terça-feira, 3 de novembro de 2015

As incríveis viagens de Hoffmansegg e Link em Portugal



Se quem nos segue for tão leigo nas matérias da botânica e da história das ciências naturais como nós, este é sem dúvida um tema que possui todos os ingredientes necessários para prender a sua atenção. Se no final tivermos despertado em alguns a mesma curiosidade deslumbrada que nós experimentámos quando ouvimos pela pela primeira vez a sua apresentação, então já terá valido a pena a ousadia de abordarmos em tão pouca linhas o extenso trabalho de investigação exposto no livro do Prof. Nuno Gomes Oliveira "A Flore Portugaise e as viagens em Portugal de Hoffmansegg e Link (1795 a 1801), editado pela Chiado Editora na primavera passada.

O livro, que resulta do trabalho de investigação realizado pelo Prof. Nuno Gomes Oliveira  para a sua tese de doutoramento na Universidade de Coimbra, aprofunda um dos capítulos pouco conhecidos da história da nossa botânica e que foi empreendido há cerca de 215 anos pelo conde de Hoffmansegg, um rico nobre prussiano,  e pelo professor universitário J. Link, com o propósito de efectuarem o levantamento da flora que ocorria espontaneamente no no nosso território. As viagens que concretizaram no nosso país,sobretudo entre Fevereiro de 1798 e Agosto de 1801, culminaram na edição de uma monumental "Flore Portugaise" impressa em Berlim a partir de 1809 e que continha 114 gravuras impressas e coloridas manualmente de outras tantas espécies da flora portuguesa, entre as 659 descritas.

Essa "Flore Portugaise", teve muito poucos exemplares (sendo que um, graças a um investimento recente da C.M. de Vila Nova de Gaia, se encontra entre nós, na biblioteca do Parque Biológico de Gaia), e foi à época e a todos os níveis uma obra notável, seja pela dimensão/qualidade das gravuras, seja pelo rigor cientifico com que pretendeu ser feita, culminando o que provavelmente foi a "empresa de uma vida" na qual o conde de Hoffmansegg investiu, aos 30 e poucos anos, largas somas da sua fortuna pessoal.

Como somos manifestamente incompetentes para entrar em detalhes, seja sobre a "Flore Portugaise" seja sobre o livro recentemente editado, é nessas duas pessoas e nas viagens que por cá realizaram que gostaríamos de centrar a nossa atenção.

Habituados que estamos pela "historiografia oficial" a pensar que Portugal e os Portugueses só descobriram, séculos a fio e sem descanso, esquecemos-nos facilmente que também nós fomos observados e "descobertos". Esta perspectiva, que de resto não tem aqui os únicos exemplos ( são também conhecidos os relatos de outros viajantes famosos que por aqui passaram, sobretudo no século XIX), é todavia de conhecimento muito restrito para a maioria de nós. Ainda hoje, certamente pela endémica baixa auto-estima, consideramos pouco verosímil que algo entre nós possa ter sido objecto de observação. Quanto mais as nossas ervas bravas. Se hoje pouco interesse têm, como é que há 200 anos motivaram uma estadia tão prolongada -quase 3 anos e meio,  de dois homens de ciência vindos de tão longe!?!?

Ora essa é talvez a parte mais cativante desta história. Como terão oportunidade de constatar na leitura do livro, a vinda do conde de Hoffmensegg, um jovem erudito que queria acrescentar algo ao efervescente e já competitivo meio científico que prosperava em toda a Europa, decorre de Portugal ser, nessa altura,  visto lá fora como a última fronteira desconhecida onde quase tudo estava por fazer em matéria de ciência. Um país ainda entregue à ignorância de uma das mais empedernidas monarquias absolutistas e que, apesar dos esforços de modernização do Marquês de Pombal, persistia  arredado dos novos ventos de progresso.

O relato das viagens realizadas, editado separadamente por Link em 1803 na Alemanha no livro "Voyage en Portugal" (abordado também neste trabalho do Professor Nuno Gomes da Silva e que já em 2005 tinha sido alvo de tradução pelo Prof. Fernando Clara da faculdade de ciências da Universidade  Nova de Lisboa) merecem por si só a leitura atenta.

