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domingo, 2 de abril de 2017

Sugestões de Jardinagem I


 

Fazer sugestões de jardinagem no fim de alguns dias primaveris é, ao contrário do que possa parecer, tarefa ingrata. Para começar, e por muito que vender sementes deva ser o nosso foco, a nossa primeira recomendação para esta altura do ano é mesmo a de usufruir o início da estação onde a Natureza é mais exuberante: Isto é no meio dos muitos e bons espaços naturais de que o nosso país está cheio. seja sozinho ou acompanhado, nas montanhas ou na costa, em percursos ou actividades de família, a tirar fotos ou simples passeio. O importante é usufruir e constatar com gratidão que as plantas que nos rodeiam longe de serem uma massa verde disforme e sem nome, são seres a pulsar de vida!

Depois e para aqueles que têm o privilégio de ter uma varanda, um quintal ou um jardim, inspirados pelo que viram, há todo um sem número de  boas sugestões que  se podem fazer! Dizemos que é tarefa ingrata porque entre tantas possibilidades, temos dificuldade em escolher. Mas também porque nos dias de hoje habituámos-nos, erradamente, à ideia de que só é compensador jardinar se tiver já flores vistosas e prontas a colocar na terra. Sucede que esta forma rápida de satisfação nem sempre é, no médio e longo-prazo, a mais compensadora forma de abordar o tema. 

Estamos em boa época de usufruir das Primaveras, mas das já semeadas! O que agora podemos fazer é começar já a trabalhar na próxima Primavera, aproveitando as boas condições para a germinação de sementes. Semear nesta altura, sobretudo em ambiente controlado (i.e. que podemos acompanhar e regar) tem a grande vantagem de podermos fazer crescer nos próximos 6 meses as árvores e arbustos que queremos colocar na terra no próximo Outono.

Dito isto, as sugestões.

Temos várias, algumas pouco ortodoxas, mas para não espantar desde já eventuais leitores, começamos por uma de flores mais vistosas, de que é difícil não gostar. E neste capítulo há uma associação incontornável, para nós uma das mais felizes e de resultados assegurados: Roselhas e Pascoinhas. Duas espécies que desde sempre nos entusiasmaram e sobre as quais já publicámos diversas vezes no passado ( AQUI e AQUI).

Além de serem muito fáceis de germinar, ambas as espécies são pouco exigentes, não necessitam de qualquer rega e adaptam-se a diferentes tipos de solos, embora se deva dizer que não apreciam solos demasiado frescos e ácidos. Têm a grande vantagem de proporcionarem uma abundante floração que se inicia em Março e se prolonga pelo mês de Abril, entrando frequentemente pelo mês de Maio. Acrescentamos ainda o facto de disporem de folhagens igualmente interessantes, o que, sobretudo para a Roselha-grande, é ainda mais verdade, atendendo à cor verde-cinzento das suas folhas, que contrastam bem com outras cores!





quarta-feira, 8 de março de 2017

Um jardim autóctone em Silves


Como bem lembra um popular ditado indiano, "Pão comido é o primeiro a ser esquecido" e também nós, apenas quatro dias depois da feira de jardinagem na Quinta da figueirinha, em Silves, já corríamos o risco de não partilhar algumas das imagens do dia de Sábado.

O que seria evidentemente um egoísmo, para além de um erro. Num fim de semana que se previa chuvoso e cinzento, a feira de jardinagem foi presenteada com um magnifico dia de sol que, juntamente com a boa afluência de visitantes, fez desta edição mais uma excelente oportunidade para todos aqueles que se dedicam à jardinagem e à horticultura.

Para nós um dos momentos mais relevantes foi como é claro a inauguração do jardim autóctone do barrocal algarvio. Situado no topo de uma das colinas da Quinta da Figueirinha este espaço é o resultado do trabalho e empenho dos membros da Associação de Jardinagem em climas mediterranicos de Portugal que de forma totalmente voluntária provam que um jardim pode ser atractivo e aprazível apenas com o recurso à flora silvestre da região. 

A localização, o sistema de vistas sobre a propriedade - a Quinta da figueirinha, e o bom desenho dos caminhos garantem que este será um excelente jardim a visitar nos próximos anos, à medida que for amadurecendo e consolidando-se!

