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terça-feira, 11 de abril de 2017

Sugestões de jardinagem IV


Das muitas falhas que temos há umas mais flagrantes que outras, mas esta era imperdoável! Há mais de 3 anos a publicar sobre espécies da nossa preferência e ainda não tínhamos partilhado uma simples publicação sobre um dos géneros mais ornamentais que temos na nossa flora nativa: As urzes!

A demora tem alguma razão de ser e prendia-se com as dúvidas que tínhamos sobre como recolher e seleccionar as suas (minúsculas) sementes, mas também porque com frequência ouvíamos referir que era extremamente difícil germinar as suas sementes, e que a única solução seria propagá-las por estacaria. Como entretanto as experiências que temos feito nos têm demonstrado precisamente o contrário, sendo até relativamente fácil obter urzes por sementeira, arriscamos-nos agora a incentivar a sua utilização em jardinagem.

Sugestão que, refira-se, nada tem de inovador. Quando chega o Outono, os nossos garden-center enchem-se de cultivares de urzes, provenientes de viveiros especializados, e que enchem o olho de toda a gente! Mas como entre cópias e originais preferimos quase sempre os últimos, não há razão nenhuma para não utilizar duas das espécies autóctones mais vistosas que temos: a Erica lusitanica, branca e regra geral conhecida como Urze, e a Erica australis, normalmente conhecida por Urze-vermelha (embora as suas flores sejam de cor rosa!).

Ambas as espécies são arbustivas, alcançando facilmente os 2 metros de altura, e a partir de fins de Janeiro até meados de Abril cobrem-se, literalmente, de milhares pequenas flores em forma de campânulas. Para satisfação das abelhas que as polinizam mas às quais é impossível ficar indiferente pela inequívoca beleza do efeito estético que proporcionam.

Embora na Natureza não surjam juntas, nada impede que o façamos em jardinagem beneficiando dos seus contrastes cromáticos. Em regra preferem solos ácidos ou siliciosos (arenosos, por exemplo) mas pelo que observamos não é requisito essencial. Preferem isso sim solos frescos e que retenham humidade durante grande parte do ano, se possível com sombra e virados a Norte (o que serve sobretudo para a E. lusitanica). A E. australis, tolera melhor a exposição solar mas também não é forçoso que assim seja.

Uma palavra final para a família destas duas espécies, as Ericácias, e à qual pertencem os Medronheiros (Arbutus unedo), as Camarinhas (Corema album) e os populares mirtilios. Para além de outras espécies vulgarmente conhecidas como urzes, como partilhou há cerca de dois anos a Fernanda Nascimento no seu blogue Flores do Areal - AQUI - e cuja leitura recomendamos!

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Medronheiro


Tendo por mote o que partilhámos no nosso último post, de Raduar Nassan, aqui está um bom exemplo de uma espécie que não pode ser semeada a pensar exclusivamente nos frutos. A recompensa vem muito antes deles e o prazer  que se obtém a fazer germinar e crescer um medronheiro já é, por si só, impagável!

De qualquer das formas não há outra hipótese de os obter, pelo que a desejá-los o melhor é começar o quanto antes e esperar pacientemente pela 6 a 10 anos que esta pequena àrvore demorará a dar os primeiros frutos.

Da família das Ericaceas, a mesma das urzes e das camarinhas, o medronheiro é possivelmente a árvore de pequeno porte mais emblemática do nosso país podendo ser encontrada de Norte a Sul tanto nas regiões de clima mediterrânico como de influência mais Atlântica. Tem preferência por solos frescos e com alguma profundidade e é relativamente fácil encontrá-los em bosques nativos de sobreiros, carvalhos ou simplesmente de matos mediterrânicos.

Hoje o interesse sobre esta espécie é redobrado -  não só pelos frutos para consumo, frescos e desidratados, mas também pela mais valia económica da  aguardente produzida  a partir da sua fermentação, mas a sua utilização é ancestral e faz parte do património etnobotânico de um sem numero de localidades e regiões de Portugal.

