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sexta-feira, 8 de março de 2019

Março - um mês com as mãos na Terra!


Março, um mês que se inicia no Inverno e termina em Primavera, é uma excelente altura para por as mão na terra. Seja para semear e fazer germinar sementes, seja para colocar plantas e árvores na terra. Na prática, um bom para voltar às hortas e jardins e preparar o tempo de usufruir uma Primavera que alongue ainda mais florida pelos meses de Maio a Julho.

E para quem tem dúvidas por onde começar, são diversos os eventos que irão ocorrer até meados de Abril e nos quais teremos o privilégio de estar presentes!


  • Feira de Jardinagem Mediterrânica em Silves - Dia 16 de Março , Sábado, estaremos na 5ª feira de jardinagem de Primavera organizada pela Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos. Este ano a Feira muda-se da quinta da Figueirinha para as instalações da FISSUL e será uma excelente oportunidade para adquirir plantas e assistir a diversas palestras. Nos iremos lá estar com as sementes das espécies mais emblemáticas que fazem parte do nosso catálogo de pacotes de flora autóctone.
  • Workshop com Noel Kingsbury, Dia 20 de Março, quarta-feira, no Jardim Botânico da Ajuda e co-organizado com a Associação dos Amigos do Jardim Botanico, dedicada ao comportamento das plantas no jardim, numa perspectiva de longo prazo. Noel Kingsbury, actualmente uma referência a nível europeu em "desenhos de plantação", é um reconhecido escritor e paisagista, é especialista em jardins do movimento "New Perennial". Conta com muitos livros editados, e é correspondente do jornal The Daily Telegraph, revista Gardens Illustrated Magazine e da revista The Garden, editada Royal Horticultural Society. Depois da Oficina haverá uma componente prática na matinha do Jardim Botânico onde os participantes plantarão espécies arbustivas autóctones. As Sementes de Portugal são parceiras deste evento e oferecerão a todos os paricipantes pacotes com sementes de algumas das espécies a utilizar como a Roselha, as Pascoinhas, a Murta ou o Piorno.
  • ExpoJardim - De 22 a 24 de Março na FIL Lisboa - Pela primeira vez a Expojardim vai até Lisboa. Serão 3 dias onde será possível  contactar como que de melhor se está a fazer nesta área no nosso país e nós também marcaremos presença em parceria com a Sigmetum, Viveiro especializado em plantas autóctones e com quem temos o privilégio de colaborar desde o início da nossa actividade. Pela primeira vez numa feira de jardinagem em Portugal o potencial ornamental e paisagístico da flora autóctone portuguesa estará presente numa feira de jardinagem!
  • Conferência de Primavera - Se os 3 eventos acima já são motivos mais do que suficientes para que Março seja um mês memorável, A Conferência de Jardinagem de Primavera que se realizará em Évora, de 5 a 7 de Abril, é a coroa de glória. Organizado uma vez mais pela  Associação de Plantas e Jardins em Climas Mediterrânicos e em parceria com a Universidade de Évora e As Sementes de Portugal, será um evento que coloca o nosso país ao nível do melhor que se faz no mundo Ocidental. Uma referência muito particular ás conferencias de Sábado, dia 6, dedicadas ao tema da paisagem mediterrânica numa jardinagem que se quer vibrante, moderna, ecologicamente mais rica e sustentável. Olivier Philippi (www.jardin-sec.com) e  James & Helen Basson (www.scapedesign.com), arquitectos paisagistas reconhecidos,  serão os oradores principais. As palestras são abertas ao público pelo que todos os interessados se poderão inscrever, mediante um pequeno valor - 20 Euros -  junto da Associação. Esta é uma oportunidade única à qual temos uma enorme satisfação de estar associados!

