sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Os nossos catálogos de sementes

Catálogo de pacotes de sementes autóctones, disponível aqui.

A par do nosso catálogo geral de sementes, e cuja nova edição de 2014-2015 daremos a conhecer em breve, disponibilizamos desde o início do Verão um catálogo de pacotes de sementes das nossas espécies autóctones favoritas. Contendo neste momento 23 espécies, mas às quais juntaremos em breve mais algumas, não escondemos o quanto nos orgulhamos dele.

São 23 espécies tão distintas como o cardo-leiteiro, a murta, o medronheiro, a chicória ou a arruda. 23 espécies que para além das inegáveis qualidades ornamentais e estéticas pertencem ao nosso imaginário colectivo, que fazem também parte da nossa identidade cultural e que hoje é possível encontrar em cerca de 40 sítios de Norte a Sul de Portugal.

E são 40 sítios de que nos orgulhamos igualmente e muito. Não só por terem aceite de forma pioneira associar-se ao nosso projecto de valorização da nossa flora espontânea, mas por serem lojas, projectos  e instituições que trabalham e se esforçam todos os dias  para, nas áreas respectivas, apresentarem o que de melhor se faz em Portugal.  E com os quais nos identificamos. Pelo amor que colocam no que fazem e por acreditarem que é possível fazer bem. Sempre.

Já aqui apresentámos alguns sítios com as lojas da Vida Portuguesa e da Fundação de Serralves, mas nos próximos posts iremos dedicar-nos a dar-vos a conhecer todos os espaços fantásticos que, de Ponte de Lima a Tavira, passando pelo Porto, Lisboa e tantas outras localidades, vale a pena visitarem. Mesmo que não seja para comprar as sementes de Portugal!

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Outono




Dentro de algumas horas, mais precisamente às 3h29m de amanhã dia 23 de Setembro de 2014, de acordo com o Observatório Astronómico da Universidade de Lisboa, ocorre o equinócio de Outono assinalando-se "oficialmente" a mudança de estação.

Não que a não tenhamos já pressentido e observado ao longo dos últimos dias, pois este ano, além de um Verão envergonhado, as condições atmosféricas encarregaram-se de nos fazer sentir o Outono mais cedo. De qualquer das formas o momento exacto em que o dia iguala em duração a noite (equinócio tem esse significado em latim), é precisamente às 3h29 minutos e, à semelhança das estações anteriores, alteramos  a  imagem do cabeça e as cores do logotipo das sementes de Portugal. Que nos acompanharão durante os próximos 90 dias.

Ao contrário do que por vezes se houve dizer, de que devido às mudanças climáticas as estações estão trocadas ou que quase já não existem, a verdade é que em Portugal é possível usufruir de um ano com quatro estações bem delimitadas. À semelhança das outras estações, o Outono também tem o seu próprio charme. É verdade que os dias vão diminuindo de tamanho e que a melancolia se pode instalar, mas é também a altura de admirar a Natureza nas suas cores intensas de dourados vermelhos e castanhos. É a altura da luz filtrada e da humidade no ar. O momento de colher muitos dos frutos do Verão. De apanhar cogumelos e podar, de guardar lenha, de fazer compotas e preparar o Inverno.

E é também o momento para pensar em semear. Naturalmente, muitas das sementes das nossas espécies autóctones encontram no Outono as condições de luz e humidade propícias para que a vida que nelas existe desperte. Por isso, semear agora, numa altura em que tudo à nossa volta se encaminha para um período de dormência e de recobro de energias, é também um acto de esperança na nova vida que quer (sempre!) despontar.

Não há pois razões para chorar  o Verão que acaba. Pelo contrário, apenas as temos para tirar partido de um facto, do qual só é necessário aprender a usufruir. Um facto, que resulta "simplesmente" de estarmos nesta latitude do planeta Terra e de juntamente com ele viajarmos em volta do sol, a uma agradável e discreta velocidade de 30 kms/s ou 108.000 km/hora! Poderíamos ir mais depressa, mas é a velocidade aconselhada para percorrermos sem precalços de maior os 930 milhões de Kms que temos de fazer durante os próximos 365 dias.


