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sexta-feira, 8 de março de 2019

Março - um mês com as mãos na Terra!


Março, um mês que se inicia no Inverno e termina em Primavera, é uma excelente altura para por as mão na terra. Seja para semear e fazer germinar sementes, seja para colocar plantas e árvores na terra. Na prática, um bom para voltar às hortas e jardins e preparar o tempo de usufruir uma Primavera que alongue ainda mais florida pelos meses de Maio a Julho.

E para quem tem dúvidas por onde começar, são diversos os eventos que irão ocorrer até meados de Abril e nos quais teremos o privilégio de estar presentes!


  • Feira de Jardinagem Mediterrânica em Silves - Dia 16 de Março , Sábado, estaremos na 5ª feira de jardinagem de Primavera organizada pela Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos. Este ano a Feira muda-se da quinta da Figueirinha para as instalações da FISSUL e será uma excelente oportunidade para adquirir plantas e assistir a diversas palestras. Nos iremos lá estar com as sementes das espécies mais emblemáticas que fazem parte do nosso catálogo de pacotes de flora autóctone.
  • Workshop com Noel Kingsbury, Dia 20 de Março, quarta-feira, no Jardim Botânico da Ajuda e co-organizado com a Associação dos Amigos do Jardim Botanico, dedicada ao comportamento das plantas no jardim, numa perspectiva de longo prazo. Noel Kingsbury, actualmente uma referência a nível europeu em "desenhos de plantação", é um reconhecido escritor e paisagista, é especialista em jardins do movimento "New Perennial". Conta com muitos livros editados, e é correspondente do jornal The Daily Telegraph, revista Gardens Illustrated Magazine e da revista The Garden, editada Royal Horticultural Society. Depois da Oficina haverá uma componente prática na matinha do Jardim Botânico onde os participantes plantarão espécies arbustivas autóctones. As Sementes de Portugal são parceiras deste evento e oferecerão a todos os paricipantes pacotes com sementes de algumas das espécies a utilizar como a Roselha, as Pascoinhas, a Murta ou o Piorno.
  • ExpoJardim - De 22 a 24 de Março na FIL Lisboa - Pela primeira vez a Expojardim vai até Lisboa. Serão 3 dias onde será possível  contactar como que de melhor se está a fazer nesta área no nosso país e nós também marcaremos presença em parceria com a Sigmetum, Viveiro especializado em plantas autóctones e com quem temos o privilégio de colaborar desde o início da nossa actividade. Pela primeira vez numa feira de jardinagem em Portugal o potencial ornamental e paisagístico da flora autóctone portuguesa estará presente numa feira de jardinagem!
  • Conferência de Primavera - Se os 3 eventos acima já são motivos mais do que suficientes para que Março seja um mês memorável, A Conferência de Jardinagem de Primavera que se realizará em Évora, de 5 a 7 de Abril, é a coroa de glória. Organizado uma vez mais pela  Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos e em parceria com a Universidade de Évora e As Sementes de Portugal, será um evento que coloca o nosso país ao nível do melhor que se faz no mundo Ocidental. Uma referência muito particular ás conferencias de Sábado, dia 6, dedicadas ao tema da paisagem mediterrânica numa jardinagem que se quer vibrante, moderna, ecologicamente mais rica e sustentável. Olivier Philippi (www.jardin-sec.com) e  James & Helen Basson (www.scapedesign.com), arquitectos paisagistas reconhecidos,  serão os oradores principais. As palestras são abertas ao público pelo que todos os interessados se poderão inscrever, mediante um pequeno valor - 20 Euros -  junto da Associação. Esta é uma oportunidade única à qual temos uma enorme satisfação de estar associados!

Estamos certos de que não há muitos anos com tantos e tão bons eventos dedicados à jardinagem. Se tivermos ajudado na sua difusão ficamos necessariamente muito contentes! A todos os votos de um bom mês com as mãos na terra!

sexta-feira, 1 de março de 2019

Semear o Futuro em Aveiro


As Sementes de Portugal são parceiras da Agora Aveiro, associação para a promoção da cidadania activa e participativa, que, entre outras iniciativas, dinamiza o Projecto Plantar o Futuro junto das Escolas da Região. Recentemente, e através deste projecto, dezenas de alunos estiveram envolvidos no lançamento de "bombas de sementes" na Reserva Natural das Dunas de S. Jacinto, em Aveiro. Mas o que é mesmo gratificante para nós é perceber que, mesmo antes de lançadas, todas aquelas sementes já germinaram e vão produzir frutos! Germinaram na mente das dezenas de crianças que participaram! Pois, quem faz e lança as tais "bombas de sementes" aprendeu o essencial: O futuro está nas nossas mãos! Um grande Obrigado a todos aqueles que, em Aveiro, dinamizaram esta iniciativa. É um privilégio colaborar convosco!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Lirium: desenhar Hortas e jardins com flora autóctone!


No Inicio de Outono e ainda a beneficiar de um prolongamento do Verão esta é a altura ideal para trabalhos de maior profundidade seja na horta seja no Jardim. A utilização das espécies autóctones em qualquer dos sítios é felizmente uma realidade que tem cada vez mais visibilidade, mas para muitos o difícil é desenhar esses espaços e escolher as espécies que melhor se adaptam ás características de cada espaço. Variáveis como o tipo de solo, a exposição solar, o efeito pretendido e o tipo de uso que se quer dar são sempre aspectos a ter em conta para que os resultados sejam mais gratificantes.

Em projectos de maior dimensão um bom projecto de arquitectura paisagista é essencial, mas em projectos e espaços de menor dimensão existem felizmente cada vez mais profissionais a ajudar nessa missão. Na região centro, e mais concretamente no Oeste - região de Alcobaça, a Lirium é para nós o projecto que melhor materializa a utilização de flora autóctone em espaços sustentáveis e que são feitos para serem usufruídos!