Estamos certos de que não há muitos anos com tantos e tão bons eventos dedicados à jardinagem. Se tivermos ajudado na sua difusão ficamos necessariamente muito contentes! A todos os votos de um bom mês com as mãos na terra!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Flores de um olival tradicional


Passado que está a maior parte do Inverno sem que nada tivéssemos publicado neste blogue, regressamos com poucas palavras mas algumas fotos de uma memorável saída de campo em terras de Sicó. 

Por estes dias há já quem tenha dito adeus ao Inverno e veja evidências de que a Primavera já se instalou definitivamente. Na realidade não será bem assim e o mais provável é que sejam apenas umas tréguas, uma pequena Primavera no meio do Inverno tal qual o Verão de S. Martinho no meio do Outono. Até porque o que está em flor agora sempre floriu nesta altura de Fevereiro.

Portanto tudo na altura certa e no sítio certo! A perfeição das flores silvestres num Olival extensivo e tradicional das terras calcárias de Sicó como há, possivelmente, 2000 anos. Vendo isto qual a dificuldade em explicar que estas imagens não rimam nem com Olivais intensivos, nem com pesticidas nem herbicidas?

De cima para baixo, sentido dos ponteiros do relógio, Margaridas-dos-montes (Bellis sylvestris),Lírios-de-amor-perfeito (Iris planifolia), Campainhas-dos-montes (Narcissus bulbocodium)  e Lírio-roxo-dos-montes (Iris subbiflora).

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Pêras silvestres do Algarve


Há muitos tipos de pêras, mas as que nos agradam mais são as minúsculas pêras silvestres,(espécie Pyrus bourgaeana),  que colhemos hoje de manhã no Algarve. Mais precisamente em Armação de... Pera!  E esta foi só uma das muitas espécies de de Outono que aproveitámos para colher com o Zé Júlio Machado da  #HORTADALAPA, nossos parceiros em todas as colheitas de sementes de espécies silvestres nativas da região algarvia!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Loendros do caramulo


Há cerca de um ano atrás, na sequência de uma visita à cidade alemã de Bremen, partilhámos AQUI algumas imagens do Rhododendron Park e das múltiplas cores de que esta espécie se pode revestir. Na altura já não iríamos a tempo, mas neste Maio não quisemos deixar passar mais uma oportunidade e fomos visitar uma das maiores populações autóctones que existem na península Ibérica e que, para nossa sorte, se situa na vertente noroeste da Serra do Caramulo, concelho de Vouzela, na ribeira do cambarinho, protegida desde 1971 com o estatuto de reserva botânica.

Como não temos intenção de ter nos nossos catálogos sementes desta espécie, até porque pelo que apurámos não só produz poucas sementes como as mesmas exigem especiais condições de germinação, o interesse era mesmo ver de que outras cores de que se pode revestir a nossa Primavera para além dos maioritários amarelos e brancos.

E o que vimos, pelo menos nas margens desta ribeira e, pelo que apurámos, de outras pertencentes à bacia hidrográfica do Rio Vouga, é que, mesmo numa serra entregue ao Eucalipto como é o caso da Serra do Caramulo, a paisagem se pode cobrir de incríveis manchas de tonalidade rosa-lilaz. Só por essa visão  vale a pena acreditar na placa que na A25 anuncia, em apagados castanhos,esta reserva botânica de loendros. A nossa única sugestão é que nos meses de Abril e Maio se anuncie de forma mais convincente que os "loendros" estão no seu máximo esplendor!

Os rodendros são uma espécie arbustiva que dispensa qualquer publicidade. Na região noroeste de Portugal é possível vê-los em vários jardins publicos e privados (embora de outras cores e bem menos interessantes) provenientes de garden centers que na europa inteira escoam a produção de uma actividade que é milionária. Existem na Natureza mais de 1000 espécies de rodendros, a maioria da região dos Himalaias. Mas cultivares e híbridos são seguramente milhares e há-os de todas as cores e feitios.