A titulo de exemplo no que respeita ás utilizações medicinais referimos a infusão das suas raízes utilizada no tratamento de doenças venéreas como a Sifilis. Porém são muitas mais as suas indicações como refere AQUI  a Fernanda Botelho que nos lembra que "ainda hoje se utiliza para tratar infecções do aparelho urinário, pois tem uma acção bastante adstringente e anti-séptica sobre as vias urinárias, tornando-se útil em casos de cistites e uterites, mas também limpeza do sangue, diarreias, desinteria, para infecções da boca e da garganta, gargarejar com uma infusão feita com as folhas frescas ou secas."

Mas se fazer compotas, produzir aguardente e utilizar medicinalmente já são motivos mais do que suficientes para ter um medronheiro por perto, o seu lado estético e o facto de ajudar na criação de um ecossistema mais composto no jardim, fazem do Medronheiro uma das espécies essenciais da nossa flora.

E é tanto assim que garantimos a boa capacidade germinativa das sementes que comercializamos. Uma garantia que comporta inúmeros riscos mas que é amplamente compensada pela recompensa de ajudar todos aqueles que o pretendem a germinar pelos seus próprios meios os medronheiros que um dia gostarão de ver ao pé de si!

Na nossa loja on-line disponibilizamos mais informação sobre esta incrível espécie da nossa flora nativa: https://sementesdeportugal.pt/loja/medronheiro/



segunda-feira, 23 de maio de 2016

Loendros do caramulo


Há cerca de um ano atrás, na sequência de uma visita à cidade alemã de Bremen, partilhámos AQUI algumas imagens do Rhododendron Park e das múltiplas cores de que esta espécie se pode revestir. Na altura já não iríamos a tempo, mas neste Maio não quisemos deixar passar mais uma oportunidade e fomos visitar uma das maiores populações autóctones que existem na península Ibérica e que, para nossa sorte, se situa na vertente noroeste da Serra do Caramulo, concelho de Vouzela, na ribeira do cambarinho, protegida desde 1971 com o estatuto de reserva botânica.

Como não temos intenção de ter nos nossos catálogos sementes desta espécie, até porque pelo que apurámos não só produz poucas sementes como as mesmas exigem especiais condições de germinação, o interesse era mesmo ver de que outras cores de que se pode revestir a nossa Primavera para além dos maioritários amarelos e brancos.

E o que vimos, pelo menos nas margens desta ribeira e, pelo que apurámos, de outras pertencentes à bacia hidrográfica do Rio Vouga, é que, mesmo numa serra entregue ao Eucalipto como é o caso da Serra do Caramulo, a paisagem se pode cobrir de incríveis manchas de tonalidade rosa-lilaz. Só por essa visão  vale a pena acreditar na placa que na A25 anuncia, em apagados castanhos,esta reserva botânica de loendros. A nossa única sugestão é que nos meses de Abril e Maio se anuncie de forma mais convincente que os "loendros" estão no seu máximo esplendor!

Os rodendros são uma espécie arbustiva que dispensa qualquer publicidade. Na região noroeste de Portugal é possível vê-los em vários jardins publicos e privados (embora de outras cores e bem menos interessantes) provenientes de garden centers que na europa inteira escoam a produção de uma actividade que é milionária. Existem na Natureza mais de 1000 espécies de rodendros, a maioria da região dos Himalaias. Mas cultivares e híbridos são seguramente milhares e há-os de todas as cores e feitios.

Porém, os nossos não só são incrivelmente ornamentais como são ainda o testemunho das florestas de clima tropical que há mais 2 milhões de anos cobriam a Europa e que praticamente se extinguiram no fim do período terciário com o inicio das glaciações. De Rhododendrum ponticum subsistem na Europa apenas duas sub-espécies: a R. subespécie ponticum na região do Cáucaso, e a subespécie baeticum  à qual pertence a população que se pode visitar nas margens da ribeira do cambarinho- Vouzela. Desta subespécie só existem mais duas populações nativas na península ibérica: Em Monchique ( de reduzida dimensão) e em Cádis, Espanha.