Para terminar partilhamos algumas fotos da flora silvestre que no Algarve já anunciam de forma exuberante que ali a Primavera chega sempre mais cedo. Cerros cobertos do amarelo das pascoinhas (Coronilla glauca) e das chuvadas brancas dos Piornos em máximo de floração (Retama monoesperma) já se vislumbram por todo o lado. Mas é nos pequenos detalhes e junto aos pés que estão já a florir algumas das espécies mais interessantes: Da esquerda para a direita: em tons rosa, as cornucopias, ou alfaces-de-argel, Fedia cornucopiae; em azul-lilaz os maios-pequenos, ou pés-de-burro, Gynandriris sisyrinchium; e de branco os narcisos-de-inverno, Narcissus papyraceus.



terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Entrar na Quaresma com Pascoinhas


Como este ano quase que passámos por cima do Carnaval, ou Entrudo, se preferirem, aproveitamos o seu terceiro e último dia para voltarmos a uma espécie que já começou a entrar em floração e cujo nome vulgar está associado ao período da Páscoa que agora se inicia: as Pascoinhas.

Mas antes disso, sobretudo para aqueles que tendo o privilégio de assinalar freneticamente o dia de hoje nos mais diversos corsos, não têm presente o porquê de tanta euforia nos inícios de Fevereiro, relembramos que estes 3 dias de excesso são mesmo a última janela de oportunidade que têm antes de entrarmos no período de abstinência e recolhimento que se inicia amanhã, dia 10, Quarta-feira de cinzas e primeiro dia da quaresma.

O facto de ser sempre uma terça-feira, mas em dias diferentes do ano também tem uma justificação e decorre tão só e apenas do facto do Dia de Páscoa também ser um feriado móvel, determinado por uma regra pouco conhecida mas há muito estabelecida: O dia de Páscoa celebra-se em cada ano no primeiro Domingo a seguir à primeira lua cheia que ocorrer após dia 21 de Março (dia convencionado, embora muitas vezes assim não seja, em que ocorre o equinócio da Primavera).

Uma vez identificado esse Domingo ( que neste ano de 2016 será a 27 de Março) andam-se 40 dias para trás (Domingos não contam) e temos com rigor o dia em que deve começar a Quaresma.Como na Quaresma não entram os prazeres da carne, o adeus a esta fica forçosamente confinado aos 3 dias anteriores: este ano dias 7, 8 e 9  - sendo também certo que para muitos há já bons motivos para a folia desde a semana passada.

Curiosamente, e como lembrávamos AQUI no ano passado, a propósito do dia de ramos, é amanhã que se devem queimar os os ramos de oliveira, alecrim, rosmaninho e outras flores primaveris que se fizeram na Páscoa de 2015. É com as cinzas desses ramos que nas celebrações da Igreja católica se dá com rigor início ao período que nos conduzirá à Páscoa.

Dito isto, ficámos com pouco espaço para dar atenção às pascoinhas (Coronilla glauca) que a partir de agora, e seguramente até ao final de Maio, vão cobrir de amarelo muitos dos campos do centro e sul de Portugal. Não lhe são conhecidas aplicações medicinais ou outros usos, mas o seu valor ornamental é tanto que está dispensada disso. AQUI deixamos o link para a entrada que publicámos há quase dois anos sobre este arbusto que faz as delícias de quem nos visita!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pascoinhas



Dos muitos tons de amarelo que enchem os campos do centro litoral na Primavera há um que pela sua profusão chama a nossa atenção - o das Pascoinhas. Este arbusto, também da famílias das Fabaceae, denominado cientificamente de Coronilla glauca, deve o seu nome popular a razões óbvias por apresentar o seu período de máxima floração por alturas da Páscoa. E a deste ano é já daqui a pouco mais de 3 semanas!

O seu interesse ornamental resulta da conjugação de dois aspectos. Não só é um arbusto que não cresce desmedidamente - 1,5 metro de altura, como se reveste generosa e persistentemente até Junho de flores. Daí que seja hoje cada vez mais vulgar ver estes arbustos em jardins e parques públicos.

Isoladas ou em sebes as Pascoínhas garantem um jardim florido com muito poucas exigências, sobretudo no que se refere a água e adubações. Naturalmente habituada a solos calcários adapta-se bem a outros tipos de solos (uma vez mais desde que não sejam ácidos ou encharcados). A germinação das suas sementes não apresenta cuidados de maior e a uma temperatura de 16º a 20º com humidade e luz q.b. é quase certa!

Para terminar deixamos-vos um link para o Dias com Àrvores, um blogue que já escreveu quase tudo o que havia para escrever e que consultamos (e copiamos!!) regularmente antes de publicar algum disparate. Além do texto, as fotos são bem ilustrativas do interesse ornamental deste arbusto.