Gráfico dispnível em http://www.hidrografico.pt/sabia-que-equinocio-primavera.php

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Flores de Verão II



Achilea ageratum


Definitivamente entrámos no Outono há pelo menos uma semana, mas vamos ser rigorosos com o calendário e aproveitar as pouco mais de 24 horas que nos restam até à mudança de estação para, in-extemis, falarmos de uma outra planta nativa cujas inflorescências de Verão merecem a nossa atenção. Há muitas outras que ficaram por salientar, mas haverá outras oportunidades nos futuros verões.

A Achilea ageratum, também conhecida como agerato, macela-francesa ou erva-copada-de-são-joão, é relativamente frequente em locais húmidos de todo o país e, por essa razão, vulgar nas bermas de caminhos e estradas onde prospera nas escorrências das águas das chuvas.

E é isso que a prejudica. Como se dissemina com alguma facilidade e é relativamente abundante, para a maioria de nós não passa de uma planta sem interesse. Até a vermos com olhos de ver. As suas inflorescências, um pouco a fazerem lembrar as da erva-do-caril ( é aliás, também uma planta da família das asteráceas ou compostas) ocorrem numa altura em que poucas mais flores há. Mas o seu interesse maior radica no aroma perfumado das suas flores que na idade média motivava a sua utilização como planta de cheiro, fresca ou seca, para perfumar as casas.

A isto acresce o facto de ser uma planta perene vivaz, que renasce todos os anos e de a partir dela se poderem extrair óleos essenciais com propriedades medicinais.

Embora tolerante à
seca gosta de ser bem regada na Primavera e prefere solos expostos ao sol. De resto não precisa de cuidados acrescidos!

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Flores de Verão I


Perpétua-das-areias ou Erva-do-caril - Helichrysum italicum

Agora que nos damos conta de que faltam pouco mais de 10 dias para terminar oficialmente o Verão é que nos lembramos que na prática não publicámos nada sobre as flores de Verão. É certo que o Verão as tem em menor quantidade que a Primavera, mas ainda assim tem algumas que vale a pena evidenciar. E como o tempo escasseia, a termos de eleger uma planta cuja floração atinge o auge no Verão, escolhemos a perpétua-das-areias. Mais á frente e se ainda tivermos oportunidade falaremos das outras que também merecem o seu destaque.

Para começar convém dizer que sob a designação popular de perpétua-das-areias temos em Portugal duas espécies semelhantes: A Helichrysum italicum e a Helichrysum stoechas, sendo que a primeira se encontra de facto nas areias das dunas e arribas da nossa costa e a segunda, muito parecida, no resto do território sendo possível encontrá-la um pouco por todo o lado em sitios soalheiros de norte a sul de Portugal.

Embora ambas possuam um porte idêntico, sub-arbustivo com folhagem verde cinzenta, e exalando ambas um aroma a caril, estamos em crer que a Helicrisum italicum, que ocorre no nosso litoral, possui um cheiro mais intenso, estando na origem da Erva-do-caril que é possível encontrar nos hortos e centros de jardinagem. Dizemos na origem, e não a mesma espécie, porque  nos parece que as que normalmente se encontram  à venda poderem ser já um cultivar mais apurado. Mas esta é uma convicção que importaria confirmar!

De qualquer das formas, é inquestionável a mais valia da Perpétua-das-areias. Forma tufos simétricos de cor singular, cinza quase branco, e no Verão, sobretudo em Agosto, cobre-se de forma generosa de inflorescências amarelas, numa altura em que as outras plantas se encarregam de amadurecer as suas sementes. A isto, que não é pouco, acresce o aroma e as propriedades medicinais que o óleo produzido a partir dela possui: anti-inflamatórias, anti-oxidantes e anti-microbianas.

Por fim, de salientar que é uma planta que exige poucos ou nenhuns cuidados. Prefere solos leves, mas adapta-se a outros tipos desde que não sejam pesados e encharcados. Uma boa noticia portanto para quem quiser ter plantas  pouco exigentes de água ou nutrientes!

Nota - Como é evidente, outros ja escreveram mais e muito melhor sobre estas espécies! 
Nas planta e flores do areal, um artigo completíssimo aqui e no jardim autóctone, aqui, sobre a helichrysum stoechas, e donde transcrevo o parágrafo que explica preto no branco porque é que se chamam perpétuas e de que forma o seu nome científico lhe faz justiça! 