Na pratica Portugal inteiro foi visitado. De Lisboa ao Porto, Minho o Gerês e o Marão. O Algarve todo, o Nordeste transmontano e grande parte do Alentejo. Alguns trajectos foram feitos duas vezes. Tudo isto numa altura em que circular no nosso território além de extremamente difícil, dada a pobre rede viária, só se fazia com um salvo-conduto  e correndo riscos de segurança. Mas  Link não se limita a descrever a flora encontrada. Pelo contrario, tudo lhes interessava e além descrições sumárias das terras e cidades visitadas, avaliavam também o estado geral de desenvolvimento da nossa agricultura, mineralogia e florestas (temas da maior importância numa Europa que se preparava para a passos largos para a industrialização).

São também diversas as vezes em que não perde a oportunidade de aplicar o seu olhar critico e sagaz sobre o que lhe parecia ser  mediocridade geral das elites que governavam o reino na altura. Ao precioso e delicioso retrato sócio-económico de Portugal, poucos anos antes de ser invadido pelas tropas de Napoleão, Link junta ainda o relato de algumas das peripécias recambolescas que sucederam à comitiva nos quase três anos e meio de viagens. De incríveis viagens pelas províncias do Reino de Portugal e do Algarve e que urge serem mais conhecidas entre nós.
Johann Centurius Graf Von Hoffmannsegg e Johann Heinrich Friedrich Link

domingo, 25 de outubro de 2015

Barretes de padre


No dia em que entramos definitivamente no Outono - a mudança de hora e o consequente anoitecer "prematuro", são para muitos a marco inexorável da estação, aproveitamos para colocar a nossa atenção numa das regiões de Portugal que na nossa perspectiva merecem ser visitadas nesta altura do ano. 

Existem muitos lugares onde as paisagens se cobrem de magnificas cores outonais, mas onde os tons de cobre e dourado das folhas nos são dados de forma mais gloriosa estão sem sombra de dúvida no Norte de Portugal e em particular particular no Nordeste Transmontano.

Vem isto a propósito de uma viagem que tivemos o privilégio de fazer há cerca de um ano atrás tendo por principal objectivo o de ver com os nossos próprios olhos aquela que é considerada a árvore mais rara de Portugal: O evónimo europeu, ou, como também é chamado localmente nas terras da Serra da Nogueira e de Vinhais, barrete-de-padre.

Curiosamente, apesar de ser extremamente rara no nosso país, esta espécie de porte arbustivo mas que pode alcançar a forma arbórea, é vulgar nas orlas das florestas da Europa central sendo ainda amplamente  utilizada como planta ornamental noutros países. Com preferência por solos profundos e ricos em matéria orgânica foi aqui, nos lameiros da terra-fria transmontana, que esta espécie fixou o limite mais meridional da sua distribuição natural.

Conhecida por produzir uma madeira extremamente dura, utilizada no fabrico de fusos, o botanicamente classificado como Euonymus europaeus, tem nos seus frutos, de cor rosa (ou fucsia) e cuja forma faz lembrar a dos barretes dos padres dos séculos passados, o motivo de maior admiração.

O segundo maior motivo de admiração é o " E porque é que não são hoje amplamente utilizados na jardinagem urbana das cidades e vilas desta região?". Da nossa experiência, resultou observar que a germinação das suas sementes não apresenta problemas de maior. E se existisse essa vontade, observar barretes de padre poderia perfeitamente ser mais um cartão de visita a juntar aos (muitos) outros que a região já apresenta. 

É que não se encontra em  sítios acessíveis pelo que a única forma de os observar hoje é mesmo a que nós fizemos há um ano. Verdade que depois de encontrado se fica com a clara sensação de dia ganho, mas não é de desconsiderar a quantidade de lameiros que têm de se transpor até que se encontre um. E isto se se encontrar! 

