segunda-feira, 23 de março de 2015

As Sementes de Portugal estão nas Caldas da Rainha



Dos diversos sítios onde é possível encontrar as nossas sementes, já partilhamos aqui alguns deles, mas de dia para dia a lista cresce. Seja por se tratarem de lojas e projectos com que nos identificamos, seja por se localizarem em cidades ou vilas incríveis que vale a pena conhecer e que mercem ser visitadas. A gravidade das falhas é variável, mas a que hoje corrigimos era uma das mais prementes que tinhamos para corrigir.

Quem nos conhece de perto sabe que fazemos questão em sermos sementes de muitos locais. Daí que ainda não tivessemos escrito nada sobre a cidade onde estamos baseados e na qual centralizamos as sementes que a nossa rede de colectores colhe por todo o país.

Sucede que as Caldas da Rainha além de serem uma região entre o mar, o  campo e a serra, que nos proporciona amplos locais de observação e boas colheitas, são uma cidade na qual também já é possivel encontrar as nossas sementes: Na loja biológicos da Rainha, mesmo junto ao Chafariz das 5 bicas e onde é possível hoje encontrar os produtos de qualidade que em em regra só se podiam adquirir em Lisboa ou no Porto.

E este era o alibi que nos faltava para partilhar o que, do nosso ponto de vista, faz das Caldas da Rainha uma cidade especial. Como acontece com tudo há várias maneiras de ver as Caldas. É de facto uma cidade que nao tem hoje a pujança e animação de há alguns anos atrás, que nos últimos anos sofreu com a crise económica, o desaparecimento da indústria, as lojas fechadas e o inevitável aumento do desemprego.

Tudo isso é verdade. Mas também  não é menos verdade se preferirmos observar que é uma cidade que tem tudo o que é preciso para ser uma cidade perfeita! Apesar de encerrado, tem o Hospital termal mais antigo do mundo, um dos parques mais bonitos do país, contemporâneo do jardim da Estrela em Lisboa e do Palácio de Cristal no Porto. É ainda a cidade de Bordallo Pinheiro, de muitos escultores e ceramistas, do Museu Malhoa e de muitos e bom exemplos de arquitectura Arte Nova. E que hoje é uma cidade renovada urbanisticamente, com excelente arte urbana e que acolhe ainda a ESAD, uma escola de Arte e Design de méritos reconhecidos.

E estamos a deixar  muita coisa de fora!Nas Caldas e nas imediações alcancáveis num raio de 20 quilometros, como Foz do Arelho, Óbidos, São Martinho do Porto, Alcobaça, Rio Maior, Nazaré ou Alcobaça.

Nada como cá passar e constatar pessoalmente o quanto que nesta parte da Terra a Natureza foi generosa. E que muitos homens antes de nós o perceberam bem. Tão bem, que nos últimos séculos lhe retribuiuram, sem olhar a esforços, obras várias que ainda hoje perduram. Obras que só se fazem quando um povo está bem consciente do privilégio que é viver nela.


sexta-feira, 20 de março de 2015

A Primavera e um prado florido no Jardim Botânico da Ajuda



Hoje é um daqueles dias em que temos "material" que justificaria pelo menos três entradas neste blogue. só o não fazemos porque não convém abusar da paciência de quem nos segue, pelo que vamos sintetizar e fazer um "três em um".

Há um ano atrás, ou 365 dias atrás ou, ainda, se preferirmos, 930 milhões de quilómetros atrás, assinalávamos o primeiro dia da Primavera de 2014 e partilhávamos pela primeira vez o nosso logotipo.

Um ano depois e com 365 voltas dadas, temos o privilégio de ainda cá estarmos para poder assinalar convenientemente mais um equinócio de primavera, cujo momento exacto ocorre hoje, dia 20 de Março, às 22.15. Como gostamos e já vai sendo nosso hábito, aproveitamos o momento para arrumar a imagem invernal que nos acompanhou nos últimos três meses  e substituí-la por outra mais em linha com a nova estação. Sobreviver a um Inverno é sempre motivo de festa e um campo florido de margaridas, estas da espécie Bellis perennis, são uma boa forma de a celebrar.

