quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

Inverno: Chegou o Tempo de Descansar e ..Semear com cuidado

 


Em rigor o Inverno começou há já 17 dias! Mas com o  calor das Festas de Natal, que terminam oficialmente só hoje , 6 de Janeiro e  Dia de Reis, é agora que o assinalamos de forma mais vincada. Por coincidência num dia em que a maior parte do país acordou gelado. Para muitos de nós a pior estação do ano, serão pelo menos 2 meses em que ansiaremos pelos dias quentes! 

Mas esta é uma estação cheia de oportunidades! Sendo a maior dela a oportunidade para  verdadeiramente DESCANSAR!  Descansar e enraízar o que se SEMEOU no Outono e que, se tudo correr bem, Poderemos USUFRUIR na Primavera para mais tarde COLHER no Verão.

Como escreviámos há um ano atrás, se formos atentos aos detalhes, esta é a estação em que tudo se prepara para poder emergir renovado na Primavera. 

Sobreviver a esta estação é uma batalha para muitos seres-vivos. Entre os quais inúmeras espécies de plantas e árvores, que aproveitam a época para canalizar as suas energias para o sub-solo. Compreensivelmente. A temperatura da terra, alguns metros abaixo do solo, em regra  constante e superior à da atmosfera,  motiva muitas espécies a "suspenderem" temporariamente a actividade à superfície e a ocuparem-se das suas raízes. O que normalmente apelidamos de "dormência" não deve pois ser confundido com morte ou congelamento total de actividade.

Apesar de tudo, das chuvas que virão e das baixas temperaturas que já se fazem sentir, o nosso clima é essencialmente mediterrânico e  proporciona-nos Invernos relativamente suaves. E dispondo nós de marquises, estufas e varandas aquecidas, o Inverno continua a ser uma boa altura para germinar sementes de forma mais controlada. 

Nas Sementes de Portugal iremos aproveitar a dica do nosso Inverno. Aproveitaremos para diminuir um pouco a nossa actividade visível e iremos concentrar-nos nas fundações do projecto para poderemos lançar alguns "novos ramos" na próxima Primavera.

A todos, os votos de um Inverno confortável. Sem desperdício de energia e de refundação para que, quando vier o tempo mais quente  da Primavera, o possamos Celebrar de forma enérgica e renovada!





sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz

 



Dia 1 de Janeiro - Dia Mundial da Paz - No dia em que provavelmente mais pessoas tomam resoluções para as suas vidas, também se assinala, desde 1968, o Dia Mundial da Paz. 

É possivel que  a maior parte delas se revelem demasiado ambiciosas, mas se esta persistir em guiar os nossos dias, 2021 será com toda a certeza  um ano ganho!  Seja entre os Homens ou seja dentro de cada um de nós, a PAZ é o único solo fértil onde pode germinar  e crescer qualquer esperança! Incluindo, claro está...sementes! 

Um Bom ano para todos, pleno de Paz e onde a indiferença não encontre lugar, são os nossos votos!

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

2020: Sementes de Portugal em Revista

 



Passando 2020 em Revista, escusado será dizer que também para nós 2020 foi, possivelmente, o ano mais atípico e difícil que tivemos! 

Porém, se o simples facto de continuarmos a existir  já seria motivo de muita satisfação, a verdade é que o nosso 7º ano de existência foi cheio de concretizações que nos enchem de satisfação. 

De todas elas salientamos, neste ano em que deixou de estar entre nós o Arq. Gonçalo Ribeiro Teles,  quatro momentos maiores:

1º - A nossa participação, enquanto membros fundadores, na Assembleia Geral da Associação Europeia de produtores de sementes silvestres;  ENSPA - European Native Seeds Producers, que se realizou no início de Fevereiro em Irdning-Donnersbachtal - Austria

2º - A possibilidade de participarmos, enquanto fornecedores,  no novo Jardim da Praça de Espanha  - chamará Jardim Arq. Gonçalo Ribeiro Teles. Ao longo da Primavera e Verão deste ano focámos a nossa energia na recolha, tratamento e limpeza de sementes de mais de 100 espécies autóctones da nossa flora autóctone que ocorrem na região da Grande Lisboa. Uma oportunidade única para levar para um jardim no centro da cidade o essencial da nossa flora silvestre contribuindo para a sua biodiversidade

3º- As melhorias efectuadas nas nossas instalaçoes das Caldas da Rainha, ao nível do equipamento/organização do espaço, mas sobretudo no belíssimo Mural  que dois jovens artistas plásticos da cidade- a Constança e Joao Margarido, criaram para nós no final do mês de Agosto.