" Na Antiguidade, as flores do género Helichrysum eram muito utilizadas para fazer grinaldas, com que se coroavam os ídolos. Por conservarem por muito tempo a sua cor amarelo dourada, eram conhecidas pelo nome vulgar de imortais ou perpétuas, daí o seu nome. O próprio termo Helichrysum, que resulta da junção de dois termos gregos, hélios (sol) e chrysos (ouro), realça a cor das flores destas plantas. "


domingo, 31 de agosto de 2014

As Sementes de Portugal em Serralves


A Fundação de Serralves dispensa apresentações - É tão somente uma das instituições publicas que maior projecção e reconhecimento trouxe para Portugal, e sobretudo para a cidade do Porto e a região Norte, nas últimas décadas.

A sua acção, seja ao nível da arte contemporânea seja da educação ambiental, é uma referência consistente e a sua programação ao longo do ano fazem de cada visita à casa-jardim-parque-museu de Serralves uma possibilidade de contactarmos com o que de melhor temos e fazemos!

Estarmos presentes na loja da Fundação de Serralves é pois muito mais do que estarmos em "mais um ponto de venda". É a possibilidade de, certa forma, passarmos a fazer parte de uma realidade que muito admiramos e apreciamos.

Em conjunto com os responsáveis da loja e parque de Serralves, foram seleccionadas 9 espécies nativas de portugal, das muitas que podem ser observadas nos bosques, campos da granja e jardim de aromáticas. E que agora passam a estar ao dispor de todos aqueles que quiserem levar um pouco da diversidade que Serralves nos oferece todo o ano em plena cidade do Porto!



domingo, 17 de agosto de 2014

Bagas de Verão II

Amoras e Camarinhas!

É certo que existem outras bagas de Verão de que poderíamos falar, mas este ano ficamos-nos por mais estas duas. Não que sejam espécies em que depositemos grandes expectativas comerciais! São todavia e provavelmente as bagas mais reconhecidas e apreciadas neste mês de Agosto.

As amoras, que são a parte boa das silvas!, têm méritos reconhecidos. Há quem as coma directamente ao passar por elas e há quem faça geleias e compotas. Hoje em dia já fazem parte de inúmeros produtos que se encontram nos supermercados ostentando a designação de frutos silvestres ou vermelhos a par dos mirtilos e framboesas. E, tanto quanto sabemos, existem arbustos que produzem bagas similares. Mas as genuinas e originais são as produzidas pelas espécies Rubus, familia das Rosaceae. 

E uma consulta ao portal flora-on permite-nos constatar que nem as silvas são todas iguais. Em Portugal está inventariada a ocorrência de 16 espécies diferentes, sendo que a que possui a distribuição mais generalizada é a da espécie Rubus ulmifolius.

Quanto às camarinhas, um arbusto frequente nas dunas e arribas e que pertence à família das Ericaceae, quem já passou férias na costa ocidental de Portugal já as conhece. E se as provou ficou de certeza fã do seu sabor ligeiramente ácido mas refrescante - sempre a calhar depois de um dia sol e mar no caminho de regresso a casa.

Já houve tempos em que na Nazaré e em outras localidade de veraneio era usual encontrar estas bagas à venda na beira dos passeios. E hoje há já quem se aventure com bons resultados a confeccionar geleia de camarinha.

Mas se há humanos que ainda duvidam das qualidades destas duas bagas, os pássaros mais diversos só agradecem. Nesta altura do ano são uma excelente e abundante fonte de alimento.

Como seria de esperar, dispomos de sementes de ambas. São plantas que num jardim só enriquecem o ecossistema! No caso das silvas não há que duvidar e o Parque da cidade do Porto prova que os "maciços" de silvas lá plantados fornecem alimento e abrigo às mais diversas espécies. Não é pois uma planta incómoda a erradicar de um jardim. Pelo contrario, basta saber tirar partido dela.