Como escrevemos AQUI há cerca de 3 anos, visitar o espaço da Lirium é a prova de que é possível, sem excessos e sem fundamentalismos, criar a mistura perfeita de horta e jardim ou, se preferirem de Hortins! 

"Espaços que têm que tem legumes e hortaliças das mais diversas, mas onde  também lá estão verbascos, scabiosas, dedaleiras, malvas, alcachofras e salgueirinhas só para referir algumas. Assim como inumeras plantas aromáticas e medicinais. O resultado está á vista e é a prova inequívoca de que sim, é possível ter um espaço onde se podem produzir alimentos felizes em perfeita sintonia estética com espécies mais ornamentais ou encarregues de outras funções, como as de afastar os insectos nocivos ou atrair os benéficos."

Na realidade nós, que até conhecemos um pouco o que se vai fazendo nesta área em Portugal, achamos que há muito poucas pessoas a fazer todos os dias um trabalho como aquele que é feito pelo Ricardo e pela Lirium. Mas sobretudo para quem habita na região Centro, a hipótese de contratar a ajuda especializada deve ser considerada uma prioridade a ter em conta. Seja na concepção, seja na execução, seja mesmo no fornecimento de plantas a Lirium pode fornecer uma preciosa ajuda para que mais depressa melhores resultados sejam obtidos!

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Floresta Comum - Há sete anos a criar bosques



O Projecto Floresta-Comum, liderado pela Quercus em parceria com o ICNF e a UTAD, dedica-se desde 2010 a criar bosques autóctones. Desde o seu início já foram plantadas perto de 650.000 árvores de 60 espécies nativas diferentes em cerca de 168 concelhos do nosso país.

A nova fase de candidaturas a plantas do projecto Floresta Comum está aberta desde 28 de Julho e prolonga-se até 29 de Setembro, podendo  candidatar-se as autarquias ou outras entidades públicas bem comos órgãos gestores de baldios. As plantas estarão disponíveis para a próxima época de (re)arborização, de novembro de 2017 a fevereiro de 2018.

Sabendo nós que muitas autarquias são cada vez mais sensíveis ás iniciativas da dita sociedade civil esta é uma excelente oportunidade para que grupos de cidadãos promovam localmente a criação de espaços mais bio-diversos.
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Será uma gota no imenso mar da dita "floresta" de produção!?! Muito possivelmente. Mas há mares que se fazem de muitas gotas!

Mais informações sobre a fase de candidaturas AQUI.

terça-feira, 13 de junho de 2017

Plantas do Estio Algarvio

Plantas em flor no início do Verão Algarvio, Horta da Lapa- Algoz, Algarve

Há pouco mais de uma semana fizemos referência aos benefícios do clima atlântico que caracteriza a região do Porto e que lhe permite dispor de jardins e espaços verdes de causar alguma inveja.

Mas o facto é que a maior parte do país não goza de tanta chuva, enquadrando-se no que se convencionou chamar de clima mediterânico, com uma estação seca é severa e prolongada. E pretender ter aí os jardins que se vêm no Porto, ou em Inglaterra, é evidentemente, pouco aconselhado. Em vez de espaços de fruição o máximo que se consegue são sorvedouros de água.

O Algarve - essa região que bem vista com atenção é seguramente o segundo reino maravilhoso de que dispomos no nosso território, é a nossa região de clima de tipo mediterrânico por excelência: a uma semana do início oficial do Verão, há pelo menos 15 dias que ele na realidade já por aqui se instalou, com as searas já maduras e os serros a caminharem para a secura.

Porém, contrariamente ao que se possa pensar, há ainda muita cor que poderá inspirar outras jardinagens que se queiram libertar do "tem que ser assim" e pretendam construir  espaços mais consentâneos com as características do solo e clima da região. 

Nessa jardinagem, que acontecerá inexoravelmente, são muitas as espécies endógenas da flora Algarvia que se poderá escolher. Mas há quatro que serão de certeza incontornáveis: O tomilho-de-creta (Thymbra capitata), a perpétua-das-areias (Helichrysum stoechas), o fel-daTerra (Centaurium erythraea) e os suspiros-dos-montes (lomelosia simplex).

Quem achar que são outras as cores que os ocres do Algarve pedem, que se chegue à frente!


sexta-feira, 2 de junho de 2017

Serralves em Festa


Pelo menos em matéria de jardins e espaços verdes, sempre que se regressa a Portugal oriundos de Inglaterra é de todo recomendado que se faça um estágio de aclimatação antes de entrar na realidade do nosso dia-a-dia. Assim como que de uma câmara hiperbárica se tratasse, mas ao contrário, porque neste caso o objectivo é o de permitir que os olhos se habituem a "pressões atmosféricas" mais cruas.

E no caso do nosso país, o melhor sítio por onde se deve começar a submergir é pelo Porto. É um facto que a região tem um clima atlântico, mais próximo do das ilhas britânicas, mas também é verdade que a cidade tem sabido aproveitar o facto e é, de longe, a cidade portuguesa com melhores jardins e espaços verdes do nosso país.

Certo que sempre com muita coisa para melhorar, mas o que já existe é muito bom e  não envergonha ninguém. Pelo contrário, com Serralves à cabeça, o Porto tem já diversos espaços e iniciativas que o colocam no capítulo do que de bom pode e deve ser feito.

Serralves é para nós o JARDIM que temos em Portugal, com muito poucos a conseguirem ombrear com o seu desenho, dimensão e diversidade. Há sempre motivos para ir a Serralves e este fim-de-semana decorre um dos eventos que justificadamente mais pessoas atrai: Serrlaves em Festa, o mesmo é dizer 50 horas non-stop de exposições, espectáculos de música, dança, workshops e dezenas de eventos, conforme pode ser consultado no programa, AQUI.