4º - Por fim, enquanto sócios da Sociedade Portuguesa de Botânica, recordaremos 2021 como o ano em que foi finalmente publicada a Lista Vermelha da Flora Vascular de  Portugal Continental. Um projecto liderado pela Sociedade Portuguesa de Botânica, que avaliou o estado de conservação de mais de 600 espécies da nossa flora e que será relevante nas politicas de conservação do nosso país. O nosso contributo foi diminuto, mas mesmo assim um privilégio, ao apadrinharmos  4 espécies que apreciamos particularmente: a Genciana (Gentiana lutea, criticamente em perigo);  a Flor-de-adónis (Adonis annua; vulnerável); o Carvalho-de-Monchique (Quercus canariensis, criticamente em perigo) e a Mandrágora (Mandragora autumnalis, em perigo).

Nas duas imagens tentámos resumir os momentos mais marcantes de 2021. Com a certeza porém de que só puderam acontecer graças aos nossos amigos e clientes que, com as suas compras e apoio incondicional, suportaram e justificaram a nossa actividade: fornecer sementes de flora silvestre. Para jardins com maior biodiversidade e mais sustentáveis; para projectos de renaturalização, intervenções paisagisticas ou bosques mais resilientes!  

A todos, o Nosso Obrigado!







domingo, 20 de dezembro de 2020

Solstício de Inverno 2020

 


Com o solstício de Inverno a acontecer já amanhã (dia 21, pelas 10.00),  marca-se  oficialmente o fim do Outono e o início do Inverno. Esta é a altura em que, desde há milénios, no hemisfério Ocidental se celebra, das mais variadas formas, a vitoria da luz sobre as trevas. 

E efectivamente amanhã será o dia mais curto do ano: apenas teremos 9h27minutos de luz. Mas é também a partir de amanha que os dias, um após o outro, começarão a ganhar terreno sobre a noite!

  A  todos os que nos acompanham, os votos de um Feliz, Fraterno e Luminoso Natal.

sábado, 21 de novembro de 2020

23 de Novembro: Dia Nacional da Floresta Autóctone

 


Dia 23 de Novembro - Dia Nacional da Floresta Autóctone. 

Não fossem as medidas de confinamento decorrentes do COVID19 e este fim de semana seria marcado, um pouco por todo o país, de acções de educação ambiental de plantação de espécies autóctones. Haverá ainda assim certamente algumas acções simbólicas. 

Mas o essencial a reter é que, ao contrario das plantações de Primavera em Março pelo dia Mundial da Árvore, é no mês de Novembro e Dezembro que no nosso país mais faz sentido plantar árvores e arbustos nativos. E é fácil de compreender porquê. 

É a altura em que terão a humidade e o tempo necessário para enraizarem e com isso melhor suportarem as temperaturas altas que a partir de Maio teremos.  Mas para aqueles que levam a sério as medidas de confinamento e este ano nem uma árvore irão conseguir colocar na terra, nem tudo está perdido! Há muitas e boas leituras sobre a importância vital que a Floresta Nativa tem para o ordenamento do nosso território. Um dos últimos posts no Facebook que lemos e que  vale a pena ler é da autoria do Prof. Jorge Araujo, professor na Universidade de Évora, e que bem sintetiza os desafios que temos hoje pela frente se quisermos deixar às gerações seguintes uma Floresta digna do nome!


"As florestas

Sob a designação genérica de floresta encobre-se um equívoco de consequências gravosas: no mesmo saco, incluímos o que resta da floresta autóctone (bosque, mata), o que foi domesticado pelo Homem (montado) e os povoamentos arbóreos para produção (pinhais, eucaliptais, castinçais).