Quanto á camarinha, que tem preferência por solos arenosos e que está habituada a Verões secos e com pouca água, só fazemos a ressalva de que as suas sementes, ao contrário das silvas, não são de germinação facilitada. Mas que não é impossível e alguns dos seguidores das sementes de Portugal têm tido na sua germinação um bom desafio na arte de fazer nascer coisas!

Adenda - Como é nosso hábito, depois de escrevermos, tal qual os bons cábulas, verificamos o que quem cá anda há mais tempo já escreveu sobre o assunto. Não vá termos escrito algum disparate! E todos eles são mais aprofundados que as linhas acima. Como tal e se estiverem curiosos em saber mais sobre estas duas espécies, é só seguir os links abaixo.

Sobre as amoras silvestres:


Sobre as camarinhas:

Dias Com árvores - A ler, para descobrir que a camarinha é uma espécie dióica!

domingo, 10 de agosto de 2014

Bagas de Sabugueiro

Sambucus nigra

A propósito das bagas de Verão do último post, era claro para nós que haveríamos de voltar ao tema. Até porque há mais algumas bagas e respectivos arbustos que queremos evidenciar. Mas as de hoje eram, por diversas razões, prioritárias: As bagas de Sabugueiro!

Na realidade as bagas de sabugueiro são na realidade apenas um pretexto para escrevermos algumas linhas sobre uma espécie que até há alguns anos quase desconhecíamos e que hoje é uma das nossas preferidas, tais são as suas especificidades e qualidades!

E não sabendo por onde começar, começamos por admitir que em bom rigor apenas este ano observámos e colhemos bagas de Sabugueiro! Até há alguns anos atrás, Sabugueiro era para nós nome de localidade na Serra-da-Estrela. E levou alguns anos até percebermos que apesar de naturalmente se encontrarem mais no centro e norte de Portugal e junto a linhas de água, é, ainda assim, perfeitamente possível encontrá-los às portas de Lisboa e mais a sul e nem sempre em terrenos húmidos.

E só este ano é que conseguimos encontrar as suas bagas em sabugueiros carregados de fruto! E em bom tempo porque se há espécie cujas sementes tencionamos adicionar no próximo Outono ao nosso catálogo de saquetas, essa espécie é  esta!

Para começar convém dizer que o Sabugueiro é tecnicamente um arbusto que pode atingir 3 a 5 metros de altura. Porém, se for devidamente podado, pode apresentar-se também na forma de pequena árvore. De folha caduca, é dos primeiros a ganhar folhas novas no final do Inverno e na Primavera, cedo, cobre-se de cachos de flores brancas que no Verão dão lugar a generosos cachos de bagas de sabor agradável para humanos e, sobretudo, pássaros que delas se alimentam a bom ritmo!

Só pelo parágrafo acima estavam dadas as razões suficientes para resolver ter um sabugueiro no jardim ou no canto da horta. Mas as suas virtudes vão muito além disso.

Conhecido desde a antiguidade pelas suas propriedades medicinais, são inúmeras as aplicações  para as suas folhas, flores, casca do tronco e frutos. A infusão das suas flores secas tem indicações no tratamento de gripes e constipações e há quem enalteça um banho com as suas aromáticas flores frescas.

Quanto ás bagas e ao seu sumo, rico em vitaminas e antioxidantes,  estão hoje na base da cultura de sabugueiro nos municípios de Douro Sul. Uma cultura com uma importância económica crescente e no essencial orientada para a exportação com destino à Alemanha, Holanda e Dinamarca, onde o seu extracto é utilizado na fabricação de sumos, como corante ou matéria prima das indústrias alimentar e farmacêutica.

Tradicionalmente o seu sumo tinha aplicações como corante de vinho, entrando na composição do chamado vinho-a-martelo! 

E por fim, para o caso de ainda existirem leitores pouco convencidos, as suas bagas podem ser utilizadas juntamente com outros frutos vermelhos na confecção de tartes e compotas!

Nota - O sumo de sabugueiro é, sabemos nós, apreciado por outros povos europeus. Nada que nós não possamos começar a  apreciar também, embora seja de apurar com cautela a percentagem em que deve ser diluído para afastar eventuais e indesejáveis efeitos secundários! De experiência comprovada, se bebido puro, são inequívocos os efeitos laxantes! Para além das náuseas :)