terça-feira, 26 de julho de 2016

Planta Lourinhã!



Tão simples quanto isto. Basta enviar até dia 31 de Julho um SMS gratuito para o 4343 com a frase: OPL24 [nº de identidade] [data de nascimento AAAAMMDD] e estamos logo a contribuir para que a flora autóctone prospere no concelho a Lourinhã!

No âmbito do Orçamento Participativo promovido pela autarquia da Lourinhã, uma das propostas a votação é precisamente a de criar um viveiro de  plantas florestais autóctones de Portugal para reflorestação das zonas naturais no concelho (florestas, bosques e matos, entre outros). A iniciativa é liderada pela Vera Ventura uma bióloga com ampla experiência na flora do nosso país, o que nos dá garantias acrescidas de que o projecto pode mesmo chegar a bom porto!

À parte os dinossauros (!) e algumas praias de merecida boa fama a Lourinhã não é propriamente conhecida pelos valores naturais. O que se só se pode explicar por desconhecimento. Além de uma linha de costa bem preservada conta com vários afloramentos calcários cobertos por um bem preservado matagal mediterrânico.

A ideia do Plantar Lourinhã é contribuir para a preservação do património que já existe mas sobretudo contribuir para alargar a sua implantação. Seja na recuperação de espaços e solos - o que é vital considerando a rapidíssima expansão do Eucalipto a que se assiste, mas também na promoção da utilização da flora autóctone nos jardins e espaços públicos.

Se esta proposta ganhar a maioria dos votos na sua categoria, a Lourinhã, já bem conhecida pela inteligente valorização dos achados relacionados com os dinossauros, poderá muito bem também passar a ser conhecida pelo primeiro município da Região Oeste que possui uma estratégia politicamente assumida pela autarquia Local de valorização da sua vegetação autóctone. O que é igualmente inteligente!

A iniciativa Orçamento Participativo da Lourinhã está aberta a todos os cidadão nacionais, pelo que qualquer um que ler esta mensagem pode contribuir para que este viveiro se torne realidade.Mais informações podem ser obtidas AQUI e AQUI!

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Assembleias de Julho


Julho já é mês de estio e o número de espécies em floração é francamente menor se comparado com a profusão dos meses de Abril e Maio. Ainda assim existem diversas espécies que neste momento se encontram em franca e generosa floração. Dessas, uma das nossas favoritas é sem dúvida a Iberis procumbens, vulgarmente conhecidas como assembleias.

Dizemos vulgarmente mas com alguma desconfiança, pois na realidade estamos em crer que poucas são as pessoas que realmente estão familiarizadas com esta incrível planta tão fácil de encontrar nas bermas e taludes das estradas atlânticas entre a Figueira da Foz e a Nazaré. Presente em toda a linha litoral até Sagres trata-se de um pequeno arbusto, ou sub-arbusto, perene e habituado a solos arenosos. De Maio a Julho cobre-se de flores brancas ou levemente lilaz, formando tufos totalmente cobertos de flores, aos quais é impossível ficar indiferente.

Tão impossível que entre cerca de 50 espécies que ocorrem no mediterrâneo os ingleses há muito que seleccionaram e apuraram cultivares amplamente utilizados em jardinagem . Apuramento que para nós seria de todo desnecessário, uma vez que no seu estado silvestre reúnem já todos os requisitos para poderem ser profusamente utilizadas na jardinagem pública e privada.

Como costumamos dizer para tantas outras espécies, esta é mais uma que ganharia aos pontos às generalizadas e artificiais petúnias que por esta altura decoram os jardins possíveis de tantas e tantas estâncias balneares da nossa costa atlântica.

Para os mais rigorosos acrescentamos que esta espécie apresenta em Portugal duas subespécies reconhecidas: a subsp. microcarpa, endemismo exclusivamente português e "protegido" pela directiva dos habitats e que usualmente ocorre nos afloramentos calcários do litoral centro de Portugal; e a subsp. procumbens, cujas sementes dispomos em catálogo.


quinta-feira, 23 de junho de 2016

Verão e hipericão em noite de S. João


Sempre que mudamos de estação é nosso hábito ajustar alguns detalhes nas imagens que nos acompanham de forma mais permanente. Não apenas por questões estéticas mas sobretudo por ser a melhor forma de também nós nos recordarmos de que no nosso mundo, queiramos ou não, a mudança é  permanente. Mudanças subtis e ligeiras que se vão somando de forma inexorável.

