quarta-feira, 23 de abril de 2014

Uma planta boa-escolha



Ora aqui está uma planta cujas características fazem dela uma boa escolha para qualquer recanto de jardim. E chamamos-lhe "boa-escolha" porque à parte a sua beleza, que é  intrínseca, tudo o que lemos sobre ela desmoraliza o mais optimista dos seres. A começar pelo nome vulgar: Abrótea !;  passando pelas designações cientificas: pertence ao género Asphodelus da família das Xanthorrhoeaceae e terminando nas descrições do seu habitat : "matagais", "terrenos secos e algo perturbados"; tudo nos leva a considerar que se trata de uma planta sem qualquer interesse.

E não é ! Pelo contrário é uma planta muito ornamental cujas hastes floridas impressionam até quem não gosta de flores.  Tivesse ela o nome de orquídea e uma etiqueta com um preço em Euros a condizer e seria certamente a estrela de qualquer garden-center! Por isso, e para não induzir nenhum preconceito, passamos a designar as plantas do género Asphodelus simplesmente de boas-escolhas. Pode ser que assim se tornem mais populares.

A que aqui vos mostramos pertence à espécie Asphodelus ramosus e pode ser encontrada um pouco por todo o nosso país. É uma planta de raízes tuberosas, folhas verdes compridas, a fazer lembrar as dos alhos,  bastante ramificadas a partir da base. As plantas mais maduras (presumimos que com mais do que um ano) costumam por esta altura do ano levantar hastes floridas que podem chegar ao metro e meio de altura.

Como referíamos acima é uma planta pouco exigente. Nem de solos - praticamente adapta-se a todos os tipos desde areias pobres até solos argilosos mais pesados, nem de nutrientes, nem de água - a que as chuvas lhe dão é mais do que suficiente.

Uma nota final para o uso medicinal que popularmente é dado às suas raízes tuberosas, cujo suco é indicado para o tratamento de impigens e ulcerações das mucosas.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

Uma centaurea

Centaurea sphaerocephala L. ssp. polyacantha

A par das armerias há muitas outras plantas que por esta altura nos chamam a atenção nas nossas arribas litorais. A que hoje vos mostramos é uma delas e se nos despirmos de preconceitos facilmente reconhecemos o quão bonita é e o quão interessante pode ser num jardim. As suas enormes inflorescências cor-de-rosa  podem chegar a ter 15 cm de diâmetro!

Esta planta, com o nome botânico de Centaurea sphaerocephala L. subespécie. polyacantha, pertence ao género Centaurea e pode ser encontrada em praticamente toda a costa ocidental portuguesa sobre areias, arribas e matos próximos do mar. Pode todavia ser usada com facilidade em jardins fora da linha de costa pois não estranha outros tipos de solos nem requer regas frequentes. Pelo contrário, até gosta de ser deixada por sua conta! 

De notar que é uma herbácea perene vivaz que após desaparecer com a secura do Verão volta a renascer no Outono seguinte. Por isso, uma vez semeada e germinada, pode ser colocada no seu lugar definitivo estando garantido todas as Primaveras uma vistosa floração. O que, aliás faz as delícias dos insectos polinizadores como as abelhas que apreciam especialmente o seu néctar. 

Para terminar deixo aqui uma ligação para o blogue da Fernanda Nascimento. Como é seu timbre, um artigo completo através do qual se ficam a saber algumas interessantes curiosidades sobre as flores desta planta.

domingo, 13 de abril de 2014

Armerias


Armeria welwitischii Boiss

Das cerca de 20 espécies de armerias nativas de Portugal, existem algumas cujo porte e inflorescências lhe conferem um indiscutível valor ornamental. Valor esse que não tem passado despercebido pois já hoje é possível encontrar algumas espécies e variedades ornamentais em muitos centros de jardinagem, como é o caso da Armeria maritima.

A que hoje vos mostramos e sobre a qual recaem as nossas preferências, é a Armeria welwitischii Boiss, um endemismo português. Isto é apenas ocorre em Portugal, mais concretamente nas dunas e arribas do nosso litoral entre Cascais e o Cabo Mondego. 

