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domingo, 9 de abril de 2017

Domingo de Ramos 2017


A primeira quinzena de Abril é regra geral uma boa semana para jardinar, mas  quando a mesma coincide com a Páscoa e se tem a sorte de ter uma semana de férias, então é certo e garantido que se terá uma semana perfeita!

Em sentido lato, ocuparmos-nos dos jardim, de plantas ou de flores vai muito além das opções eminentemente estéticas. Não é obrigatório, mas se não tivermos dificuldade em perceber o valor simbólico de quase tudo o que nos rodeia, então o exercício sai claramente beneficiado.

Vem isto a propósito de hoje ser o Domingo de Ramos, uma data especial para todos os cristãos e que marca o início da semana-santa e das celebrações pascais que culminarão no próximo Domingo de Páscoa. É verdade que para alguns isto é tema que só interessa a católicos praticantes, porém mesmo que nos tenhamos expurgado de todas as práticas, continua a existir em nós, enquanto sociedade de matriz judaico-cristã, uma dimensão espiritual que é inerente à nossa própria humanidade.

O Domingo de Ramos, a par do Dia das Maias e do Dia da Espiga, é um desses dias que gostamos de assinalar. Por fazerem parte do nosso património imaterial mas sobretudo pelo seu forte e perfeitamente actual simbolismo. Como referimos AQUI, há cerca de dois anos, assinala a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, recebido por uma multidão em euforia que o acolheu como um rei, com palmas e ramos de oliveira. Os trágicos eventos que se seguiram a esta festiva recepção são conhecidos de todos nós e mudaram irreversivelmente o curso da historia da humanidade nos 2000 anos seguintes e demonstram que naquela altura, como agora,  se pode passar de bestial a besta com sem grande dificuldade. Alguns dias mais tarde e devidamente manipulada, a mesma multidão que o acompanhou pelas ruas em festa, exigiu sem qualquer dúvida a sua crucificação!

Qualquer semelhança com os dias de hoje será naturalmente pura coincidência, mas  são demasiadas as leituras que podem ser recolhidos dos factos para que se deixe passar o dia em vão, apenas porque não se é católico dito praticante!

Dai que, mesmo que não se tenha intenção de participar em nenhum procissão de ramos, das muitas que hoje se realizaram por todo o país, valha sempre a pena constituir um ramo. Não há propriamente uma lista fechada de quais as espécies que o devem integrar e, além dos ramos de Oliveira, Alecrim e Rosmaninho, para nós essenciais, quaisquer outras flores podem entrar na composição e o gosto com que se fizer determina que fique abençoado. Neste juntámos tremoço-amarelo (Lupinus luteus), bocas-de-lobo (Antirrhinum cirrhigerum) cristas-de-galo (Gladiolus italicus) e erva-das-sete sangrias (Lithodora prostrata).

sábado, 11 de abril de 2015

As sementes de Portugal estão em Óbidos



O ideal teria sido publicar este texto logo no início da semana-santa e a seguir ao dia de ramos, mas o tempo, que dá para muita coisa mas não para tudo, não o permitiu. De qualquer das formas Óbidos é terra com mais atractivos para além dos que o programa de Páscoa oferece e pode ser visitada em qualquer altura, pelo que estamos sempre a tempo de referenciar que também nesta vila se podem encontrar as Sementes de Portugal.

Nem de propósito, ontem no suplemento Fugas do Público vinha um artigo sobre o facto de a CNN ter dado honras de reportagem à misteriosa e imcompreensivelmente desconhecida Região Centro, abrindo desde logo no seu início com imagens da preservada vila de Óbidos.

Nada que seja realmente novo para nós.  Como diziamos aqui, a propósito das Caldas da Rainha, esta é uma região desconhecida entre Lisboa e Porto e a partir da qual é possível ter uma grande amplitude de experièncias e paisagens humanas ou culturais. Nazaré, Alcobaça, Peniche, Leiria e Batalha são alguns dos sitios que se alcançam em menos de 30 minutos. E esta é apenas uma décima parte da dita região Centro! 

Também é verdade que Óbidos nao se pode queixar de ser uma vila desconhecida. Na realidade, hoje já beneficia de um fluxo de turistas significativo e em clara relação com o boom turistico de Lisboa que a tem como um dos destinos preferidos para as excursões de um dia em redor da capital.

Ir a Óbidos é sempre uma boa experiência. A vila esta incrivelmente bem preservada e ficamos sempre com a dúvida de como é que, no meio de tanto desordenamento territorial que se avista no país, foi possivel não estragar esta.

Corre o risco da disneyficação? Corre, é verdade. Mas também há sinais de que algumas coisas mais arejadas podem acontecer. O mercado biológico e a livraria ler devagar, a par de outras recentes iniciativas privadas , são um bom exemplo de que é possível dinamizar uma vila histórico sem que todos tenham de trajar medieval. 

Mas há detalhes que não podem ser ignorados e um dos que mais nos faz sorrir é ver os telhados e muros de Óbidos cobertos com bocas-de-lobo a prosperar. Esta espécie, provavelmente Antirrhinum cirrhigerum é, desde o início do projecto, uma das nossas preferidas (ver aqui). Não se lhe reconhecem propriedades medicinais ou usos alimentares, mas o tom rosa das suas flores e a profusão, alrgada no tempo, fazem dela uma das plantas inconternáveis a ter num jardim português. Há quem prefira os cultivares disponíveis nos hortos, de cores diversas e variadas, mas nenhum deles se aproxima  sequerdo original cujas cores são inquestionavelmente mais vibrantes.