Nós também lá iremos estar e é possível encontrar as nossas sementes na caixa-expositora disponível na loja do Museu de Serralves!

sexta-feira, 26 de maio de 2017

Chelsea Flower Show 2017


O que é que um dos maiores eventos dedicado à jardinagem do mundo, realizado em Londres, tem a ver com um projecto focado na flora silvestre de Portugal? À primeira vista pouco terá em comum, porém, a ortodoxia nunca foi o nosso forte e ter tido a oportunidade de o visitar além de um privilégio é a janela que também gostaríamos de manter aberta de par em par.

Mas, mais do que um gosto, é um traço essencial para a identidade do que pretendemos fazer. Sendo insuspeitos sobre o muito que apreciamos no nosso país, o pior que nos podia acontecer seria cair no erro de pretender que nada de melhor existe fora de portas ! E numa altura em que o discurso vigente é o de nos convencer a todos de que somos incríveis e a um passo de tudo ser declarado património da humanidade, é de elementar higiene verificar o que afinal se faz la fora.

E FAZ SE MUITO!! Inglaterra, ou o Reino Unido se preferirmos, têm uma longa tradição em matéria de jardinagem. É um facto que o seu clima ajuda e também é um facto de que se trata de uma sociedade rica que tem recursos para dedicar ao tema. Mas só isso não explica a verdadeira obecessão que os ingleses têm com os seus jardins. Este povo persegue a Beleza e ama verdadeiramente a Natureza e de forma muito consistente há pelo menos 300 anos. Visitá-los não é motivo de inveja e apenas pode servir de inspiração!

O RHS Chelsea Flower Show 2017, que decorre esta semana no bairro de Chelsea, é indiscutivelmente um dos pontos altos para os amantes de jardins de todo o Mundo. Atrai centenas de milhares de visitantes e de profisisonais em busca do que de melhor se está a fazer neste momento nesta área. E não são só Flores o que se pode ver por lá. São dezenas de stands de tudo o que possamos imaginar como estando relacionado com a jardinagem: mobiliário de Jardim, casas especializadas em utensílios, iluminação, rega, pergolas, estufas, toda a espécie de artesanato em madeira e metal. São dezenas de ideias para que qualquer um possa fazer do seu jardim o paraíso merecido!

Se não é difícil ficar com surpreendido com a diversidade menos ainda é ficar boquiaberto com a verdadeira sofisticação que em matéria de arte para jardins se pode alcançar. São inúmeros os escultores, artistas plásticos e instaladores de trabalhos em pedra, metal e madeira, com identidades e técnicas muito diversificadas, de largas milhares de libras, que acrescentam o remate final de beleza que muitos estão dispostos a pagar.

Em matéria de flores e jardinagem propriamente dita, poderemos, de forma resumida, dizer que são duas as principais áreas de interesse: O grande pavilhão Central, onde viveiros especializados de todo o Reino Unido exibem o melhor da sua produção, e os diferentes jardins, instalados ao longo das últimas semanas e que "transplantam" para o espaço da exposição jardins completos. Este anos eram 22 em diferentes categorias a concurso.


Visitar o Pavilhão central não é definitivamente para cardíacos! O nível de sofisticação que muitos produtores alcançam - e existem especialistas em todos os géneros usualmente utilizados em jardinagem: desde orquídeas, rosas, tulipas, dálias, vegetação aquatica, acers, peónias, entre muitos outros, é do melhor que se alcançou até ao momento. É o reino dasovas variedades apuradas, cultivares e híbridos que competem pelas cores e formas mais inesperadas. Não é naturalmente a nossa áreas preferida, mas não deixa de ser interessante observar a inexistência de limites nesta matéria. Um aspecto interessante é observar como alguns espécies silvestres de todo o mundo estão a captar um interesse crescente.  compreensível regresso ao "simples" depois dos excessos.

Por fim, a secção que afinal mais motivou a nossa visita a este Chelsea Flower Show. Os jardins instalados ao longo das últimas semanas por equipas de dezenas de pessoas que tiveram a missão de garantir que tudo estaria apresentável (vivo!) nesta semana.

Neste particular a sofisticação é igualmente grande. São em regra projectos apenas exequíveis com o patrocínio de grandes empresas que dispensam orçamentos generosos para que designers de jardins e arquitectos paisagistas concebam espaços inspiradores das novas tendências em matéria de jardinagem.  Sem nos demoraremos nos 22 jardins em concurso,  é visível a influência que a flora silvestre e os diferentes ecossistemas têm no desenho de jardins que se querem cada vem mais sustentáveis, povoados de outras formas de vida e adaptados às condições de solo e clima de cada lugar .  Esta tendência esta bem patente nos jardins de Yorkshire ou do Wellington´s college, mas os holofotes deste ano foram todos para um jardim de flora mediterrânica.


Desenhado pelo designer James Basson, o melhor jardim do certame replica uma antiga pedreira de calcário, abandonada, de Malta e lembra a extrema vulnerabilidade dos ecossistemas daquela ilha. A flora utilizada, toda nativa, não nos poderia fazer mais lembrar a nossa: Desde eufórbias, centranthus, echiums, ferulas, stipas giganteas, alfarrobeiras, entre muitas outros géneros que também ocorrem no nosso país!

E se existiam dúvidas sobre o que faríamos no melhor evento de jardinagem do mundo, o prémio deste ano dissipa-as todas, confirmando que, na dúvida, o melhor é, sempre foi e sempre será... ter as janelas abertas!

terça-feira, 23 de maio de 2017

Regressar a casa em Londres


Se em Paris, no meio de tanta abundância de jardins e espaços verdes, não temos duvidas em sugerir o Jardin Alpin como sendo o nosso preferido, em Londres o problema do excesso de oferta também se resolve facilmente: a pérola dos jardins de Londres, de visita obrigatória,  é o Chelsea Phisic Garden.