Só por isto este arbusto poderia perfeitamente infestar todos os ajardinamentos dos municípios que partilham a Serra do Caramulo! Para não pensar nos jardins particulares. E não dizemos todo o país, porque de facto é um arbusto que tem necessidade de solos mais ácidos, com alguma profundidade, disponibilidade de água e um clima mais atlântico, os quais, como sabemos, não são os mais frequentes.

Uma nota final para a confusão que pode surgir por nos termos referido a este espécie ora como rodendro ora como loendro. O nome vulgar mais utilizado no mundo remete-nos para o nome rodendro. Todavia em Portugal e mais especificamente nas aldeias do Caramulo são conhecidos como loendros, Embora, como nos explica aqui o blogue Dias-com-àrvores, nada tenham a ver com os Loendros do Sul do país (Nerium oleander). Mas como nestas matérias da botânica o povo é soberano, para todos os efeitos são também para nós os Loendros do Caramulo!

domingo, 17 de agosto de 2014

Bagas de Verão II

Amoras e Camarinhas!

É certo que existem outras bagas de Verão de que poderíamos falar, mas este ano ficamos-nos por mais estas duas. Não que sejam espécies em que depositemos grandes expectativas comerciais! São todavia e provavelmente as bagas mais reconhecidas e apreciadas neste mês de Agosto.

As amoras, que são a parte boa das silvas!, têm méritos reconhecidos. Há quem as coma directamente ao passar por elas e há quem faça geleias e compotas. Hoje em dia já fazem parte de inúmeros produtos que se encontram nos supermercados ostentando a designação de frutos silvestres ou vermelhos a par dos mirtilos e framboesas. E, tanto quanto sabemos, existem arbustos que produzem bagas similares. Mas as genuinas e originais são as produzidas pelas espécies Rubus, familia das Rosaceae. 

E uma consulta ao portal flora-on permite-nos constatar que nem as silvas são todas iguais. Em Portugal está inventariada a ocorrência de 16 espécies diferentes, sendo que a que possui a distribuição mais generalizada é a da espécie Rubus ulmifolius.

Quanto às camarinhas, um arbusto frequente nas dunas e arribas e que pertence à família das Ericaceae, quem já passou férias na costa ocidental de Portugal já as conhece. E se as provou ficou de certeza fã do seu sabor ligeiramente ácido mas refrescante - sempre a calhar depois de um dia sol e mar no caminho de regresso a casa.

Já houve tempos em que na Nazaré e em outras localidade de veraneio era usual encontrar estas bagas à venda na beira dos passeios. E hoje há já quem se aventure com bons resultados a confeccionar geleia de camarinha.

Mas se há humanos que ainda duvidam das qualidades destas duas bagas, os pássaros mais diversos só agradecem. Nesta altura do ano são uma excelente e abundante fonte de alimento.

Como seria de esperar, dispomos de sementes de ambas. São plantas que num jardim só enriquecem o ecossistema! No caso das silvas não há que duvidar e o Parque da cidade do Porto prova que os "maciços" de silvas lá plantados fornecem alimento e abrigo às mais diversas espécies. Não é pois uma planta incómoda a erradicar de um jardim. Pelo contrario, basta saber tirar partido dela.

Quanto á camarinha, que tem preferência por solos arenosos e que está habituada a Verões secos e com pouca água, só fazemos a ressalva de que as suas sementes, ao contrário das silvas, não são de germinação facilitada. Mas que não é impossível e alguns dos seguidores das sementes de Portugal têm tido na sua germinação um bom desafio na arte de fazer nascer coisas!

Adenda - Como é nosso hábito, depois de escrevermos, tal qual os bons cábulas, verificamos o que quem cá anda há mais tempo já escreveu sobre o assunto. Não vá termos escrito algum disparate! E todos eles são mais aprofundados que as linhas acima. Como tal e se estiverem curiosos em saber mais sobre estas duas espécies, é só seguir os links abaixo.

Sobre as amoras silvestres:


Sobre as camarinhas:

Dias Com árvores - A ler, para descobrir que a camarinha é uma espécie dióica!