Porém, os nossos não só são incrivelmente ornamentais como são ainda o testemunho das florestas de clima tropical que há mais 2 milhões de anos cobriam a Europa e que praticamente se extinguiram no fim do período terciário com o inicio das glaciações. De Rhododendrum ponticum subsistem na Europa apenas duas sub-espécies: a R. subespécie ponticum na região do Cáucaso, e a subespécie baeticum  à qual pertence a população que se pode visitar nas margens da ribeira do cambarinho- Vouzela. Desta subespécie só existem mais duas populações nativas na península ibérica: Em Monchique ( de reduzida dimensão) e em Cádis, Espanha.

Só por isto este arbusto poderia perfeitamente infestar todos os ajardinamentos dos municípios que partilham a Serra do Caramulo! Para não pensar nos jardins particulares. E não dizemos todo o país, porque de facto é um arbusto que tem necessidade de solos mais ácidos, com alguma profundidade, disponibilidade de água e um clima mais atlântico, os quais, como sabemos, não são os mais frequentes.

Uma nota final para a confusão que pode surgir por nos termos referido a este espécie ora como rodendro ora como loendro. O nome vulgar mais utilizado no mundo remete-nos para o nome rodendro. Todavia em Portugal e mais especificamente nas aldeias do Caramulo são conhecidos como loendros, Embora, como nos explica aqui o blogue Dias-com-àrvores, nada tenham a ver com os Loendros do Sul do país (Nerium oleander). Mas como nestas matérias da botânica o povo é soberano, para todos os efeitos são também para nós os Loendros do Caramulo!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Saída de Campo - Matos e Matagais Mediterranicos


Algumas imagens da saída de campo que fizemos com a  Lirium​ no passado Domingo, dia 15, pelo vale do Rio Galvão, em Reguengo Grande- Lourinhã. À beira do Atlântico um afloramento calcário com vegetação mediterrânica intacta e um percurso excepcional do princípio ao fim, carregado de sinais de uma ancestral humanização. Tudo a 5 minutos de uma saída da A8 e a provar que não raras vezes o paraíso fica mesmo aqui ao lado!

quinta-feira, 12 de maio de 2016

Saída de Campo - Matos e Matagais Mediterranicos



No próximo Domingo, dia 15, iremos associar-nos à Lirium e participar em mais uma das suas saídas de campo que este ano têm tido um especial enfoque nos matos e matagais mediterrânicos da zona oeste. 

Desta vez a saída irá desenrola-se nas margens do rio Galvão e dos campos próximos de Reguengo Grande - Pó no concelho do Bombarral localidades tendo como cenário uma paisagem de vegetação mediterrânica sabiamente humanizada pelo Homem ao longo dos séculos. Serão 3 a 4 horas, por entre prados, azenhas, pontes romanas, ruínas e quedas de água num percurso circular de cerca de 6 quilómetros em que teremos oportunidade de apontar as nossas máquinas fotográficas às espécies mais emblemáticas deste tipo de Ecossistema.

Sendo nós evidentemente suspeitos, não podemos deixar de referir que no nosso país há poucas saídas de campo como as organizadas pela Lirium! É que não são as tradicionais caminhadas para estafar quem nelas participa! Pelo contrário, são  percursos para usufrir de facto e com uma especial atenção na compreensão  da flora, fauna, aspectos geológicos e humanos que nos for dado observar.

Durante o percurso será ainda dada uma especial atenção à identificação de árvores, arbustos e coberto vegetal, bem como das plantas aromáticas, medicinais e comestíveis, que formos encontrando!

Sendo certo que o mau tempo desta semana tem fim garantido até Sábado, esta é pois uma excelente oportunidade para quem está por perto da zona Oeste para retomar as sensações da Primavera. Para mais informações, condiçoes e confirmações basta ir ao site da Lirium (https://liriumaromaticas.blogspot.pt/p/saidas-de-campo-as-saidas-de-campo.html) ou contactar directamente com o Ricardo - 964476331.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Mata Nacional do Vimeiro




Ontem participámos em mais uma saída de campo da Lirium - Aromaticas, desta vez na Mata Nacional do Vimeiro, Alcobaça, com a atenção voltada para os fungos e cogumelos que nesta altura do ano têm a sua época de glória.