Na realidade mais do que um jardim -  é o segundo jardim botânico mais antigo de Inglaterra, a seguir ao de Oxford, é, de certa forma,  "o espaço fundador" de toda a tradição britânica em matéria de botânica e jardinagem desde que em 1673 a sociedade dos boticários/farmaçêuticos de Londres estabeleceu um jardim inteiramente dedicado ao estudo das propriedades medicinais das plantas.

Sendo reconhecida a importância que teve na disseminação do estudo da botânica por toda a Europa - a titulo de referência, Lineu, considerado o pai da botânica moderna, passou por lá no início da sua carreira, a sua consistente actividade ao longo destes 350 anos bem como as suas colecções de plantas, organizadas num espaço que não chega a um hectare e meio, continuam a fazer deste jardim um dos sítios incontornáveis de Londres.

Não resistimos, porém, a partilhar o que para nós é um motivo adicional para o visitar sempre que temos a oportunidade de vir a Londres. De certa forma, o nosso interesse pela flora autóctone portuguesa foi aqui amplamente estimulado quando o visitámos a primeira vez há cerca de 15 anos. 

Na altura, como ainda hoje - embora a qualidade das fotos não o facilite, são incontáveis as espécies da flora silvestre do nosso país que aqui têm lugares de destaque: eufórbias, centranthus, iberis, Echium(s) e iris, entre muitos outros géneros. Para não referir as espécies medicinais e aromáticas mais óbvias como o alecrim, a borragem, o cardo-mariano ou o tomilho.

Daí que, numa das muitas ironias proporcionadas por essa mania deste país em ter as fronteiras abertas, o nosso projecto pode considerar-se como beneficiário directo dessa longa tradição de disseminação de conhecimento empreendida pelo  Chelsea Phisic Garden desde 1673. Ou, dito de outra forma, para nós visitá-lo é, e será sempre, uma das muitas formas de regressarmos a casa!

sábado, 20 de maio de 2017

Retemperar a auto-estima em Paris



Estes são dias em que, podendo, se deve ficar em Portugal. Caso contrário o mais certo é que não só se percam muito rapidamente os 20 cm ganhos à conta dos irmão Sobral, como a constatar que ainda nos faltam outros tantos para igualar o que de muito bom se faz noutros sítios.

É verdade que ninguém nos disse a que altura se adicionavam os tais centímetros, mas, independentemente das razões que nos levam à esquizofrenia de muito rapidamente passarmos de bestas a bestiais, sempre por obras e graças terceiras - as quais estão estudadas  e são há vários séculos conhecidas, o facto é que não há nada como respirar noutras paragens para perceber que podemos sempre ambicionar  melhor. E não será preciso inventar nada, basta copiar ou deixarmos-nos inspirar para mais tarde podermos recriar à nossa maneira.

Paris, evidentemente, dispensa qualquer apresentação e mesmo no que é particular da jardinagem e dos espaços verdes é amplamente conhecido o muito que a cidade tem para oferecer. Aos jardins formais da escola francesa de Le Notre, passando por uma rede de novos jardins em todos os quadrantes da cidade destinados ao usufruto dos cidadãos até  aos diferentes pólos do jardim botânico da Paris, que albergam mais de 15.000 espécies diferentes e diversos jardins privados dignos de visita, o difícil é sempre o que escolher para visitar.

E como a fartura é muita e de boa qualidade não haverá grandes riscos de desapontamento ou tempo perdido. Porém, a ter que partilhar uma sugestão a nossa preferência vai inquestionavelmente para o Jardin des Plantes, integrado no museu de historia natural de Paris.

Fundado em 1635 por Luis XIII que ali criou o primeiro jardim real das plantas medicinais, foi crescendo ao longo dos tempos e alberga hoje pelo menos dois espaços que são de visita obrigatória: O primeiro é a Escola Botânica, onde centenas de plantas, não só da Europa mas também de outros climas temperados, estão organizadas de forma cientifica por classes ou grandes famílias. O segundo, ao lado do primeiro, é o jardim Alpino que congrega em pouco mais de 4000 metros quadrados, mais de 2000 plantas oriundas de regiões montanhosas como os Alpes, mas também Pirenéus, Atlas, Urais e até Himalaias. Em comum têm o facto de serem provenientes de climas hostis e com pouca água e de não usarem essa dificuldade para se relaxarem em matéria de beleza.

Qualquer um dos espaços justifica por si só diversos textos, mas a ideia deste, mais do que descrever à exaustão o que lá se pode ver, é mesmo o de estimular a sua visita, a qual seguramente preencherá pelo menos uma manhã bem passada!

No caso do Jardim Alpino, que tem a sua actual forma desde 1930, e que para nós é a jóia da coroa, além da inequívoca beleza, interessa observar a incrível variedade de espécies que no mesmo género pode ocorrer ao longo de toda a Europa ou, por exemplo, de todo o mediterrâneo. Géneros que possuem espécies endémicas em Portugal e outras completamente diferentes no outro extremo geográfico. 

Como toda a gente sabe por estes dias, as espécies que ocorrem em Portugal são muito boas, as melhores das melhores. Mas há outros verbascos, outras abróteas, outros hipericões e outros cistus. Salvias, papoilas e alhos estranhos. Gerânios e giestas de outros portes. Cores e formas completamente diferentes num festival de diversidade que faz deste pequeno jardim, de pouco mais de 4000 metros quadrados, no centro de Paris, possivelmente o jardim mais cosmopolita da cidade.