Para quem pretender saber mais sobre esta espécie deixamos aqui o link para a sua ficha no florestar.net!

quarta-feira, 30 de setembro de 2015

Catálogo Geral Sementes Autóctones - 2015-2016



Novo catálogo aqui:https://drive.google.com/file/d/0B9sKCKBDDsItWTg0VVQ3YmNfNzg/view?usp=sharing

E pelo terceiro ano, publicamos o novo catálogo geral de sementes da flora autóctone portuguesa! Pela primeira vez conseguimos publicá-lo na altura em que consideramos que um catálogo de sementes deve ser publicado: no início do Outono, a melhor estação para por as mão na terra e experimentar germinar sementes.

Face ao do ano passado, o catálogo deste ano regista um incremento significativo do número de espécies autóctones cujas sementes conseguimos recolher, limpar e conservar. São 309 espécies organizadas em 5 categorias, das quais destacamos aos seguintes aspectos:

 - Um número mais significativo e representativo de arbustos e sub arbustos;
 - A duplicação do número de espécies herbáceas, que passou de cerca de 90 para perto de 180;
 - A inclusão de uma nova categoria para as sementes de gramíneas, das quais contamos com cerca de 24 espécies.

Na elaboração do presente catálogo, o que é o mesmo que  dizer do nosso trabalho ao longo do último ano, foi nossa principal preocupação a de incluir mais sementes das espécies que de alguma forma pudessem ser alvo de procura individual, seja para fins ornamentais, paisagísticos, ambientais ou "hortícolas". 

Como seria de esperar não é ainda o catálogo "perfeito" que gostaríamos de poder publicar! Mas ficámos mais próximos: das cerca de 4000 espécies que compõem a flora autóctone portuguesa estamos perto dos 10% que na nossa perspectiva podem e devem ser por nós utilizadas de forma mais generalizada.

Como é claro também, não estamos a publicar um catálogo destinado ao grande-consumo. Mas bastará haver uma única pessoa interessada nas sementes de uma dada espécie recolhida para já ficarmos satisfeitos pelo facto de a termos incluído!

Terminamos com duas referências da maior importância. A primeira, de agradecimento a todos aqueles que nos têm ajudado a trazer á luz do dia este projecto. A segunda, de apelo ao feed-back que qualquer um considere relevante enviar-nos. Todos os comentários, sugestões e criticas, são bem vindos. E essenciais para nós.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Equinócio de Outono: Chegou o tempo de semear



Contrariamente ao que normalmente costumamos pensar, nem sempre as mudanças de estação são aos dia 21. Este ano, e de acordo com o Observatório astronómico de Lisboa, o equinócio de Outono ocorrerá amanhã, dia 23, pelas 9.20. 

Nesse momento, pelo menos em termos de percepção, a duração do dia igualará a da noite, isto é,  ambos terão 12 horas cada um. De assinalar que os dias já vêm a decrescer desde o solstício de Verão, em Junho passado, e assim continuarão até ao próximo dia 22 de Dezembro.

É pois a altura perfeita para recomeçar um novo ciclo, algo que para nós, centrados nas sementes, assume um significado ainda mais especial. É durante os próximos dois meses que se conjugam as condições perfeitas para semear e transplantar para os lugares definitivos a maior parte das nossas espécies.

Muito em breve partilharemos o nosso catálogo geral de sementes 2015-2016 onde contamos disponibilizar um numero ainda mais significativo das espécies mais emblemáticas da nossa flora autóctone e assilvestrada. Até lá, mudamos as roupas para os dias de luz coada e desejamos a todos os votos de um bom reinício de ciclo!


sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Plantas e flores do fim do mundo


Vai-se a Sagres e ao Cabo de S. Vicente e, mesmo que não se tenha ali ido com essa intenção, percebe-se que se está em peregrinação. 

Muitos vão lá hoje porque algures no tempo nos coube o mérito de transformar aquele ponto de chegada num incrível ponto de partida. Mas, apesar disso, Sagres e o Cabo de S. Vicente serão sempre um ponto de chegada. Um fim-do-mundo. 

