio nunca é justificar um NÃO mas arranjar forças para dar forma ao PORQUE NÂO!?!?!

Tal qual como os nossos melhores, de D. João II e os que o rodeavam, fizeram há cerca de 550-600 anos entre Évora, Alcáçovas e Sintra. Que, muito possivelmente entre sebes de murta e fontes de um delicado jardim renascentista - hoje visitável no antigo palácio dos Henriques, não tiveram dúvidas em decidir onde tinham de se concentrar: No E PORQUE NÂO? E PORQUE NÂO, persistir e Progredir pelo mar adentro?

E PORQUE NÂO? Esse será sempre o âmbito maior da Jardinagem! E é por ele que entre 5 e 8 de Abril, humanos provenientes de Inglaterra, bélgica e Holanda, residentes em Portugal, que amam incondicionalmente esta terra que os escolheu há décadas, prepararam com generosidade um programa excepcional para portugueses, australianos, gregos, chilenos, sul-africanos e tantos outros  que moveram as suas energias para estarem uma semana da Primavera de 2019 em Évora. ÈVORA, uma cidade que há muito mais de 40 anos não é só nossa mas da HUMANIDADE, deles e de todos os outros que um dia ainda conseguirão visitá-la!

Nota final e pessoal - Um OBRIGADO muito particular a todos os elementos da Mediterranean Gardeners e em particular ao Rob&Rosie Paddle, responsáveis pela organização deste evento maior dedicado ao tema do "E PORQUE NÂO?". Ou, se preferirem dedicado ao tema de como "Trazer a paisagem mediterrânica para o jardim". São do nosso MELHOR. Tê-los é e será sempre um privilégio nosso e um direito justamente reclamado por esta terra que sabiamente os prendeu cá.  

quinta-feira, 21 de março de 2019

Boas vindas à Primavera!



Hoje é o primeiro dia de Primavera e nós damos as boas vindas à estação mais vibrante do ano! Semear continuará a ser possível, sobretudo em casa, numa varanda, janela ou estufim, mas os dias que a partir de agora nos serão oferecidos são indicados, sobretudo, para USUFRUIR E CELEBRAR todas as cores da estação! Tempo para usufruir do que se semeou nos últimos meses e Tempo para celebrar as coisas incríveis com que a Natureza nos presenteia! Até dia 21 de Junho, no qual se assinalará o dia mais longo do ano, no Solstício de Verão, serão 92 dias de puro entretenimento, sem custos, em que por todo o lado existirão fontes de inspiração para utilizar a nossa flora silvestre em jardins mais bonitos, sustentáveis e ecologicamente mais ricos! A todos os que nos seguem os votos de uma VIBRANTE PRIMAVERA!







sexta-feira, 8 de março de 2019

Março - um mês com as mãos na Terra!


Março, um mês que se inicia no Inverno e termina em Primavera, é uma excelente altura para por as mão na terra. Seja para semear e fazer germinar sementes, seja para colocar plantas e árvores na terra. Na prática, um bom para voltar às hortas e jardins e preparar o tempo de usufruir uma Primavera que alongue ainda mais florida pelos meses de Maio a Julho.

E para quem tem dúvidas por onde começar, são diversos os eventos que irão ocorrer até meados de Abril e nos quais teremos o privilégio de estar presentes!