Um cosmopolitismo que em 1930 deve ter sido de um grande atrevimento. Certamente só possível por ainda não se terem descoberto maquinas de inventariação genética: Misturar no mesmo espaço espécies que evoluíram separadamente, correndo severos riscos de promover  uma insuportável miscigenação das mesmas, perdendo purezas genéticas preciosas, é algo que ainda hoje em dia nos deixa, a nós e a muita gente, os cabelos em pé e à beira de justificada ansiedade!




quarta-feira, 3 de maio de 2017

O encanto das plantas autóctones na revista Jardins


Se há mês em que não qualquer dúvida sobre o potencial ornamental da nossa flora autóctone, esse é o mês de Maio! Basta sair dos aglomerados urbanos, evitar as extensões de monocultura florestal, e deixarmos-nos inspirar pelas paisagens desenhadas pela Natureza.

E em boa altura a Revista Jardins, com quem tivemos o privilégio de colaborar na edição de Outubro de 2006, colocou agora On-line o artigo que escrevemos a propósito do potencial da nossa flora nos jardins mas também noutras vertentes.

Para quem não teve oportunidade de ler a Revista de Outubro AQUI podem encontrar uma síntese do mesmo! Se servir de inspiração a algum leitor para melhor usufruir o mês de Maio... Perfeito!

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sigmetum - O viveiro das plantas autóctones


Quem nos acompanha desde o início do nosso projecto sabe da nossa ligação e colaboração com a Sigmetum, pelo que o que vamos dizer a seguir não é nem novo nem estranho. Mas para os muitos que só mais recentemente nos conhecem, gostaríamos de partilhar o que para nós é um viveiro de plantas, como todos deveriam ser!

É um facto que o nosso país tem mais garden-centers que revendem plantas importadas do que propriamente viveiros com produção nacional, mas daí a pensar que nada se faz e que o que é bom só lá fora vai um passo demasiado largo. A verdade é que também temos projectos de topo ao nível do que melhor se faz no mundo e a Sigmetum é um desses projectos.

Localizada no perímetro da tapada da Ajuda - ISA - Instituto Superior de Agronomia, a Sigmetum é a único empresa que existe no nosso país  que está especializada em plantas autóctones. Direccionada para responder às necessidades de projectos de arquitectura paisagista e de renaturalização, a sua equipa tem apostado sistematicamente na produção de espécies que atá aqui era impossível encontrar no mercado. 

E, para nossa grande satisfação, algumas dessas espécies estão a ser produzidas a partir de sementes por nós fornecidas. Os Rosmaninho-verde (Lavandula viridis), os Samoucos (Myrica faya), os Alfinetes (Centhrantus ruber)  ou as euforbias (Euphorbia segetalis) são algumas delas.

Uma boa parte da razão de ser do nosso projecto é estimular qualquer pessoa a germinar as suas próprias sementes. Mas para todos aqueles que, por uma razão ou por outra, ainda o não pretendem fazer, é hoje perfeitamente possível utilizar plantas nativas já prontas a ir para a terra.

A Sigmetum está aberta ao público em geral todas as quartas-feiras de manhã e visitar o seu viveiro é no mínimo um excelente passeio. A começar pelo facto de se situar num dos espaços mais incríveis e desconhecidos de Lisboa - uma tapada com mais de 100 hectares, em pelo centro da cidade, que se desenvolve em anfiteatro com vistas para o Tejo. Onde, além de bosques e campos de cultivo se podem ver garranos e o magnifico centro de exposições do rei D. Carlos, só para dar alguns exemplos das muitas coisas boas que por lá se podem observar!

Nota - Para entrar de carro no espaço do ISA - Instituto Superior de Agronomia/Tapada da Ajuda,  o que se recomenda dada a dimensão, paga-se 1,5 Euros, um valor simbólico, que a equipa da Sigmetum deduz depois no valor das compras.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Cacela Velha, um Jardim autóctone e o Dia Internacional da Mulher


Se há meses em que não partilhamos mais do que uma publicação, também há dias em que temos muita e boa matéria para escrever várias. Hoje é um desses dias. Depois de um jardim autóctone em Silves, partilhamos um Jardim representativo da Flora do Algarve que tivemos o privilégio de visitar no passado Domingo.

Cacela-Velha, pendurada sobre a Ria Formosa, no concelho de Vila Real de Santo António, deveria dispensar apresentações. É um daqueles locais mais preservados pelo abandono, pelos regulamentos de protecção do parque natural e recente crise imobiliária do que propriamente por uma vontade clara e estratégica dos homens de fazer daquele lugar o sitio glorioso que realmente é.

Dir-nos-ão que assim, com um aspecto negligé, Cacela-velha ainda tem mais charme. Eventualmente. Mas é preciso ter os olhos muito rasteiros para não perceber o que aquele pedaço de terra poderia ser se fosse mais amado. Se aquela ribeira, hoje infestada de canas, e aquelas margens que desaguam na ria, cobertas por um incrível piornal fossem realmente valorizadas. Cacela poderia tornar-se o ex-libris do Sotavento Algarvio. Arriscamos mesmo: Poderia ser o expoente que lavaria a honra manchada pelos muitos disparates de ordenamento do território ali cometidos no passado. E Vila Real de Santo António tem tudo para ver isto de forma muito clara.

É que não está sozinha. Tem a Associação de Defesa do Património de Cacela e uma mulher, a artista plástica Teresa Patrício, que nos últimos anos já provaram o que se pode fazer quando há amor numa terra. O Jardim representativo da flora do Algarve, na várzea de Cacela, construído em terrenos que são propriedade da autarquia e que estariam condenados a serem terreiro de estacionamento nos meses de Verão, é já hoje um excelente espaço de fruição de Cacela e da flora silvestre que por ali ocorre. Merece ser visitado e sobretudo merece ser acarinhado e feito crescer.