Claro que as saídas de campo da Lirium nunca são apenas sobre um aspecto em particular e versam sempre sobre muitos e diversificados temas. Tantos quanto a Natureza e o Homem em acção provocam nos diferentes participantes que em cada saída se dispõem a partilhar o que vão sabendo.

E a Mata Nacional do Vimeiro é um desses sítios perfeitos para ocupar uma manhã de um Domingo de Novembro. A começar pela designação do espaço. Uma Mata Nacional. Vá lá saber-se porquê, mas numa época em que o Estado se evapora de todo o lado, a expressão Mata Nacional transporta-nos ainda e sempre para o território seguro de um País a sério, com uma administração organizada e que até tem matas nacionais!  

É certo que para a grande maioria de nós, as matas nacionais são coisas vagas, quase lendas medievais. Alguns conhecem ou ouviram falar do Pinhal de Leiria, eventualmente por ser o maior, mas a grande maioria, urbana ou não, desconhece que no seu património privado, o Estado tem a responsabilidade de inumeras propriedades, umas matas nacionais, outras perimetros florestais, outras simples propriedades agro-florestais. Com alguma paciência é possivel chegar ao mapa de todos esses espaços, disponível no site do ICNF, mas não se espere encontrar muita informação. Os recursos para tomar conta deles não são muitos e, em sintonia, não convém fazer grande publicidade aos mesmos.

Sucede que esta Mata Nacional do Vimeiro não é uma mata qualquer. É uma floresta que já o é há alguns séculos e que não foi indiferente aos que por cá andaram antes de nós.

Para começar convém dizer que apesar da passagem dos séculos e do uso que o Homem fez dela, conserva ainda muitas das espécies autóctones que espontaneamente a Natureza atribuiu a este território a Oeste da Serra dos candeeiros.

Fazendo parte desde o século XII  dos coutos da Abadia cistercience de Alcobaça, mais concretamente do couto do Vimeiro, esta propriedade de cerca de 100 hectares foi sabiamente preservada pelos monges como a reserva florestal mais significativa dos seus domínios, que, refira-se chegaram a totalizar cerca de 500 km2. Como é sabido, os monges de cister foram hábeis agricultores, mas nem tudo teve de ser arroteado e desbravado para campos de cultivos, e esta floresta foi deliberadamente preservada.

E assim se manteve durante quase 700 anos, como propriedade dos monges de Alcobaça. Até 1833, ano em que o decreto de extinção  das ordens religiosas masculinas e consequente nacionalização dos seus bens, a fez transitar para a posse do Estado. Por razões que não aprofundámos, escapou á sanha das hastas públicas e nunca chegou a ser alienada.

De 1833 até aos dias de hoje ainda lhe sucederam mais factos relevantes e nem sempre das melhores, mas alguns a pedirem para serem mais averiguados, como o facto de Vieira Natividade, um dos agrónomos portugueses mais ilustres do inicio do Século XX, aí ter instalado um viveiro e um campo de experimentação de sobreiros.

É certo que hoje a mata sofre de alguns problemas, as acácias proliferam e as construçoes estão arruinadas. Poderia e deveria estar mais cuidada. Porém,  apesar de tudo, os carvalhos-cerquinhos centenários lembram que o essencial não está perdido e que o futuro pode sempre reservar novo esplendor para um dos legados dos monges de cister. A sua floresta. Existe e pode ser usufrida por todos os que dela se quiserem aproximar.

E para nós, que além do passeio  de ontem, a frequentamos com alguma assiduidade na colheita de algumas das nossas sementes, é uma das Matas Nacionais que convém visitar pelo menos uma vez!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sementeiras de Outono II


No regresso da feira de Jardinagem mediterrânica, realizada em Estoi, Algarve, no passado Sábado, parámos em Lisboa e fomos ao viveiro da Sigmetum  ver como estavam as sementeiras de que vos falámos aqui. Em menos de 3 semanas, o aspecto dos tabuleiros é o que vos mostramos agora. Pelo menos 15 espécies tiveram germinações que já superaram as nossas melhores expectativas!