É uma planta sub-arbustiva perene que em regra se apresenta em tufos densos e cuja floração ocorre entre Março e Julho. Habituada ao rigor dos ventos salinos do seu habitat adapta-se todavia com grande facilidade a outros tipos de ambientes não exclusivamente arenosos ou litorais. Tem ainda a vantagem de suportar muito bem a secura, não exigindo nem regas frequentes nem solos ricos. É por isso uma planta ideal para jardins secos ou naturais.

Sendo exclusivamente portuguesa o seu nome "welwitischii Boiss" tem porém uma explicação simples. O botânico Pierre Edmond Boissieri  foi quem primeiro a descreveu. Em honra de um outro botânico austríaco,  Friedrich Martin Josef welwitsch, que em meados do século XIX também estudou a nossa flora nativa,  foi baptizada de welwitischii, como como nos explica  aqui Maria Carvalho do blogue Dias com árvores.

terça-feira, 8 de abril de 2014

Vassoura véu de noiva

Retama monosperma

Se é certo que o amarelo das giestas e das pascoínhas é a cor dominante das nossas paisagens do litoral nesta altura do ano, a verdade é que aqui e ali há outras cores que nos chamam a atenção. Uma delas, sobretudo para quem viaje nas auto-estradas do litoral e for com alguma atenção, é o branco de alguns arbustos que aqui e ali vamos avistando..

À primeira vista somos tentados a pensar que se tratam de giestas de flor branca - e de facto em algumas das nossas regiões, como o Alto Alentejo e Trás-dos-montes, são estas (cytisus multiflorus) que dominam na paisagem, mas no litoral e Algarve o mais provável é que seja a Retama monosperma, vulgarmente designada entre nós por piorno-branco mas que em inglês tem um nome mais sugestivo e condizente: bridal veil broom.

Originária das faixas litorais do Algarve e do Alentejo, é hoje uma espécie disseminada um pouco por todo o país nomeadamente nos taludes das principais vias de comunicação. Mas este facto não deve menorizar o seu valor ornamental. Pelo contrário, é um arbusto que podendo alcançar o porte de uma pequena árvore nos oferece uma intensa floração branca logo ao inicio da Primavera.  Seja sozinha ou em conjugação com outras espécies arbustivas é uma opção a considerar.

Um parágrafo final para referir que esta é uma espécie da família das leguminosas,  pouco exigente de água e que se adapta bem a diferentes tipos de solos.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Rosa-albardeira

Paeonia broteroi

Para quem se inicia na descoberta dos nossos territórios pelos inícios da Primavera, uma das surpresas maiores é encontrar uma rosa-albardeira. Achamos sempre que a nossa flora apenas produz pequenas e simplórias flores e somos surpreendidos por uma que pode chegar a ter 12 centimetros de diâmetro! Quase que chegamos a duvidar se é mesmo nossa, se não será uma exótica assilvestrada.

Mas é. É aliás uma das nossas plantas vivazes mais apreciadas noutros países como em Inglaterra onde o género Paeonia é largamente utilizado como planta de jardim e as nossas rosas-albardeiras assumem o lugar de preciosidade. Esta nossa espécie, que em Portugal é possível encontrar com alguma facilidade no centro e sul do país, é autóctone da Península Ibérica. Isto é, além de Portugal só no sul de Espanha é possível depararmo-nos com ela em estado selvagem.

Indiferente ao tipo de solo, ácido ou básico, é todavia vulgar encontrá-la nos maciços calcários da estremadura, bem como no barrocal algarvio, em locais sombrios e nas orlas de bosques de azinheiras, carvalhos ou sobreiros. Isto é, desde que não seja colocada num lugar excessivamente exposto ao sol, é possível ter uma rosa-albardeira em quase todos os jardins.

É verdade que as flores possuem uma vida efémera de poucos dias, mas a exuberância das suas dimensões compensam largamente essa desvantagem.

Paralelamente é de realçar que as rosas-albardeiras não foram nem são ignoradas pela nossa cultura popular. Consoante as regiões assume outros nomes vulgares como Erva-casta, Rosa-cuca ou Rosa-de-lobo, apenas para citar alguns. É, além disso, uma das flores mais vistas na decoração das tochas floridas, carregadas apenas por homens e uma das principais atracções numa das procissões mais genuínas do nosso país e que ocorre na Festa das tochas floridas em São Brás de Alportel nos domingos de Páscoa. As fotos abaixo são de procissões de anos anteriores. A deste ano ocorrerá a 20 de Abril.