Como referíamos acima, ao lado do jardim e no alcance das suas vistas estende-se um dos piornais mais bonitos que conhecemos. Pontuado aqui e ali por uma das espécies arbustivas da flora algarvia mais incompreensivelmente desconhecida da jardinagem da região: O anágiris -  Anagyris foetida, uma espécie leguminosa cujo máximo de floração ocorre no Inverno. 

A Teresa Patrício é para nós a guardiã deste jardim representativo e em Dia Internacional da Mulher, que hoje se comemora, materializamos nela a nossa homenagem a todas as mulheres! E o nosso Obrigado. A si e a tantas outras mulheres que por todo o mundo se dedicam em inúmeros projectos e causas a fazer da nossa casa-comum um sítio melhor para todos. Como as mais de 350 que nos últimos 15 anos foram homenageadas pela Fundação Yves Rocher com o prémio Terre des Femmes, e que há dois anos premiou a nossa conterrânea Milene de Matos e o seu projecto de preservação da Mata do Buçaco

Que nesta terra não existam pessoas a quem esteja vedado desenvolver o seu potencial pelo facto  de serem mulheres são, também, óbvia  e evidentemente, os nossos votos!

Um jardim autóctone em Silves


Como bem lembra um popular ditado indiano, "Pão comido é o primeiro a ser esquecido" e também nós, apenas quatro dias depois da feira de jardinagem na Quinta da figueirinha, em Silves, já corríamos o risco de não partilhar algumas das imagens do dia de Sábado.

O que seria evidentemente um egoísmo, para além de um erro. Num fim de semana que se previa chuvoso e cinzento, a feira de jardinagem foi presenteada com um magnifico dia de sol que, juntamente com a boa afluência de visitantes, fez desta edição mais uma excelente oportunidade para todos aqueles que se dedicam à jardinagem e à horticultura.

Para nós um dos momentos mais relevantes foi como é claro a inauguração do jardim autóctone do barrocal algarvio. Situado no topo de uma das colinas da Quinta da Figueirinha este espaço é o resultado do trabalho e empenho dos membros da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal que de forma totalmente voluntária provam que um jardim pode ser atractivo e aprazível apenas com o recurso à flora silvestre da região. 

A localização, o sistema de vistas sobre a propriedade - a Quinta da figueirinha, e o bom desenho dos caminhos garantem que este será um excelente jardim a visitar nos próximos anos, à medida que for amadurecendo e consolidando-se!

Para terminar partilhamos algumas fotos da flora silvestre que no Algarve já anunciam de forma exuberante que ali a Primavera chega sempre mais cedo. Cerros cobertos do amarelo das pascoinhas (Coronilla glauca) e das chuvadas brancas dos Piornos em máximo de floração (Retama monoesperma) já se vislumbram por todo o lado. Mas é nos pequenos detalhes e junto aos pés que estão já a florir algumas das espécies mais interessantes: Da esquerda para a direita: em tons rosa, as cornucopias, ou alfaces-de-argel, Fedia cornucopiae; em azul-lilaz os maios-pequenos, ou pés-de-burro, Gynandriris sisyrinchium; e de branco os narcisos-de-inverno, Narcissus papyraceus.



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Feira de Jardinagem de Primavera




Vai decorrer já no próximo fim de semana, Sábado dia 4 de Março, entre as 11.00 e as 16.00, em Silves na Quinta da Figueirinha, a Feira de Jardinagem de Primavera da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal, este ano dedicada  ao tema dos Jardins comestíveis.

No nosso país existem tão poucas feiras de jardinagem que qualquer uma merece ser destacada, mas esta, à semelhança de todas as anteriores edições, apresenta motivos acrescidos para ser visitada.

Desde logo por se realizar na Quinta da Figueirinha, um quinta de agricultura biológica e espaço de Turismo Rural que os seus proprietários,  Gerhard Zabel and Uta Zabel, têm vindo a fazer crescer desde 1988 e que além de pomares conta com diversos jardins temáticos.

Esta edição de Primavera terá a presença de 11 viveiristas, 6 dos quais novos, e tem previstas diversas palestras das quais destacamos a de Jean-Paul Brigand sobre fruteiras e a de Fernanda Botelho  sobre Ervas aromáticas e medicinais do nosso país, 

Um outro momento alto será certamente a inauguração do jardim botânico de flora autóctone do Barrocal Algarvio, o qual tem ocupado intensamente a Associação nos últimos meses. Na proxima semana contamos partilhar detalhes sobre este projecto!

Por fim a referência que as nossas sementes estarão disponíveis, a preços especiais de feira, como habitualmente na banca dos livros da MGA.

O programa completo pode ser consultado AQUI e a forma de lá chegar AQUI.

terça-feira, 26 de julho de 2016

Planta Lourinhã!



Tão simples quanto isto. Basta enviar até dia 31 de Julho um SMS gratuito para o 4343 com a frase: OPL24 [nº de identidade] [data de nascimento AAAAMMDD] e estamos logo a contribuir para que a flora autóctone prospere no concelho a Lourinhã!

No âmbito do Orçamento Participativo promovido pela autarquia da Lourinhã, uma das propostas a votação é precisamente a de criar um viveiro de  plantas florestais autóctones de Portugal para reflorestação das zonas naturais no concelho (florestas, bosques e matos, entre outros). A iniciativa é liderada pela Vera Ventura uma bióloga com ampla experiência na flora do nosso país, o que nos dá garantias acrescidas de que o projecto pode mesmo chegar a bom porto!

À parte os dinossauros (!) e algumas praias de merecida boa fama a Lourinhã não é propriamente conhecida pelos valores naturais. O que se só se pode explicar por desconhecimento. Além de uma linha de costa bem preservada conta com vários afloramentos calcários cobertos por um bem preservado matagal mediterrânico.