Um dos muitos fins-do-mundo que existem pelo mundo e que há milénios nós escolhemos para nos relacionarmos com o invisível. Os promontórios, os abismos em que a terra acaba, um mar que nao tem fim à vista e percebemos logo que aquela terra não pode ser só nossa. Apenas nos coube em sorte o privilégio de a administrar. Todos os que andam pelo seu pé, pelo menos uma vez na vida, têm o direito de também ali chegar.

Porém, Sagres e o cabo de S. vicente não são só especiais pela sua particular geografia de serem os pontos mais a Sudoeste da Europa. Os Habitats diversos, de sapais, falésias, rios, dunas, matagais e bosques mediterrânicos da costa vicentina fazem desta região um património único que se pode gabar de albergar o número mais significativo de endemismos exclusivos como o Cistus ladanifer subsp sulcatus ou  o Teucrium vicentinum, para citar apenas alguns exemplos.

Mas os endemismos são apenas a cereja no topo-do-bolo para quem visita este territorio. A multiplicidade de paisagens naturais e humanizadas; as perto de 1000 espécies que aqui ocorrem e o facto reconhecido de esta ser uma das linhas de costa mais bem preservadas da Europa, fazem desta região de Portugal um spot incontornável a visitar e usufruir sempre que se puder.

Claro que se pode sempre deambular sem um roteiro prévio e simplesmente absorver o muito que os sentidos têm para captar, mas se levarmos algumas ajudas é garantido o benefício. O livro 200 Plantas do SW Alentejano& Costa Vicentina, lançado esta Primavera e resultado da iniciativa das guias de Natureza Ana Simões e Ana Cabrita, é uma dessas ajudas. 

São 200 plantas, das mais de 1000 que ali ocorrem, e que são o degrau que faltava para que leigos e curiosos, simples amantes do que os rodeia, começem a descortinar uma parte do que observam. Só por isso, pela possibilidade nos ajudar a dar nomes ás coisas, já vale a pena ter este guia! 

O facto de ser resultado do esforço árduo de duas pessoas que não sendo botânicas de formação nao se negaram a aprofundar e partilhar o que sabiam, de todos os textos serem bilingues (português-Inglês), de ter um grafismo exemplar e de ser de muito fácil leitura, são simplesmente motivos adicionais para adquirir o guia! E que nos fazem desejar que esta iniciativa possa ser inspiradora noutras regiões do país!


terça-feira, 8 de setembro de 2015

Flores no fim do Verão

cardo-do-visco -  Atractylis gummifera

A propósito de uma visita a Sagres e ao cabo de S. Vicente, escrevemos hoje sobre duas plantas que, aparentemente sem razões plausíveis, têm o estranho hábito de florir por esta altura. Não que sejam especialmente raras, que não são, pois encontram-se disseminadas um pouco por todo o território centro e sul de Portugal, mas foi ali, na Costa Vicentina, que acabámos de as ver. Sinal pois de que é o momento certo para partilhar o que já há algum tempo andávamos para escrever.

Apesar de relativamente vulgares a verdade é que a maioria de nós nem dá por elas. Por distracção, porque apesar de tudo são facilmente notadas. Quer o cardo-do-visco (Atractylis gummifera) quer a cebola-albarrã (Urginea maritima) são plantas cuja flores, de inegável beleza, têm o mau feitio de se fazerem em contra-ciclo. Quando quase tudo o resto passou a maior parte dos últimos três meses a amadurecer sementes e, se possivel a tentar chegar vivo a um novo ciclo, estas estiveram recolhidas no solo, escondendo todos os sinais de vida da superfice. Para elas, o momento certo para se revelarem é mesmo nos últimos minutos do filme.

Perante tal incompreensibilidade há mesmo quem chegue a desconfiar da atitude, enventualmente um pouco trocista, face á miséria generalizada em seu redor. Dcidir florir nesta altura ...quase que parece de novo-rico.... Há tambem quem lhes anteveja o papel melancólico, próximo do das populares sul-africanas acucenas. de terem a seu cargo a  tarefa odiosa de anunciarem aos humanos a enorme desgraça que é o fim do Verão e o consequente início da descida ao Inverno. 