O neolítico trouxe a reconversão progressiva do modo de vida de caçador-recolector para o agro-pastoril e, consequentemente, uma pressão sobre a floresta para libertação de terrenos destinados à pastorícia e à agricultura. Se até então, a floresta tinha evoluído ao sabor dos movimentos tectónicos e das alterações climáticas, na escala dos milhões de anos, a partir do neolítico, a intervenção humana acelerou drasticamente a sua mutação, na escala dos milhares ou mesmo das centenas de anos.

A chegada dos romanos à Ibéria por volta de 218 aC veio acentuar essa pressão pois, não só pretendiam substituir os cartagineses e fenícios na exploração das riquezas minerais, mas também produzir trigo, de que necessitavam para alimentar o Império. Aliás, todo o Norte de África, integrado no Império Romano, formatou-se como um imenso celeiro de Roma. Durante os 600 anos que permaneceram na Península, os romanos substituíram a economia de subsistência das primitivas tribos por grandes unidades de exploração agrícola, produtoras de azeite, vinho, cereais e pecuária. Em suma, com os romanos, assistiu-se à primeira grande transferência de solo florestal para a agricultura e a pastorícia.

Não esqueçamos ainda que a madeira foi, até ao advento dos combustíveis fósseis, e mesmo depois em muitas regiões, a principal fonte de energia para aquecimento e indústrias; as energias do vento e da água eram supletivas e aproveitadas para moagem e pouco mais. Portanto, a floresta autóctone teve de ser ela a suprir a “parte de leão” das necessidades energéticas, ao mesmo tempo que se via progressivamente amputada do seu solo em proveito da agricultura e da pastorícia; e isto... durante séculos!

Uma solução airosa foi encontrada no Sul onde dominavam as quercíneas perenifólias, a azinheira e o sobreiro. A astúcia consistiu em desadensar o bosque, abrindo espaço para o pastoreio, nomeadamente do porco preto, mas poupando as árvores, as quais foram sujeitas à poda, que favorece a produção de bolota, de que se alimentavam os suínos. A esta solução atribui-se a designação de “montado”. A cortiça, adquirindo um estatuto económico relevante, contribuiu para a sustentação económica dos montados, na perspetiva de sua exploração em uso múltiplo. 

Mas mesmo o montado, apesar do compromisso que representava com a pastorícia, não resistiu, já no séc. XX, à agricultura impulsionada pela política que visava a auto-suficiência da produção do trigo. Em 1929, inspirado na “Bataglia del grano” promovida por Mussolini, na Itália, o Estado Novo, ignorando as advertências de quem sabia, designadamente do Prof. Azevedo Gomes, lançou a “campanha do trigo” que teve a sua maior expressão no Alentejo e, por via da qual, foi subsidiado o arroteamento de vastas áreas de montado e matos para expansão da cultura do trigo. A erosão e o esgotamento da pouca fertilidade dos solos, maioritariamente delgados, conduziram rapidamente ao insucesso: a partir de 1934, a produção não cessou de decair.

Chegados ao séc. XXI, Portugal tem pela frente um desígnio maior: reconstituir grande parte do seu património florestal, inspirando-se na composição das florestas autóctones.    

Em boa verdade, a maior parte do coberto vegetal que tem ardido, é composto por uns miseráveis povoamentos de pinheiros e de eucaliptos com que foi substituída a floresta autóctone ou ocupados os campos abandonados pelas culturas tradicionais, pouco resilientes no contexto da economia aberta. Quem atravessar as nossas Beiras (e não só), encontrará extensas manchas verdes, enganosamente florestais, candidatas a mudarem para cinzento, e extensas manchas cinzentas à espera de reverdecerem para de novo voltarem a arder.

Impõe-se quebrar este ciclo verde-cinza. Não vale a pena culpabilizar a economia; do mesmo modo que só se eliminarão os plásticos abandonados quando estes forem generalizadamente reconhecidos como matéria-prima valiosa para indústrias transformadoras, também a floresta só será protegida quando o seu repovoamento, manutenção e proteção assentarem numa equação económica robusta. Mas, para tal, importa atribuir valor ao que tem valor: isto é, aos serviços que a floresta nos presta.

• As florestas são sumidouros de carbono, e produtores de oxigénio que nós consumimos em cada segundo das nossas vidas. Quanto vale este serviço?