Por coincidência, ou talvez não - porque as coisas estão mesmo todas ligadas!, a Bellis perennis é uma das 12 espécies de flores que incluímos na mistura de sementes que preparámos para o prado florido  do jardim de flora autóctone - Jardim Olissiponense -  que o Jardim Botânico da Ajuda (JBA) está agora a instalar com a ajuda da Arqout/Ecojardim, da Sigmetum e ao qual também temos o prazer de estar associados.

Não escondemos o quanto nos satisfaz poderemos participar neste novo "jardim olissiponense". 

Para quem não o sabe, o Jardim Botânico da Ajuda é o primeiro Jardim Botânico feito em Portugal e o 15º de todo o mundo, Construído na segunda metade do séc. XVIII, em pleno iluminismo, destinado ao usufruto e lazer da família real mas já com claras preocupações cientificas e o desejo de albergar as raridades botânicas que chegavam à Europa vindas de outras latitudes, Muitas das árvores que hoje vemos nas ruas de Lisboa e de outras cidades, como os jacarandás, foram ali pela primeira vez "ensaiadas" às nossas condições climáticas.

O JBA, através do seu criador, o  italiano Domingo Vandelli,  está ainda ligado á criação, pouco tempo depois, de um outro jardim que muito apreciamos e que hoje faz parte do nosso património que também já é reconhecido como sendo da Humanidade: o Jardim Botânico de Coimbra.

Porém, apesar dos seus duzentos e muitos anos e de ser um jardim magnífico com todas as razões para ser frequentemente visitado, não é um jardim cristalizado no tempo. Pelo contrário. Este jardim de flora autóctone portuguesa que agora se instala, bem como o jardim dos aromas criado há já alguns anos são prova disso e acompanham o que os outros jardins botânicos da Europa também fazem há algum tempo: dedicar uma atenção cada vez maior para a flora nativa. sem descurar as colecções exóticas que estiveram na  sua origem e que hoje são exemplares monumentais.

Para terminar, e porque nunca é de mais assinalar, celebra-se amanhã, dia 21 de Março o dia mundial da Floresta e da Árvore. Como é de tradição estão agendadas por todo o país acções de plantação de árvores, muitas delas envolvendo escolas. Não é definitivamente a melhor altura para por árvores na terra e o mais provável é que poucas sobrevivam,

Mas não é completo desperdício de energia pois  contribui para que mais e mais pessoas se seduzam pelo exercício. Daqui a uns anos e quando forem mais velhos muitos dos que amanhã plantarem árvores  vão perceber que a boa altura para plantar árvores na nossa latitude é mesmo em Outubro-Dezembro. Porém, o mais importante fica já feito: saberão como plantar um ser-vivo!


domingo, 15 de março de 2015

Terra de mulheres



Desde que há 13 anos a Fundação Yves Rocher instituiu o galardão "Terre des Femmes", perto de 350 mulheres no mundo inteiro já foram distinguidas pela sua acção em prol da sustentabilidade ambiental e da sua clara relação com o bem estar da sociedade.

Nos últimos anos foram vários os projectos que em Portugal já foram galardoados e este ano, no passado dia 3 de Março, a Milene Matos e o seu projecto de preservação da Mata do Buçaco, ganharam o prémio Nacional Terre des Femmes para Portugal /2014, 

Mas esta é uma boa notícia que ainda o poderá ser mais. A Milene é uma das 7 nomeadas para o prémio internacional do Público e para que o ganhe basta que até ao dia 20 deste mês cada um de nós vá até http://www.terredefemmes.org/pt e vote nela. É simples e cada um de nos tem direito a 5 votos - Um por dia. Votos que vão ajudar a fazer a diferença e a dar ainda mais visibilidade a um projecto que é de todos nós: preservar a Mata do Buçaco!

E com isso continuar a inspirar o aparecimentos de mais projectos. Não apenas de mulheres mas de todos os que, como a Fundação Yves Rocher acredita e nós também, decidirem por mãos à obra e continuar a provar que a mudança está ao alcance de qualquer indivíduo.


quarta-feira, 4 de março de 2015

Vinte novas espécies


Desde que em meados de 2014 lançámos os primeiros pacotes de sementes, era para nós claro que havia muitas mais espécies que gostariamos de ver nos nossos expositores.

A dificuldade era, como ainda é, escolher entre as muitas espécies autóctones e assilvestradas que existem no nosso território. Como já referimos algumas vezes, se das mais de 4000 espécies existentes pressuposermos que 10% têm inegáveis qualidades estéticas, aromáticas, alimentares ou outras, serão mais de 400 as que temos para valorizar!