Tecnicamente o solstício de Verão de 2016 ocorreu na passada segunda-feira pelas 23.30, dia que foi o mais longo do ano. Porém a verdadeira comemoração do solstício, dos dias longos e das noites quentes, ocorre hoje e dentro de algumas horas nas noites de S. João que irão animar as ruas de muitas aldeias, vilas e cidades do nosso país. E porque entre um rigor cientifico e uma festa não temos a menor das dúvidas qual devemos escolher, é agora que assinalamos a mudança de estação!

E assinalamo-la partilhando uma espécie intimamente ligada ao dia de amanhã e que é uma das nossas preferidas: o Hipericão ou... Erva-de-S. João! Uma planta que é central na nossa cultura popular, considerada como medicinal  e com inúmeras aplicações de resultados comprovados, como partilhámos AQUI, há precisamente um ano.

O facto de atingir o seu máximo de floração no mês de Junho talvez esteja na origem do seu nome, sendo que em muitas localidades se acreditava e acredita que o melhor dia para o colher, em que os seus princípios activos estarão no seu vigor máximo, é o dia de amanhã!

Poderíamos alargar-nos sobre todas as razões que justificam ter esta espécie por perto. Porém, além de demorado, o texto de há um ano atrás já o faz. E neste momento o importante é mesmo desejar a todos os que nos seguem uma boa noite de S. João e um bom  Verão!

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Alcachofra de S. João


Junho já é mês de colheitas, mas, como dizíamos no nosso último post, há outras espécies da nossa flora que continuam a florir até ao fim do Verão. E são várias as plantas que nesta altura apresentam o seu máximo de floração.

E como Junho é também o mês dos Santos Populares, o que é mesmo é que dizer das festividades pagãs que celebram o solstício de Verão, como publicámos aqui em Junho de 2015 e de 2014, esta é a oportunidade perfeita para voltar a um dos nossos cardos preferidos e que em muitas regiões de Portugal é conhecida como Alcachofra-de-S.- João.

Vulgar no centro e Sul de Portugal é uma espécie vivaz perfeitamente adaptada às condições do nosso clima e que não exige qualquer cuidado particular. É verdade que tem espinhos, mas também as rosas os têm e não é por isso que são menos populares. Será tudo uma questão de arrumação no espaço que estiver disponível!

A cor mais vulgar das suas inflorescências é o Azul-lilaz. Existem porém populações cujas alcachofras são de cor branca (Cynara humilis forma alba). A nossa aposta, desde que nos dedicamos a este tema, é que a conjugação harmoniosa das duas cores poderá, em jardinagem, proporcionar composições com bastante interesse.

E se mais razões não existissem, a vontade de um dia vermos essas composições num qualquer jardim publico ou privado, é motivo mais do que suficiente para a nossa promoção no presente mês de Junho. A quem na nossa loja on-line adquirir três pacotes de sementes, oferecemos dois pacotes de sementes de Alcachofra de S. João: Um de alcachofras de cor lilaz e outro de alcachofras de cor branca

Nota final - Para quem pretender aprofundar esta espécie deixamos aqui  o link da Fernanda Delgado que no seu blogue Plantas e Flores do Areal dedicou, em 2011, um extenso e completo post a esta espécie. 

domingo, 5 de junho de 2016

Tempo de colher!


Desde que fomos ver os rododendros do Caramulo passaram-se apenas 15 dias. O que não sendo muito tempo é o suficiente para que já estejamos em Junho e a iniciar mais uma época de colheitas! 

Não significa isto que a Primavera tenha acabado e que os nossos campos não continuem a cobrir-se de outras cores vibrantes. Que continuam, pois algumas das nossas espécies mais emblemáticas terão em Junho e Julho o seu máximo de floração. Porém, à medida que caminhamos para o Verão, numa sucessão vertiginosa e quase ininterrupta, a maioria das nossas espécies silvestres concentra-se em fechar o seu ciclo de vida e em amadurecer as suas sementes para que um novo ciclo se possa iniciar depois do Verão.  

Já mais de uma vez o referimos aqui e não é demais voltar a dizê-lo - apesar de para nós humanos as temperaturas acima de 30º C. serem sinónimo de férias e diversão, para a grande maioria das espécies mediterrânicas será sinónimo de provação!

Os próximos tempos não serão pois os mais aconselhados para semear. É possível, sem dúvida, sobretudo em ambientes condicionados e bem controlados, fazer germinar sementes. Mas os cuidados terão de ser redobrados para que às jovens plântulas  não falte água e um golpe de sol  num dia de distracção deite tudo a perder.

