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segunda-feira, 8 de junho de 2015

Jacarandás em flor


Numa altura em que a grande parte da nossa flora está ja ocupada a amadurecer as suas sementes e a preparar-se para resistir às temperaturas de Verão, ver um jacarandá em flor é sempre um fascínio.

Lisboa deve ser dos sítios mais a norte do planeta que os tem mais saudáveis e em maior abundância. Sim, não é autóctone, mas é impossível nao ficar rendido às suas nuvens lilales que aqui e ali se oferecem no meio da cidade. Seria um radicalismo demasiado não gostar deles só porque não são originários  do nosso território. Não eram, mas é como se já o fossem!

Desde que foi introduzida como árvore dos arruamentos públicos de Lisboa, no século XIX, nunca mais deixou de ser plantada. E bem, porque o Jacarandá é como a batata e o milho ... fez-se na América Central mas tinha vocação universal e hoje é imagem de marca de inúmeras cidades pelo mundo inteiro, de África à Àsia passando pela Europa.
Jacaranda mimosifila, Tapada da Ajuda

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Um trevo vermelho!?

Hedysarum coronarium

A primeira vez que nos deparámos com esta planta foi num dos muitos passeios que a Cristina Reboleira organiza pela zona oeste - acrescente-se, autora de um dos blogues de flora silvestre que seguimos, as minhas plantas, e a quem a génese deste projecto muito deve.

Inicialmente julgava que estava perante uma descoberta botânica na qual era o primeiro a reparar: um trevo vermelho!! Mas a Cristina refreou os ânimos. Ainda não era desta que iria latinizar o meu nome baptizando uma planta. Na realidade nem é uma herbácea nossa, mas sim trazida de outras paragens, acredita-se, por pescadores da zona Oeste. Daí que entre Peniche e S. Martinho do Porto seja possível encontrá-la em prados cobertos de vermelho onde é conhecida pela população como Sula.

A Sula, ou Hedysarum coronarium, é uma planta herbácea perene originária de países mediterrânicos como Malta, Itália, Argélia, Tunísia e Marrocos. O facto de aí ser utilizada na alimentação de animais motivou a sua vinda pois as populações locais recorrem a ela para alimentar animais domésticos.

É certo que não é uma espécie autóctone nossa mas para ela abrimos aqui uma excepção. Até porque se assilvestrou sem se tornar uma invasora. Não só é útil como forragem como apresenta três vantagens inequívocas: É muito resistente à seca; permite colorir na Primavera um pedaço do jardim com uma cor que não é muito frequente na nossa flora (imagine-se a par, por exemplo, da tremoçilha!) e é uma planta melifera: as suas flores perfumadas possuem bastante néctar  do agrado das abelhas. Aliás, nas paragens de onde é originária tem também o nome vulgar de madressilva francesa!

Mais haveria para falar desta planta que é claramente ornamental. Mas para não corrermos o risco de alguém pensar que é mais uma bizarria nossa, deixamos um link para um artigo da secção de jardinagem do Daily Telegraph. Que começa por escrever assim: Uma vez vista nunca se esquece! E é verdade. O artigo debruça-se sobre como a utilizar em jardinagem e inclui dicas de sementeira e composição. Aquihttp://www.telegraph.co.uk/gardening/howtogrow/3321418/How-to-grow-French-honeysuckle.html.

sábado, 26 de abril de 2014

Chagas

Tropaeolum majus

A nossa flora é suficientemente rica e extensa para não termos de evidenciar plantas de outras latitudes. Até porque o nosso projecto é fundamentalmente dedicado à flora autóctone portuguesa . Todavia, volta-não-volta não resistimos a abrir uma excepção e colocamos o nosso olhar em espécies que não sendo de cá se assilvestraram pelas nossas paisagens. Basta serem suficientemente belas e não constarem da lista oficial de espécies invasoras. Desta forma ajudaremos também a demarcar aqui e ali as fronteiras do que é autóctone do que não o é.

A que hoje evidenciamos e que neste mês de Abril cobre de tons de vermelho amarelo e laranja muitos taludes e terrenos abandonados, vulgarmente conhecida por chagas ou capuchinhas, é originária do Peru de onde foi trazida para a Europa no século XVI. Existem diversas espécies, além de variedades das mais diversas cores, apuradas em viveiros de toda a Europa, mas a que se encontra disseminada entre nós é a espécie Tropaelum majus.

Trata-se de uma planta anual, rasteira, que por vezes assume o comportamento de trepadeira e que normalmente tende a cobrir os solos com as suas folhas. Prefere solos bem drenados e com exposição solar para poder oferecer uma floração mais intensa e não rejeita ser viver em vaso. As flores assumem diversas matizes que vão desde o quase amarelo até ao vermelho passando pelo laranja.

Além da valia estética - até porque, que nos recordemos, não são muitas as nossas plantas que oferecem floração nestes tons, é uma planta com interesse quer medicinal quer culinário. Nesta última aplicação, as suas folhas jovens e tenras, bem como as flores podem ser utilizadas em saladas. Possuem um travo amargo/picante e, claro, são bastante decorativas.

Medicinalmente, possui elevados teores de vitamina C e ferro e possui propriedades antibióticas. Uma infusão das suas folhas e flores, como nos explica Fernanda Botelho na sua agenda de 2014, aumenta a resistência a infecções bacterianas e externamente pode ser usada para desinfectar feridas.

De referir por fim que, talvez pelas propriedades acima, as Chagas são uma boa planta para num jardim ou horta consorciar com outras plantas pois afastam afídeos e outras pragas.