Não está nos nossos planos chegar a um tão grande número, mas as 20 novas espécies que agora juntamos são essênciais. De tal forma, que diriamos mesmo que fazem parte do lote de espécies "básicas" que deveremos ter perto de nós sempre que tal nos for possível.

Sintetizando, os novos pacotes de sementes são os seguintes:

 - 1 Árvore: Loureiro 
 - 6 Arbustos: Espargueira, Giesta, Piorno -Branco, Árvores-da-castidade, Loendro e Sabugueiro 
 - 2 Trepadeiras: Hera; Madressilva
 - 1 Sub-arbustos: Gilbardeira
 - 3 Herbáceas anuais: Tremocilha, Borragem e Capuchinhas
 - 1 Herbácea bi-anual: Verbasco
 - 4 Herbáceas vivazes: Funcho, Acanthus, Alfavaca-dos-montes, Abrótea-de-Primavera
 - 2 Alhos&Bolbos: Alho-porro e Narciso-das-praias.

De ressalvar que das 20 espécies há 3 que não são em rigor autóctones. São porém espécies que pelas suas qualidades foram introduzidas pelo Homem no nosso território há já bastante tempo e que, uma vez assilvestradas, não demonstraram um comportamento invasivo. Os Acanthus, introduzidos muito provavelmente pelos Romanos há 2 mil anos estão disseminados um pouco por todo o lado, sobretudo em locais de alguma sombra; a Árvore-da-castidade, igualmente introduzida pelos Romanos pelas suas qualidades ornamentais é frequente nas ribeiras do Algarve; e as Capuchinhas, originárias dos Andes e que os Espanhois trouxeram para a Europa no Séc. XVI, trouxeram novos tons de cor a muitos taludes das nossas cidades.

Nas próximas entradas abordaremos de forma mais detalhada algumas das espécies agora disponibilizadas.

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A importância das Plantas e da Botânica


No dia em que o portal Flora-on, da Sociedade Portuguesa de Botânica comemora três anos, aproveitamos para partilhar um pequeno vídeo divulgado pelo Prof. Carlos Aguiar do blogue Das Plantas e das Pessoas.

Hoje a botânica, ou a jardinagem, ou a Natureza em sentido lato despertam a atenção de cada vez mais pessoas, mas para muitos ainda é visto como um interesse quase bizarro. Erradamente. E é por isso que a mensagem deste vídeo é importante.

Se olharmos para o nosso planeta como uma casa partilhada por muitos seres vivos, que é o que realmente é, onde as nossas habilidades racionais não podem servir de alibi para a considerarmos apenas nossa, o Reino das Plantas é o reino dos seres vivos que nos permite a nós e a todos os outros animais complexos aceder à energia do Sol. 

São as plantas, das mais simples ervas às gigantescas árvores das florestas tropicais, que através dos processos de foto-síntese transformam a energia solar em alimento ou outras formas de energia. Sem elas, simplesmente, não há a vida complexa que hoje existe. Poderia existir outra!? É possível. Mas não esta. 

Há muitas mais razões que sustentam a importância das Plantas e de as estudarmos cientificamente. Mas bastaria esta para deixarmos de vez de olharmos para as plantas apenas como um cenário ou a paisagem da beira da estrada!


domingo, 22 de fevereiro de 2015

Os primeiros acordes de Primavera




Nem de longe nem de perto o nosso Inverno atinge o rigor do que a costa leste dos Estados Unidos tem experimentado estes dias, mas ainda assim ninguém pode dizer que esteja a ser um Inverno suave. 

A boa notícia é que falta menos de um mês para a chegada da Primavera. E a a prova de como é certa a sua chegada são os seus sinais que estão já um pouco por todo o lado. A Natureza, como que para nos descansar, vai encarregando algumas espécies de começarem a  florir "antes" de tempo, como é o caso do alecrim, das alfavacas-do-monte ou de algumas orquídeas silvestres.

Utilizando uma metáfora, são como que os primeiros acordes da  grande sinfonia que ouviremos lá para Abril e Maio. Porém, até lá,  há ensaios parciais que podemos ir ouvindo e que, por si só, justificam plenamente a compra de bilhete . Um desses ensaios é o dos campos cobertos das flores brancas das margaças. 