O que nos enche de satisfação. Quem resolver levar consigo sementes de chicoria, arruda, papoilas, funcho-marítimo, bem como das novas espécies que contamos disponibilizar em breve, como as capuchinhas, não só leva sementes de qualidade como verá rapidamente resultados. E quase sem esforço. Temperatura, humidade e luz q.b.,  a vida desponta!

Algumas espécies ainda apresentam germinações mais tímidas. E das duas uma: ou teremos de esperar mais alguns dias, ou necessitam de condições diferentes para germinarem. Com efeito o regime de rega de que cada semente necessita varia de espécie para espécie e compreendermos  isso é fundamental para aconselharmos com mais rigor.

Em posts futuros continuaremos a mostrar como germinar sementes não é, de todo, uma ciência exotérica. E que além de uma experiência compensadora pode ser uma actividade divertida para os vários elementos da família. Miúdos incluídos.

sábado, 25 de outubro de 2014

Colheita de landes de carvalho-cerquinho em Ariques


Colheita de landes (bolotas) de carvalho-cerquinho, hoje em Ariques, Alvaiázare, num cercal centenário e que é realmente uma floresta a sério! Só por lá ter estado, já teria valido a pena!

Mas em pouco mais de 4 horas, seis voluntários colheram 8 sacos com cerca de 15 quilos cada. Se cada quilo tiver em média 350 sementes, serão perto de 42.000 árvores que poderão ser plantadas no próximo ano nos povoamentos do programa floresta-comum da Quercus!

A todos os voluntários que compareceram, Obrigado!

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Floresta comum: colheita de sementes de carvalho-cerquinho em Ariques



Como escrevemos há algum tempo atrás, se há estação pouco monótona, essa estação é o Outono! É uma excelente altura para semear, mas também para colher. E se no âmbito do projecto sementes de Portugal há muito trabalho em mãos, também não queríamos perder a oportunidade de contribuir voluntariamente como colectores do projecto floresta comum da Quercus!

Nesse sentido e sob a égide da Quercus, associámo-nos com o João Forte, promotor do blogue Azinheiragate, dedicado à defesa do Natureza, Património e Cultura das terras de Sicó e Alvaiázere, e vamos organizar conjuntamente uma colheita de bolotas (landes; como são referidas pelas populações locais) de carvalho-cerquinho, ou carvalho-português, como também é popularmente conhecida esta espécie, autóctone do nosso território, Quercus faginea.

Será no próximo Sábado dia 25 de Outubro, com ponto de encontro nos Bombeiros Voluntários de Ansião pelas 10.00. 

O local onde irá decorrer a colheita, a alguns quilómetros, é simplesmente uma preciosidade desconhecida do nosso património. Cercais ( que é o nome dos bosques de carvalho cerquinho) e Azinhais no sopé da vertente ocidental da serra de Alvaiázare, que fazem parte da rede natura e que são um bom exemplo do que é, isso sim, uma floresta! Não de uma floresta virgem mas de uma floresta em que o Homem soube integrar-se em harmonia, dela tirando partido numa perspectiva sustentável e de longo-prazo. E que é fundamental conhecermos,  para de uma vez por todas pararmos de chamar floresta às monoculturas de eucalipto (nomeadamente!).

Só por isso vai valer a pena irmos até Ariques. Depois ainda há a mais valia de João Fortes estar connosco. Ninguém conhece Alvaiázere como ele e os conhecimentos que tem enquanto geógrafo e geólogo vão ajudar-nos a perceber a importância de preservar e usufruir destes territórios.

As inscrições podem ser feitas  junto de nós ou do João Fortes até ao dia 23, quinta-feira, pelas 18.00. De referir que a ideia é fazermos um pequeno piquenic no local e de que a Quercus realizará um seguro para todos os participantes.