A ideia do Plantar Lourinhã é contribuir para a preservação do património que já existe mas sobretudo contribuir para alargar a sua implantação. Seja na recuperação de espaços e solos - o que é vital considerando a rapidíssima expansão do Eucalipto a que se assiste, mas também na promoção da utilização da flora autóctone nos jardins e espaços públicos.

Se esta proposta ganhar a maioria dos votos na sua categoria, a Lourinhã, já bem conhecida pela inteligente valorização dos achados relacionados com os dinossauros, poderá muito bem também passar a ser conhecida pelo primeiro município da Região Oeste que possui uma estratégia politicamente assumida pela autarquia Local de valorização da sua vegetação autóctone. O que é igualmente inteligente!

A iniciativa Orçamento Participativo da Lourinhã está aberta a todos os cidadão nacionais, pelo que qualquer um que ler esta mensagem pode contribuir para que este viveiro se torne realidade.Mais informações podem ser obtidas AQUI e AQUI!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Saída de Campo - Matos e Matagais Mediterranicos


Algumas imagens da saída de campo que fizemos com a  Lirium​ no passado Domingo, dia 15, pelo vale do Rio Galvão, em Reguengo Grande- Lourinhã. À beira do Atlântico um afloramento calcário com vegetação mediterrânica intacta e um percurso excepcional do princípio ao fim, carregado de sinais de uma ancestral humanização. Tudo a 5 minutos de uma saída da A8 e a provar que não raras vezes o paraíso fica mesmo aqui ao lado!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Saída de Campo - Matos e Matagais Mediterranicos



No próximo Domingo, dia 15, iremos associar-nos à Lirium e participar em mais uma das suas saídas de campo que este ano têm tido um especial enfoque nos matos e matagais mediterrânicos da zona oeste. 

Desta vez a saída irá desenrola-se nas margens do rio Galvão e dos campos próximos de Reguengo Grande - Pó no concelho do Bombarral localidades tendo como cenário uma paisagem de vegetação mediterrânica sabiamente humanizada pelo Homem ao longo dos séculos. Serão 3 a 4 horas, por entre prados, azenhas, pontes romanas, ruínas e quedas de água num percurso circular de cerca de 6 quilómetros em que teremos oportunidade de apontar as nossas máquinas fotográficas às espécies mais emblemáticas deste tipo de Ecossistema.

Sendo nós evidentemente suspeitos, não podemos deixar de referir que no nosso país há poucas saídas de campo como as organizadas pela Lirium! É que não são as tradicionais caminhadas para estafar quem nelas participa! Pelo contrário, são  percursos para usufrir de facto e com uma especial atenção na compreensão  da flora, fauna, aspectos geológicos e humanos que nos for dado observar.

Durante o percurso será ainda dada uma especial atenção à identificação de árvores, arbustos e coberto vegetal, bem como das plantas aromáticas, medicinais e comestíveis, que formos encontrando!

Sendo certo que o mau tempo desta semana tem fim garantido até Sábado, esta é pois uma excelente oportunidade para quem está por perto da zona Oeste para retomar as sensações da Primavera. Para mais informações, condiçoes e confirmações basta ir ao site da Lirium (https://liriumaromaticas.blogspot.pt/p/saidas-de-campo-as-saidas-de-campo.html) ou contactar directamente com o Ricardo - 964476331.

segunda-feira, 25 de abril de 2016

No dia da Liberdade: Jardins sem sistemas de rega



Este ano, numa simbólica e feliz coincidência, comemoramos o nosso Dia da Liberdade a "resumir" o que de mais marcante aconteceu na conferência de Primavera da Associação de Jardins e Plantas em climas Mediterranicos, realizada este fim de semana em Lagos.

É possível que para muitos que lêem estas palavras o tema da jardinagem e dos espaços verdes criados pelo Homem, seja, à partida, um tema acessório, pouco relevante e nada prioritário no meio das tantas urgências que nos assolam. Mas quem nos segue há mais algum tempo sabe com segurança qual é a visão que partilhamos sobre o tema: Um JARDIM é e será sempre uma das melhores sínteses civilizacionais que poderemos mostrar a alguém. Que é reveladora da forma como um povo quer e consegue viver em sociedade e com os elementos que lhe foram oferecidos.

Uma vez aceite isto, as questões que se colocam são essencialmente práticas e de como passar à acção fazendo uso dos mais diversos conhecimentos, detidos por investigadores, biólogos, arquitectos, botânicos, viveiristas e jardineiros, na construção desses novos e renovados espaços de lazer e fruição. Ousando e, sobretudo, desafiando o medo. É que também neste tema, aparentemente tão circunscrito, faz todo o sentido celebrar a que possivelmente é a mais sólida conquista do dia que hoje comemoramos: O direito a perder o medo, a arriscar e a deixar as grilhetas do "sempre foi assim, para quê mudar".

Expectavelmente, das diferentes palestras destacamos duas: a de Olivier Filippi (AQUI)e a de Miguel Coelho de Sousa (AQUI). O primeiro que, numa vibrante apresentação, partilhou a sua visão para uma nova geração de jardins para a região mediterrânica e que se propõe criar algo que nunca existiu antes, tirando partido da incrível bio-diversidade da nossa região. O segundo, a demonstrar nos seus últimos projectos que também nesta área Portugal dispõem de profissionais que estão a ousar, a reflectir e a trabalhar sem medo.

A expressão "Jardim Seco" não é na nossa perspectiva a tradução mais feliz. Na realidade o que estamos a falar é de Jardins sem "complexos e onerosos" sistemas de rega, e desenhados tendo em atenção as condições particulares do espaço, solo e clima. Não são secos. São verdes, plenos de cor e vida. Espaços de fruição para nós e para um sem número de outras formas de vida que farão dos nossos jardins espaços ecologicamente dinâmicos e mais sustentáveis. Com "novas" espécies de plantas, que na realidade não são novas e sempre estiveram ao nosso lado, como vimos nas duas saídas de campo na praia da Amoreira (Aljezur) e no Cabo de S. Vicente (Sagres). Com mais humildade, pois algures ao longo do ano saberemos conviver com menos verde e mais secura. Com mais economia de recursos, de energia e de água.