• As florestas são a única barreira eficaz contra a desertificação: cortam o vento, retêm a água, enriquecem o solo, regulam o regime das chuvas, refrescam o ambiente. Estamos dispostos a prescindir delas? Quanto vale este serviço?

• As florestas pintam paisagens que nos encantam, e nos repousam fazendo esfumar-se o stress; oferecem-nos também ambientes propícios a atividades de lazer e desporto. Quanto vale este serviço?

• As florestas e a sua biodiversidade são um dos ativos do território mais importantes para a promoção do turismo. Quanto vale este serviço?

• As florestas fornecem-nos diversos materiais como madeira, cortiça e resina, que o Homem explora desde sempre; mas também frutos, cogumelos, mel e muito mais. 

Enquanto não estivermos dispostos a reconhecer e contabilizar os inúmeros e insubstituíveis serviços que a floresta nos presta, se for genuína e acarinhada, encararemos sempre a reflorestação como um pesado encargo e não como um investimento. E é aí que está o busílis! 

A par da floresta autóctone, pode e deve haver, em terrenos apropriados e de forma regulada, agricultura florestal (silvicultura) para produção de madeiras e de pasta de celulose, que se enquadram, é bom de ver, na fileira do sequestro de carbono desde que, depois de usados, esses materiais não sejam queimados, mas sim reciclados.

Daí a importância, também, da economia circular!

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Homenagem ao Arq. Gonçalo Ribeiro Teles

Em dia de Luto Nacional, também nós nos associamos e prestamos a nossa homenagem ao Arquitecto Gonçalo Ribeiro Teles (1922-2020). 


Que a sua passagem aos 98 anos tenha sido em Dia de S. Martinho, não deverá ser mera coincidência. Alguém que ao longo da sua longa vida nunca regateou generosidade para com este país merece todas as homenagens que lhe possamos fazer!

Mas as melhores homenagens serão sempre aquelas que transformem em acção as suas palavras e as suas visões! E neste particular, verdade seja dita, há muitas acções nas últimas décadas em matéria de ordenamento do território e do ambiente que não nos encherão de orgulho! Muito do que foi semeado pelo Arq. Gonçalo Ribeiro Teles nos anos 70 e 80 foi ignorado ou cortado rente (RAN/REN, etc) nos 20 anos seguintes.

Resta-nos o consolo de que as raízes do que semeou, rebentem agora de toiça por todo o lado. E que hoje, um sem numero de pessoas nos mais variados quadrantes, faça todos dias renascer - pela acção - a sua visão! Por todas as generosas sementeiras que fez ao longo da sua vida, e foram muitas, o NOSSO OBRIGADO!

Nota - Há quase 7 anos, por altura do Ano Novo de 2014 publicámos no nosso blogue um pequeno vídeo (de 2005!), "Em nome da Terra", onde a mensagem principal era a da necessidade de trazer o campo para a cidade! Há inúmeros vídeos que valerá a pena ver para beneficiarmos do que pensou. Este é, certamente, um deles. AQUI.

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

Sementes de Portugal: 7º Aniversário!

 


Assinalamos este fim de semana o nosso 7º Aniversário!

A todos aqueles que nos seguem e sobretudo a todos os muitos clientes que nos permitiram chegar aqui, o nosso MUITO OBRIGADO! 

Sem eles teria sido impossível acreditar que, à semelhança de outros países europeus, também em Portugal fazia sentido existir um projecto empresarial totalmente especializado na flora silvestre do nosso país! 

Um projecto de dimensão humana, exclusivamente vocacionado para a promoção de todo o potencial das espécies autóctones que ocorrem no nosso país e cuja utilização se impõe mais do que nunca nas mais diversas vertentes: Em jardins mais resilientes, em bosques com maior biodiversidade e em projectos de renaturalização ou requalificação paisagística! 

 E se fez sentido existirmos nestes últimos 7 anos, temos hoje a firme certeza de que teremos missão para muitos mais anos! 

Nota - Em 24 de Outubro de 2013 publicámos o nosso primeiro post AQUI .

 Poderia ter sido escrito hoje e permaneceria perfeitamente actual! 

Obrigado a todos!