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sementeiras de Outono com a Sigmetum


Há pouco menos de um ano fizemos as primeiras experiências de germinação e este ano voltámos a semear com a Sigmetum

Para além do enorme privilégio que é poder contarmos com a ajuda e experiência de uma equipa pioneira na produção de plantas autóctones em Portugal, estas sementeiras são para nós de extrema importância. Não só irão possibilitar-nos um melhor conhecimento do processo de germinação de diferentes espécies, como também comprovar a qualidade germinativa das nossas sementes.

Mas a experiência não se esgotará por aqui. Uma vez germinadas, muitas plântulas continuarão a ser acompanhadas  pela Sigmetum no seu trabalho de exploração e experimentação do potencial ornamental da nossa flora autóctone!

Ao longo dos próximos meses contamos partilhar convosco a evolução das diferentes sementeiras.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Saída de campo - Lousã



Última saída de campo à serra da Lousã. Apesar da eucaliptização, em crescendo, e das enormes manchas de acácias, a Lousã proporciona ainda as condições para que algumas espécies de plantas se apresentem aí com boas populações.

E se não formos apenas com planos botânicos, preserva ainda alguns  espaços que merecem sempre uma visita como o castelo da Lousã e as aldeias de Xisto de que a Cerdeira e o Talasnal são bom exemplo de recuperação. Infelizmente e ao contrário do que muitas vezes as entidades oficiais querem fazer crer, a verdade é que a tão desejada dinamização da presença humana nestas paragens tarda em acontecer. E diga-se o que se disser, muito por culpa do padrão de florestação que ali, como em praticamente todo o antigo "Pinhal Interior", persiste nas monoculturas de Pinheiro, Eucalipto e eólicas. Enquanto assim for, poucos visitarão a Lousã a não ser de passagem.

domingo, 27 de abril de 2014

Saídas de Campo em Abril


Ao longo do mês de Abril realizámos diversas saídas de campo tendo em vista a identificação das melhores populações das espécies em que mais apostamos e das quais tencionamos recolher sementes de qualidade. E temos muito por onde escolher. A nossa flora autóctone compreende mais de 4000 espécies e basta focarmo-nos em apenas 1% para termos pano para mangas.

As fotos acima são das nossas duas últimas saídas de campo nos maciços calcários de Montejunto e Candeeiros. Para além das espécies que procuramos é impossível não reparar nas outras inúmeras plantas e flores que por esta altura comprovam a enorme riqueza em termos de biodiversidade destes territórios.Não pretendemos vir a recolher as suas sementes mas não resistimos a mostrar-vos algumas das suas formas e cores.

Em Maio temos planeadas mais saídas de campo que vos iremos dando conta!

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um Inverno florido



Para os mais sensíveis aos rigores do nosso clima o Inverno é aquela estação que, se pudéssemos, passávamos por cima. Menos sol, muito frio e quase sempre chuva inclemente e uma natureza em letargia ao ponto de parecer morta, só nos fazem desejar que a Primavera e sobretudo o Verão cheguem o mais depressa possível.

Mas a verdade é que a Natureza anda cá há mais tempo e não faz as coisas de forma leviana. É um facto que grande parte das árvores e arbustos aproveitam este três meses para se recolherem e fortalecerem as suas raízes, mas, de forma subtil e discreta, logo a partir de Janeiro algumas plantas são encarregues de começarem a florir de forma conjugada, preparando a apoteose do que daqui a um mês será evidente a todos nós. Tal qual os primeiros acordes de uma sinfonia, apenas com um ritmo diferente.

Esta semana, depois de quase duas a bater recordes de frio e chuva, os raios de sol de ontem vieram provar-nos isso mesmo e apresentar-nos o brilho dos campos cobertos de erva verde e da água a escorrer. E há que aproveitar as tréguas para ir verificar o que é que a Natureza anda a engendrar agora e, com alguma atenção, constatar que os alecrins, os teucriuns, os folhados e os abrunheiros-bravos, para além das amendoeiras, já estão a florir.