Para terminar deixamos duas sínteses de fotos dos inspiradores percursos que ao longo do fim-de-semana tivemos o privilégio de fazer, conduzidos pelo biólogo Udo Schwarzer e pela Arquitecta Paisagista  Claudia Schwarzer (praia da Amoreira) e pela guia de Natureza Carla Cabrita (Arribas do Cabo de S. Vicente):


À APPJCM e em particular ao Rob e e à Rosie Pad, o nosso obrigado e os parabéns pela forma excepcional de como decorreu a conferência.

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Conferência de Primavera 2016 - Mediterranean Gardening Association Portugal


Dentro de 15 dias a Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos, realizará a sua  5ª conferência de Primavera, este ano a decorrer em Lagos entre os dias 22 e 25 de Abril.  Se a do ano passado, a que tivemos o privilégio de assistir, foi excelente a deste ano promete mesmo ser excepcional.

Serão três dias dedicados ao tema dos jardins secos na região mediterrânica bem como às tendências mais actuais relativas ao uso de plantas nativas numa jardinagem mais sustentável. O programa completo pode ser encontrado AQUI. Serão várias as palestras dadas por especialistas nacionais e estrangeiros, qualquer uma delas de qualidade garantida. Para aguçar a curiosidade e apenas a titulo de exemplo referimos: O Eng. Paulo Palha, que partilhará a sua experiência na construção de coberturas verdes ou O Dr Ken Thompson, da Universidade de Sheffield, cuja palestra será dedicada ao solo. Só estas já justificam lá estar, mas há mais !

Entre elas uma com Olivier Fillipi que é tão só e apenas um dos arquitectos paisagísticos europeus mais proeminentes e inspiradores da actualidade.  O seu livro " The Dry Gardening Handbook: Plants and Practices for a Changing Climate" de 2008 é hoje uma obra de referência e o seu site (AQUI)uma verdadeira fonte de esperança. A sua palestra terá por tema "Dry gardening: a new inspiration for gardeners in the Mediterranean region”. Por fim de salientar que durante a conferência será apresentado em Portugal o seu novo livro,  "Alternativas aos relvados",versão inglesa.

Uma nota final por fim para a grande maleabilidade da organização. Não é necessário reservar o programa completo podendo escolher-se uma ou duas palestras, participar em apenas um dos dias, com ou sem refeições, com ou sem visitas guiadas. Basta entrar em contacto e ajustar com a organização a opção que melhor convém a cada um dos interessados! Pela nossa experiência pessoal do ano passado, uma coisa é certa e garantida. Todos são genuinamente bem acolhidos pela APJCM!!

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Plantas e flores do fim do mundo


Vai-se a Sagres e ao Cabo de S. Vicente e, mesmo que não se tenha ali ido com essa intenção, percebe-se que se está em peregrinação. 

Muitos vão lá hoje porque algures no tempo nos coube o mérito de transformar aquele ponto de chegada num incrível ponto de partida. Mas, apesar disso, Sagres e o Cabo de S. Vicente serão sempre um ponto de chegada. Um fim-do-mundo. 

Um dos muitos fins-do-mundo que existem pelo mundo e que há milénios nós escolhemos para nos relacionarmos com o invisível. Os promontórios, os abismos em que a terra acaba, um mar que nao tem fim à vista e percebemos logo que aquela terra não pode ser só nossa. Apenas nos coube em sorte o privilégio de a administrar. Todos os que andam pelo seu pé, pelo menos uma vez na vida, têm o direito de também ali chegar.

Porém, Sagres e o cabo de S. vicente não são só especiais pela sua particular geografia de serem os pontos mais a Sudoeste da Europa. Os Habitats diversos, de sapais, falésias, rios, dunas, matagais e bosques mediterrânicos da costa vicentina fazem desta região um património único que se pode gabar de albergar o número mais significativo de endemismos exclusivos como o Cistus ladanifer subsp sulcatus ou  o Teucrium vicentinum, para citar apenas alguns exemplos.

Mas os endemismos são apenas a cereja no topo-do-bolo para quem visita este territorio. A multiplicidade de paisagens naturais e humanizadas; as perto de 1000 espécies que aqui ocorrem e o facto reconhecido de esta ser uma das linhas de costa mais bem preservadas da Europa, fazem desta região de Portugal um spot incontornável a visitar e usufruir sempre que se puder.

Claro que se pode sempre deambular sem um roteiro prévio e simplesmente absorver o muito que os sentidos têm para captar, mas se levarmos algumas ajudas é garantido o benefício. O livro 200 Plantas do SW Alentejano& Costa Vicentina, lançado esta Primavera e resultado da iniciativa das guias de Natureza Ana Simões e Ana Cabrita, é uma dessas ajudas. 

São 200 plantas, das mais de 1000 que ali ocorrem, e que são o degrau que faltava para que leigos e curiosos, simples amantes do que os rodeia, começem a descortinar uma parte do que observam. Só por isso, pela possibilidade nos ajudar a dar nomes ás coisas, já vale a pena ter este guia! 

O facto de ser resultado do esforço árduo de duas pessoas que não sendo botânicas de formação nao se negaram a aprofundar e partilhar o que sabiam, de todos os textos serem bilingues (português-Inglês), de ter um grafismo exemplar e de ser de muito fácil leitura, são simplesmente motivos adicionais para adquirir o guia! E que nos fazem desejar que esta iniciativa possa ser inspiradora noutras regiões do país!