Há quem também lhes chame de margaridas, malmequeres ou de falsa-camomila, dadas as suas parecenças com a verdadeira camomila (Porém neste caso pouco importa o nome, até porque são várias as "margaridas" que temos e é muito fácil incorrer em erro. Na foto acima o mais provável é que se trate da espécie Chamaemelum fuscatum,  tmas também é possível que se trate da Anthemis arvensis. Neste artigo, a Fernanda nascimento dá pistas para a correcta identificação das duas espécies.

De qualquer das formas e para quem começa agora a interessar-se pelo tema bastará, além do mais importante que é admirar os campos que for encontrando, reter que é uma das muitas espécies  da família das compostas ou Asteraceae - uma das maiores famílias de plantas e que no mundo tem cerca de 23 000 espécies distribuidas por 1500 géneros diferentes. Destes, ocorrem em Portugal 116 como poderão explorar no portal Flora-on.


segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Carnaval, Entrudo e Arruda


Nos dias de hoje não há projecto que subsista sem uma vertente comercial e são incontáveis os esforços para associar os mais diversos produtos às diferentes datas comemorativas que o calendário nos vai marcando. Nós não fugimos muito à regra e se o Dia dos namorados era um excelente argumento para os enamorados oferecerem sementes de murta (ou outra!porque não) o Carnaval é também uma óptima desculpa para falarmos e promovermos outras espécies. E este ano, voltamos a uma da nossas plantas preferidas: a arruda.

A associação é um pouco-forçada, reconhecemos, mas tem uma razão de ser. A arruda, à semelhança do Carnaval,  tem reconhecida carga simbólica  e é uma planta mistica para muitos,   indispensável para afastar o mau-ollhado ou a inveja, sendo por outros ainda conhecida com a erva-das-bruxas.

É bem provável que nos actuais festejos de Carnaval se cruzem reminiscências de diversas tradições com significados e antiguidades diferentes. Desde as festas em honra de Dionisio na Grécia, a Baco na Roma Antiga passando pelos rituais de fertilidade das primeiras comunidades agrárias, o mais provável é todas elas terem contribuido para a actual configuração dass festas de "Adeus à Carne" (carnem levarem), que hoje comemoramos pelo segundo dia.

O enfoque de que mais gostamos é possivelmente o que os mascarados de Lazarim (Lamego) e os caretos de Podence (Bragança) mantêm ainda hoje vivo e que, não há muitos anos marcava o Entrudo na grande parte das nossas comunidades rurais, longe dos actuais desfiles e corsos inspirados nas tradições originadas em Paris no século XIX e que têm hoje no Brasil um expoente. 

Eram os rituais de celebração do fim do Inverno, da preparação da Primavera e das novas colheitas, em que aos jovens mascarados de figuras  diabólicas todos os excessos e tropelias eram permitidas, porque o início de um novo ciclo de fecundidade se aproximava e era preciso afastar o que de velho ainda subsistia.

Essas festas agrárias foram entretanto confinadas pela Igreja aos três dias anteriores ao início da quaresma, a qual se inicia sempre na quarta-feira de cinzas, 47 dias antes do Dia de Páscoa. Como o Dia de Páscoa é uma celebração móvel (determinada todos os anos  pela mesma regra: primeiro Domingo após a primeira lua-cheia que se observar depois do equinócio de Primavera, o qual no hemisfério Norte ocorre a 21 de Março. Este ano a Páscoa será pois a 5 de Abril), temos que também os três dias de Carnaval são móveis. 


E há que aproveitar, pois o Entrudo (entroito, em latim, entrada), são os três dias reservados aos excessos que podem anteceder a entrada nos 40 dias da quaresma  - Um período em que todos os crentes são convidados à frugalidade e reflexão, condição essencial para celebrar condignamente o sofrimento de Cristo que se relembra na Semana-Santa.

Mas a época que agora se inicia tem ainda mais relações com as plantas que nos rodeiam. Quarta-feira de cinzas, dia18 de Fevereiro, assinala como diziamos o início da Quaresma. E é por ser de cinzas que em muitas localidades de Portugal é ainda tradição queimar os ramos utilizados no dia de Ramos do ano anterior (de oliveira, rosmaninho, alecrim, etc). E com as cinzas, humedecidas com àgua benta, o celebrante marca nos fiéis o sinal da cruz relembrando o quão efémeros somos: "lembra-te que és pó e ao pó voltarás".