Mas há muitas mais flores a emergir de plantas como as calendulas, as vincas, as margaridas, o heloborus, a borragem, alguns narcisos e lirios, os malmequeres-dos-brejos ou os tojos para dar alguns exemplos. O desafio é sempre o mesmo: reparar não no que aparentemente está morto mas na vida que quer despontar. Muitas delas possuem folhas e flores comestíveis, outras possuem propriedades medicinais aromáticas ou condimentares. E todas podem ser boas soluções para levar mais um pouco de natureza para os nossos jardins que quase sempre se esquecem de alegrar no Inverno.

Por isso, hoje não falamos de nenhuma espécie em particular e apenas vos lembramos que esta é a altura perfeita para começar a notar os tons e acordes deste novo ciclo que agora ser inicia e que, esperemos, teremos o privilégio de assistir até ao seu término no começo do próximo Inverno, lá para meados de Dezembro de 2014.

PS - Como não somos os únicos a reparar que o Inverno também é florido aqui fica um link para uma entrada que a Fernanda Botelho escreveu motivada pelos raios de sol de quinta-feira passada em Sintra e que vale a pena ler.

segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Frutos do Outono

Pilriteiro - (Crataegus monogyna)

No Outono, voltam as primeiras chuvas, os dias de vento, dias cinzentos e húmidos. Condições pouco ideais para recolher as pequenas sementes - se ainda as houvesse.

De facto, as sementes de verão como amadureceram mais cedo, são secas, são predominantemente de menores dimensões e muitas vezes providas de mecanismos de dispersão aérea para que facilmente se disseminem pelo vento.

Com o agravamento das condições climatéricas, as leves sementes molhar-se-iam e já não seriam capazes de ‘voar’ grandes distâncias. 

Assim, para as sementes que amadurecem mais tarde, a natureza 'criou' os frutos. Nos frutos, as sementes encontram-se protegidas de uma quantidade maior ou menor de polpa, até que amadureçam. Exibem cores atractivas para que os animais, em especial as aves, as comam e dispersem nas imediações, após a passagem pelo seu parelho digestivo.

Habitualmente conhecemos melhor os frutos cultivados e que estamos habituados a colher para comer nesta altura como os figos, maças, castanhas, uvas, avelãs, azeitona, nozes, amêndoas entre muitos outros.

Mas existem também os frutos silvestres, apreciados sobretudo pela fauna selvagem. O medronho (Arbutus unedo), o pilrito (Crataegus monogyna), a salsaparrilha-bastarda (Smilax aspera), as bagas do sabugueiro (Sambucus nigra) e da murta (Myrtus communis) entre muitos outros, são alguns exemplos de frutos que constituem uma importante reserva de alimento para o período frio que se aproxima e que 'enfeitam' as nossas matas, florestas e suas orlas.

Norça-preta ou Arrebenta-boi (Tamus communis)

Muitos destes frutos silvestres, a par das próprias plantas, possuem um interesse ornamental pela introdução de cor nos jardins, como é o caso do azul metálico dos frutos do folhado (Viburnum tinus), do vermelho dos frutos do pilriteiro, ou das roseiras-bravas. 

E podem além disso ter uso quer medicinal quer culinário. É o caso dos medronhos, usado na culinária e nos licores, o caso do arrebenta-boi ou norça-preta, usado como planta medicinal com propriedades anti-reumáticas, à semelhança da salsaparrilha-bastarda (apesar das suas bagas serem tóxicas).

                   Salsaparrilha-bastarda (Smilax aspera)       Folhado (Viburnum tinus)

 Por todas estas razões, os nossos pequenos ou grandes jardins, poderão passar a ser também um reservatório de frutos não só atraindo avifauna, mas também para as nossas próprias receitas caseiras.