  • Feira de Jardinagem Mediterrânica em Silves - Dia 16 de Março , Sábado, estaremos na 5ª feira de jardinagem de Primavera organizada pela Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos. Este ano a Feira muda-se da quinta da Figueirinha para as instalações da FISSUL e será uma excelente oportunidade para adquirir plantas e assistir a diversas palestras. Nos iremos lá estar com as sementes das espécies mais emblemáticas que fazem parte do nosso catálogo de pacotes de flora autóctone.
  • Workshop com Noel Kingsbury, Dia 20 de Março, quarta-feira, no Jardim Botânico da Ajuda e co-organizado com a Associação dos Amigos do Jardim Botanico, dedicada ao comportamento das plantas no jardim, numa perspectiva de longo prazo. Noel Kingsbury, actualmente uma referência a nível europeu em "desenhos de plantação", é um reconhecido escritor e paisagista, é especialista em jardins do movimento "New Perennial". Conta com muitos livros editados, e é correspondente do jornal The Daily Telegraph, revista Gardens Illustrated Magazine e da revista The Garden, editada Royal Horticultural Society. Depois da Oficina haverá uma componente prática na matinha do Jardim Botânico onde os participantes plantarão espécies arbustivas autóctones. As Sementes de Portugal são parceiras deste evento e oferecerão a todos os paricipantes pacotes com sementes de algumas das espécies a utilizar como a Roselha, as Pascoinhas, a Murta ou o Piorno.
  • ExpoJardim - De 22 a 24 de Março na FIL Lisboa - Pela primeira vez a Expojardim vai até Lisboa. Serão 3 dias onde será possível  contactar como que de melhor se está a fazer nesta área no nosso país e nós também marcaremos presença em parceria com a Sigmetum, Viveiro especializado em plantas autóctones e com quem temos o privilégio de colaborar desde o início da nossa actividade. Pela primeira vez numa feira de jardinagem em Portugal o potencial ornamental e paisagístico da flora autóctone portuguesa estará presente numa feira de jardinagem!
  • Conferência de Primavera - Se os 3 eventos acima já são motivos mais do que suficientes para que Março seja um mês memorável, A Conferência de Jardinagem de Primavera que se realizará em Évora, de 5 a 7 de Abril, é a coroa de glória. Organizado uma vez mais pela  Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos e em parceria com a Universidade de Évora e As Sementes de Portugal, será um evento que coloca o nosso país ao nível do melhor que se faz no mundo Ocidental. Uma referência muito particular ás conferencias de Sábado, dia 6, dedicadas ao tema da paisagem mediterrânica numa jardinagem que se quer vibrante, moderna, ecologicamente mais rica e sustentável. Olivier Philippi (www.jardin-sec.com) e  James & Helen Basson (www.scapedesign.com), arquitectos paisagistas reconhecidos,  serão os oradores principais. As palestras são abertas ao público pelo que todos os interessados se poderão inscrever, mediante um pequeno valor - 20 Euros -  junto da Associação. Esta é uma oportunidade única à qual temos uma enorme satisfação de estar associados!

Estamos certos de que não há muitos anos com tantos e tão bons eventos dedicados à jardinagem. Se tivermos ajudado na sua difusão ficamos necessariamente muito contentes! A todos os votos de um bom mês com as mãos na terra!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Grão da mesma mó!


Nas sementes de Portugal partilhamos a maior parte das vezes conteúdos relacionados com as espécies autóctones que por aqui evoluíram e que possuem inequívocas qualidades sejam elas ornamentais, paisagísticas, ecológicas ou etnobotânicas. Como se houve dizer..esse é o nosso métier!

Mas quem nos segue sabe que não somos muito ortodoxos e se gostamos de flores, plantas e árvores não gostamos menos da gente que por aqui também se fez evoluir ao longo de séculos. Mal ou bem, com maior ou menor sucesso, tudo discutível, mas com uma certeza: há mais de 800 anos a falar Português, esta língua que obviamente nos ajudou a enformar o nosso carácter enquanto Povo.

E sem querer sermos patrioteiros, é evidentemente óbvio que há algumas coisas pensadas em Português que acrescentam valor à Humanidade. Na nossa e na dos Outros. O último disco de Sérgio Godinho, Nação Valente, é uma dessas coisas.

E muito compreensivelmente a música que aqui partilhamos, Grão da mesma mó, com a participação de David Fonseca, é a nossa preferida. Para nós a continuação, 40 e muitos anos depois, da musica Primeiro dia. Como alguém diria, escrever algo assim precisa de muitos anos de lavoura e Sérgio Godinho lavra há 72 anos!

Permitimos-nos apenas copiar um breve trecho da letra, que a musica merece ser toda ouvida e varias vezes:

"Vê lá o que fazes, há
tanto a fazer
Fazes que fazes
Ou pões sementes a crescer?


Nota - Coincidência ou não, Hoje é o Primeiro dia de Março, o que era o primeiro mês no calendário Romano e consagrado a Marte, Deus da Guerra. Grão da mesma Mó pode muito bem ser ouvido como um cântico nas véspera de uma Batalha! Bom mês de Março!

Semear o Futuro em Aveiro


As Sementes de Portugal são parceiras da Agora Aveiro, associação para a promoção da cidadania activa e participativa, que, entre outras iniciativas, dinamiza o Projecto Plantar o Futuro junto das Escolas da Região. Recentemente, e através deste projecto, dezenas de alunos estiveram envolvidos no lançamento de "bombas de sementes" na Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, em Aveiro. Mas o que é mesmo gratificante para nós é perceber que, mesmo antes de lançadas, todas aquelas sementes já germinaram e vão produzir frutos! Germinaram na mente das dezenas de crianças que participaram! Pois, quem faz e lança as tais "bombas de sementes" aprendeu o essencial: O futuro está nas nossas mãos! Um grande Obrigado a todos aqueles que, em Aveiro, dinamizaram esta iniciativa. É um privilégio colaborar convosco!