sábado, 21 de junho de 2014

Bem vinda a época das colheitas!



Hoje é o primeiro dia do Verão! No dia mais longo do ano, damos as boas vindas à estação do ano preferida dos portugueses. A estação das férias grandes, da praia, das noites quentes, dos passeios pelo campo e claro!, das colheitas! A maioria da flora autóctone já floriu e está menos exuberante que na Primavera, preparando-se para sobreviver à falta de água dos próximos meses. Para nós é porém a altura de maior trabalho. É nesta altura que temos de colher uma boa parte das sementes que iremos semear no início do Outono!



A todos, os votos de um bom Verão e de boas colheitas!

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Chicória



Para os mais afastados da flora que nos rodeia, a chicória é uma daqueles bons exemplos que se costumam dar para provar que as plantas não estão assim tão afastadas da nossa vida. Com efeito, quem não se lembra daquele anuncio dos anos 80 e inicios de 90 de uma marca que referia "...cevada, chicória e centeio, Brasa é a bebida que aquece...". Pois é, ainda hoje quase todas as bebidas substituítivas do café da manhã, feitas à base de cereais, têm na sua composição a chicória!

E quando constatamos que se trata da mesma planta cujas flores de azul acentuado observamos por esta altura em muitas bermas e campo não queremos acreditar!

Tudo nesta planta tem uso. As suas folhas ao inicio da Primavera podem ser utilizadas em saladas, sendo até mais ricas que as de alface!, as suas flores são comestíveis e as suas raízes são utilizadas, após serem torradas e moídas, na fabricação das bebidas feitas à base de cereais. Por outro lado, às infusões feitas com as suas folhas e flores são atribuídas propriedades medicinais ao melhorar o funcionamento do figado e ao estimular a secrecção de bilis.

A chicória, ou almeirão, como também é vulgarmente conhecida, é uma planta perene vivaz. Isto é dura vários anos renascendo todos os fins do Outono/inícios de Inverno. Mas antes de entrar no seu período de dormência, no final do Verão, presenteia-nos sempre com  generosa floração de delicadas e intensas flores azuis que se abrem durante o dia e se fecham ao fim da tarde.

E é esta a perspectiva que mais nos seduz nesta planta: a sua utilização como ornamental. É certo que por cá  pode ser considerado arrojado, mas com sensibilidade e bom senso é possível tirar o melhor partido do efeito que a sua floração proporciona  a fazer lembrar um véu azul em suspenso num canto do jardim!

domingo, 15 de junho de 2014

Duas flores especiais

Nigella damascena e Aquilegia vulgaris

É um facto que a Natureza atinge graus de sofisticação e perfeição elevados e que por vezes nos surpreendemos a nós mesmos exclamando que determinada coisa quase parece uma obra de engenharia ou de arquitectura tal a elaboração. É claro que esta exclamação encerra em si uma perspectiva enviesada da realidade. De facto não é a Natureza que quase consegue alcançar o Homem, mas o Homem que por vezes quase se aproxima da perfeição da Natureza, ela sim magistral no desenho das formas de vida que apurou ao longo de milhões de anos.

Vem esta ideia a propósito de duas flores que, a titulo de exemplo, nos intrigam pela "complexidade" das suas formas e desenhos. Na maioria das flores conseguimos perceber a funcionalidade do que observamos mas nestas Nigella damascena e Aquilegia vulgaris quanto mais observamos mais ficamos intrigados com a sua elaboração.

Ambas são plantas herbáceas singelas, anuais, que uma vez floridas perdem quase todo o interesse. Por isso, tê-las num vaso ou num cantinho do jardim é sobretudo cultivar um capricho estético apurado na observação da perfeição das pequenas coisas!

Nota - curiosamente ambas as flores, de géneros distintos,  pertencem à família das Ranunculaceae. Mais informação e boas fotos sobre a Nigella aqui (Dias com árvores), sobre a Aquilegia aqui (Botânico Aprendiz...).

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Sementes de flora autóctone


Quando lançámos o projecto das sementes de portugal esta era uma das ideias que tínhamos em mente. E que conseguimos concretizar agora com a ajuda de muitos amigos que nos cederam fotos, se disponibilizaram para reverem os textos e que, claro, também deram o seu contributo com ideias e sugestões!

São cerca de 20 espécies que a partir de agora passam a estar disponíveis em diversas lojas de Norte a Sul do país, proporcionando a todos, e em especial aos que nos visitam, a a possibilidade de adquirirem sementes de algumas das espécies com maior potencial ornamental e paisagístico da nossa flora. Já falámos de todas elas aqui no nosso blogue mas gostamos tanto das novas embalagens que proximamente voltaremos a evidenciá-las.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Espigas purpura


Nepeta tuberosa

Depois do último post dedicado ao dia da espiga, deixamos hoje um pequeno apontamento para mais uma espécie com inegável valor ornamental mas que, ao contrário de noutros países, é pouco ou nada utilizada na nossa jardinagem.

Chamamos-lhe espigas purpura, porque é isso que as suas inflorescências - hastes com cerca de 60 cm a 1 metro de altura, nos fazem lembrar. O seu nome vulgar é erva-gateira, em inglês catmint.