Para terminar juntamos dois links para duas entradas que o Dias com árvores e o O Botânico Aprendiz na terras dos espantos já publicaram sobre esta espécie. Aqui e aqui, respectivamente.

domingo, 30 de março de 2014

Scila Peruviana

Scilla Peruviana

Se fossemos a olhar apenas para o seu nome, esta era uma das plantas que não só pensaríamos não ser nossa como possivelmente não consideraríamos merecedora de atenção. Mas os nomes por vezes enganam e este é a prova de que por vezes é preciso ver com os nossos próprios olhos.

Nativa do sul de Portugal, em especial do Algarve onde é possível vê-la em maior abundância, a Scilla peruviana, também conhecida por cebola-albarrã-do-Peru, é uma planta bolbosa que à semelhança de outros géneros da família das Asparagaceae, possui uma cebola ou alho que lhe garante os recursos para a sua sobrevivência nos períodos de Verão. Em regras as primeiras folhas aparecem no fim do Inverno e as inflorescências ainda no mês de Março prolongando-se até meados de Maio.

Tendo preferência por solos com alguma humidade e calcários, o facto é que se dá perfeitamente noutros tipos de solo podendo por isso ser uma escolha a considerar em quase todos os jardins. Ao contrário do que pensávamos, e como podemos constatar nos testes de germinação que efectuámos, as suas sementes germinam muito facilmente e resolvem um dos problemas que esta espécie enfrenta em estado selvagem - a colheita desregrada das suas cebolas.

Para finalizar uma pequena nota sobre a "estranha" designação cientifica desta planta originária dos países do sudoeste da Europa (Itália, França, Espanha e Portugal) e norte de África. Com efeito, de acordo com algumas fontes, estas Scillas existem no Peru por terem aí terem  sido introduzidas aquando da sua colonização. É possível que se tenha disseminado de forma generosa pelos territórios deste país dos Andes, mas tal não conseguimos confirmar com certeza. 

Para outros, a origem do erro tem uma explicação mais peculiar. Quando Lineu empreendeu o trabalho de descrever e dar nomes cientificos, a desta planta "apareceu-lhe" num lote oriundo de Espanha que aí tinha chegado a bordo de um navio denominado Peru. Daí a Peruviana foi um passo e como em matéria de classificação uma vez baptizada uma espécie, se segue a opção de não lhe modificar o nome, assim ficou baptizada induzindo-nos a pensar que é uma planta originária de um outro país que não o nosso.

De qualquer das formas, se está explicada a origem do erro, menos compreensível é, conforme refere Francisco Clamote do blogue  O botanico aprendiz na terra dos espantos, aqui, que o seu nome vulgar continue a basear-se no equívoco cebola-albarrã-do-Perú. Até porque, para os ingleses por exemplo, esta é vulgarmente conhecida por ...Scila Portuguesa!

sexta-feira, 28 de março de 2014

Pascoinhas



Dos muitos tons de amarelo que enchem os campos do centro litoral na Primavera há um que pela sua profusão chama a nossa atenção - o das Pascoinhas. Este arbusto, também da famílias das Fabaceae, denominado cientificamente de Coronilla glauca, deve o seu nome popular a razões óbvias por apresentar o seu período de máxima floração por alturas da Páscoa. E a deste ano é já daqui a pouco mais de 3 semanas!

O seu interesse ornamental resulta da conjugação de dois aspectos. Não só é um arbusto que não cresce desmedidamente - 1,5 metro de altura, como se reveste generosa e persistentemente até Junho de flores. Daí que seja hoje cada vez mais vulgar ver estes arbustos em jardins e parques públicos.

Isoladas ou em sebes as Pascoínhas garantem um jardim florido com muito poucas exigências, sobretudo no que se refere a água e adubações. Naturalmente habituada a solos calcários adapta-se bem a outros tipos de solos (uma vez mais desde que não sejam ácidos ou encharcados). A germinação das suas sementes não apresenta cuidados de maior e a uma temperatura de 16º a 20º com humidade e luz q.b. é quase certa!

Para terminar deixamos-vos um link para o Dias com Àrvores, um blogue que já escreveu quase tudo o que havia para escrever e que consultamos (e copiamos!!) regularmente antes de publicar algum disparate. Além do texto, as fotos são bem ilustrativas do interesse ornamental deste arbusto.