A boa notícia (ou a má notícia, se nos apegarmos excessivamente aos dias longos e quentes) é que este também é um tempo que passará. Daqui a 3 meses, no inicio de Setembro, voltarão a estar reunidas as condições perfeitas para voltar a lançar sementes à terra!





segunda-feira, 23 de maio de 2016

Loendros do caramulo


Há cerca de um ano atrás, na sequência de uma visita à cidade alemã de Bremen, partilhámos AQUI algumas imagens do Rhododendron Park e das múltiplas cores de que esta espécie se pode revestir. Na altura já não iríamos a tempo, mas neste Maio não quisemos deixar passar mais uma oportunidade e fomos visitar uma das maiores populações autóctones que existem na península Ibérica e que, para nossa sorte, se situa na vertente noroeste da Serra do Caramulo, concelho de Vouzela, na ribeira do cambarinho, protegida desde 1971 com o estatuto de reserva botânica.

Como não temos intenção de ter nos nossos catálogos sementes desta espécie, até porque pelo que apurámos não só produz poucas sementes como as mesmas exigem especiais condições de germinação, o interesse era mesmo ver de que outras cores de que se pode revestir a nossa Primavera para além dos maioritários amarelos e brancos.

E o que vimos, pelo menos nas margens desta ribeira e, pelo que apurámos, de outras pertencentes à bacia hidrográfica do Rio Vouga, é que, mesmo numa serra entregue ao Eucalipto como é o caso da Serra do Caramulo, a paisagem se pode cobrir de incríveis manchas de tonalidade rosa-lilaz. Só por essa visão  vale a pena acreditar na placa que na A25 anuncia, em apagados castanhos,esta reserva botânica de loendros. A nossa única sugestão é que nos meses de Abril e Maio se anuncie de forma mais convincente que os "loendros" estão no seu máximo esplendor!

Os rodendros são uma espécie arbustiva que dispensa qualquer publicidade. Na região noroeste de Portugal é possível vê-los em vários jardins publicos e privados (embora de outras cores e bem menos interessantes) provenientes de garden centers que na europa inteira escoam a produção de uma actividade que é milionária. Existem na Natureza mais de 1000 espécies de rodendros, a maioria da região dos Himalaias. Mas cultivares e híbridos são seguramente milhares e há-os de todas as cores e feitios.

Porém, os nossos não só são incrivelmente ornamentais como são ainda o testemunho das florestas de clima tropical que há mais 2 milhões de anos cobriam a Europa e que praticamente se extinguiram no fim do período terciário com o inicio das glaciações. De Rhododendrum ponticum subsistem na Europa apenas duas sub-espécies: a R. subespécie ponticum na região do Cáucaso, e a subespécie baeticum  à qual pertence a população que se pode visitar nas margens da ribeira do cambarinho- Vouzela. Desta subespécie só existem mais duas populações nativas na península ibérica: Em Monchique ( de reduzida dimensão) e em Cádis, Espanha.

Só por isto este arbusto poderia perfeitamente infestar todos os ajardinamentos dos municípios que partilham a Serra do Caramulo! Para não pensar nos jardins particulares. E não dizemos todo o país, porque de facto é um arbusto que tem necessidade de solos mais ácidos, com alguma profundidade, disponibilidade de água e um clima mais atlântico, os quais, como sabemos, não são os mais frequentes.

Uma nota final para a confusão que pode surgir por nos termos referido a este espécie ora como rodendro ora como loendro. O nome vulgar mais utilizado no mundo remete-nos para o nome rodendro. Todavia em Portugal e mais especificamente nas aldeias do Caramulo são conhecidos como loendros, Embora, como nos explica aqui o blogue Dias-com-àrvores, nada tenham a ver com os Loendros do Sul do país (Nerium oleander). Mas como nestas matérias da botânica o povo é soberano, para todos os efeitos são também para nós os Loendros do Caramulo!

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Saída de Campo - Matos e Matagais Mediterranicos


Algumas imagens da saída de campo que fizemos com a  Lirium​ no passado Domingo, dia 15, pelo vale do Rio Galvão, em Reguengo Grande- Lourinhã. À beira do Atlântico um afloramento calcário com vegetação mediterrânica intacta e um percurso excepcional do princípio ao fim, carregado de sinais de uma ancestral humanização. Tudo a 5 minutos de uma saída da A8 e a provar que não raras vezes o paraíso fica mesmo aqui ao lado!