Trata-se de uma planta perene vivaz, cujas raízes tuberosas garantem que todas as Primaveras renasce depois de quase desaparecer durante o Verão - Outono. Pertence à família das Lamiaceae a qual engloba géneros mais conhecidos como as mentas, os tomilhos ou o rosmaninho, para citar apenas alguns exemplos. 

Em Portugal é possível encontrá-la espontaneamente em solos calcários, geralmente secos e expostos aos sol, do Centro litoral, Alentejo e Algarve. Pelas pistas que a sua distribuição nos dá, poderemos dizer, sem grande margem de erro que é uma espécie muito pouco exigente seja em matéria orgânica seja de água.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Dia da espiga

Papaver rhoeas

Aproveitamos hoje a oportunidade para relembrar a celebração do dia da espiga e com isso uma das flores do campo mais emblemáticas que habitam as nossas memórias e que fazem parte de uma espiga composta a preceito.

Este dia, que outrora era celebrado extensivamente por todo o país, e que ainda assim se mantém em algumas zonas da nossa província, coincide com a quinta-feira da ascensão - um dia feriado religioso  móvel que celebra, 40 dias depois da Páscoa, a ascensão de Jesus aos céus. Porém é de acreditar que a tradição de sair aos campos e formar uma espiga com ramos de diversas plantas e flores, tem as suas raízes mais profundas nas tradições pagãs das comunidades agrícolas de todo o mediterrâneo que neste dia celebravam intensamente a sua conexão à natureza e à terra.

Independentemente da origem, a tradição consistia (e consiste) em neste dia sair pelos campos entre a 12 e as 13 horas e colher uma espiga formada por ramos das seguintes plantas: malmequeres, folhas de videira, alecrim, oliveira, espigas de cereais e, claro está, papoilas. Cada uma destas plantas/flores tinha uma simbologia particular, cabendo às papoilas o significado de amor e vida.

 Uma vez colhida a "espiga" a mesma era pendurada pelas pessoas como amuleto nas paredes da cozinha ou da sala onde deveria permanecer durante todo o ano por forma a atrair abundância, saúde e sorte.

O dia era de tal forma sagrado  e importante que em muitas regiões havia o preceito de não trabalhar para participar activamente nos festejos religiosos. A expressão "No dia da Ascensão nem os passarinhos bolem nos ninhos" é disso um reflexo.

Mas se as tradições têm caído em desuso também não é menos verdade que no que respeita às papoilas também se assiste ao se rareamento. Outrora imagem de marca de muitas searas do sul do país são hoje cada vez mais raros esse campos tingidos de vermelho. E muito por culpa dos novos herbicidas selectivos que se encarregam de eliminar todas as plantas excepto os cereais em produção. 

Daí que hoje as papoilas estejam cada vez mais confinadas a algumas bermas de estrada. Embora sejam cada vez mais utilizadas em misturas de sementes para prados floridos. A papoila é uma planta herbacea anual que uma vez semeada se propaga nos anos seguintes pelas sementes que produz.

Uma nota final por fim para o valor alimentar das suas pétalas, as quais são comestíveis podenso ser utilizadas em saladas.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Erva Besteira



É conhecida a nossa predilecção pela flora dos ambientes básicos das serras calcárias de Portugal. Com maior ou menor facilidade uma boa parte de nós repara nas árvores, arbustos ou plantas de maiores dimensões ou com povoamentos mais generalizados, mas poucos reparam em algumas "preciosidades" que por serem menos abundantes passam despercebidas.

Uma dessas plantas pelas quais nutrimos especial simpatia - ao ponto de ser para nós incompreensível porque é que nao são mais utilizadas em jardinagem, está a popularmente conhecida por Erva-besteira ou, cientificamente falando, a Helleborus foetidus.

Discreta a maior parte do ano,ainda que as suas folhas também nao sejam de desconsiderar, é na primavera que esta planta revela a sua sofisticação quando lança as suas hastes florais de cor verde clara. É uma planta que em regra de pequeno porte, perene e vivaz que no periodo de Verão tem o seu período de dormência. Abaixo deixamos um detalhe das suas "vagens" a lembrar "chocalhos" que são igualmente estéticas, pois por esta altura do ano as suas sementes já estão na sua fase final de amadurecimento. 

Dois apontamentos ainda para outros dois aspectos: 

1) Apesar de se encontrar com facilidade nas zonas calcárias do centro do país, a sua distribuição alarga-se por outros tipos de solos, eventualmente mais frescos e ácidos como testemunha o mapa de distribuição da flora-on (aqui) e o Rafael Carvalho no seu blogue jardim autóctone.

2) Ao que tudo indica trata-se de uma planta com alguma toxicidade para os animais. Isso e um cheiro tenuamente desagradável se esmagarmos as suas folhas, valeram-lhe  o epíteto de fétido no nome. O que é discutível como bem escreveu há cerca de dois anos, no seu estilo inconfundível, o Paulo Araújo nest post cuja leitura recomendamos. Aqui.