segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Flores de Verão I


Perpétua-das-areias ou Erva-do-caril - Helichrysum italicum

Agora que nos damos conta de que faltam pouco mais de 10 dias para terminar oficialmente o Verão é que nos lembramos que na prática não publicámos nada sobre as flores de Verão. É certo que o Verão as tem em menor quantidade que a Primavera, mas ainda assim tem algumas que vale a pena evidenciar. E como o tempo escasseia, a termos de eleger uma planta cuja floração atinge o auge no Verão, escolhemos a perpétua-das-areias. Mais á frente e se ainda tivermos oportunidade falaremos das outras que também merecem o seu destaque.

Para começar convém dizer que sob a designação popular de perpétua-das-areias temos em Portugal duas espécies semelhantes: A Helichrysum italicum e a Helichrysum stoechas, sendo que a primeira se encontra de facto nas areias das dunas e arribas da nossa costa e a segunda, muito parecida, no resto do território sendo possível encontrá-la um pouco por todo o lado em sitios soalheiros de norte a sul de Portugal.

Embora ambas possuam um porte idêntico, sub-arbustivo com folhagem verde cinzenta, e exalando ambas um aroma a caril, estamos em crer que a Helicrisum italicum, que ocorre no nosso litoral, possui um cheiro mais intenso, estando na origem da Erva-do-caril que é possível encontrar nos hortos e centros de jardinagem. Dizemos na origem, e não a mesma espécie, porque  nos parece que as que normalmente se encontram  à venda poderem ser já um cultivar mais apurado. Mas esta é uma convicção que importaria confirmar!

De qualquer das formas, é inquestionável a mais valia da Perpétua-das-areias. Forma tufos simétricos de cor singular, cinza quase branco, e no Verão, sobretudo em Agosto, cobre-se de forma generosa de inflorescências amarelas, numa altura em que as outras plantas se encarregam de amadurecer as suas sementes. A isto, que não é pouco, acresce o aroma e as propriedades medicinais que o óleo produzido a partir dela possui: anti-inflamatórias, anti-oxidantes e anti-microbianas.

Por fim, de salientar que é uma planta que exige poucos ou nenhuns cuidados. Prefere solos leves, mas adapta-se a outros tipos desde que não sejam pesados e encharcados. Uma boa noticia portanto para quem quiser ter plantas  pouco exigentes de água ou nutrientes!

Nota - Como é evidente, outros ja escreveram mais e muito melhor sobre estas espécies! 
Nas planta e flores do areal, um artigo completíssimo aqui e no jardim autóctone, aqui, sobre a helichrysum stoechas, e donde transcrevo o parágrafo que explica preto no branco porque é que se chamam perpétuas e de que forma o seu nome científico lhe faz justiça! 

" Na Antiguidade, as flores do género Helichrysum eram muito utilizadas para fazer grinaldas, com que se coroavam os ídolos. Por conservarem por muito tempo a sua cor amarelo dourada, eram conhecidas pelo nome vulgar de imortais ou perpétuas, daí o seu nome. O próprio termo Helichrysum, que resulta da junção de dois termos gregos, hélios (sol) e chrysos (ouro), realça a cor das flores destas plantas. "


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