Para nós porém, que não somos antropocentricos, a  missão destas florações a destempo são tão só e apenas uma. São o alento para que as inumeras espécies vizinhas, que penam há meses à chapa do sol, não desistam. Incitam-nas a não desesperarem e que dêm tudo por tudo nesta recta final da maratona. Mais alguns dias apenas e chegarão com vida ás primeiras chuvas que aí vêm. São, se quisermos, na popular linguagem de gestão, flores motivacionais e, como tal,  fundamentais para um jardim que se quer a trabalhar em equipa,

Estas evidências tornam pois a sua presença ainda mais incontornável e pertinente num jardim. Tê-las é ter a segurança de um marcador preciso e infalível  que nos avisa, subtil e sem uso de alarmes ruidosos , que vem aí um novo tempo. O tempo de recomeçar. 

Ou, dito de outra forma, que se arrume o que eventualmente se colheu, e que se preparem as sementes do que se quer ver florir na Primavera de 2016. Todos os elementos, o Sol, as chuvas, os planetas estão todos a dar os passos necessários para a sincronização geral apurada ao longo de milhões de anos.

Não há dúvidas. Nesta latitude, tudo se compõe para começar em breve um novo ciclo!

cebola-albarrã - Urginea maritima

quinta-feira, 27 de agosto de 2015

A árvore das miragens



O título deste post é conscientemente abusivo. Que nós saibamos nao existem árvores de miragens, mas a espécie que hoje tentaremos pôr em evidência é de tal modo pouco conhecida, que para nós, e certamente para muitos outros, não passou durante muito tempo de uma miragem.

Árvore das miragens ou árvore mítica, pois além de pouco frequente, o seu nome científico, Myrica faya,  tem os requisitos certos para fazer sonhar todos os que a procuram e tardam a encontrar. As miragens são quase sempre isso: um alimento de emergência para que quem procura não desista!

A myrica faya, ou samouco - um nome vulgar bem menos elegante, é uma pequena árvore que ocorre espontaneamente nos pinhais arenosos da costa ocidental portuguesa. O mais certo é até já termos passado por ela e nem termos dado conta, uma vez que em termos de porte assemelha-se a uma outra espécie que por cincidência até compete com ela forma desleal, o mióporo (Myoporum laetum), uma espécie exótica amplamente utilizada na nossa jardinagem, apesar de poder ser considerada invasiva.

Parecida com o loureiro, é aliás sua contemporânea, partilhando com ele o facto de terem feito parte das florestas tropicais que cobriam o nosso território há 65 milhoes de anos e que sobreviveram aos periodos glaciares (iniciados ha 2,6 milhoes de anos e que persistiram até há cerca de 12.000 anos). E com efeito, a Myrica faya é uma das espécies que compõem a floresta laurissilva dos Açores, onde é ainda hoje abundante nomeadamente no Faial. Tanto que, como nos conta aqui o blogue dias com árvores,  nos meios científicos subsiste ainda hoje a dúvida se esta espécie é mesmo autóctone de Portugal Continental ou se aqui foi introduzida no século XVI após a descoberta das ilhas Atlânticas.

Dúvidas á parte, uma certeza subsiste: é uma pequena árvore com inegáveis qualidades ornamentais. De folhagem perene, em regra sempre verde, e, ao que apurámos, de crescimento relativamente rápido só nao gosta de geadas e frios extremos.  E que além do porte, oferece-nos no Verão uns igualmente estéticos frutos negros, de textura aparentada com a dos medronhos, embora mais pequenos, como é visivel na foto.

Para terminar deixamos duas sugestões. Primeira,  para quem quiser saber mais sobre esta espécie, que de link em link se deliciem com as inúmeras "estorias", usos e factos  á volta desta e de outras espécies da familia das Myricaceae (acreditem, não são poucas!) e, segunda sugestão, a quem puder e se dispuser a isso, a sua utilização como árvore ornamental. Teremos certamente bons companheiros para os neo-zelandezes metrosideros que nos últimos anos parecem ser a única espécie que existe para aprimorar as requalificações das nossas cidades e vilas costeiras!